O dragão brasileiro precisa cuspir mais fogo. A baforada anda fraca, tosca, insuficiente para amedrontar os adversários. O desempenho apresentado pelo carateca Lyoto Machida frente a Dan Henderson, no UFC 157, serviu apenas para credenciá-lo à disputa do cinturão. Mas preocupou pelo rendimento longe do ideal para quem sonha em ser o melhor da categoria. Principalmente quando o posto de número um é ocupado pelo imbatível Jon Jones.
O atleta do Pará é conhecido pela esquiva e estratégia do contra-ataque. Estuda os adversários e só arrisca com a certeza de atingi-los. É uma tática eficiente: rendeu-lhe um cinturão nos meio-pesados e só três derrotas na carreira de dezenove vitórias. Mas é pouco para o espetáculo do MMA e um risco quando a luta desemboca na decisão dos juízes.
Diante de Dan Henderson, o brasileiro economizou na agressividade, guardou os golpes e venceu pela margem mínima de diferença na avaliação dos árbitros. Passou maus momentos de costas para o chão e enfrentou sufoco em socos desferidos pelo oponente. Uma sequência bem encaixada do veterano mudaria o desfecho do combate e ameaçaria até mesmo a permanência de Machida no UFC – porque o chefão Dana White é intolerante com duelos sem a garra, trocação ou o jogo de solo inerentes aos confrontos mais empolgantes.
Lyoto já demonstrou destreza e agilidade em outras lutas. Derrubou Randy Couture com um chute cinematográfico, nocateou Rashad Evans com inteligência e até ameaçou o reinado de Jones. Mas no duelo com Henderson travou. Escondeu o ímpeto e exagerou no estudo do adversário. A concentração era visível, mas a gana pela vitória sumiu.
O maior desafio de Machida é interno. A luta é na cabeça. O ex-campeão carece de se portar com mais garra no octógono. Arriscar. Atacar. Sacar do repertório a variedade de golpes com os quais chegou ao topo da categoria e obteve prestígio na comunidade do MMA. A reconquista do cinturão é uma tarefa para quem cede à agressividade, derrama sangue nos olhos, investe na ousadia. A chance ressurgiu: contra Jon Jones, Lyoto precisa mostrar mais. Ao dragão, cabe voltar a cuspir fogo.
O dragão:
Idade: 34 anos
Cartel: 19 vitórias e 3 derrotas
À frente: Jon Jones ou Chael Sonnen











