O UFC vai barrar os aventureiros?

Agora é Nick Diaz que quer fazer superluta contra Anderson Silva

O silêncio do UFC antes de definir o próximo adversário do imbatível Anderson Silva virou espécie de concessão para aventureiros se lançarem no caminho do Aranha. E eles começam a dar as caras. Nick Diaz, atleta punido duas vezes pela comissão atlética por uso de maconha, derrotado por Carlos Condit na luta criada para aquecer o combate com o campeão George St-Pierre, desfruta os 15 minutos de fama ao ver o nome atirado no noticiário pelo treinador Cesar Gracie.

O que o credencia a uma superluta contra o campeão dos médios, o maior da atualidade nas artes marciais mistas? Nada. Apenas uma retaguarda técnica de influência na comunidade do MMA e um barulho em torno da fama de “bad boy” da franquia – mais pela forma de agir verificada fora do octógono. Nick reza pela cartilha de comportamento escrita por Chael Sonnen: faz questão de alimentar a os gestos destemperados – já foi fotografado com o dedo médio em riste, faltou a coletiva de imprensa marcada pelo UFC, recebeu punição por indisciplina – e falar muito antes dos combates. Mas é só.

Quando finalmente passou perto de tentar o cinturão contra St-Pierre, correu da entrevista, enfureceu Dana White e acabou rebaixado no card. Em seguida, disparou farpas contra o campeão o canadense do meio-médio. Testado antes contra Carlos Condit, mostrou um desempenho pífio e perdeu o cinturão interino. Pior: flagrado no antidoping pela segunda vez por uso de maconha, foi para a geladeira, de onde só sai depois de fevereiro do próximo ano. Aos 29 anos, o atleta acumula 26 vitórias na carreira e apenas oito derrotas. Mas, no UFC, o resultado é sete triunfos e cinco tropeços. O sucesso obtido no Strikeforce é o único cartão de visita apresentável ao combate. Ainda assim, é pouco para fazer frente ao Aranha.

O colega de bravatas Chael Sonnen chegou mais longe com as provocações longe do ringue. Conseguiu lutar contra Anderson Silva por duas vezes – e perder ambas – e, agora, vai disputar o cinturão dos meio-pesados contra Jon Jones. Ele rende dinheiro e atrai patrocínio. É o único trunfo. Diaz nem isso conseguiu. Antes de vislumbrar uma superluta, ele precisa deixar de ser um meio atleta. Corrigir a postura extra ringue e subir a escada dos adversários para topar com os maiores. O UFC precisa bradar contra os aventureiros.

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UFC 154: a volta triunfal de George St-Pierre

Texto: UFC

Além de um time de canadenses no card, Georges St-Pierre era garantia de casa cheia no Bell Centre, em Montreal, palco do UFC 154, neste sábado. Mais que isso, se vencesse Carlos Condit na luta principal, GSP estaria na linha para enfrentar Anderson Silva numa superluta histórica. E foi exatamente o que aconteceu, para a alegria dos fãs e delírio geral.

Sem lutar desde abril de 2011, por conta de lesões no joelho, GSP veio com tudo contra Carlos Condit, então detentor do cinturão interino da categoria meio-médio. Disposto a definir antes do gongo final, o que não acontece desde janeiro de 2009, St-Pierre pôs seu jogo em prática, aplicando quedas e agredindo com um ground-and-pound efetivo. Condit já começou a sangrar desde o primeiro assalto, mas não desistiu. Na terceira etapa, conseguiu um knockdown no atleta da casa com um belo chute. GSP se recuperou, e continuou castigando no chão, com socos e cotoveladas. Não veio a finalização ou nocaute, meta do canadense, mas foi uma luta incrível, entre as melhores do ano. Por decisão unânime, o cinturão se manteve com Georges, que chega à décima vitória seguida no UFC.

Dois brasileiros estiveram em ação no Octógono. Com o cancelamento da luta entre Nick Ring e Costa Philippou, Rafael dos Anjos ganhou a oportunidade de enfrentar Mark Bocek no card principal, e o tupiniquim fez valer o show. Desde os primeiros instantes partiu para cima com bons socos, chutes e joelhadas voadoras. Bocek procurava quedar, mas era anulado por Rafael, que seguia as instruções dos treinadores Roberto Gordo e Rafael Cordeiro. Nos momentos no solo, o brazuka também foi superior, tendo arriscado algumas finalizações. Dos Anjos dominou os três rounds, o que valeu, com segurança, a decisão unânime a seu favor. É a terceira vitória seguida do peso leve brasileiro, atualmente radicado na Califórnia.

Em busca da segunda vitória no UFC, depois do triunfo sobre Anistávio Gasparzinho, Rodrigo Damm tinha pela frente um especialista na trocação, mas também faixa-preta de jiu-jitsu, Antonio Carvalho, o Pato. O brasileiro tem entre as habilidades a qualidade no jogo agarrado, tendo sido campeão em torneios de jiu-jitsu e campeão brasileiro de wrestling. No entanto, Damm buscou o combate em pé, na trocção. Não foi mal, tendo conectado bons socos, enquanto Pato usava os chutes para castigar a perna esquerda de Rodrigo. No corner, nada menos que Anderson Silva, ao lado do treinador Josuel Distak, avisavam sobre o perigo dos chutes. Após três rounds parelhos, talvez tenham sido eles o diferencial na interpretação dos jurados, que deram o triunfo a favor de Antonio Pato em decisão dividida. O lutador português, radicado no Canadá, chegou à segunda vitória em três lutas pelo UFC.

Na segunda luta principal da noite, Johnny Hendricks precisou de apenas 46 segundos para conectar um duro soco e acabar com as chances de Martin Kampmann. Já no card preliminar, um dos desafios mais aguardados foi vencido por Patrick Cote, outro ídolo local. Cote foi nocauteado, mas seu oponente, Alessio Sakara, aplicou golpes na nuca e acabou desclassificado. Também mandaram bem Cyrille Diabate, que saiu das características (muay thai) e finalizou Chad Griggs com um mata-leão, enquanto Ivan Menjivar aplicou um belo armlock contra Azamat Gashimov.

Confira todos os resultados:

UFC 154 Montreal, Canadá Sábado, 17 de novembro de 2012
Georges St-Pierre venceu Carlos Condit por decisão unânime
Johnny Hendricks venceu Martin Kampmann por KO aos 46s do R1
Francis Carmont venceu Tom Lawlor por decisão dividida
Rafael dos Anjos venceu Mark Bocek por decisão unânime
Pablo Garza venceu Mark Hominick por decisão unânime
Patrick Côté venceu Alessio Sakara por desclassificação aos 1min26s do R1
Cyrille Diabaté finalizou Chad Griggs com um mata-leão aos 2min44s do R1
John Makdessi venceu Sam Stout por decisão unânime
Antonio Carvalho venceu Rodrigo Damm por decisão dividida
Matthew Riddle venceu John Maguire por decisão unânime
Ivan Menjivar finalizou Azamat Gashimov com um armlock aos 2min44s do R1
Darren Elkins venceu Steven Siler por decisão unânime

A pressão sobre George St-Pierre às vésperas do UFC 154


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Enquanto padeceu longe do octógono para se recuperar de uma cirurgia no joelho, o canadense George St-Pierre assistiu a uma paulatina mudança de paradigma no Ultimate Fighting Championship: os dirigentes do torneio derreteram a indiferença em relação aos fãs do esporte e deram sinais cada vez mais significativos de querer armar superlutas entre ícones de categorias diferentes da franquia – em especial, contra Anderson Silva, campeão dos médios e maior lutador de MMA da atualidade.

A possibilidade remota meses atrás de subir ao ringue para enfrentar o brasileiro tornou-se alvo de clamor imediato. Ao lado de Jon Jones, campeão do meio-pesado, St-Pierre virou um dos atletas mais cogitados para dissipar a aura mítica de invencibilidade criada em torno do Aranha. A expectativa contraída involuntariamente pressiona o próximo desafio do canadense, contra o campeão do meio-médio, Carlos Condit. George adentra o octógono do UFC 154, no próximo dia 17, com a múltipla missão de recuperar o título, espantar sequelas da cirurgia e se apresentar como o mesmo atleta mordaz sobre o qual o mundo deposita esperanças de fazer frente a adversários como Anderson.

A cautela é, até agora, o escudo empunhado pelo canadense para se defender da pressão. GSP, detentor de números invejáveis de venda no pay-per-view, atribui as especulações ao potencial financeiro da luta. E prefere concentrar esforços no combate contra Condit. Sem sobressaltos, um passo de cada vez: “Falam comigo sobre a luta seguinte, mas ainda não estou lá. Condit é um cara perigoso”, ele disfarça, com a tática freqüentemente utilizada por treinadores de futebol para quem ninguém merece descrédito.

O canadense admite a hipótese de enfrentar o brasileiro. Mas pede um tempo para analisar os desdobramentos do duelo. O campeão Anderson Silva já demonstrou interesse em lutar contra a lenda viva do MMA canadense. Preferiu enfrentá-lo a ter de topar, agora, com o norte-americano Jon Jones, uma estrela em ascensão nas artes marciais mistas em plena forma física e atlética. A decisão da superluta entre os veteranos é um passo calculado nos bastidores pelo UFC. Na linha de frente, George St-Pierre dá passadas largas na precaução: a estrada da vez é o duelo contra Condit. O resto é um caminho a ser trilhado.

O campeão:

George St-Pierre, 31 anos

Lutas: 24

Vitórias: 22

Derrotas: 2

Invicto há nove lutas no UFC

Nick Diaz: 12 meses sem lutar

Bad boy do UFC finalmente foi punido por uso de maconha

Nick Diaz (e) apanhou no ringue e, agora, sofre fora dele

 

Havia esperança no ar. Uso de maconha como tratamento terapêutico, autorizado para fins medicinais. Desculpa aparentemente plausível para vingar o tropeço flagrado pelo antidoping durante o UFC 143, na luta contra Carlos Condit pelo cinturão dos meio-médios. O pretexto de nada valeu. A Comissão Atlética de Nevada, nos Estados Unidos, foi impiedosa com Nick Diaz, considerado bad boy do Ultimate. Sentenciou o lutador a 12 meses de afastamento do octógono e aplicou multa de 30% sobre a bolsa recebida pelo combate em fevereiro deste ano.

A punição esfriou qualquer tentativa do UFC de ressuscitar Nick Diaz para duelar contra o atual campeão da categoria, George St-Pierre. O canadense se recupera de cirurgia no joelho e treina para unificar os cinturões dos meio-médios – o título interino pertence a Carlos Condit. A troca de insultos e demonstrações públicas de ódio alimentaram o confronto entre Diaz e St-Pierre. Mas o doping jogou uma pá de cal na estratégia de colocá-los frente a frente.

Nick amarga novo arranhão na carreira. Soma o desgaste à falta em uma coletiva de imprensa – punida com rebaixamento da luta principal para secundária -, reprovação em exame antidoping, pesagem acima do estabelecido e ausência de outros compromissos agendados pelo UFC. Na semana passada, ignorou luta-exibição de jiu-jitsu marcada com o pernambucano Bráulio Estima, em uma feira mundial voltada a fãs, lutadores e patrocinadores.

A sucessão de equívocos cometidos por conta de indisciplina e irresponsabilidade obscurece a imagem de lutador aguerrido e competente apresentada por Nick dentro do octógono. O retorno parece cada vez mais difícil.

Veja também: Nick Diaz dá bolo em pernambucano

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Maconha seria usada como tratamento

Técnico de Nick Diaz tenta limpar a ficha do lutador para vê-lo novamente nos ringues

Nick: saúde à base da erva

Apanhado no antidoping por uso de maconha pela segunda vez, o lutador Nick Diaz pode estar com os dias contados no UFC. Talvez até no MMA. A notícia do teste positivo após a derrota diante de Carlos Condit, no UFC 143, encerrou também os planos de vê-lo lutar em breve contra o principal desafeto, o campeão da categoria George St-Pierre. O treinador do atleta veio a público para tentar minimizar o estrago provocado pela erva. Em entrevista, ele atribuiu o resultado do exame a um descuido no tratamento de saúde feito pelo lutador com utilização de marijuana.

“Eu fiquei muito desapontado. Todo mundo sabe que ele fuma maconha medicinalmente na Califórnia. Ele tem o direito legal de fazer isso nesse estado. Nick ficou surpreso com o resultado positivo. Ele faz o mesmo ritual sempre para lutar nos últimos cinco anos. Parou a tempo e limpou o organismo, como um louco, bebeu bastante água e expurgou a erva do organismo”, tentou remediar Cesar Gracie, técnico do atleta.

A Comissão Atlética de Nevada deve avaliar o caso e definir uma punição para o atleta. O último antidoping positivo rendeu a Nick uma suspensão de seis meses e o pagamento de uma multa de três mil dólares. A reincidência, no entanto, deve lhe custar bem mais. A menos que os integrantes da entidade tenham a bondade de aceitar os argumentos do técnico do atleta e, como fez um dia Dana White, presidente do UFC, passem a mão na cabeça dele…

Maconha estraga planos do UFC

O enredo se desenvolvia sem atropelos: nos bastidores, as peças se mexiam para preparar uma revanche entre Nick Diaz, considerado bad boy do MMA, e Carlos Condit. O lutador com fama de moleque havia perdido por pontos o duelo no UFC 143. A derrota tinha jogado um banho de água fria na expectativa do Ultimate de vê-lo enfrentar o campeão George St-Pierre, afastado dos ringues por conta de cirurgia. Apesar da chiadeira de Condit, o presidente da franquia, Dana White, considerava a hipótese de colocá-los novamente frente a frente. Mas a maconha…

A maconha se tornou, pela segunda vez, a vilã inesperada na carreira de Diaz – a primeira vez foi em 2007. Inesperada para quem nutria a esperança de vê-lo afastado da droga e inteiramente dedicado à disciplina do esporte. Para o lutador, o consumo venceu. E ele acabou, de novo, apanhado pelo exame antidoping. Pela reincidência, o atleta deve ser punido com mais rigor pela comissão atlética. E o presidente do UFC será obrigado a repensar os rumos tanto da categoria meio-médio como do lutador problema – além do uso da erva, Nick já faltou a coletiva e apresentou-se acima do peso para uma luta.

O arranhão na imagem do esporte é, por enquanto, uma das maiores preocupações do UFC. Até o resultado do exame pós edição 143, ele era apontado como único capaz de bater George St-Pierre. O atual campeão, de molho por problemas de saúde, engoliu a corda e sentiu-se pressionado a encarar o desafeto. Em declarações públicas, chegou a ignorar o vencedor Carlos Condit e demonstrou preferência em lutar com Nick. O ódio mútuo fomentaria uma rivalidade bem tratada pelos veículos especializados no esporte e, claro, pelo marketing até desembocar em um evento lucrativo. Mas a maconha…

Nick “brilha” em anúncio na Times Square, em NY

Agora, apoiar um atleta cujo uso de substância proibida se deu pela segunda vez soa como dar murro em ponta de faca. E o presidente do UFC – ele lamentou o doping de Nick – está em uma encruzilhada entre a possibilidade de lucro e a ética do MMA. Pior: em Nova Iorque, onde o MMA é proibido, o consumo da erva por Diaz caiu como uma bomba. Justamente quando o UFC faz esforços – apoiado em um número expressivo de atletas – para validar o torneio de lutas na capital do mundo. Dana White já bancou o misericordioso e passou a mão na cabeça do atleta quando ele faltou a uma coletiva de imprensa do próprio UFC. Repetir o gesto pode custar um estrago irremediável a longo prazo.

UFC vive dilema para conceder revanche

Nick, Dana e Condit: cheiro de marmelada no ar

O imbróglio criado pelo UFC para conter a aposentadoria de Nick Diaz e tentar (ainda) lucrar com a luta entre ele e George St-Pierre começa a cheirar mal. O esforço dos dirigentes para marcar uma revanche contra quem o derrotou (Carlos Condit, no UFC 143) cada vez mais parece jogada de marketing em vez de estratégia esportiva. Nesta quarta-feira, versões contraditórias em relação a um novo duelo entre os dois empurraram o UFC para a berlinda e forçaram os donos da franquia a tomar uma decisão – em breve, espera-se – para evitar ficar à mercê de declarações desencontradas.  O equilíbrio entre pressões financeira e atlética precisa ser retomado.

Nick Diaz reagiu à derrota contra Carlos Condit com o anúncio do fim da carreira no MMA. A notícia surpreendeu fãs do esporte e dirigentes. O bad boy do UFC, apesar de ostentar um passado de decisões imprevisíveis, tem apenas 28 anos e é apontado como o único capaz de bater o atual campeão, o canadense St-Pierre. A luta, claro, é fonte de renda garantida. O fracasso diante de Condit escapou aos planos. E, agora, o Ultimate se ensaia uma sequência de ações como quem tenta recolocá-lo frente à possibilidade de disputar o cinturão dos meio-médios.

O presidente do UFC, Dana White, chegou a postar no Twitter a luta como certa. Ele asseverou a vontade de ambos os atletas. Mas o treinador de Diaz, o mais interessado no confronto, veio a público para desmentir o suposto acerto. “Não vai haver revanche. É tudo que eu posso dizer. Não posso falar mais nada”, Cesar Gracie teria dito à ESPN.

A luta entre Diaz e St-Pierre seria, sem dúvida, um espetáculo primoroso. Os dois nutrem um ódio mútuo como poucos vistos no esporte na atualidade – talvez só comparado ao de Chael Sonnen por Anderson Silva. Depois do UFC 143, o canadense – afastado do octógono por conta de uma cirurgia – chegou a reforçar a vontade em encarar o desafeto. Pierre representa um mercado lucrativo no Ultimate. O Canadá é a segunda casa do esporte e detém, até hoje, o recorde no número de público em um evento de MMA – a edição de número 129, em Toronto, atraiu 55 mil pessoas.

A especulação toma forma mais consistente sobre a verdade. E alicerça uma confusão cada vez mais difícil de ser desfeita pelo UFC. Em jogo, a batalha do marketing e do dinheiro contra a ética e a esportividade.

Vai ter “arrumadinho” no UFC?

Possibilidade de revanche entre Nick Diaz e Carlos Condit soa como tentativa de favorecer o bad boy do MMA

Condit quer o cinturão de verdade. Nick aguarda a revanche

Carlos Condit bateu Nick Diaz dentro do octógono do UFC 143. Ponto. Decisão dos árbitros. Incontestável dentro da autonomia dos juízes. O atual campeão dos meio-médios, George St-Pierre, parabenizou o dono do cinturão interino da categoria. O presidente da franquia, Dana White, validou o resultado. Condit desabafou. Disse ter sido subestimado. E quer disputar o título. Mas o caminho é turvo. Algo de estranho começa a se mover no subterrâneo do Ultimate. E cheira mal. Melhor, cheira a arrumadinho…

A vitória de Nick Diaz era esperada pelo UFC e pelos torcedores. Todos aguardavam a prometida luta contra St-Pierre. Os dois trocam xingamentos e ameaças há meses. A lesão do canadense adiou o confronto. Antes, o descompromisso de Diaz, o bad boy do Ultimate, havia procastinado o duelo: ele faltou a uma entrevista coletiva promovida pela franquia. Os atropelos serviram como combustível. E o encontro entre os dois se definia com uma jogada comercial lucrativa para o UFC. Mas Condit estava no percurso. E a vitória sobre Diaz esfriou os planos de faturar com a luta. Os bastidores do MMA, no entanto, começam a se movimentar para contornar o desfecho do octógono.

A primeira tentativa de melar o resultado partiu de Nick Diaz. Após a derrota, ele anunciou a aposentadoria. Declarou que a luta contra St-Pierre era o único motivo de permanecer na franquia. A ameaça de sair acendeu o alerta entre dirigentes. Nick é uma figura diferenciada no esporte. Tem estilo próprio. Fora dos ringues, produz declarações capazes de alavancar o marketing do UFC. Dentro deles, é apontado como o único em condições de roubar o título de St-Pierre – invicto há nove lutas e com sete defesas de cinturão bem-sucedidas. Perder um lutador com potencial para lucrar e dar show é uma opção fora dos planos do Ultimate.

O segundo aviso de jeitinho veio de Dana White. O mandachuva do UFC sinalizou com a possibilidade de uma revanche antes do retorno de George St-Pierre. Seria uma forma de satisfazer quem enxergou uma vitória de Diaz. Quem entende do assunto sabe: é uma formar de tentar faturar com a chance de uma luta entre St-Pierre e Diaz. Em nada tem a ver com a ideia de fazer Justiça e conceder a um lutador a oportunidade de esclarecer uma luta com resultado polêmico. Se fosse isso, por que não fazer uma revanche entre Maurício Shogun Rua e Dan Henderson? Os dois protagonizaram um duelo épico, sobre o qual as opiniões em todos os cantos se dividiram. Mas a hipótese nunca foi cogitada.

No twitter, lutadores de peso internacional, como Royce Gracie, vencedor das primeiras edições do UFC, apontaram vitória de Nick Diaz. É uma pressão forte. E perigosa. Se ceder aos apelos da comunidade do MMA e conceder uma revanche, Dana White abre um precedente condenável, já característico de esportes como o boxe – onde a manipulação de resultados manchou a prática. A revanche, por si só, é legítima – porque dá nova chance de lutadores tão iguais duelarem. Mas agendada nessas circunstâncias soa como arrumadinho para favorecer o lutador derrotado – justamente aquele com maior potencial para render lucros ao UFC. Ou alguém acredita que se Condit fosse o derrotado o Ultimate daria chance semelhante?

UFC 143: show brasileiro e surpresa na disputa por título

Condit desbancou Diaz (d)

Texto da assessoria do UFC:

Estratégico, Carlos Condit usa pernas para superar Nick Diaz

Para desgosto de Georges St-Pierre, que já havia declarado publicamente seu desejo de enfrentar Nick Diaz, o recém-coroado campeão interino Carlos Condit se credenciou a brigar pelo título definitivo dos meio-médios do Ultimate Fighting Championship. Constantemente provocado pelo bad boy Nick Diaz dentro e fora do octógono, Condit utilizou um jogo estratégico para frustrar o adversário na batalha de pé e faturar a decisão unânime dos jurados após cinco equilibrados rounds.

Sempre em movimento, Condit teve os certeiros chutes como principais armas contra o perigoso boxe de Nick Diaz. Diaz, que entrou para o combate como favorito, não deixou por menos, e chegou a ameaçar uma reviravolta no fim da batalha, quando utilizou seu perigoso jiu-jitsu para chegar às costas de Condit e esboçar uma finalização. A agressividade inteligente do novo campeão, contudo, foi o suficiente para garantir a vitória nas papeletas – o que não desceu muito bem com o rival. Contrariado, Nick não aceitou a derrota e declarou, ainda no octógono, que estaria se aposentando do MMA aos 28 anos.

“Não vou aceitar o fato de que isso foi uma derrota”, declarou Diaz, invicto há mais de quatro anos. “Perdi lutas antes, mas essa decisão não está certa. Eu o encurralei a luta inteira. Ele me chutou com seus chutes de perna de bebê a luta inteira. Acho que parei com o MMA. Eu me diverti. Eu não preciso disso. Não quero mais lutar assim. Estou fora”, declarou Diaz, que não estava presente na coletiva de imprensa posterior ao evento.

Em batalha dura, Werdum leva a melhor sobre um perseverante Roy Nelson


Mal parecia que os dois adversários da co-luta principal da noite eram dois faixas-pretas de jiu-jitsu. Afinal, foi justamente no muay thai que um evoluído Fabrício Werdum dominou Roy Nelson e levou a decisão unânime dos juízes e o bônus de “Luta da Noite” em Las Vegas. Surpreendendo com um jogo de pé refinado, o grappler Werdum provou que, após três anos e meio de ausência da maior organização de MMA do mundo, ainda é um dos mais perigosos e versáteis lutadores da divisão dos pesos pesados.

O triunfo, no entanto, não veio com facilidade. Nem mesmo uma certeira joelhada no nariz de Roy Nelson – o principal de vários golpes bastante incisivos – foi suficiente para derrubar o roliço lutador de kung-fu, famoso pelo queixo de aço. Foi o mesmo Nelson que sobreviveu a um castigo de três rounds do atual campeão Junior Cigano em 2010.

“Eu sei que Roy Nelson é um cara duro, mas eu pratico Muay Thai todos os dias”, declarou Werdum, que acumulou a 15ª vitória de sua carreira profissional no MMA.

Barão amplia sequência vitoriosa e vê title shot cada vez mais perto …Continue lendo…

O confronto que nunca existiu

Lesão de George St-Pierre força o atleta a ficar de molho por dez meses e adia duelo com Nick Diaz

O confronto entre o campeão do meio-médio, o canadense George St-Pierre, e o desafiante ao cinturão Nick Diaz parece estar fadado a não ocorrer. O presidente do UFC, Dana White, anunciou pelo Twitter o novo adiamento do combate entre os dois. O dono do título se machucou durante o treinamento e está afastado dos ringues por, no mínimo, dez meses. “GSP rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho. Carlos Condit será o adversário de Nick no dia 4 de fevereiro em Las Vegas”, escreveu o chefão do Ultimate.

A luta entre os dois deveria ocorrer no UFC 137. Mas Nick Diaz faltou à entrevista coletiva sobre o torneio e foi punido por Dana com o rebaixamento ao confronto secundário da noite, diante de BJ Penn. George enfrentaria Carlos Condit. O campeão, no entanto, se machucou e viu o duelo de Nick ser alçado a combate principal da noite. Depois de passar por BJ, Diaz esculachou GSP e o desafiou publicamente a enfrentá-lo. As palavras foram duras a ponto de fazer Dana White modificar o card do UFC 143, escantear Condit e colocar Nick como o desafiante ao cinturão.

Agora, nova reviravolta. Machucado, o canadense sai de cena e deixa o caminho livre para a disputa do cinturão interino. Condit e Diaz serão as estrelas principais do card marcado para o início de fevereiro de 2012. A sorte parece conspirar a favor de Nick. Lutador problemático, ele tem um histórico de atropelos diante dos compromissos do UFC. Já perdeu lutas por estar acima do peso, já foi apanhado no exame anti-doping, levou puxões de orelha publicamente do patrão. Quando os fatos lhe apontavam o corte do Ultimate, a misericórdia de Dana White (e o olho atento para o lucro frente a polêmicas) estendeu-lhe a mão e devolveu-lhe a chance de reerguer-se na carreira. Nick abraçou a oportunidade, bateu BJ, desafiu GSP e ficou a uma luta de abocanhar o cinturão.

Do retiro, George St-Pierre, bastante irritado com as provocações do desafeto, pode assistir à glorificação de quem o desmoralizou publicamente. E é bom voltar à forma rapidamente para recuperar o espaço que, por obra do destino, tem sido arremessado no colo de um rapaz chamado Nick Diaz.