Lyoto Machida: o dragão precisa cuspir fogo novamente

O dragão brasileiro precisa cuspir mais fogo. A baforada anda fraca, tosca, insuficiente para amedrontar os adversários. O desempenho apresentado pelo carateca Lyoto Machida frente a Dan Henderson, no UFC 157, serviu apenas para credenciá-lo à disputa do cinturão. Mas preocupou pelo rendimento longe do ideal para quem sonha em ser o melhor da categoria. Principalmente quando o posto de número um é ocupado pelo imbatível Jon Jones.

O atleta do Pará é conhecido pela esquiva e estratégia do contra-ataque. Estuda os adversários e só arrisca com a certeza de atingi-los. É uma tática eficiente: rendeu-lhe um cinturão nos meio-pesados e só três derrotas na carreira de dezenove vitórias. Mas é pouco para o espetáculo do MMA e um risco quando a luta desemboca na decisão dos juízes.

Diante de Dan Henderson, o brasileiro economizou na agressividade, guardou os golpes e venceu pela margem mínima de diferença na avaliação dos árbitros. Passou maus momentos de costas para o chão e enfrentou sufoco em socos desferidos pelo oponente. Uma sequência bem encaixada do veterano mudaria o desfecho do combate e ameaçaria até mesmo a permanência de Machida no UFC – porque o chefão Dana White é intolerante com duelos sem a garra, trocação ou o jogo de solo inerentes aos confrontos mais empolgantes.

Lyoto já demonstrou destreza e agilidade em outras lutas. Derrubou Randy Couture com um chute cinematográfico, nocateou Rashad Evans com inteligência e até ameaçou o reinado de Jones. Mas no duelo com Henderson travou. Escondeu o ímpeto e exagerou no estudo do adversário. A concentração era visível, mas a gana pela vitória sumiu.

O maior desafio de Machida é interno. A luta é na cabeça. O ex-campeão carece de se portar com mais garra no octógono. Arriscar. Atacar. Sacar do repertório a variedade de golpes com os quais chegou ao topo da categoria e obteve prestígio na comunidade do MMA. A reconquista do cinturão é uma tarefa para quem cede à agressividade, derrama sangue nos olhos, investe na ousadia. A chance ressurgiu: contra Jon Jones, Lyoto precisa mostrar mais. Ao dragão, cabe voltar a cuspir fogo.

 

O dragão:

Idade: 34 anos
Cartel: 19 vitórias e 3 derrotas
À frente: Jon Jones ou Chael Sonnen

Ronda vale mais que Dan Henderson e Lyoto Machida?

A admiração do chefão do UFC, Dana White, pela primeira e única campeã do torneio sem jamais colocar o pé no octógono, Ronda Rousey, perdeu as estribeiras. Ou melhor: fez o dirigente subestimar o cacife de dois dos principais atletas do MMA da atualidade. A luta da atleta contra Liz Carmouche, estreia das artes marciais mistas femininas no Ultimate, sobrepujou o peso do confronto entre os dois lutadores, ex-campeões cujos combates são sempre dignos da elite do esporte.

A predileção por Ronda é mais um agrado concedido por Dana à atleta. Ele já contratou a lutadora contra prognósticos próprios de nunca abrir as portas do torneio para o MMA delas. Depois, concedeu-lhe o título de campeã sem colocá-la para lutar. Ronda desfrutava do status no Strikeforce, franquia administrada pelos donos do Ultimate, onde mereceu o cinturão do peso-galo.

A mulher que virou a cabeça do chefão do UFC

A manobra de complacência da vez é situá-la no combate principal da edição 157, em 23 de fevereiro de 2013. Pode parecer simples. Não é. A luta mais importante da noite dá nome ao evento e serve de referência histórica. Concentra as apostas e é o objeto de barganha do UFC para barganhar cotas de televisão e anunciantes – e vendê-las, claro. A escolha por Ronda é um recado da disposição de investir nela. Sem, necessariamente, apostar na categoria: o Ultimate sequer possui de quantidade suficiente de lutadora para dar conta da manutenção de um torneio feminino.

É válido frisar: Dan Henderson e Lyoto possuem histórico suficiente para credenciá-los ao combate da noite. Hendo brilhou no Pride, no Strikeforce e chegou a vencer a lenda Fedor Emelianenko. O carateca brasileiro já ergueu o cinturão dos meio-pesados do UFC, derrotou Randy Couture e foi o homem mais agressivo contra Jon Jones, atual campeão, em pé. A luta deles só fica aquém da disputa do cinturão porque Dana White derrapou na inteligência e escalou o vencedor de Shogun x Gustafsson para o desafio.

A história das mulheres deve e merece ser construída com prestígio. Mas nunca à custa da escuridão na qual são atirados os atletas com os quais o UFC edificou a própria trajetória. É questão de coerência com o passado. De nada vale apagá-lo.

Card do UFC 157 (até o momento)
23 de fevereiro de 2013, em Anaheim (EUA)
Ronda Rousey x Liz Carmouche
Dan Henderson x Lyoto Machida
Urijah Faber x Ivan Menjivar
Brendan Shaub x Lavar Johnson
Neil Magny x Jon Manley*
Court McGee x Josh Neer

Dana White: Jon Jones lutará contra vencedor de Shogun x Gustaffson

UFC adota critério duvidoso para escalar desafiante ao cinturão

No Twitter: @tiagobarbosa_

A definição dos combates pelo título do meio-pesado do UFC se tornou motivo de chacota. Uma piada alimentada pela falta de critério do torneio em priorizar os atletas mais técnicos. O primeiro tropeço veio com a escalação de Chael Sonnen como técnico rival do campeão Jon Jones na edição de número 17 do The Ultimate Fighter dos EUA. O lucro guiou a escolha: o falastrão norte-americano nem de longe merecia o posto depois de ter sido surrado na categoria de baixo por Anderson Silva. Deveria entrar na fila, fazer várias lutas antes de pleitear o título. Mas a chance de catapultar a audiência com as peripécias de Sonnen na TV impôs o lutador.

Após a predileção pelo showbiz, o presidente da franquia, Dana White, se equivoca na avaliação técnica ao garantir o vencedor de Shogun x Gustafsson (ver card abaixo) como próximo adversário de Jones. Lyoto Machida e Dan Henderson mereciam a oportunidade antes. Mauricio Shogun Rua é, históricamente, nome notável no universo de atletas de MMA brasileiros. Chegou ao cinturão dos meio-pesado do UFC com méritos – ao bater Machida -, mas perdeu a qualidade no desempenho nas lutas seguintes e afastou-se da forma com a qual se consagrou. A performance apresentada contra Brandon Vera, último duelo, recebeu críticas porque o brasileiro caminhou com sofreguidão no octógono. Ficou notória a falta de ar e de preparo físico do ex-campeão dentro do ringue. O próprio chefão do UFC lamentou após o combate e decidiu preteri-lo (pelo menos, em tese) das disputas seguintes.

O sueco Alexander Gustafsson possui um cartel impressionante: 14 vitórias e uma derrota. No UFC, são sete sucessos e um tropeço (contra Phill Davis). O retrospecto, no entanto, é insuficiente para credenciá-lo ao cinturão – do ponto de vista técnico, por falta de duelos mais difíceis, e financeiro, pelo fato de o atleta ser um nomem apenas comum dentro da comunidade do MMA.

Lyoto Machida, o único lutador a intimidar Jon Jones em pé, e Dan Henderson, com quem o campeão só não lutou por conta de uma lesão do veterano, foram deixados de lado sem justificativa plausível. O brasileiro deveria ser o primeiro na lista para reaver o cinturão em função do desempenho apresentado no combate contra o jovem talento do UFC. E Dan Henderson, em virtude da idade avançada, 41 anos, e dos serviços prestados com louvor ao MMA, merecia uma chance com certa brevidade. Mas eles terão de se enfrentar para – só depois – disputar o humor instável de Dana White na hora de posicioná-lo na chance pelo título da categoria.

O tempo é impiedoso e pode usurpar do UFC a oportunidade de presenciar confrontos ansiosamente esperados pelo público. Se continuar a definir os embates com base em critérios frágeis, o mandachuva do torneio pode exauri-lo na principal virtude: colocar os mais bem qualificados dentro do octógono para premiar os melhores lutadores da atualidade. Vai sobrar o riso.

UFC: Henderson x Diaz
8 de dezembro de 2012, em Seattle (EUA)
CARD PRINCIPAL
Ben Henderson x Nate Diaz
Maurício Shogun x Alexander Gustafsson
BJ Penn x Rory MacDonald
Mike Swick x Matt Brown
CARD PRELIMINAR
Yves Edwards x Jeremy Stephens
Raphael Assunção x Mike Easton
Ramsey Nijem x Joe Proctor
Daron Cruickshank x Henry Martinez
Tim Means x Abel Trujillo
Dennis Siver x Nam Phan
Scott Jorgensen x John Albert

A ganância de Jon Jones

Campeão do meio-pesado do UFC quer definir próxima luta de acordo com faturamento

No começo, a humildade imperava

 

O coelho da cartola sacado por Dana White para espinafrar o boxe sempre bateu na tecla dos combates arranjados. A nobre arte, no deboche do mandachuva do UFC, era incapaz de colocar os melhores lutadores para lutar. Estrategista do Ultimate, responsável direto pela popularização do MMA, o dirigente usou do truque para tripudiar dos duelos jamais realizados por interferência dos empresários e do poder econômico. O destino, no entanto, pregou-lhe uma arapuca. O atleta mais talentoso da nova geração do UFC, Jon Jones, veio a público e deixou claro: só pretende fazer lutas se elas venderem bem. Entenda-se: se a grana compensar.

A naturalidade do campeão desnudou uma realidade até então difusa no UFC. Anderson Silva já tinha apresentado desgosto em enfrentar Chael Sonnen – principalmente em virtude das ofensas feitas pelo adversário. Engoliu a seco a contrariedade e, no octógono, acabou com o oponente. Agora, só vai aceitar enfrentar atletas com os quais a comissão técnica dele esteja de acordo. Chris Weidman, coitado, foi a primeira vítima e terminou preterido. Junior Cigano dos Santos também demonstrou irritação em se ver obrigado a lutar contra Cain Velasquez. Gostaria de bater Alistair Overeem – o UFC adiou o duelo por doping do holandês.

Patrocinado pelo próprio Ultimate, recém-contratado pela Nike e dono de uma trajetória irrepreensível no octógono, Jon Jones  apossou-se da fama. Rejeitou duelar contra Lyoto Machida porque, ele diz, a luta seria financeiramente inviável. A alegação dada à ESPN coloca o dinheiro acima da esportividade – pois o brasileiro tem sido encarado como o único lutador até agora a conseguir desestabilizar Jones no ringue: “Eu não gostaria de lutar com o Lyoto. Ele foi a minha luta menos vendida, então acho que ninguém quer ver esse confronto novamente. Ele oferece um alto risco e uma pequena recompensa. Eu sei que o Lyoto é um atleta duro, mas “Shogun”, “Rampage” e Rashad foram lutas mais vistas”.

Os números dão a razão econômica a Jones. A luta contra Lyoto rendeu apenas 485 mil vendas no pay-per-view. Abaixo dos 490 mil do combate Jones vs. Shogun (UFC 128), 520 mil de Jones vs. Rampage (UFC 135) e muito inferior aos 700 mil de Jones vs. Rashad (UFC  145). Mas a gangorra financeira é insuficiente para prospectar os lucros em um combate no MMA. O ambiente criado pela astúcia de Machida contra Jon, no primeiro encontro, poderia ensejar mais atenção dos fãs do UFC – em virtude da possibilidade de ver um astro em ascensão ser derrotado.

A história do esporte refuta a postura do campeão. O UFC cresceu à base da promoção dos confrontos mais esperados. As revanches muitas vezes deram nome aos eventos e serviram para alavancar a atividade desde a época das chamadas sanguinolentas – removidas anos mais tarde para se adequar ao grande público. O Pride japonês – já extinto – primou por confrontar talentos de peso do MMA. Depois da derrocada, o Ultimate assumiu o papel e, até agora, cumpriu a missão de deixar no topo quem merece – e não o lutador capaz de gerar mais dinheiro.

O risco é óbvio: se poucos se protegerem no olimpo dos intocáveis, a franquia vai formar um grupo seleto de milionários da luta – incapazes de se misturar. Os duelos se curvarão ao poder econômico e, a partir de então, o esporte tomará a feição do lado mais triste do boxe – moldado pelos desmandos dos empresários.

Dana White já prometeu: pretende colocar Lyoto para lutar contra o vencedor de Dan Henderson vs. Jon Jones (UFC 151, em 1º de setembro). De olho na insurgência da revelação do UFC, cabe mensurar: as palavras do mandatário nunca precisaram tanto ter a força da pedra com a qual ele destruiu o telhado alheio. A credibilidade está na vitrine. E um truque em falso pode quebrá-la.

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É no chão?

Lyoto Machida diz que Jon Jones tem, sim, um ponto fraco

Com as costas no chão, sobrevive?

Lyoto Machida é páreo para Jon Jones. Os dois sabem disso. É adversário para derrotar fisica e moralmente o atual campeão dos meio-pesados. Os dois sabem disso. Quando ficaram frente a frente pela primeira vez, o brasileiro prevaleceu. Na luta, calculou a distância. Avançou e recuou na medida certa. E chegou a acertar o jovem norte-americano com golpes certeiros. O corpo deu o recado. A mente entendeu. A mente de Jones. Acuado, ele redefiniu a estratégia. E inverteu a dinâmica da luta com uma cotovelada. Tonto, Machida virou presa fácil para o oponente.

O desfecho seria outro se um dos socos do brasileiro tivesse mais força, se os chutes entrassem com mais eficácia, se a tática funcionasse. Mas, ainda bem, o MMA dispensa o “se”. Os dois sabem disso. E, para espantar o quase, o Dragão paraense tem outra lógica. Desde já, aponta. Melhor, fere: Jones é fraco. Sim, no chão. Onde nunca repousou as costas até agora na trajetória no UFC. Esteve sempre por cima. No combate, nos pontos, no resultado. Ali, embaixo, entre o oponente e a sensação de derrota, entre os socos e a impotência, entre a empáfia e o desespero, nunca ficou. É o caminho. Um caminho. Possível, mas tortuoso e longe. Fica a um cinturão de distância.

Jones nunca caiu porque reina em pé. Das doze lutas abrigadas sob o UFC, fez de tudo. Barba, cabelo, bigode. Nocaute, submissão, pontos. Ganhou o cinturão aos 24 anos e já o colocou em jogo três vezes. E nem parece, diz a estatística da facilidade: finalizou Rampage Jackson, Lyoto Machida e cozinhou Rashad Evans até a decisão dos jurados. Antes, fez Shogun parecer um sparring na conquista do cinturão. Ficar com as costas no chão pode ser um ponto fraco. Mas forte é a chance de ele evitar isso.

O caminho de Machida é espinhoso. Mas factível. O encontro entre os dois sobre o octógono pela última vez definhou a impossibilidade. O olimpo tocou o chão: Jones é de carne e osso. Humano. Atingível. E pode ser vencido. Mas a prudência pede passagem: antes do reencontro, existe Dan Henderson. Bom em pé, excelente no chão. Adversário imprevisível na dança dos cinturões. Capaz de subverter prognósticos. Casca grossa suficiente para qualquer um. Todos precisam considerar a máquina formada no Pride. Glorificada nas artes marciais mistas. Mesmo aos 41 anos, ele é perigo. Para Jones, para Machida. Eu sei, vocês sabem. E eles também sabem disso.

Relembre a derrota de Machida para Jon Jones

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A volta do Dragão

Preciso e letal, Lyoto Machida provou ser merecedor de mais uma chance de retomar o cinturão dos Meio-Pesados do Ultimate. Bem ao seu estilo, o carateca paraense nocauteou o norte-americano Ryan Bader no co-main event do UFC on Fox 4. O desempenho impressionou o presidente Dana White que praticamente confirmou que o brasileiro aguarda o resultado do confronto entre o campeão Jon Jones e o veterano Dan Henderson. É, o Dragão está de volta.

Ciente de que uma simples vitória não seria suficiente para conquistar o direito de desafiar o campeão da categoria, Machida subiu no octógono disposto a mostrar que está de volta à sua melhor forma. Rápido na esquiva, ele encontrou a distância e passou a encaixar contragolpes contundentes em um Ryan Bader cada vez mais frustrado por não conseguir “encontrar” seu oponente.

O nocaute veio no segundo round, quando Machida mostrou estar realmente numa grande forma. Num golpe de encontro, o brasileiro acertou o queixo do adversário, que tentava aplicar um direto de direira. Lona. Seguro, Machida deixou claro que a contundente derrota para Jon Jones foi superada: “Quero dizer que o Dragão está de volta”, avisou, antes de garantir não estar pensando em escolher o adversário da luta pelo título. “Vou treinar bastante. Não sei se vem Jones ou Henderson, tanto faz. Confio em mim.”

O próximo desafiante do cinturão dos Meio-Pesados

Na segunda-feira, Dana White deu uma declaração surpreendente sobre o próximo desafiante ao título dos Meio-Pesados. O presidente do UFC avisou que o vencedor do confronto entre Maurício Shogun e Brandon Vera – evento principal do UFC on Fox que será disputado no próximo sábado – teria esta primazia.

Mas a repercussão fez com que White voltasse atrás. O público lembrou que a luta que antecede o encontro entre Shogun e Vera não pode ser esquecida. O co-main event colocará dois atletas bem quistos pelo público frente a frente: Lyoto Machida e Ryan  Bader.

E não custa lembrar que no UFC 140, disputado em dezembro de 2011, o brasileiro alcançou um desempenho surpreendente no encontro com o campeão Jon Jones, vencendo o primeiro round.

Por isso, Dana White acabou confirmando o que muitos imaginaram assim que a franquia confirmou o card do UFC on Fox: “Os fãs não gostaram da escolha do vencedor de Shogun e Vera, então é assim: quem vencer da forma mais impressionante no sábado vai ter a sua chance contra o vencedor de Jon Jones e Dan Henderson. Eu promovo as lutas que os fãs querem ver”, resumiu.

Confira o card completo:

Card Principal
Mauricio Shogun vs Brandon Vera
Lyoto Machida vs Ryan Bader
Mike Swick vs DaMarques Johnson
Joe Lauzon vs Jamie Varner

Card Preliminar
Cole Miller vs Nam Phan
Phill Davis vs Wagner Prado
Josh Grippi vs Rani Yahya
Phill De Fries vs Oli Thompson
Manny Gamburyan vs Michihiro Omigawa
Ulysses Gomez vs Johm Moraga

Quem vai parar Jon Jones?

Em 1º de setembro, o fenômeno Jon “Bones” Jones colocará o cinturão dos Meio-Pesados em disputa pela quarta vez. Seu desafiante no UFC 151, que será disputado em Las Vegas, será o veterano Dan Henderson, que promete colocar o compatriota “em seu devido lugar”. Aos 41 anos, Hendo ostenta um cartel invejável e chega embalado por vitórias sobre ninguém menos que Fedor, no Strikeforce, e Shogun, no combate que marcou seu retorno ao Ultimate.

Mas será que dá pra imaginar que a hegemonia de Jones está ameaçada? Henderson é um lutador muito duro. Casca grossa mesmo. E tem uma mão pesada. Mas outros aspectos o colocam um degrau abaixo do campeão. Bones já mostrou ser muito mais que uma simples promessa. A frieza e a agressividade com a qual encara seus oponentes impressionam. E a cada novo confronto, ele apresenta uma evolução significativa no octógono. Além disso, Jones (1,94 m) é 14 cm mais alto que seu oponente (1,80 m). E a vantagem é ainda maior em relação à envergadura de ambos (2,15 m x 1,88 m).

Para vencer, Henderson precisa fugir ao seu estilo. A “Bomba H”, como é conhecido o seu direto de direita, terá de ficar em segundo plano. Treinando com o francês Cyrille Diabate para adaptar-se a um oponente mais alto, o veterano precisa traçar uma estratégia mais conservadora e pensar em vencer round a round. Hendo precisa encontrar a distância exata. Se ficar longe demais, não tem chance na trocação e se encurtar muito, vira alvo das temidas cotoveladas do campeão. A alternativa é tentar levar Jones para o chão e trabalhar o ground and pound.

Campeão do UFC se desculpa por ser preso ao dirigir bêbado

Nem tudo são flores na vida do campeão dos meio-pesados do UFC, Jon Jones. A fama obtida pela atuação impecável dentro do octógono – capaz de lhe render o cinturão da categoria e um patrocínio do próprio Ultimate – manchou-se com a prisão em flagrante por dirigir embriagado. O lutador foi apanhado depois de se envolver em um acidente em Nova York, nos Estados Unidos, no fim de semana – o carro, um modelo Bentley, teve perda total. Levado à prisão, ele foi liberado com pagamento de fiança feito pela mãe. Dois dias depois do incidente, Jones desabafou:

“É bom sentir que as pessoas estão lá e cuidam. Eu senti que eu deveria pedir desculpas a vocês, primeiro (fãs no Facebook). Eu sinto muito que eu possa ter vergonha de alguma forma. Eu vou lhes provar, bem como a mim mesmo, que não importa o que está acontecendo na vida, podemos sempre trabalhar o nosso caminho de volta e tornar as coisas ainda melhores do que antes. Eu não vou permitir que essa situação supere os momentos positivos. Eu amo vocês de volta e prometo fazer as coisas direito. PS.: desculpe a gramática terrível”, afirmou o campeão.

O presidente do UFC, Dana White, comentou o acidente. E suavizou o equívoco do protegido de dirigir após consumir bebida alcoólica. “Não se pode exigir que ninguém, especialmente os lutadores, sejam pessoas perfeitas. Entendo que eles sejam exemplos para os mais jovens, mas eles também são seres humanos. Vão cometer erros”, declarou em entrevista ao MMA Junkie (entrevista reproduzida pelo SporTV).

O falastrão do UFC Chael Sonnen decidiu se envolver no problema. E, no Twitter, aconselhou o jovem talento do MMA. “Não existe crescimento sem dor. Um preço pequeno para a lição que aprendeu. Feliz que você está salvo”, ponderou.
A conduta de Jone surpreende. O lutador é tido como um dos atletas mais carismáticos do Ultimate. Sempre demonstrou respeito para com os adversários e fez questão de cultivar a sina de bom moço dentro e fora do octógono.

As atitudes elogiáveis lhe renderam patrocínino e a devoção da torcida ávida por novos talentos no mundo das artes marciais mistas. E Jones surgiu exatamente em um momento crucial para o esporte: os lutadores mais antigos flertam com a aposentadoria, e os dirigentes do Ultimate elaboram estratégias para tornar a prática palatável ao público mais hostil. O tropeço fora dos ringues arranha o prestígio conseguido até agora pelo lutador. Ele precisa recuperar a imagem positiva para evitar críticas e a associação com um possível status de “bad boy”.

Jon Jones sobe novamente no ringue no dia 1 de setembro, contra o veterano Dan Henderson. A luta vale o cinturão da categoria. Provavelmente, é a última luta do desafiante, uma lenda viva das artes marciais mistas. Os fãs anseiam ver o campeão em ação. E, tomara, longe das confusões extra-octógono.

Veja o ranking com os melhores lutadores do MMA

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A chance da vida de Dan Henderson

Lutador veterano deve ser o próximo a enfrentar Jon Jones

A vitória esperada de Jon Jones sobre Rashad Evans, na noite do sábado, pelo UFC 145, soou como convite ao veterano Dan Henderson. A manutenção do título por parte do jovem atleta norte-americano praticamente selou o passaporte do experiente lutador rumo ao desafio pelo posto de melhor da categoria meio-pesado do Ultimate. O duelo contra o ganhador do confronto do fim de semana havia sido prometido ao combatente pelo presidente da franquia, Dana White. Aos 41 anos, idade considerada avançada para os padrões atuais do octógono, Hendo encara a luta como o degrau derradeiro de uma escalada de sucessos nas artes marciais mistas.

Dan Henderson estreou no UFC na edição de número 17. Depois, seguiu o caminho do extinto Pride e se tornou campeão ao derrotar o brasileiro Murilo Bustamante. Desbancou nomes glorificados no ringue do torneio japonês, como Wanderlei Silva, Vitor Belfort, Minotauro e Renzo Gracie. De volta ao UFC, sucumbiu aos tentáculos do campeão do Aranha Anderson Silva. Mas retomou o compasso das vitórias e enfileirou Rousimar Palhares, Rich Franklin e Michael Bisping. Em seguida, vieram o Strikeforce e a lendária vitória sobre Fedor Emelianenko. Confiante, Hendo pediu chance para lutar pelo título. E conseguiu.

O clima de desafio já corre na veia do dono do cinturão, Jon Jones. Após a vitória sobre o antigo colega de treino, Rashad Evans, ele declarou: “Eu me sinto bem porque já tenho uma missão. E vou tentar melhorar meu desempenho. Henderson é um grande oponente. É um vencedor, tem poder de nocaute, estou excitado para enfrentá-lo”. Se vencer, Henderson interrompe a sucessão de vitórias protagonizada por um jovem talento patrocinado – como a TV mostrou na edição 145 – até mesmo pelo UFC. E coroa a carreira como um dos melhores lutadores de MMA de todos os tempos.