Anderson Silva salva o UFC Rio 3 do fiasco

Aranha atende a pedido do chefe e vai lutar no UFC Rio 3. Minotauro também participa

Dana White acertou. Substituiu com velocidade e à altura os principais personagens do UFC Rio 3. Com a saída de José Aldo e Rampage Jackson (machucados) do card, escalou Anderson Silva e Minotauro para fortalecer o evento e salvá-lo do fiasco. O corte dos dois atletas sentenciaria a edição na Cidade Maravilhosa ao fiasco. Faltariam nomes de peso para garantir a audiência, atrair patrocinadores e conquistar a atenção dos fãs. Dana só precisou de um telefonema para sondar o campeão brasileiro dos médios e confirmá-lo entre os participantes. A inclusão de Minotauro também caiu bem: o atleta é tido no país como o rosto do esporte. A história de superação dele o credencia a título de herói do povo.

O presidente do UFC tinha poucas possibilidades – os brasileiros mais conhecidos (Lyoto, Shogun, Cigano) haviam lutado recentemente ou possuíam compromissos em breve – e estava pressionado pelo tempo e pela lembrança infeliz do evento mais recente promovido no Brasil. A edição de 13 de outubro exigia reparação do pouco convincente torneio realizado em Minas Gerais. A cidade de Belo Horizonte acabou como sede para a final do The Ultimate Fighter Brazil, vale frisar, depois de uma pendenga entre o Rio de Janeiro (impossibilitado por conta da Conferência das Nações Unidas) e São Paulo (impedida em função de leis rígidas contra barulho durante a madrugada). Sobrou BH, mas faltaram atrativos: a luta entre Anderson Silva e Chael Sonnen migrou para Las Vegas por pressão dos patrocinadores. E Vitor Belfort, uma das estrelas do card, machucou a mão na véspera do evento. A edição meia-boca acabou com derrota de Wanderlei Silva para o veterano Rich Franklin. Nada empolgante.

A escolha de Minotauro e Anderson Silva – principalmente o campeão – é um remendo para tentar manter o alto nível da próxima edição. Bom para o Ultimate e os lutadores recém-relacionados. A decisão de aceitar entrar no UFC Rio 3 com apenas um mês para se preparar salda uma dívida do Aranha com o torcedor brasileiro e sela a sintonia entre Anderson e o patrão Dana White. A transferência do combate com o falastrão norte-americano travou o estômago do campeão meses atrás. Silva queria bater o adversário no país. Era uma forma de fazê-lo engolir – a golpes e nocaute – as palavras maldosas desferidas contra os brasileiros. Dentro de casa, o show teria sabor de desforra. A mudança tomou o Aranha de assalto e o fez digerir a contragosto o combate. As relações com o chefe ficaram arranhadas.

Sinal da boa vontade de Anderson para contornar o mal-estar com o dirigente já havia sido dado quando Dan Henderson ficou impossibilitado de participar do UFC 151 por força de uma lesão. Ao se candidatar para salvar o evento, ele fez apenas uma exigência: não enfrentar Jon Jones, até então definido como a luta principal. Os torcedores mais aficcionados do MMA encararam a condição imposta pelo campeão como indício de receio de duelar contra o segundo lutador mais talentoso da momento do UFC.

É preciso ter calma.

Do ponto de vista comercial, um combate arranjado em cima da hora seria pouco lucrativo para o lutador e os patrocinadores. Se havia a possibilidade de colocá-los no octógono, seria melhor trabalhar o evento e torná-lo rentável – como foi a luta entre Silva e Sonnen, uma das mais assistidas da história. A questão técnica também interferiu. Enfrentar Jones seria o desafio mais perigoso para Anderson, principalmente na fase atual da carreira, à beira da aposentadoria. Necessitaria de preparo específico e estratégia aperfeiçoada com o tempo. O imediatismo poderia ser um obstáculo em uma luta provavelmente decidida – pela qualidade dos atletas – em detalhes.

O combate entre os dois craques do MMA, só para deixar claro, ainda é considerado pelos dirigentes do UFC: em entrevista recente, Dana White aventou a possibilidade de ver Anderson enfrentar Jon Jones depois de colocar o brasileiro diante de outra lenda, o canadense George St-Pierre. O discurso do mandachuva sugere o início de um trabalho para fazer a luta acontecer, mesmo contra a vontade dos dois atletas, auto-declarados amigos.

O ADVERSÁRIO

O Aranha vai lutar, no UFC Rio 3, contra Stephan Bonnar, 35 anos, categoria dos meio-pesados, acima do peso médio no qual está o brasileiro. O lutador norte-americano vem de uma trajetória incerta. Mas guarda na história o principal trunfo: ele fez a luta principal da primeira edição do The Ultimate Fighter dos EUA. O programa é considerado fator decisivo na popularização do UFC no país e bóia salva-vidas na qual a cúpula do torneio se agarrou para evitar naufragar depois de ter comprado a marca anos antes. O duelo de Bonnar com Franklin em 2005 (Bonnar perdeu na decisão) é um das mais significativos do percurso recente do Ultimate, reconhece o próprio Dana White.

No combate do dia 13 de outubro, o brasileiro é favorito disparado. Oriundo do jiu-jitsu e ex-aluno do lendário Carlson Gracie, Bonnar lutou pela última vez em novembro do ano passado. Nos últimos seis combates, venceu três lutas – sucessos obtidos em sequência nos confrontos mais recentes. Entre as derrotas, uma para Jon Jones por decisão dos árbitros. Mas a situação importa menos que a disposição. Bonnar volta à história do UFC ao cavar lugar no coração do chefe por aceitar o combate em cima da hora contra um dos mais talentosos lutadores do MMA mundial. A cartada de Dana deve garantir atenção ao evento e, certamente, livrá-lo do fracasso ao qual estava condenado com a perda de nomes como José Aldo e Rampage Jackson. O apelo ao melhor sempre funciona. Agora, o show é no ringue.

O CARD

UFC Rio 3

HSBC Arena, Rio de Janeiro

Sábado, 13 de outubro de 2012

 

- Anderson Silva enfrentará Stephan Bonnar;

- Glover Teixeira enfrentará Fábio Maldonado;

- Rodrigo Minotauro enfrentará Dave Herman;

- Wagner Caldeirão enfrentará Phil Davis;

- Demian Maia enfrentará Rick Story;

- Erick Silva enfrentará Jon Fitch;

- Rony Jason enfrentará Sam Sicilia;

- Serginho Moraes enfrentará Renée Forte;

- Cristiano Marcello enfrentará Reza Madadi;

- Diego Brandão enfrentará Joey Gambino;

- Francisco Massaranduba enfrentará Gleison Tibau.

 

José Aldo vai enfrentar Frankie Edgar no Brasil

Luta foi arranjada depois da lesão de Erik Koch

Uma lesão deu ao UFC a chance de armar um confronto cogitado há muito tempo para tornar bem mais interessante os duelos na categoria peso-pena. O lutador Erik Koch, escalado para fazer o combate principal do UFC Rio III contra o campeão brasileiro José Aldo, se machucou e, no lugar dele, o Ultimate escalou ninguém menos que Frankie Edgar, ex-campeão do peso leve – uma categoria acima. Os dois vão lutar na HSBC Arena, com capacidade para até 14 mil pessoas.

Frankie ventilava a hipótese de  descer de peso há algum tempo. A mudança ocorreu depois de duas derrotas seguidas – e a consequente perda do cinturão – para Ben Henderson. A última delas no dia 11 de agosto, por decisão dividida dos juízes.

A nova luta foi anunciada por Dana White. O chefão do UFC enfrentava as consequências de uma semana turbulenta no torneio em virtude dos atropelos depois da contusão de Dan Henderson e da procura por um desafiante para o campeão dos meio-pesados, Jon Jones. O dirigente elogiou a postura de Edgar em aceitar a convocação da franquia e conclamou os fãs do esporte a assistir à luta. “As pessoas esperam por isso há muito tempo”, afirmou a um jornal norte-americano.

Frankie Edgar e o campeão brasileiro José Aldo se enfrentam no dia 13 de outubro. O card ainda conta com estrelas do porte de Rampage Jackson, em treinamento no Recife, contra Glover Teixeira.

Brasil, teu nome é UFC

A noite em que a vingança de Anderson Silva fez o país das chuteiras reverenciar o MMA

Das redes sociais, a ansiedade pingou incessantemente. Vozes distintas, de pontos diferentes do Brasil, construíram a corrente de apoio em nome da pátria. Uniram forças para empurrar o campeão no rumo da glória. Das ruas, o desejo brotou único e indissolúvel:  a vontade de rever o ídolo em ação reuniu o povo em frente da TV. Bares tomados, lares insones, um exército de torcedores de prontidão à espera do golpe derradeiro para vingar o orgulho ferido.

A vitória de Anderson Silva sobre Chael Sonnen neste sábado, em Las Vegas, ultrapassaria as fronteiras do octógono. As provocações desferidas pelo norte-americano durante quase dois anos, os xingamentos disparados à nação brasileira, o desrespeito à mulher do Spider e o menosprezo à cultura tupiniquim redefiniram o teor do combate: a luta deixou de ser entre dois atletas. Virou a batalha pelo orgulho. O duelo pela honra. A guerra contra o mau-caratismo. Anderson vestiu o bem. Empunhou a humildade. Representou a decência. Envergou o respeito. Anderson virou Brasil. Sonnen, o resto. E, no confronto para calar a soberba e a idiotice, a pátria das chuteiras calçou as luvas, entrou no octógono e armou a guarda. Na noite do sábado, o país do futebol virou a terra do MMA.

O campeão pareceu nervoso. Lambeu os lábios. Sentiu o peso sobre os ombros. Nas costas, levou o retrospecto de 14 vitórias consecutivas no UFC. Nove defesas de títulos. A invencibilidade à beira da decisão de se aposentar, aos 37 anos. Mais: carregou a expectativa de uma nação agora acordada para a vida dentro do ringue. Fracasso significaria recuo das artes marciais mistas. Decepção, retrocesso. A responsabilidade o dominou no primeiro round. Silva caiu diante de Sonnen. O norte-americano, no entanto, também titubeou. Precisava validar o deboche, legitimar a revanche. E se fez feliz por cinco minutos. Levou o brasileiro ao chão. Dominou. Bateu. Mas, apertado, perdeu a velocidade e a força dos movimentos. Fim do round. A sensação do massacre visto em 2010, no UFC 117, espalhou-se no ar. Doce ilusão.

Anderson Silva despejou o nervosismo no intervalo. Retornou como mito. Reinventou a luta. A esquiva se impôs. Ficou invisível para o oponente. Socou. Sonnen sentiu e, na trapalhada da falta de habilidade, girou no vazio para cair sem acertar Anderson Silva. O brasileiro o derrubou ao dançar o corpo para baixo. O adversário brasileiro se apagou. Anderson encaixou uma joelhada. Deu socos. Sonnen tentou levantar. Mas caiu com um murro e só parou de apanhar quando o juiz intercedeu. Aos 1m55s do segundo round, registre-se: nocauteados ao chão ficaram o lutador com a língua superior ao talento, a mediocridade das palavras desmedidas, a falência da prática de tentar intimidar o oponente com baixarias, o amadorismo. De pé, o campeão do respeito, o fruto do esforço, o domínio das artes marciais mistas. O brasileiro Anderson Silva, campeão dos médios do Ultimate, invicto há 15 lutas, com dez defesas de cinturão. O maior atleta do UFC de todos os tempos.

Fora do octógono, um país enlouquecido pelo MMA. O UFC 148 colheu a semente plantada pelo pioneirismo brasileiro nas artes marciais mistas décadas atrás. A façanha de Anderson Silva, do desafio ao sucesso absoluto, serviu de metáfora para desafogar a pátria com a garganta entalada contra menosprezos. A alegria ecoou eterna ao fim da luta. Braços erguidos, gritos ininterruptos. Um retrato de gol, conquista de copa do mundo.  As artes marciais mistas pediram licença ao futebol para, na noite do sábado, transformar o Brasil no país do MMA. É um caminho sem volta.

Clique abaixo para ver os outros resultados do UFC 148

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Ingressos esgotados para ver José Aldo no Canadá

Venda recorde de ingressos coloca país em disputa silenciosa com o Brasil pela atenção do UFC

O título de segunda casa do UFC – torneio de MMA criado por um brasileiro nos Estados Unidos – vagueia entre duas nações de apaixonados pelo esporte: Canadá e Brasil. Os países travam uma batalha silenciosa para mostrar ao mundo quem tem mais afinidade com as artes marciais mistas fora das fronteiras ocupadas pelo norte-americanos. A estratégia de combate de ambos inclui empunhar números relacionados a eventos promovidos como peças de propaganda para impressionar o universo do esporte. Cada recorde quebrado simboliza uma prova de sucesso, cada marca alcançada traduz a certeza de se sobrepor ao oponente. E o alarde, claro, se impõe como ferramenta necessária à auto-promoção.

A venda de ingressos para o UFC 149, no Canadá, configura mais uma bandeira hasteada pelos canadenses no terreno da competição internacional. A organização do Ultimate anunciou, no fim de semana, o consumo relâmpago das entradas disponibilizadas ao público: os 18 mil tickets acabaram em menos de dois dias. O público deve assistir ao combate entre José Aldo, campeão dos pesos-penas, e Eric Koch, recém-chegado ao UFC – ele lutou apenas uma vez no Ultimate e venceu o pernambucano Raphael Assunção na edição de número 128.

O fenômeno da venda quase instantânea de ingressos remonta à realização do UFC Rio, em agosto do ano passado, quando os fãs brasileiros engoliram quase 17 mil unidades em poucas horas. À época, o esgotamento dos bilhetes em tempo recorde validou perante o mundo do MMA a decisão dos organizadores do torneio de voltar a promover um evento no Brasil após década e meia. De quebra, atraiu o olhar do mercado para a possibilidade de ganhar com as artes marciais mista  e ajudou a popularizar o esporte no país.

A dimensão do sucesso atiçou o próprio UFC. O presidente da franquia anunciou logo em seguida a realização de mais uma edição do torneio em terras tupiniquins e afagou a torcida brasileira, chamada por ele de a mais apaixonada. A atenção dispensada ao país despertou ciúmes entre canadenses. Em coletiva do último UFC de 2011, jornalistas questionaram o card formado por três brasileiros nas lutas principais. Dana White rebateu e definiu a escolha como aleatória, com base no tempo e ranking dos lutadores.

A prestação de contas é necessária. O Canadá registra, até hoje, o maior público em um evento do UFC: 55 mil pessoas. É um mercado acolhedor ao MMA e, assim, ignorá-lo constitui um equívoco. O país já recebeu nove torneios. No UFC 149, levará os competidores a Calgary, cidade mais populosa do país, pela primeira vez. A quarta edição no Brasil só será promovida em junho, em Minas Gerais, com o confronto entre os vencedores do TUF.

A disputa entre as duas nações é benéfica para o UFC e, por extensão, o MMA. A queda de braço por atenção obriga os dois países a lançarem mão de estratégias de marketing, preparo dos atletas, profissionalização da arbitragem e infraestrutura para atrair os dirigentes do torneio. O resultado é mais lutas de qualidade para os fãs.

A culpa é de Eike Batista…

Os fãs brasileiros de MMA ainda estão digerindo a confirmação da transferência da revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen para Las Vegas. E não era para menos. Os lutadores e o presidente Dana White já haviam confirmado a luta no Brasil e até a data e o local já estavam definidos.

Dono de uma fortuna estimada em US$ 30 bilhões, o empresário Eike Batista parece ter um papel importante nesta história. De acordo com Anderson, a IMX – braço do grupo EBX que adquiriu os direitos de imagem do UFC no Brasil – teria sido “incompetente”, ao não dar a devida importância ao evento.

“Esta edição do UFC vai entrar para a história. Mas parece que algumas pessoas não enxergaram o tamanho desse evento”, lamentou Anderson Silva. “A empresa responsável por fazer o evento acontecer aqui não foi competente. O Dana veio três vezes para realizar o UFC no Brasil. Tentou em São Paulo, tentou no Rio. Incompetência real da empresa que estava por trás disso”, acrescentou.

Confira o vídeo produzido pelos colegas do Portal do Vale Tudo.

 

 

Anderson Silva x Sonnen em Las Vegas, afirma blog

A poderosa pressão dos cassinos de Las Vegas pode desequilibrar a disputa em torno do local para realizar a luta do campeão dos médios do UFC, Anderson Silva, contra o desafeto norte-americano Chael Sonnen. O blog Por Dentro da Arena noticiou a mudança de planos em relação à luta, anteriormente planejada para o estádio do Engenhão, no Brasil, em junho. A batalha, diz o site, será em Las Vegas, nos Estados Unidos.

A cidade norte-americana é considerada a Meca do UFC. Concentra grande parte das edições e, vale frisar, é terra conhecida dos irmãos Fertita, donos de cassinos e proprietários do Ultimate. Se for confirmada, a mudança encerra uma pendenga em torno da data da luta no Brasil. Anderson x Sonnen seria o combate principal do UFC Rio 3. Antes, selaria o retorno do torneio a São Paulo depois de mais de uma década. Morumbi e Pacaembu chegaram a ser cogitados, mas, por razões de agenda e horário, acabaram descartados.

A transferência para Las Vegas favorece, de início, o norte-americano Sonnen. Ele teria o privilégio de enfrentar novamente o campeão em solo natal. Da primeira vez, no UFC 117, ele perdeu depois de dominar o combate por quatro rounds e meio. Anderson chegou a treinar no exterior e manifestou descontentamento a respeito da distância de casa. A possibilidade de lutar no Brasil apavorava o norte-americano. Ele até temeu pela própria saúde e disparou contra os brasileiros.

O novo local também exerce efeito imediato sobre o próprio UFC Rio 3. O torneio perderia em importância e teria como luta principal a revanche entre Vitor Belfort e Wanderlei Silva – além do combate dos vencedores do The Ultimate Fighter Brasil (TUF). O UFC ainda não confirmou oficialmente a mudança de sede da luta entre Anderson e Sonnen.

Por que não o Recife, Dana White?

Chefão do UFC está com dificuldade para fechar lugar e data da próxima edição no Brasil

O mandachuva do Ultimate Fighting Championship (UFC), Dana White, anda com a cabeça ressacada. O porre tem nome, integrantes, mas carece de dia e local: o UFC marcado para o mês de junho no Brasil. O dirigente nutria a esperança de promover o evento em São Paulo. Mas a ideia caiu por terra quando os administradores do Morumbi preferiram manter um evento pré-agendado, e uma lei municipal em respeito ao silêncio na madrugada vetou a utilização do estádio do Pacaembu. A franquia recorreu ao Rio. Mas o imbróglio continuou. O UFC achou o lugar (o Engenhão), mas tropeça para fechar a data: o dia 23 de junho já é dúvida e antecipá-lo ou adiá-lo ficou complicado em virtude da realização da Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20).

A incerteza persegue o presidente do torneio. Na Suécia, onde foi para participar do UFC On Fuel, ele se viu obrigado a responder perguntas sobre o evento no Brasil. E admitiu a dificuldade. “A Prefeitura do Rio está sob grande pressão por causa da conferência das Nações Unidas no mesmo período, não querem dois eventos ao mesmo tempo. Mas mesmo que pudesse acontecer, teríamos o problema dos hotéis, pois quase todos estariam ocupados. E para um evento dessa magnitude nós vamos precisar de muitos quartos de hotel. Nós não estamos apenas falando da maior luta do ano. Anderson Silva contra Chael Sonnen é um dos grandes eventos esportivos de 2012”, ele declarou à reportagem da Sportv.

É compreensível a preocupação do dirigente. A batalha entre Anderson Silva e Chael Sonnen deve atrair olhares do mundo todo, alavancar índices de audiência, gerar cotas saborosas de patrocínio, elevar o nome do MMA no Brasil e no mundo. A ambição amplia a responsabilidade. Nada pode dar errado sob prejuízo de arranhar a imagem do esporte – e o bolso de lutadores e dirigentes.

Mas o momento abre espaço para novos horizontes ao UFC além do eixo Rio-São Paulo. A fuga dos dois centros pode ajudar o esporte a se consolidar ainda mais no país e, de quebra, incluir nova cidade brasileira na rota internacional da luta. Manaus, Recife e Salvador, por exemplo, já receberam membros do UFC e manifestaram interesse em acolher uma edição do evento. Da Suécia, Dana White afirmou ter cogitado (e descartado) a realização em outra localidade. A justificativa: “Não estaríamos prontos para isso”.

A recusa em mudar pede uma explicação mais detalhada. E menos restritiva. O esporte brasileiro sempre orbitou em torno do eixo Rio-São Paulo. É a região a qual a grande mídia dedica mais atenção e seriedade. Os outros estados são alinhados como periféricos e se resumem a “afluentes”. É assim, por exemplo, com o futebol – com os conhecidos privilégios e recursos destinados aos grandes clubes paulistas e cariocas.

O Recife tem porte para receber um evento de grande porte do UFC – e deveria entrar na briga para sediá-lo. O show duplo de Paul McCartney marcado para o próximo fim de semana atesta a capacidade de a cidade dar conta de uma atração internacional. Serão 120 mil pessoas em dois dias de apresentações. Se a capital pernambucana consegue atender aos padrões de uma das maiores celebridades da música mundial, por que enfrentaria dificuldades para ser palco de uma edição do Ultimate?

Os dirigentes do UFC deveriam abrir os olhos para escapar das algemas do Sudeste brasileiro. E os governantes de outros estados precisariam ser mais perspicazes para colocá-los na vitrine do esporte – e, assim, angariar recursos, atrair turistas e disseminar a prática até mesmo como uma saída viável para problemas sociais. A dor de cabeça de Dana White pode ser um remédio e tanto para quem souber aproveitar a oportunidade de ajudá-lo a curá-la.

TUF Brasil: episódio 3 – Daniel Sarafian vs Renée Forte

As cosias estão ficando complicadas para o Time Wanderley. O terceiro episódio do The Ultimate Fighter Brasil marcou a segunda vitória seguida dos discípulos de Vitor Belfort. Superior em todos os aspectos, o paulista Daniel Sarafian finalizou o cearense Renée Forte com um mata-leão no segundo round. Com isso, o time azul manteve um importante privilégio para o programa seguinte: o de escolher mais uma vez o próximo confronto.

Um dos favoritos ao título dos Médios, Sarafian mostrou estar no caminho certo. Ele entrou muito mais focado e intimidou seu oponente desde o início do combate. Além da superioridade técnica, o paulista contou ainda com a passividade de Renée, que em alguns momentos deu a impressão de não saber exatamente o que estava fazendo no octógono. E num ringue, isso costuma ter um preço muito alto.

Depois de ser dominado no primeiro round na trocação e no chão, Renée precisava reverter a desvantagem no segundo round. Entretanto, com uma postura quase preguiçosa, voltou a ser subjugado e acabou sendo uma presa fácil para a boa submissão de Serafian, que parece pronto para começar a trilhar o seu caminho para o UFC.

Para quem não lembra, Renée Forte é um velho conhecido do público pernambucano. O cearense participou do International Fighting Championship (IFC), realizado em 29 de abril do ano passado, no Centro de Convenções. Naquela ocasião, ele acabou nocauteado pelo catarinense Mário Soldado.

Confira o vídeo da luta, gravado pelos colegas do meiaguarda.com.br.

 

Chefão do UFC se surpreendeu com o Brasil

Dana White elogiou o país em entrevista

O conhecimento é o maior antídoto contra a ignorância. Frase batida. Verdade nua e crua. Experimentada há pouco pelo mandachuva do Ultimate Fighting Championship (UFC), Dana White. Depois de colocar os pés no Brasil e sentir a realidade local, o dirigente do maior torneio de MMA do mundo mudou o conceito formado sobre o país. Em entrevista publicada em um site internacional de lutas, ele admitiu ter receio de desembarcar por aqui. Considerava a região perigosa, com base em opiniões de gente próxima. O desembarque sepultou o medo.

“Nas primeiras vezes em que eu fui ao Brasil, estava muito nervoso e pensei, ‘Oh meu Deus’. Mas o Brasil não é tão perigoso, assustador e louco como todo mundo pensa que é. Tem havido coisas ruins que aconteceram lá no passado. Coisas ruins acontecem em todos os lugares, você sabe? Podemos dizer a mesma coisa em Detroit, podemos dizer a mesma coisa em Nova York, podemos dizer a mesma coisa em um monte de cidades dos Estados Unidos”, observou.

A mudança se conceito sobre o Brasil, claro, passa pelo faturamento. O UFC enxergou no país uma massa de admiradores das artes marciais mistas e um mercado com potencial incalculável. A estratégia para fazer dinheiro em cima da nova paixão nacional incluiu contrato com a maior rede de televisão brasileira, a Globo, a realização de um reality show – pela primeira vez, fora dos Estados Unidos – e a promoção de duas edições do torneio. O próximo já tem data marcada: junho, no Rio de Janeiro.

A insistência em desnudar a imagem preconceituosa do Brasil diante do mundo serve também como recado direto ao fanfarrão Chael Sonnen. Dana criticou o temor do atleta norte-americano de vir ao país para enfrentar o desafeto Anderson Silva, brasileiro campeão dos médios do UFC.

“Sim, ele (Sonnen), disse um monte de coisas sobre os brasileiros e esse país, e muitas pessoas estão indo para ver Anderson Silva chutar a bunda dele porque é isso que os brasileiros querem. Eu não acho que as pessoas vão machucar Sonnen. Eles vão assistir a um evento esportivo, olhar para os seus compatriotas e seu herói, o melhor lutador de sempre”, ele frisou.

A propaganda positiva feita pelo dirigente é benéfica para o Brasil. É mais uma vitrine inaugurada para expor as potencialidades do país diante do mundo. Espaço com desdobramentos vantajosos para o turismo e a economia nacionais. Ganham os fãs do esporte, cada vez mais próximos dos ídolos internacionais, e os brasileiros, com mais visibilidade planeta a fora.

TUF Brasil: episódio 1 – Os Dezesseis

Dos mais de cinco mil inscritos, 32 lutadores foram selecionados para participar da estreia do The Ultimate Fighter no Brasil. Destes, 16 conseguiram vencer seus confrontos e garantir um lugar na casa que vai atrair os olhares dos apaixonados pelo MMA no país pelas próximas 13 semanas.

Como era de se esperar, foram combates de bom nível técnico, que empolgaram Dana White. O presidente do UFC não escondeu a sua empolgação com os desempenhos dos lutadores que sonham em assinar contrato com sua franquia. Otimismo compartilhado com os treinadores da equipe, Vitor Belfort (verde) e Wanderlei Silva (azul).

No próximo domingo, os lutadores serão distribuídos entre as equipes e as tensões dos primeiros dias de confinamento virão à tona. Além disso, a atribulada relação entre Belfort e Wand deixa o programa ainda mais apimentado.

Confira os resultados dos primeiros combates:

Penas

Rony “Jason” (RN) vs Dileno Lopes (AM)
vencedor: Jason
, por nocaute técnico (soco) aos 2min17s do 1º round.
Godofredo Pepey (CE) vs Johnny “Cabeça” (SP)
vencedor: Pepey, por submissão (chave de braço) a 1min23s do 1º round.
Hugo “Wolverine” (BA) vs Alexandre “Sangue” (PR)
vencedor: Wolverine, por nocaute técnico (cotoveladas) aos 3min44s do 1º round.
Rodrigo Damm (ES) vs Fabricio Guerreiro (AP)
vencedor: Damm, por submissão (mata-leão), no 2º round.
Fernando Guerra (MS) vs Wagner “Galeto” (PR)
vencedor: Galeto, por decisão dos jurados.
Anistávio “Gasparzinho” (RN) vs Rafael Bueno (SP)
vencedor: Gasparzinho, por decisão dos jurados.
John Teixeira (AP) vs Giovanni “Soldado” (PB)
vencedor: Teixeira, por submissão (chave de braço) a 1min28s do 1º round.
Marcus “Vina” (PR) vs Pedro Nobre (RJ)
vencedor: Vina, por nocaute técnico (socos), aos 42s do 1º round.

Médios

Charles Maicon (SP) vs Francisco Massaranduba (DF)
vencedor: Massaranduba
, por nocaute (soco) aos 14s do 1º round.
Cezar “Mutante” (SP) vs Gustavo Labareda (DF)
vencedor: Mutante, por submissão (guilhotina) a 1min36s do 1º round.
Daniel Sarafian (SP) vs Richardson “Monstrão” (SP)
vencedor: Sarafian, por decisão dos jurados.
Serginho Moraes (SP) vs Thiago Rela (SP)
vencedor: Serginho, por submissão (chave de calcanhar), aos 2min15s do 1º round.
Tiago “Bodão” (SP) vs João Paulo “Tuba” (PR)
vencedor: Bodão, por decisão dos jurados.
“Giba” Galvão (SC) vs Delson “Pé de Chumbo” (RJ)
vencedor: Pé de Chumbo, por decisão dos jurados
Fabio “Bolinho” (RN) vs Renée Forte (CE)
vencedor: Renée, por decisão dos jurados.
Leonardo “Macarrão” (SC) vs Samuel Trindade (RR)
vencedor: Macarrão
, por decisão dos jurados.