Dana White: Jon Jones lutará contra vencedor de Shogun x Gustaffson

UFC adota critério duvidoso para escalar desafiante ao cinturão

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A definição dos combates pelo título do meio-pesado do UFC se tornou motivo de chacota. Uma piada alimentada pela falta de critério do torneio em priorizar os atletas mais técnicos. O primeiro tropeço veio com a escalação de Chael Sonnen como técnico rival do campeão Jon Jones na edição de número 17 do The Ultimate Fighter dos EUA. O lucro guiou a escolha: o falastrão norte-americano nem de longe merecia o posto depois de ter sido surrado na categoria de baixo por Anderson Silva. Deveria entrar na fila, fazer várias lutas antes de pleitear o título. Mas a chance de catapultar a audiência com as peripécias de Sonnen na TV impôs o lutador.

Após a predileção pelo showbiz, o presidente da franquia, Dana White, se equivoca na avaliação técnica ao garantir o vencedor de Shogun x Gustafsson (ver card abaixo) como próximo adversário de Jones. Lyoto Machida e Dan Henderson mereciam a oportunidade antes. Mauricio Shogun Rua é, históricamente, nome notável no universo de atletas de MMA brasileiros. Chegou ao cinturão dos meio-pesado do UFC com méritos – ao bater Machida -, mas perdeu a qualidade no desempenho nas lutas seguintes e afastou-se da forma com a qual se consagrou. A performance apresentada contra Brandon Vera, último duelo, recebeu críticas porque o brasileiro caminhou com sofreguidão no octógono. Ficou notória a falta de ar e de preparo físico do ex-campeão dentro do ringue. O próprio chefão do UFC lamentou após o combate e decidiu preteri-lo (pelo menos, em tese) das disputas seguintes.

O sueco Alexander Gustafsson possui um cartel impressionante: 14 vitórias e uma derrota. No UFC, são sete sucessos e um tropeço (contra Phill Davis). O retrospecto, no entanto, é insuficiente para credenciá-lo ao cinturão – do ponto de vista técnico, por falta de duelos mais difíceis, e financeiro, pelo fato de o atleta ser um nomem apenas comum dentro da comunidade do MMA.

Lyoto Machida, o único lutador a intimidar Jon Jones em pé, e Dan Henderson, com quem o campeão só não lutou por conta de uma lesão do veterano, foram deixados de lado sem justificativa plausível. O brasileiro deveria ser o primeiro na lista para reaver o cinturão em função do desempenho apresentado no combate contra o jovem talento do UFC. E Dan Henderson, em virtude da idade avançada, 41 anos, e dos serviços prestados com louvor ao MMA, merecia uma chance com certa brevidade. Mas eles terão de se enfrentar para – só depois – disputar o humor instável de Dana White na hora de posicioná-lo na chance pelo título da categoria.

O tempo é impiedoso e pode usurpar do UFC a oportunidade de presenciar confrontos ansiosamente esperados pelo público. Se continuar a definir os embates com base em critérios frágeis, o mandachuva do torneio pode exauri-lo na principal virtude: colocar os mais bem qualificados dentro do octógono para premiar os melhores lutadores da atualidade. Vai sobrar o riso.

UFC: Henderson x Diaz
8 de dezembro de 2012, em Seattle (EUA)
CARD PRINCIPAL
Ben Henderson x Nate Diaz
Maurício Shogun x Alexander Gustafsson
BJ Penn x Rory MacDonald
Mike Swick x Matt Brown
CARD PRELIMINAR
Yves Edwards x Jeremy Stephens
Raphael Assunção x Mike Easton
Ramsey Nijem x Joe Proctor
Daron Cruickshank x Henry Martinez
Tim Means x Abel Trujillo
Dennis Siver x Nam Phan
Scott Jorgensen x John Albert

Jon Jones escapa de revanches e Anderson Silva em 2013?

Jon Jones pretende pular riscos no próximo ano. Quer evitar revanches contra Lyoto Machida, único a ameaçá-lo em pé no octógono, e Vitor Belfort, primeiro a fazê-lo temer no chão. Nem sonha em bater de frente com Anderson Silva, superluta da qual se esquiva quando pressionado. O campeão do meio-pesado do UFC enumerou quem pretende enfrentar em 2013. A lista é tímida. E os perigos, quase inexistentes. Depois de duelar com Chael Sonnen, pela final do The Ultimate Fighter 17, ele anseia encarar Dan Henderson, veterano de 41 anos, e o sueco Alexander Gustaffson, um dos destaques recentes do Ultimate.

Os confrontos – apesar das surpresas inerentes ao MMA – praticamente garantem o reinado incólume de Bones na categoria: em 2014, o atleta vai se aventurar entre os pesos-pesados. Em 2010, ele lutou quatro vezes – número considerado excessivo para os padrões do esporte. No ano seguinte, subiu ao octógono por duas vezes apenas. A tendência é fazer até três combates no período.

O desejo de lutar contra Henderson e Gustaffson foi manifestado durante participação em um chat com fãs do esporte. Ao lado do mandachuva do torneio, Dana White, e Chael Sonnen, ele falou sobre a participação no TUF 17 e justificou a preferência pelos próximos adversários: “Dan é um dos melhores lutadores de todos os tempos do MMA. Espero derrotar Chael e, depois, vencer Henderson. Eu também não posso esperar por lutar contra Alexander. Dizem que eu venço porque tenho braços longos. Mas, quando derrotá-lo, verão que isso não faz sentido”, explicou o campeão, em uma referência à envergadura do sueco.

Os planos do campeão podem, no enanto, ser atrapalhados pelo brasileiro Lyoto Machida e pelos instintos lucrativos de Dana White. O carateca brasileiro ex-campeão da categoria luta com Henderson antes do provável encontro do norte-americano com Bones. Se vencer, dinamita a probabilidade do confronto.

O efeito Dana White é outro fator de risco para o planejamento do dono do cinturão. O patrão da franquia tem transitado entre o mérito e o lucro com imprevisibilidade. E pode escalá-lo para combates inesperados com atletas descredenciados ao título – como fez ao colocar Sonnen como um dos técnicos do TUF 17.

O maior receio de Jon é ser obrigado a topar com o campeão dos médios, Anderson Silva, em uma das lutas mais esperadas dos anos recentes do torneio. O Aranha perambula por incertezas depois de limpar a categoria. Aos 37 anos, ele desfruta oficialmente de dois combates previstos em contrato. Enfrentar George St-Pierre, campeão afastado dos meio-médios, e Jones é o sonho de consumo dos fãs do MMA e a galinha de ouro da franquia. Jon pôs as cartas na mesa. Mas o jogo está longe de ser definido.

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Do Brasil para Las Vegas (de novo): José Aldo luta contra Edgar em fevereiro

O berço do UFC abocanhou mais uma luta aguardada com ansiedade pelos fãs brasileiros de MMA. Las Vegas, nos Estados Unidos, será a sede do UFC 156 (em 2 de fevereiro), cujo confronto principal leva ao octógono o campeão do peso-pena José “Scarface” Aldo e o norte-americano e ex-campeão da categoria dos leves, Frankie Edgar. Os dois duelariam pela edição de número 153 realizada no Rio de Janeiro. Mas o manauara se machucou depois de sofrer um acidente de moto e ficou impossibilitado de defender o cinturão diante da própria torcida. A mudança de rota do Ultimate é a segunda transferência para Vegas, neste ano, de um combate marcado para ocorrer no Brasil – a primeira mudança deslocou a revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen, em julho.

A luta entre Aldo e Edgar possui potencial lucrativo de vendas no pay-per-view e combina o fim de semana no calendário com o Super Bowl, a final do futebol americano, um dos eventos mais assistidos no país. A coincidência de datas é, segundo o site MMA Junkie, especializado na cobertura das artes marciais mistas, uma tradição adotada pelos dirigentes do Ultimate desde 2004. Consiste em uma tentativa de apanhar carona na audiência sempre recordista dos torcedores do esporte nativo.

José Aldo é avaliado como um dos melhores lutadores entre os mais leves do UFC. Está invicto há 14 lutas – três delas dentro do torneio, após saída do WEC. Estilo arrojado e excelente trocação em pé o credenciaram ao título e lhe permitiram sustentar o cinturão da categoria por duas vezes, contra Kenny Florian e Chad Mendes (a última luta realizada no Rio de Janeiro). O cartel registra 21 vitórias na carreira e apenas uma derrota, ainda pelo Jungle Fight.

O adversário é o mais forte designado a enfrentar Aldo desde a contratação pelo UFC. Frankie Edgar (14 vitórias, três derrotas) liderou a categoria do peso-leve até duas derrotas seguidas diante de Benson Henderson, atual campeão. Decidiu descer de peso e ganhou a oportunidade de disputar o cinturão contra o brasileiro. Joga a favor dele a vantagem de lutar em casa, ao lado da torcida. Mas o retrospecto de Aldo ignora as circunstâncias no entorno do octógono. E ele deve pintar de verde e amarelo a vitória longe de casa.

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Cigano critica UFC por preferir lutas que deem lucro

Brasileiro condenou chance dada a Overeem para enfrentá-lo

O doping impediu o holandês Alistair Overeem de disputar o título dos pesos-pesados do UFC contra o brasileiro Junior Cigano dos Santos, em maio deste ano. O teste feito pela comissão atlética apontou excesso de testosterona – mesmo motivo pelo qual o norte-americano Chael Sonnen acabou punido, depois do primeiro duelo contra Anderson Silva, e liberado, para fazer a segunda batalha. O desafiante ficou de molho e deve retornar ao octógono em breve. Contra quem? Justamente o dono do cinturão da categoria mais robusta do torneio. O brasileiro ficou irritado com o privilégio concedido pela franquia ao atleta punido por condição irregular. E criticou abertamente a predileção por lutadores com potencial de vender as lutas – recentemente, o Ultimate decidiu colocar Jon Jones contra Sonnen no TUF 17.

“É meio fora de sentido. Hoje em dia, o UFC está priorizando as lutas que vendem. O principal exemplo disso foi o Chael Sonnen, que vendeu muito bem sua luta, e o Overeem seguiu o mesmo caminho. Mas, por mim, vamos nessa. Não fujo de desafio nenhum, sei que posso ganhar de qualquer um que seja. Venha quem vier, vou fazer meu melhor para sair com a vitória no octógono”, afirmou Cigano, em declaração reproduzida pelo site do SporTV. O brasileiro faz revanche contra Cain Velásquez no fim do ano para defender o cinturão.

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Com Anderson Silva, é só insistir… Luta com Jon Jones à vista!

 Em entrevista ao SporTV, brasileiro cogita possibilidade de enfrentar campeão do meio-pesado

Anderson Silva jamais quis conceder o direito da revanche a Chael Sonnen. O campeão do peso médio do UFC relutou o quanto pôde. Engoliu xingamentos, relevou provocações, disfarçou. Mas, confrontado pelo patrão da franquia, Dana White, curvou-se à necessidade do show business e entrou no octógono determinado. Arrasou o oponente e o fez mudar de uma vez por todas de categoria. Foi só insistir um pouco…

Anderson Silva sempre evitou falar em um possível duelo contra o George St-Pierre, campeão afastado do meio-médio. O canadense tinha uma trajetória semelhante à do Aranha: havia limpado a categoria e se perpetuava como dono do cinturão sem previsão de adversários à altura. O tira-teima com o brasileiro seria inevitável. O mandachuva do UFC, até então avesso à ideia, decidiu mudar de opinião recentemente. E a superluta voltou a entrar na agenda de quem acompanha o esporte. Resultado: Anderson já se mostra favorável à possibilidade. Resta somente acertar os detalhes. Foi só insistir um pouco…

LEIA: Anderson Silva, o homem para quem nada basta

Jon Jones x Sonnen: é a audiência, estúpido!

Anderson Silva jurou se manter longe de Jon Jones no octógono. Anunciou logo uma amizade com o talentoso campeão do meio-pesado do Ultimate e invocou a relação para recusar enfrentá-lo. Nem mesmo Dana White cogitava a hipótese. Poderia arruinar os planos imediatos da franquia de faturar bastante ainda em cima do maior talento dos anos recentes do torneio. Mas a possibilidade de Anderson se aposentar em duas lutas e a chance de o lucro ser ainda maior com o combate fizeram o patrão repensar. E ele acenou com dinheiro e outras “chantagens” emocionais para motivar Anderson (como liberá-lo para as Olimpíadas). Anderson sempre recusou. Mas, em entrevista recente ao SporTV, deixou escapar:

 “As pessoas estão falando tanto disso… Não tenho essa pretensão, não tem algo que me motive, justamente por terem outros atletas da minha equipe, como Minotouro, Maldonado, Feijão, Caldeirão, que são do peso dele. Meu peso é 84kg, meu título é esse. Mas as pessoas falam tanto disso, e a gente é funcionário do UFC. É claro, posso estar falando que não quero, mas e se ele vai lá e aceita a grana que o Dana vai dar para ele querer lutar? Vai ficar difícil. Não é a grana que me motiva a lutar, luto porque gosto. Então, sei lá… Não gostaria. Mas se for acontecer, teria que ser no peso-combinado. Não valeria o cinturão dele. Eu já tenho o meu e não quero um título para deixar largado.” (declaração reproduzida do Por Dentro da Arena).

 Ou seja, foi só insistir um pouco…

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Jones vs. Belfort: semana histórica no UFC

Duelo impensável meses atrás decide série de tumultos que levou ao cancelamento do UFC 151

O UFC começa a escrever, nesta semana, um dos capítulos mais impensáveis da história do esporte depois da organização iniciada pelo grupo Zuffa, há uma década. A luta entre Jon Jones e Vitor Belfort reflete a busca pelo desfecho tolerável para uma série de atropelos levados a cabo até o cancelamento do UFC 151 – pela primeira vez desde a nova gerência do torneio. A solução encontrada para garantir desafiante ao atual campeão dos meio-pesados, Jones, terminou com um combate inimaginável – e, por isso, excitante do ponto de vista das probabilidades.

Vitor Belfort chega ao duelo como azarão. Está em um momento irregular da carreira e tem contra ele o fato de ser mais leve, mais velho e encarar um homem até agora imbatível. O Fenômeno brasileiro, o mais jovem a levantar o cinturão do UFC, lutava para conseguir uma chance de disputar o cinturão dos médios. Pulou logo para a luta decisiva nos meio-pesados. O caminho tanto pode prejudicá-lo – por conta do favoritismo do oponente – quanto favorecê-lo – por não se encaixar no modelo de adversários batidos pelo atual campeão. A noite do sábado dirá.

Jones chega ao duelo mais castigado pela gangorra vivida fora do octógono. Depois de bater o carro de meio milhão de dólares quando dirigia com duas jovens – e ele é casado -, fechou patrocínio com a Nike, gigante do mundo esportivo, mas entrou em rota de colisão com o chefão Dana White. A recusa em enfrentar Chael Sonnen tornou-lhe o algoz do UFC 151. Ele se fez de mártir e, em seguida, refutou a culpa. O clima fechou.

O card ainda possui os duelos de Michael Bisping contra Brian Stann (no caminho até o título dos médios), a participação dos brasileiros Charles de Oliveira e Vinny Magalhães. E, claro, Joseph Benavidez vs Demetrious Johnson pela disputa do cinturão do peso mosca. Ao longo da seman, vamos destrinchar os combates e aquecer a disputa histórica.

Evento principal:
Jon Jones vs. Vitor Belfort pelo título dos meio-pesados

Card principal:
Joseph Benavidez vs. Demetrious Johnson pelo cinturão do mosca
Michael Bisping vs. Brian Stann
Matt Hamill vs. Roger Hollett
Charles Oliveira vs. Cub Swanson

Preliminar
Vinny Magalhaes vs. Igor Pokrajac
Evan Dunham vs. T.J. Grant
Sean Pierson vs. Lance Benoist
Marcus Brimage vs. Jim Hettes
Seth Baczynski vs. Simeon Thoresen
Mitch Gagnon vs. Walel Watson
Charlie Brenneman vs. Kyle Noke

Nova reviravolta e, agora, Jon Jones vai lutar contra Vitor Belfort

Lyoto desistiu e abriu caminho para o brasileiro fenômeno no MMA

Olha a confusão no site do UFC: Jones, Machida, Henderson e Belfort nas chamadas

 

Mais uma reviravolta para sacudir de vez a estrutura do UFC: Jon Jones, o campeão do meio-pesado do UFC, vai lutar contra Vitor Belfort na edição de número 152, em Toronto, no Canadá. Como o brasileiro caiu de para-quedas para enfrentar um dos homens mais temidos do mundo? É preciso olhar para o dia mais conturbado da história da franquia.

Jones lutaria contra Dan Henderson. Mas ele se machucou. Dana White, o presidente do UFC, tentou armar o combate com o falastrão Chael Sonnen. O fanfarrão derrotado por Anderson Silva rapidamente topou o desafio, pois subiu de categoria e está louco para estrear. Mas, prudente, Jones e o treinador Greg declinaram. Por que dariam a chance a Sonnen, um lutador sem qualquer luta no meio-pesado?

A recusa deixou Dana White maluco. Irritado, ele descascou o treinador de Jones, mostrou-se magoado com o pupilo e protegido na franquia e anunciou o cancelamento do UFC 151 – o momento mais triste da história do dirigente no Ultimate, ele definiu.

Lyoto Machida, vencedor do combate contra Ryan Bader, pintou na ponta da lista. Mas o brasileiro também recusou o combate. Provavelmente em virtude do pouco tempo para se preparar para o confronto, que seria em semanas. O site MMA Brasil informou que Maurício Shogun Rua, segundo na linha de sucessão para o título, também rejeitou lutar – no caso de Shogun, o despreparo evidente demonstrado na luta contra Brandon Vera explica a recusa.

Sobrou adinvinha para quem? Vitor Belfort. Exatamente. O fenômeno, um dos campeões mais jovens do UFC, lutador na categoria dos médios, será o próximo oponente de Jon Jones. É uma luta tão inusitada quanto interessante. Durante a carreira, Belfort enfrentou adversários mais pesados, fortes e demonstrou ser um competidor à altura dos grandes do esporte.

Vitor estava escalado para lutar contra Alan Belcher no UFC 153, no Rio de Janeiro, em outubro. Mas, agora, terá a batalha mais importante deste período da carreira – depois da tentativa de título frustrada contra Anderson Silva.

Do imbróglio, ficou a decepção de Dana White com Jon Jones – por conta da recusa em enfrentar Chael Sonnen – e do próprio fanfarrão do UFC contra o campeão do meio-pesado. A relação entre a maior franquia de lutas do mundo e a principal revelação dos últimos anos ficou decididamente estremecida. A luta de Jones contra Belfort está agendada para 22 de setembro. A menos que haja outra reviravolta…

Mais notícias no decorrer desta sexta-feira!

LEIA AINDA: O início da confusão

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Reviravoltas – e decepções – por minuto

O UFC viveu uma tarde conturbada nesta terça-feira. Em poucos minutos, uma série de eventos abalou as estruturas da maior franquia de lutas do planeta. Em primeiro lugar, foi o anúncio de que o veterano Dan Henderson sofrera uma lesão e que estava fora do combate com Jon Jones e que seria substituído por – pasmem – Chael Sonnen. Após uma intensa rodada de negociações, ficou definido que Lyoto Machida será o próximo desafiante ao cinturão dos Meio-Pesados.

Inicialmente, Jones colocaria seu cinturão em disputa em 1º de setembro, entretanto, Hendo machucou o joelho num treinamento e não terá condições de se recuperar para a luta. Diante disto, Dana White viu uma excelente oportunidade de promover um confronto entre o campeão e Chael Sonnen. Decisão absurda, uma vez que o falastrão foi forçado a engolir a prepotência enquanto era massacrado por Anderson Silva. A surra fez com que ele decidisse subir de categoria, mas ele ainda não fez uma luta sequer.

Mas Jones negou-se a enfrentar Sonnen, forçando Dana White a tomar uma decisão inédita: cancelar toda a edição que estava programada. “Este é o pior momento dos meus 11 anos à frente do UFC. Nunca imaginei que teria que cancelar um evento por causa da recusa do campeão em aceitar um desafio. Jon Jones recusou-se a enfrentar Chael Sonnen após ter aceitado o desafio, e nos forçou a cancelar a luta. A disputa do cinturão acontecerá dia 22 de setembro, em Toronto, contra Lyoto Machida”, anunciou.

Ao contrário do que possa parecer inicialmente, a oportunidade pode não favorecer o brasileiro. A antecipação da revanche força Machida a uma preparação emergencial contra um dos lutadores mais perigosos da atualidade. E não custa lembrar que apesar do desfecho do primeiro encontro, Machida foi o adversário que mais perigo levou ao campeão.

Em busca do cinturão do Aranha

Os três lutadores com mais chances de enfrentar o campeão brasileiro do UFC Anderson Silva

A derrocada humilhante do norte-americano Chael Sonnen no UFC 148 reiniciou a corrida dos lutadores do peso médio em busca do cinturão de Anderson Silva. Três atletas estão mais perto da chance de disputar com o Aranha a supremacia na categoria. Ou, pelo menos, de se aproximar dela diante da possibilidade de vê-lo pendurar as luvas. A idade avançada do campeão brasileiro – 37 anos – serve de estímulo para quem anseia ser o número 1 da modalidade: caso Anderson Silva pare, os desafiantes mais bem cotados serão escalados para decidir no octógono o “herdeiro” da coroa de um dos maiores lutadores de MMA de todos os tempos.

Chris Weidman, Vitor Belfort e Hector Lombard surgem como candidatos naturais a desafiantes de Anderson. O primeiro surpreendeu ao desbancar o favorito Mark Muñoz no UFC On Fuel TV 4 e manter uma invencibilidade de nove lutas nas artes marciais mistas. Weidman agiu com esperteza e, logo após a vitória, implorou ao mandachuva do torneio, Dana White, a chance de encarar o Aranha. Afinal, ele havia acabado de derrubar o lutador cotado para enfrentar Anderson depois de Chael Sonnen. O pedido, no entanto, vai para a geladeira. A cautela precede as decisões do chefão.

Weidman: 9 lutas, 9 vitórias no UFC

 

Vitor Belfort, ex-campeão brasileiro do UFC, considerado fenômeno pela precocidade ao conquistar o cinturão (aos 19 anos), ensaia um movimento para chegar primeiro na fila. A articulação é justa. Belfort perdeu para Anderson Silva no UFC 126, depois de levar um chute antológico ainda no primeiro round. A luta, também classificada como duelo do século, terminou de forma inesperada até mesmo para os fãs de Silva. Entre os atletas escalados para peitar o campeão, ele teve apenas uma chance – Rich Franklin e Chael Sonnen perderam duas vezes. A revanche – se a lógica do UFC prevalecer – é o caminho natural.

 

Belfort: 30 lutas, 21 vitórias (ex-campeão do UFC)

O ex-campeão desviou involuntariamente de uma incógnita chamada Wanderlei Silva – com quem deveria lutar depois do primeiro The Ultimate Fighter Brazil, se tivesse escapado de uma lesão na mão. A derrota do Cachorro Louco para Rich Franklin enfraqueceu a possibilidade de os dois se encontrarem no octógono. Melhor para Belfort. O caminho dele até a luta pelo cinturão encurtou. “Weidman ou o vencedor do combate entre o cubano (Hector Lombard) e Tim Boetsch. Quero ver quem vai ser meu adversário”, declarou Belfort, como forma de pressionar Dana White a inclui-lo na disputa pelo título.

A maior ameaça e aposta para destronar o brasileiro, no entanto, é um desconhecido no octógono do UFC. Invicto há 25 lutas (desde 2007), Hector Lombard, lutador cubano, tem sido apontado por especialistas em artes marciais mistas como o único capaz de vencer o Aranha. Há quem encontre semelhanças entre a forma de os dois lutarem. Nascido em Cuba e radicado na Austrália, Lombard conquistou cinturões no Bellator (principal adversário do Ultimate), Cage Fighting e Australian Fighting. A performance encheu os olhos de Dana. O contrato com o UFC veio em seguida.

Lombard: 35 lutas, 31 vitórias (campeão do Bellator)

 

A chance de se mostrar à altura das expectativas será posta à prova diante de Tim Boetsch no próximo sábado. Se vencer, deve fazer mais uma luta antes de cruzar o caminho de Anderson Silva – em geral, o presidente do UFC tem pressa quando se depara com talentos do esporte, como ocorreu com Jon Jones, rapidamente alçado a desafiante do cinturão da categoria dos meio-pesados.

Qualquer candidato deve encontrar, no entanto, um Anderson Silva em plena forma emocional. Aliviado pela vitória sobre o único lutador capaz de encurralá-lo até então, o Aranha tem esbanjado vigor físico. Depois de vencer Sonnen, chegou a declarar vontade de lutar por mais dez anos.

A capacidade de se manter firme diante dos adversários e a própria esquiva nos combates lhe arrogam o direito de ser confiante. Mas é inegável o peso de uma derrota às portas da aposentadoria. O fracasso arruinaria anos de invencibilidade, de defesas de cinturão, e arranharia o prestígio alcançado junto ao público mundial. O risco faz parte do trabalho, é verdade. Mas o cenário assombra. E o medo deve ser aliado de um dos três homens com a missão de sobrepujar o Aranha. A fila, de novo, começa a andar.

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Os efeitos da surra em Sonnen

Por que o lutador dobrou a língua após ser nocauteado por Anderson Silva

A surra sofrida diante de Anderson Silva encerrou o sonho do norte-americano Chael Sonnen de ser o campeão dos médios do UFC e – a julgar pelas declarações após a edição 148 – gerou uma mudança profunda no comportamento inadequado do atleta. As frases provocativas e os xingamentos públicos deram lugar a um lutador mais tranquilo, centrado e sereno na hora de comentar assuntos sobre os quais tripudiava. A alteração súbita de postura, claro, desperta questionamento: como ele pode ter ido de um extremo a outro em poucos dias?

Os mais apressados arrotam a explicação cômoda de criticar o Ultimate pelas atitudes antes do embate. Tacham de mero teatro estimulado a perseguição implacável de Sonnen ao Spider, ao Brasil e aos lutadores brasileiros – como se tratasse apenas de estratégia para catapultar os lucros do Ultimate. Estão certos? Não. Errados? Muito menos.

Os ataques do norte-americano renderam, sim, dividendos ao UFC. Ajudaram a promover o combate. Colocaram o presidente da franquia, Dana White, e o próprio Anderson Silva na obrigação de encarar o duelo sob pena de ver a organização ridicularizada publicamente. Especialista em marketing, o mandachuva do torneio capitalizou a postura: levou a luta para Las Vegas, obrigou o brasileiro a participar da revanche e colheu recordes na transmissão e no patrocínio. Mas é insuficiente para delimitar as declarações de Sonnen.

As provocações tiveram um fundo de verdade. O norte-americano acreditou nas próprias palavras e ampliou os efeitos delas na proporção dos desdobramentos midiáticos. Mas havia um objetivo embutido: desestabilizar o lutador brasileiro. Chael sabia das dificuldades em enfrentar o campeão em plena forma. E apelar para a luta psicológica poderia retirar de Anderson a serenidade capaz de fazê-lo atuar como o dono do cinturão. A explosão do Spider na semana anterior ao combate deu-lhe razão. Era o sinal evidente de uma carga acumulada de provocações. O plano só pecou por dois motivos: Silva controlou a emoção e lutou com habilidade, e Sonnen tremeu frente a um campeão mordido e estimulado. O tiro saiu pela culatra. A palavra azedou na boca de quem a mastigou.

A insistência nas ofensas após o duelo de nada faria sentido. Beiraria a insanidade depois de duas oportunidades perdidas da pior forma possível: em uma submissão e um nocaute. Sonnen fez o correto. Optou pela inteligência. Reconheceu a vitória do adversário – mesmo quando tentaram virar a mesa e anular a joelhada legítima do Aranha – e elogiou o oponente – e por tabela, valorizou o próprio desempenho. Afinal, ele perdeu para o imbatível.

A calma e a preferência por palavras amenas neste momento favorecem o atleta e o esporte. Cultivar o ódio sem razão tornaria o norte-americano uma pessoa sem juízo e o UFC um esporte cujo ranço emocional supera o profissionalismo tão exigido dos lutadores. A lógica dos combates é uma só: perdeu, agradece a chance e cumprimenta o adversário. É o fair play necessário para garantir o MMA como atividade tolerável e submetida a regras e limites aceitáveis socialmente. Sonnen mudou porque a estratégia deu errado, o peso da franquia exigiu e as palavras perderiam sentido a partir de então. A melhor resposta às polêmicas, agora, é o mais alto silêncio.

O lutador, por sinal, já acena com a possibilidade de mudar de categoria. Em entrevista publicada pelo site MMAmania, ele revalida a vitória de Anderson Silva e considera a possibilidade de lutar contra Jon Jones, campeão dos meio-pesados. Confira: …Continue lendo…