O nocaute que ensinou ao boxe e ao MMA: a vida não para

O tombo do boxeador Manny Pacquiao depois de ser golpeado a um segundo do fim do sexto round de um eletrizante duelo contra Juan Manuel Marquéz, no sábado, jogou na lona a alma de quem nutre paixão por esportes. Deu um baque na expectativa de vê-lo em ação contra a outra lenda viva do boxe Floyd Mayweather, duelo entravado por anos pela burocracia fora do ringue. A superluta ansiada pelos fãs soava como redenção da nobre arte na era da explosão de popularidade do MMA. Mas a queda do filipino em Las Vegas desmoronou a esperança: aos 33 anos, açoitado por duas derrotas após se manter invicto por sete anos e quinze duelos, o pugilista deve optar pelo resguardo. O corpo e a técnica definham. O ocaso de Pacquiao é a rasteira do tempo na incompetência dos dirigentes e a aula do destino para o boxe e o co-irmão MMA: a vida não espera as artimanhas para colocar os melhores frente a frente.

O encontro entre Pacquiao e Floyd se impunha como tira-teima pelo título de melhor da atualidade. Eleito o lutador da década, escolhido três vezes como boxeador do ano, e com apenas três derrotas até então no currículo, o filipino gozava de prestígio absoluto aos trinta e poucos anos de vida. O oponente, nunca derrotado como profissional, colecionava cinco títulos em categorias distintas. O mundo pedia o encontro. Mas divergências no valor de pagamento das bolsas atrasaram e, agora, praticamente impediram o combate. Pacquiao deve se entregar à carreira política nas Filipinas. E o boxe vai lamentar sempre a luta nunca vista.

O desencontro soa como alerta ao quiprocó do UFC para agendar lutas de Anderson Silva com Jon Jones e George St-Pierre. O brasileiro, melhor do MMA hoje, tem 37 anos e, apesar da tentativa de se manter ativo por mais dez combates, se aproxima do fim da carreira e da forma física excepcional. Vive o ápice da trajetória de sucesso. O confronto com as outras duas estrelas da franquia exige pressa sob o risco de entrar para o arquivo das frustrações esportivas. O tempo é inimigo mordaz do Ultimate a exemplo do desgaste provocado sobre outras modalidades, como futebol, vôlei, basquete. O atleta tem prazo de validade. Paciência também.

A inércia de agendar os combates – sempre adiados por empresários e os próprios lutadores – retarda a possibilidade de torná-los factíveis. A marcha da lentidão é carregada de obstáculos. O canadense St-Pierre pede valores astronômicos para encarar Silva. O Aranha se mostrou favorável, mas quer receber alto também. Jon Jones refuga o brasileiro e corre para o peso-pesado. Na dispersão diária das declarações, o esporte padece.

O presidente da franquia, Dana White, tem a missão de fazer os duelos acontecerem. Deve mirar o exemplo negativo do boxe para quem o confronto Floyd e Pacquiao será uma recordação natimorta. Os mais críticos podem até apedrejá-lo por querer deslocar Anderson de categoria e dar vazão ao showbusiness. Mas o momento é outro. O Aranha superou toda sorte de adversários. Chegou ao esplendor da carreira e nada mais precisa provar. Defendeu o cinturão com propriedade. Agora, é preciso vôo mais ousado. Dentro da regra do esporte, com peso combinado.

Se demorar para agir, Dana vai acumular o segundo revés de leniência diante dos fãs. O primeiro atende pelo nome de Fedor Emelianenko, um dos maiores de todos os tempos, esquecido pelo UFC por divergências empresariais. Até hoje ele é lembrado por quem aprecia as artes marciais mistas e queria tê-lo visto no Ultimate. A vida é insensível aos caprichos da burocracia. Ela não para. Foram-se Pacquiao e Floyd. Vão-se Anderson Silva, St-Pierre e Jon Jones?

Cantor do KLB vai lutar em torneio de MMA

O tempo limpou o MMA dos estereótipos. A concepção arraigada no imaginário coletivo preenchida de homens musculosos metidos a brabo dentro e fora do ringue se dissolve na realidade diária do esporte. O universo dos lutadores acolhe tipos distintos, oriundos de caminhos profissionais inimagináveis.

A surpresa mais recente vem de São Paulo, com a notícia da estreia do cantor Bruno, integrante do grupo KLB, nas competições de artes marciais mistas. Conhecido pela performance suave demonstrada nos palcos, à frente de canções românticas imortalizadas no coração de adolescentes Brasil afora, o vocalista encara o desafio dos socos e pontapés no Fair Fight MMA, evento realizado na Vila Funchal no próximo dia 16.

Engana-se quem aposta em interesse súbito do cantor pelas artes marciais mistas. Bruno “KLB” Scornavacca, nome de batismo no esporte, treina há mais de oito anos na academia Chute Boxe, uma das mais respeitadas no segmento. Ele se prepara para o combate com a ajuda de Felipe Sertanejo, peso-pena do UFC. Em entrevista concedida à revista Tatame, dias atrás, o cantor disse ser fã do Ultimate desde os primórdios. Costumava, ele garantiu, assistir às lutas com o pai. O integrante do KLB acredita ser forte na trocação e pretende colocar em prática o treinamento de muay thai e boxe.

O adversário, apesar de ser mais experiente, assusta pouco. Diego Ramones tem quatro lutas no cartel e o mesmo número de derrotas. O confronto entre os dois será a luta principal do evento. O futuro da carreira do músico dentro dos ringues pertence ao destino. É conseqüência direta do desempenho no primeiro combate, diz Bruno, estreante tardio nos torneios, aos 28 anos.

A única certeza por enquanto é a continuação da trajetória artística com os parceiros Kiko e Leandro. Pelo Twitter, o cantor tranqüiliza os fãs: o KLB continua com firmeza e força. Quer dizer, a força também depende do resultado da luta… O Fair Fight será um divisor de águas na vida do vocalista e atleta. E mais um marco das múltiplas facetas reveladas cotidianamente pelo MMA.

Meu Twitter: @tiagobarbosa_

O dia em que Popó reinventou Rocky Balboa

Tetracampeão superou personagem de filme com nocaute irretocável

Quatro vidas entrelaçadas pelo boxe e guiadas pelo roteiro da superação. No enredo da ficção, um Rocky Balboa aposentado, vivo à base de lembranças dos tempos de campeão. Hostilizado pelo próprio filho por conta de problemas pessoais. Era um filme. No script da realidade, Acelino Popó Freitas, pugilista brasileiro afastado dos ringues há meia década, em dívida com o rebento por nunca ter lutado diante dos olhos do garoto. Era palpável.

Duas histórias reescritas depois de um retorno triunfante dos veteranos ao mundo da luta. No cinema, Balboa reencontrou a glória ao resistir a um jovem campeão do esporte. Combateu por doze rounds, apanhou, revidou, aguentou e se fez vencedor mesmo na derrota. No Uruguai, na noite do sábado, Popó viveu a sina de Rocky, mas reeditou o significado de se reerguer: impôs um nocaute ao oponente e se despediu das quatro cordas com uma vitória incontestável. O Balboa do filme se reconciliou com o filho. O Balboa do mundo real satisfez o pequeno Popó com a garra de tetracampeão com a qual imortalizou o nome na galeria dos maiores atletas brasileiros. A realidade tripudiou da ficção.

A performance de Popó começou antes da luta contra Michael Oliveira, jovem talento do boxe nacional, com apenas 22 anos, até então invicto há 16 lutas e campeão latino de boxe. O tetracampeão mundial, longe dos ringues há cinco anos, perdeu 18 quilos, preparou-se, deixou de lado – por um momento – a carreira de parlamentar com a qual representa o povo baiano. Popó se adequou ao desafio. E se tomou de energia extra para encarar o duelo: um pedido do filho para vê-lo em ação.

As cenas da epopeia de Popó passaram pelas provocações. O adversário tachou-lhe de gordo, fora da forma física ideal, incapaz de triunfar. O tetracampeão rebateu. Garantiu a vitória. O drama da luta ganhou contornos de cinema na pesagem. Os atletas se estranharam. Popó reclamou de proximidade excessiva por parte de Michael e o empurrou. Separados pelos staff, os dois se reencontraram no ápice da tensão na noite do sábado.

Aos 36 anos, Popó mostrou por que chegou à luta com um cartel invejável de 40 duelos e somente duas derrotas. Abusou da ofensividade. Partiu para a guarda de Michael e apagou a diferença de idade. Os socos balançaram a jovem promessa. Levaram o garoto por duas vezes à lona. Acelino demonstrou nunca ter esquecido a esquiva. Saiu-se dos golpes de Michael com facilidade. A agressividade durou até o nono round, o penúltimo da luta. Mais aguerrido, Popó derrubou o adversário, e o juiz encerrou o combate.

Nos braços da equipe, o campeão perdeu para as lágrimas. Agradeceu a oportunidade de subir novamente no ringue. Expressou o amor pelo filho. Pagou a divida do sentimento, capaz de ser quitada apenas pela superação embalada no amor. Popó pregou a humildade, mas se portou como um autêntico campeão – dono do destino e da vitória quando colocado diante dos desafiantes. O regresso ao universo da luta tornou-se um épico de amor pela família e pelo esporte. Popó vestiu a pele de Rocky Balboa. E, com um nocaute irretocável, reescreveu até mesmo a sina de um campeão de bilheteria. Merecia o Oscar.

 

A última luta de Popó, mito brasileiro do boxe

Lutador entra no ringue depois de ficar cinco anos parado

Sobre os ringues, reinou inconteste. Bateu adversários, nocauteou desafiantes, levantou cinturão de campeonatos mundiais. Em 40 lutas na carreira, tocou na derrota em apenas duas ocasiões. Somente no fim da trajetória, à beira da aposentadoria. Antes, a glória. Acelino “Popó” Freitas é, sem dúvida, capítulo obrigatório da história das lutas no Brasil. O baiano saiu de Salvador para representar o país nos últimos anos dourados do esporte em terras tupiniquins. Cinco anos depois dar adeus ao pugilismo, ele anuncia um único regresso: a luta derradeira para presentear o filho. O garoto nunca teve a oportunidade de vê-lo em ação.

A batalha de Popó, hoje com 36 anos, será contra um jovem e talentoso boxeador. O brasileiro Michael Oliveira, 22 anos, é campeão latino do Conselho Mundial de Boxe e mora nos Estados Unidos. Popó ostenta o status de tetracampeão mundial de boxe (das organizações WBC, WBO, WBA). Antes da luta, os dois protagonizaram momentos tensos. Trocaram farpas. O adversário ironizou a dificuldade do veterano de perder peso e ficar em forma para o combate. “Os vídeos e as fotos estão mostrando ele gordo, cansado, treinando quase morrendo. Será que ele estará pronto?”. Ele também desafiou o oponente: “Estou pronto para morrer no ringue. Será que o Popó está? Só saio do ringue morto”.

O tetracampeão rebateu: “Não tenho nada a perder não. Só tenho a perder se eu machucar a minha mão, porque tenho que engessar, aquela coisa toda. Mas não existe, nunca existiu na minha cabeça derrota”. Ele prometeu derrubar o jovem talento: “Vou te arrebentar todo. Pode esperar”.

O clima ficou ainda mais tenso durante a pesagem em Punta Del Leste, no Uruguai, onde a luta será realizada. Michael se aproximou tanto de Popó que os dois quase se beijaram. O tetracampeão empurrou o adversário e os dois precisaram ser contidos. Michael jurou vingança no ringue. Também houve discussão em torno da balança utilizada na pesagem, mas ambs bateram o peso (abaixop de 69 quilos). A luta será às 23h deste sábado e terá transmissão da SporTV.

POLÍTICA

Acelino de Freitas conquistou o primeiro cinturão em 1999, ao vencer Anatoly Alexandrov, na França. Ele começou a lutar em 1995 e só conheceu a primeira derrota em 2004. Após deixar os ringues, o baiano se tornou deputado federal. Hoje, é um dos maiores entusiastas das artes marciais mistas (MMA).

Show de reportagem!

O amigo Alexandre Barbosa, do Superesportes, me chamou a atenção para uma reportagem de uma emissora do Acre.

A matéria fala sobre um desafio de boxe entre anões na cidade de Sena Madureira, situada a cerca de 140 km da capital Rio Branco.

Entre os destaques do evento, os ltuadores Nó de Pau, Sucuri do Macauã, Pantera Branca e Tigre Negro.

Que matéria! É muita qualidade…

p.s.: “a turma” está dizendo que Alexandre poderia disputar esse campeonato…

 

Cigano diz que nocautearia Mike Tyson

O brasileiro Junior Cigano dos Santos experimenta o gosto da fama desde a vitória sobre Cain Velasquez e a conquista do cinturão dos pesos-pesados do UFC, categoria tida como a mais nobre no torneio de MMA. Ele deve defender o título contra o holandês Alistair Overeem, que ganhou (e aposentou) de Brock Lesnar no fim do ano passado. O catarinense baiano de coração concedeu uma entrevista bem franca ao jornal A Tarde e comentou até a possibilidade de lutar contra o ídolo dele no boxe, Mike Tyson, em um evento de MMA ou da nobre arte. “Ele seria nocauteado”. Veja abaixo um trecho da entrevista e, aqui, à íntegra.

Mike Tyson vem cogitando lutar no UFC. Como vê isso?

O quê? (risos). Para mim é novidade, você que está me falando. Sou um grande fã do Mike Tyson, com certeza um dos maiores nomes de todos os tempos das artes marciais, do boxe. Eu gostaria de vê-lo lutando, não sei se ele se sairia muito bem no MMA. O negócio dele é no boxe, queria vê-lo lutando boxe. Se ele for para o MMA, acho que vai ser como foi com James Tony (ex-campeão de boxe que estreou no MMA e perdeu para Randy Couture).

Mike Tyson x Cigano, seja no UFC ou apenas no boxe. Qual seria o resultado?

Mike Tyson nocauteado, com toda a certeza. Pode ser no boxe, no MMA. Se eu não acreditar em mim, se eu não confiar em mim, ninguém vai. Então se rolasse uma luta Cigano e Tyson, ele seria nocauteado. risos.

Mike Tyson para crianças

A ira ensandecida dos ringues deu espaço à delicadeza. É, pelo menos, o reflexo mais fiel deste retrato no qual figura a lenda viva do boxe Mike Tyson. O ex-campeão mundial postou no Twitter uma foto tirada com duas criancinhas. Detalhe: ambas estão com a tatuagem em torno do olho usada pelo pugilista. Mike parece bem à vontade, feliz, sorridente. Mas deem só uma ligeira olhada na cara de espanto dos dois garotos. Estupefatos, pode-se dizer. Um deles até esboça uma guarda levantada (seria medo?) e punhos cerrados… O ex-lutador ainda escreveu no microblog: “Crianças me amam”. E dá?

Brincadeiras à parte, é bom frisar: o ídolo continua querido entre fãs, apesar das peripécias aprontadas durante a carreira, dentro e fora dos ringues. O nome Mike Tyson virou uma marca a ser guardada nos anais de ouro do boxe. Um mito arquivado na memória, retratado pelo tempo como um dos maiores atletas já vistos pelo mundo. Temido pelos adversários, rebelde com a sociedade, destrutivo com a própria vida. A imagem da imprevisibilidade. E, com base na foto, por que não da ternura (será que cola?)?

O esporte que mais machuca a cabeça? Nada de MMA ou boxe…

Chutes, socos, joelhadas e cotoveladas se multiplicam dentro do octógono das artes marciais mistas. A reação dos espectadores é uma só: pobre do lutador atingido pela saraivada de golpes desferidos pelo oponente. Um estrago difícil de reparar. Se for na cabeça, então… O espetáculo de pancadaria é um prato cheio de argumentos para classificar o esporte como barbárie, violência pura, agressão ao ser humano. É quase impossível imaginar uma atividade tão danosa ao corpo quanto às modalidades de luta. Verdade? Quase. Uma pesquisa feita por uma entidade espanhola revelou um dado estarrecedor para quem dá plantão nas críticas aos combates nos ringues: o esporte que mais provoca fraturas nos ossos da face é… o futebol.

A conclusão é da Sociedade Espanhola de Cirurgia Oral e Maxilofacial (Secom). Pesquisadores avaliaram o grau de lesão nos atletas e descobriram a maior frequência de fraturas na cabeça entre os atletas dos gramados. “O futebol é um esporte com muito contato e para o qual nenhuma proteção é utilizada. No momento em que dois jogadores colidem em alta velocidade para assumir o controle da bola, cabeças ficam expostas ao risco de fratura pelo impacto de uma chuteira, um cotovelo ou outra cabeça “, diz o médico Arturo Bilbao, presidente da Secom, em declaração reproduzida nos jornais espanhóis.

O estudo indica os esportes como responsáveis por 30% das fraturas maxilo-faciais – e o futebol responde por 6 em cada 10 lesões do tipo. Em aproximadamente 60% dos casos, os ossos da área central da face são os mais atingidos. A pesquisa classificou o choque entre cabeças como o principal culpado pelas fraturas no campo. Os hematomas, em geral, correspondem às cotoveladas e as fraturas múltiplas, aos chutes na cabeça.

A falta de equipamentos de proteção amplia as possibilidades de fraturas. Diferentemente de esportes cujo contato com a cabeça é até um objetivo – como no MMA, boxe e em outras modalidades de luta -, o futebol prescinde de instrumentos eficazes para coibir as lesões. Nas artes marciais mistas e no boxe, as luvas dos atletas são projetadas para reduzir o impacto. Os lutadores utilizam protetores bucais considerados eficientes no papel de proteger a arcada dentária e os ossos centrais mesmo diante de pancadas extremamente fortes.

Há poucos anos, o Ultimate Fighting Championship (UFC) – maior torneio de artes marciais mistas do mundo – implantou uma série de regras para diminuir as lesões principalmente na cabeça. …Continue lendo…

Tragédia no boxe: lutador morre após ser nocauteado

O boxeador russo Roman Simakov morreu três dias depois de ser nocauteado durante uma luta pelo cinturão do Conselho de Boxe da Ásia (WBC). O pugilista enfrentava o compatriota Sergei Kovalev. Simakov saiu do ringue em uma maca e foi hospitalizado, mas não resistiu ao efeito das pancadas e morreu nesta quinta-feira. Segundo a Federação Russa de Boxe, o atleta chegou a passar por uma cirurgia no cérebro, mas não chegou a recuperar a consciência.

Roman sofreu uma queda no sexto round. Mesmo assim, levantou-se e continuou na luta. No sétimo, foi golpeado novamente e após uma sequência emplacada pelo adversário, ficou tonto e se agarrou às cordas. Sem força para manter-se de pé, precisou de atendimento e ajuda para ser retirado dos ringues. Foi a segunda derrota do boxeador em 21 lutas na carreira profissional.

No vídeo, a trágica luta entre Simakov e Kovalev.

Cadê o boxe, ninguém viu?

O silêncio é a nova sinfonia do boxe no Brasil. O esporte caminha mudo sob os holofotes apagados da indiferença. A noite do sábado passado ilustrou com maestria a derrocada da nobre arte em detrimento de um pujante MMA cada vez mais presente na grade de programação da televisão brasileira. Há quem desconheça: no mesmo dia em que o brasileiro Junior Cigano dos Santos roubou o cinturão do norte-americano Cain Velasquez, o filipino Manny Pacquiao venceu pela 15ª vez consecutiva e manteve o título dos meio-médios pela Organização Mundial de Boxe (OMB).

O duelo dos pugilistas, salvo por diminutas matérias de internet, trilhou o ostracismo na cobertura esportiva. É o sinal evidente da nova era da luta: o boxe sai de cena para subida aos palcos do MMA, apoiado no maior torneio do mundo, chamado UFC. A disputa de Pacquiao era uma das mais importantes dos últimos anos. Só para dimensionar: 15 mil pessoas assistiram à luta no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas. Pela vitória sobre Juan Manuel Marquez, o filipino faturou uma cifra em torno de 25 milhões de dólares. Cigano, após vencer Velasquez, ficou com 110 mil dólares.

A discrepância na atenção, no entanto, é um indício do desprestígio paulatino do boxe. E há razão para isso. Paira sobre o esporte a pecha de lutas arranjadas, com cifras cada vez mais milionárias para poucos, sem os duelos realmente esperados pelo público. O confronto entre Pacquiao e Marquez foi a terceiro desde 2004. No primeiro encontro, empate. No segundo, quatro anos depois, vitória de Pacquiao. Agora, novo triunfo do filipino. Mas o resultado acabou manchado por críticas do adversário.  “Estou indignado. Isso desanima qualquer um”, afirmou Marques. O mexicano cogita a hipótese de se aposentar. O púbico vaiou a decisão.

Os fãs do esporte aguardam, finalmente, o encontro entre Manny Pacquiao e Floyd Mayweather (invicto, com 39 vitórias no cartel). O duelo promete ser um dos maiores da história do boxe. Desde que aconteça. O receio de expor os atletas e encerrar a margem de lucro em caso de derrota têm sido obstáculos até agora intransponíveis.

É uma das desvantagens do boxe em relação ao MMA – onde a pressão pelas melhores lutas empurra os organizadores a colocar, cara a cara, os atletas de ponta. A consequência é tão imprevisível quanto saborosa: os combates sucessivos levam, quase sempre, a alternância de ídolos – com a passagem de cinturão – ou a criação de mitos – quando um lutador como Anderson Silva consegue defender o título durante várias lutas.

A explosão de popularidade do MMA parece sentenciar o boxe a um papel secundário no universo dos ringues. O sábado à noite, espaço cativo da nobre arte durante muitos anos no Brasil, já sentiu o golpe. A entrada da Globo nas transmissões e o crescimento do UFC prenunciam o pior: o boxe está a um passo de ser nocauteado na TV brasileira.