Está na hora de rankear, Dana White?

Dana: o mandachuva organiza os combates

O UFC rechaça rankings. O presidente da franquia, Dana White, prefere valorizar a capacidade de casar boas lutas e fazer a engrenagem do lucro e do showbiz girar ao sabor do momento. Ignora projeções e comete até atrocidades como a definição do combate entre Jon Jones e Chael Sonnen em abril do próximo ano – quando o norte-americano falastrão sequer conseguiu vencer uma luta na categoria dos meio-pesados dentro do próprio Ultimate.

A estratégia deu certo durante o amadurecimento da franquia: era necessário abrir espaço no mercado, e a definição de lutas com base na sensibilidade da preferência do público e de empresários tornou-se vital. Mas o esporte se consolidou, incorporou novos atletas, ganhou os olhos do mundo e, agora, exige a contrapartida da profissionalização dos duelos para existir como uma prática justa diante de quem o acompanha.

Outros torneios, como o Bellator (principal concorrente hoje do UFC) e o Jungle Fight (o maior da América Latina), por exemplo, ensaiam o encadeamento de lutas para escolher os lutadores aptos a disputar um cinturão. As edições funcionam como etapas eliminatórias para credenciar os atletas diante de novos desafios. É mais justo com o público e estabelece um critério esportivo para o MMA.

A divulgação de rankings elaborados por revistas e sites especializados alimenta a cobrança contra o UFC. O mais bem construído – divulgado pelo USA Today mensalmente – demonstra como o Ultimate atropela o desempenho recente dos lutadores e ignora a possibilidade de colocar os melhores para duelar (veja abaixo, com atletas de outras franquias).

Entre os pesados, Junior Cigano dos Santos, o campeão, vai enfrentar Cain Velásquez. Mas é cotado para o confronto com Alistair Overeem, punido por doping. O brasileiro é o primeiro, enquanto o holandês está na nona posição. Faz sentido? No meio-pesado, Jon Jones, o primeiro, entra no octógono contra Chael Sonnen, sequer classificado na categoria. O desafiante aparece como o quarto dos médios. Anderson Silva, líder do peso até 84 quilos, se esquiva de enfrentar os Chris Weidmann e Michael Bisping, os dois mais bem colocados no ranking…

A fórmula do cruzamento imediato dentro da lista pode nem ser a solução para o Ultimate. Mas é urgente a definição de critérios mais rigorosos. A preferência de olho no lucro e no showbiz, antes fundamental para a consolidação da franquia, pode começar a atrapalhar daqui por diante.

RANKING

PESO-PESADO (93 a 120kg) (extraído do blog Por Dentro da Arena)

1 Junior dos Santos 175 UFC 1
2 Cain Velasquez 168 UFC 2
3 Daniel Cormier 155 Strikeforce 3
4 Fabricio Werdum 150 UFC 5
5 Frank Mir 141 UFC 6
6 Josh Barnett 129 Strikeforce 8
7 Antonio Silva 127 UFC 9
8 Antonio Rodrigo Nogueira 125 UFC 7

9 Alistair Overeem 130 UFC 4
10 Stefan Struve 98 UFC 13
11 Roy Nelson 75 UFC 12
12 Travis Browne 70 UFC 10
13 Mark Hunt 69 UFC 11
14 Mike Russow 61 UFC 14
15 Ben Rothwell 64 UFC 16
16 Cheick Kongo 61 UFC 15
17 Damian Grabowski 60 Bellator 21
18 Sergei Kharitonov 57 Russian MMA Champ. 17
19 Gabriel Gonzaga 52 UFC 24
20 Brendan Schaub 49 UFC 19
21 Kenny Garner 48 M-1 Mix-FC 25
22 Stipe Miocic 47 UFC 18
23 Matt Mitrione 43 UFC 22
24 D.J. Linderman 44 WSOF 28
25 Thiago Santos 40 Bellator NR

MEIO-PESADO (93kg)

1 Jon Jones 150 UFC 1
2 Dan Henderson 143 UFC 2
3 Rashad Evans 135 UFC 3
4 Lyoto Machida 132 UFC 4
5 Mauricio Rua 130 UFC 5

6 Phil Davis 112 UFC 6
6 Alexander Gustafsson 112 UFC 7
8 Ryan Bader 107 UFC 8
9 Quinton Jackson 82 UFC 9
10 Antonio Rogerio Nogueira 74 UFC 10
11 Gegard Mousasi 61 Strikeforce 12
12 Glover Teixeira 60 UFC 15
13 Forrest Griffin 58 UFC 11
14 Muhammed Lawal 51 Bellator 13
15 Ryan Jimmo 46 UFC 17
16 Rafael Cavalcante 45 Strikeforce 14
17 Renato Sobral 43 OneFC 21

18 Anthony Johnson 40 WSOF 24
19 Vitor Belfort 39 UFC 19
20 James Te Huna 38 UFC 18
21 Attila Vegh 36 Bellator 24
22 Matt Hamill 35 UFC 28
23 Thales Leites 31 Amazon Forest Combat 30
24 Thiago Silva 30 UFC 16

25 Brandon Vera 28 UFC 23
25 Jan Blachowicz 28 KSW 31

MÉDIOS (84kg)

1 Anderson Silva 150 UFC 1
2 Chris Weidman 140 UFC 2
3 Michael Bisping 129 UFC 4
4 Chael Sonnen 127 UFC 3
5 Tim Boetsch 123 UFC 5
6 Luke Rockhold 120 Strikeforce 6
7 Mark Munoz 106 UFC 7
8 Yushin Okami 97 UFC 8
8 Alan Belcher 97 UFC 9
10 Brian Stann 77 UFC 11
11 Jake Shields 74 UFC 12
12 Ronaldo Souza 73 Strikeforce 10
13 Rich Franklin 69 UFC 14
14 Hector Lombard 67 UFC 13
15 Mamed Khalidov 56 KSW 17
16 Tim Kennedy 54 Strikeforce 15
17 Chris Leben 51 UFC 16
18 Roger Gracie 50 Strikeforce 24
19 Alexander Shlemenko 46 League S-70 20
20 Jorge Santiago 45 Titan Fighting 21
21 Wanderlei Silva 44 UFC 19
22 Rousimar Palhares 43 UFC 18

22 Lorenz Larkin 43 Strikeforce 22
24 Constantinos Philippou 41 UFC 23
25 Robbie Lawler 37 Strikeforce 27

MEIO MÉDIOS (77kg)

1 Carlos Condit 147 UFC 1
2 Martin Kampmann 138 UFC 3
3 Johny Hendricks 135 UFC 2
4 Jake Ellenberger 122 UFC 5
5 Nick Diaz 120 UFC 4
6 Josh Koscheck 116 UFC 6
7 Jon Fitch 114 UFC 7
8 Nate Marquardt 105 Strikeforce 8
9 Rory MacDonald 91 UFC 9
10 Ben Askren 85 Bellator 10
11 Diego Sanchez 61 UFC 12
12 Siyar Bahadurzada 59 UFC 13
13 Demian Maia 59 UFC 14
14 B.J. Penn 58 UFC 11
15 Mike Pierce 50 UFC 22
16 Mike Pyle 44 UFC 17
17 Tyron Woodley 39 Strikeforce 18
17 Jay Hieron 39 UFC 19
19 James Head 33 UFC 23
20 Brian Ebersole 32 UFC 24
21 John Hathaway 31 UFC 29
22 Erick Silva 30 UFC 20
23 Jordan Mein 29 Score Fighting Series 27
24 Kyle Noke 29 UFC 28
25 Douglas Lima 28 Bellator 31

LEVES (70kg)

1 Ben Henderson 150 UFC 1
2 Frankie Edgar 144 UFC 4
3 Gilbert Melendez 136 Strikeforce 2
4 Gray Maynard 131 UFC 3
5 Nate Diaz 127 UFC 5
6 Anthony Pettis 110 UFC 7
7 Donald Cerrone 109 UFC 9
8 Michael Chandler 106 Bellator 6
9 Clay Guida 105 UFC 7
10 Eddie Alvarez 82 Free Agent 11
11 Jim Miller 74 UFC 10
12 T.J. Grant 55 UFC 16
13 Pat Healy 49 Strikeforce 21
14 Rick Hawn 48 Bellator 18
15 Joe Lauzon 47 UFC 14
16 Matt Wiman 45 UFC 24
17 Josh Thomson 43 Strikeforce 13
18 Khabib Nurmagomedov 41 UFC 15
19 Mark Bocek 38 UFC 22
20 Shinya Aoki 36 One FC 12
21 Jadamba Narantungalag 30 Legend FC 27
21 Michael Johnson 30 UFC NR
23 Melvin Guillard 29 UFC 17
24 Evan Dunham 28 UFC 25
24 Antonio McKee 28 EFWC 29

PENAS (66kg)

1 Jose Aldo 150 UFC 1
2 Chad Mendes 136 UFC 3
3 Pat Curran 135 Bellator 2
4 Ricardo Lamas 123 UFC 4
5 Chan Sung Jung 118 UFC 6
6 Hatsu Hioki 110 UFC 5
7 Erik Koch 109 UFC 8
8 Dennis Siver 108 UFC 7
9 Diego Nunes 87 UFC 10
10 Dustin Poirier 86 UFC 9
11 Cub Swanson 75 UFC 11
12 Tatsuya Kawajiri 67 One FC 13
13 Daniel Straus 66 Bellator 12
14 Hacran Dias 53 UFC 20
15 Robert Peralta 53 UFC 17
16 Hiroyuki Takaya 49 DREAM 14
17 Marlon Sandro 46 Bellator 15
18 Manny Gamburyan 44 UFC 18
19 Nik Lentz 42 UFC 27
20 Bart Palaszewski 39 UFC 16
21 Tyson Griffin 37 Resurrection Fight Alliance 19
21 Mike Brown 37 UFC 24
23 Charles Oliveira 36 UFC 28
24 Darren Elkins 34 UFC 20
25 Yuri Alcantara 30 UFC 29

GALOS (61kg)

1 Dominick Cruz 150 UFC 1
2 Renan Barao 144 UFC 2
3 Urijah Faber 136 UFC 3
4 Michael McDonald 129 UFC 4
5 Brian Bowles 120 UFC 4
6 Brad Pickett 110 UFC 7
7 Eddie Wineland 108 UFC 6
8 Bibiano Fernandes 106 One FC 8
9 Eduardo Dantas 76 Shooto Americas 9

10 Scott Jorgensen 65 UFC 10
11 Mike Easton 63 UFC 18
12 Marcos Galvao 57 Bellator 12
13 Raphael Assuncao 56 UFC 16

14 Tyson Nam 55 Shooto Americas 13
15 Miguel Torres 52 WSOF 11
16 Luis Alberto Nogueira 46 Bellator 14
17 Zach Makovsky 44 Bellator 21
18 Alexis Vila 41 Bellator 17
18 Chase Beebe 41 Bellator NR
20 Ivan Menjivar 37 UFC 23
20 Ian Loveland 37 Tachi Palace Fights 28
22 Masakatsu Ueda 36 One FC 20
23 Takeya Mizugaki 33 UFC 14
23 Bryan Caraway 33 UFC 31
25 Yoshiro Maeda 32 DEEP 25

MOSCAS (até 57kg)

1 Demetrious Johnson 125 UFC 1
2 Joseph Benavidez 118 UFC 2
3 Ian McCall 112 UFC 3
4 John Dodson 109 UFC 6
5 Jussier da Silva 99 UFC 4

6 Yasuhiro Urushitani 90 UFC 5
7 Chris Cariaso 85 UFC 7
8 John Moraga 77 UFC 9
9 Darrell Montague 69 Vale Tudo Japan 8
10 Louis Gaudinot 68 UFC 10
11 Joshua Sampo 57 Legacy Promotions 13
11 Darren Uyenoyama 57 UFC NR
13 Antonio Banuelos 51 Legacy Promotions 15
14 Will Campuzano 45 Legacy Promotions 17
15 Mamoru Yamaguchi 42 Vale Tudo Japan 11
16 Shinichi Kojima 39 Shooto 12
17 Sean Santella 33 Cage Fury FC 19
18 Rambaa Somdet 32 Grabaka 16
19 Kentaro Watanabe 31 Shooto NR
20 Giorgio Andrews 29 Ultimate Chal. UK 21
21 Johnathan Mackles 28 Renaissance MMA 29
22 Nam Jin Jo 27 Shooto 23
22 Tim Elliott 27 UFC 24
24 Kris Edwards 26 CageWarriors 25
25 Mitsuhisa Sunabe 24 Pancrase 18
25 John Lineker 24 UFC 26

Jon Jones escapa de revanches e Anderson Silva em 2013?

Jon Jones pretende pular riscos no próximo ano. Quer evitar revanches contra Lyoto Machida, único a ameaçá-lo em pé no octógono, e Vitor Belfort, primeiro a fazê-lo temer no chão. Nem sonha em bater de frente com Anderson Silva, superluta da qual se esquiva quando pressionado. O campeão do meio-pesado do UFC enumerou quem pretende enfrentar em 2013. A lista é tímida. E os perigos, quase inexistentes. Depois de duelar com Chael Sonnen, pela final do The Ultimate Fighter 17, ele anseia encarar Dan Henderson, veterano de 41 anos, e o sueco Alexander Gustaffson, um dos destaques recentes do Ultimate.

Os confrontos – apesar das surpresas inerentes ao MMA – praticamente garantem o reinado incólume de Bones na categoria: em 2014, o atleta vai se aventurar entre os pesos-pesados. Em 2010, ele lutou quatro vezes – número considerado excessivo para os padrões do esporte. No ano seguinte, subiu ao octógono por duas vezes apenas. A tendência é fazer até três combates no período.

O desejo de lutar contra Henderson e Gustaffson foi manifestado durante participação em um chat com fãs do esporte. Ao lado do mandachuva do torneio, Dana White, e Chael Sonnen, ele falou sobre a participação no TUF 17 e justificou a preferência pelos próximos adversários: “Dan é um dos melhores lutadores de todos os tempos do MMA. Espero derrotar Chael e, depois, vencer Henderson. Eu também não posso esperar por lutar contra Alexander. Dizem que eu venço porque tenho braços longos. Mas, quando derrotá-lo, verão que isso não faz sentido”, explicou o campeão, em uma referência à envergadura do sueco.

Os planos do campeão podem, no enanto, ser atrapalhados pelo brasileiro Lyoto Machida e pelos instintos lucrativos de Dana White. O carateca brasileiro ex-campeão da categoria luta com Henderson antes do provável encontro do norte-americano com Bones. Se vencer, dinamita a probabilidade do confronto.

O efeito Dana White é outro fator de risco para o planejamento do dono do cinturão. O patrão da franquia tem transitado entre o mérito e o lucro com imprevisibilidade. E pode escalá-lo para combates inesperados com atletas descredenciados ao título – como fez ao colocar Sonnen como um dos técnicos do TUF 17.

O maior receio de Jon é ser obrigado a topar com o campeão dos médios, Anderson Silva, em uma das lutas mais esperadas dos anos recentes do torneio. O Aranha perambula por incertezas depois de limpar a categoria. Aos 37 anos, ele desfruta oficialmente de dois combates previstos em contrato. Enfrentar George St-Pierre, campeão afastado dos meio-médios, e Jones é o sonho de consumo dos fãs do MMA e a galinha de ouro da franquia. Jon pôs as cartas na mesa. Mas o jogo está longe de ser definido.

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Hector Lombard: frustração a peso de ouro no UFC

Apontado como maior nome dos médios do Bellator, principal concorrente do UFC, Hector Lombard chegou ao Ultimate com a pompa de desafiante ao cinturão de Anderson Silva. O cartel lhe respaldava: invencibilidade de 25 lutas (desde 2007) e estilo semelhante ao Aranha dentro do ringue. A estreia, no entanto, desmanchou qualquer projeção. O cubano apresentou desempenho pífio e perdeu por pontos para Tim Boetsch.

A queda inesperada frustrou o mandachuva do torneio, Dana White, fiador da contratação, e gerou rombo nas contas da franquia. O CEO do Bellator, Bjorn Rebney, revelou ao MMAFighting o valor da transação do atleta para a maior organização de MMA do planeta: 400 mil dólares (assinatura) mais 300 mil por luta e participação no pay-per-view. A julgar pela performance apresentada no primeiro combate – embora Hector tenha garantido ter lutado lesionado -, o Ultimate parece ter fechado um mal negócio.

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A pressão sobre George St-Pierre às vésperas do UFC 154


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Enquanto padeceu longe do octógono para se recuperar de uma cirurgia no joelho, o canadense George St-Pierre assistiu a uma paulatina mudança de paradigma no Ultimate Fighting Championship: os dirigentes do torneio derreteram a indiferença em relação aos fãs do esporte e deram sinais cada vez mais significativos de querer armar superlutas entre ícones de categorias diferentes da franquia – em especial, contra Anderson Silva, campeão dos médios e maior lutador de MMA da atualidade.

A possibilidade remota meses atrás de subir ao ringue para enfrentar o brasileiro tornou-se alvo de clamor imediato. Ao lado de Jon Jones, campeão do meio-pesado, St-Pierre virou um dos atletas mais cogitados para dissipar a aura mítica de invencibilidade criada em torno do Aranha. A expectativa contraída involuntariamente pressiona o próximo desafio do canadense, contra o campeão do meio-médio, Carlos Condit. George adentra o octógono do UFC 154, no próximo dia 17, com a múltipla missão de recuperar o título, espantar sequelas da cirurgia e se apresentar como o mesmo atleta mordaz sobre o qual o mundo deposita esperanças de fazer frente a adversários como Anderson.

A cautela é, até agora, o escudo empunhado pelo canadense para se defender da pressão. GSP, detentor de números invejáveis de venda no pay-per-view, atribui as especulações ao potencial financeiro da luta. E prefere concentrar esforços no combate contra Condit. Sem sobressaltos, um passo de cada vez: “Falam comigo sobre a luta seguinte, mas ainda não estou lá. Condit é um cara perigoso”, ele disfarça, com a tática freqüentemente utilizada por treinadores de futebol para quem ninguém merece descrédito.

O canadense admite a hipótese de enfrentar o brasileiro. Mas pede um tempo para analisar os desdobramentos do duelo. O campeão Anderson Silva já demonstrou interesse em lutar contra a lenda viva do MMA canadense. Preferiu enfrentá-lo a ter de topar, agora, com o norte-americano Jon Jones, uma estrela em ascensão nas artes marciais mistas em plena forma física e atlética. A decisão da superluta entre os veteranos é um passo calculado nos bastidores pelo UFC. Na linha de frente, George St-Pierre dá passadas largas na precaução: a estrada da vez é o duelo contra Condit. O resto é um caminho a ser trilhado.

O campeão:

George St-Pierre, 31 anos

Lutas: 24

Vitórias: 22

Derrotas: 2

Invicto há nove lutas no UFC

Cigano critica UFC por preferir lutas que deem lucro

Brasileiro condenou chance dada a Overeem para enfrentá-lo

O doping impediu o holandês Alistair Overeem de disputar o título dos pesos-pesados do UFC contra o brasileiro Junior Cigano dos Santos, em maio deste ano. O teste feito pela comissão atlética apontou excesso de testosterona – mesmo motivo pelo qual o norte-americano Chael Sonnen acabou punido, depois do primeiro duelo contra Anderson Silva, e liberado, para fazer a segunda batalha. O desafiante ficou de molho e deve retornar ao octógono em breve. Contra quem? Justamente o dono do cinturão da categoria mais robusta do torneio. O brasileiro ficou irritado com o privilégio concedido pela franquia ao atleta punido por condição irregular. E criticou abertamente a predileção por lutadores com potencial de vender as lutas – recentemente, o Ultimate decidiu colocar Jon Jones contra Sonnen no TUF 17.

“É meio fora de sentido. Hoje em dia, o UFC está priorizando as lutas que vendem. O principal exemplo disso foi o Chael Sonnen, que vendeu muito bem sua luta, e o Overeem seguiu o mesmo caminho. Mas, por mim, vamos nessa. Não fujo de desafio nenhum, sei que posso ganhar de qualquer um que seja. Venha quem vier, vou fazer meu melhor para sair com a vitória no octógono”, afirmou Cigano, em declaração reproduzida pelo site do SporTV. O brasileiro faz revanche contra Cain Velásquez no fim do ano para defender o cinturão.

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Com Anderson Silva, é só insistir… Luta com Jon Jones à vista!

 Em entrevista ao SporTV, brasileiro cogita possibilidade de enfrentar campeão do meio-pesado

Anderson Silva jamais quis conceder o direito da revanche a Chael Sonnen. O campeão do peso médio do UFC relutou o quanto pôde. Engoliu xingamentos, relevou provocações, disfarçou. Mas, confrontado pelo patrão da franquia, Dana White, curvou-se à necessidade do show business e entrou no octógono determinado. Arrasou o oponente e o fez mudar de uma vez por todas de categoria. Foi só insistir um pouco…

Anderson Silva sempre evitou falar em um possível duelo contra o George St-Pierre, campeão afastado do meio-médio. O canadense tinha uma trajetória semelhante à do Aranha: havia limpado a categoria e se perpetuava como dono do cinturão sem previsão de adversários à altura. O tira-teima com o brasileiro seria inevitável. O mandachuva do UFC, até então avesso à ideia, decidiu mudar de opinião recentemente. E a superluta voltou a entrar na agenda de quem acompanha o esporte. Resultado: Anderson já se mostra favorável à possibilidade. Resta somente acertar os detalhes. Foi só insistir um pouco…

LEIA: Anderson Silva, o homem para quem nada basta

Jon Jones x Sonnen: é a audiência, estúpido!

Anderson Silva jurou se manter longe de Jon Jones no octógono. Anunciou logo uma amizade com o talentoso campeão do meio-pesado do Ultimate e invocou a relação para recusar enfrentá-lo. Nem mesmo Dana White cogitava a hipótese. Poderia arruinar os planos imediatos da franquia de faturar bastante ainda em cima do maior talento dos anos recentes do torneio. Mas a possibilidade de Anderson se aposentar em duas lutas e a chance de o lucro ser ainda maior com o combate fizeram o patrão repensar. E ele acenou com dinheiro e outras “chantagens” emocionais para motivar Anderson (como liberá-lo para as Olimpíadas). Anderson sempre recusou. Mas, em entrevista recente ao SporTV, deixou escapar:

 “As pessoas estão falando tanto disso… Não tenho essa pretensão, não tem algo que me motive, justamente por terem outros atletas da minha equipe, como Minotouro, Maldonado, Feijão, Caldeirão, que são do peso dele. Meu peso é 84kg, meu título é esse. Mas as pessoas falam tanto disso, e a gente é funcionário do UFC. É claro, posso estar falando que não quero, mas e se ele vai lá e aceita a grana que o Dana vai dar para ele querer lutar? Vai ficar difícil. Não é a grana que me motiva a lutar, luto porque gosto. Então, sei lá… Não gostaria. Mas se for acontecer, teria que ser no peso-combinado. Não valeria o cinturão dele. Eu já tenho o meu e não quero um título para deixar largado.” (declaração reproduzida do Por Dentro da Arena).

 Ou seja, foi só insistir um pouco…

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Erick Silva vs. John Fitch: a pressa contra a calma

Brasileiro avassalador enfrenta, no UFC Rio 3, oponente que amarra as lutas

 

Jovem Erick Silva contra o veterano Fitch

O relógio é aliado de Erick Silva. O tempo nunca o ameaça. Quando os ponteiros ensaiam o primeiro movimento, o lutador ergue os braços e comemora a vitória. Ágil, fulminante, vigoroso, o capixaba de 28 anos é uma estrela em ascensão veloz nos quadros do Ultimate Fighting Championship. A performance exibida nas primeiras participações nem de longe deu para cansá-lo: as lutas acabaram com rapidez no primeiro round. O piscar de olhos apressou uma aposta: ele foi alçado futuro substituto de Anderson Silva, o campeão brasileiro do peso médio, considerado o melhor atleta de MMA da atualidade. Erick corre para transformar a previsão em realidade. E tem três rounds, na noite do sábado, no UFC Rio 3, para atirar a dúvida no passado.

A tarefa é a mais árdua desde o início dele no UFC. O adversário é o experiente John Fitch. Nas 16 últimas lutas no torneio, o norte-americano de 37 anos perdeu apenas duas: a primeira para o campeão da categoria do meio-médio, o canadense George St-Pierre, no UFC 87, de 2008. Foi o ponto final na invencibilidade de 16 combates. A segunda, para Johny Hendricks, no ano passado, pelo UFC 141. Representou a primeira apresentação vergonhosa de Fitch no Ultimate: derrota em rápidos 12 segundos depois de levar um soco. O veterano sobe ao octógono carioca para apagar a péssima impressão deixada em 2011 e recuperar a chance de disputar, de novo, o cinturão. A busca pela glória do passado é a pressa de John.

“E no dia 13, na hora que fechar o octógono, é só nos dois e mais ninguém”

O confronto opõe dois estilos de luta. De um lado, Erick e o ritmo avassalador imprimido para alcançar o nocaute. Rendeu-lhe vitórias incontestáveis contra Luis Ramos (em sequência de socos ao 40 segundos do UFC Rio 1) e Charlie Brenneman (finalização no primeiro round no UFC On Fox). No meio do percurso, apenas um revés: a desclassificação por socos na nuca contra Carlos Prater (UFC Rio 2) decidida pelo juiz Mario Yamasaki. A mancha no histórico perdeu intensidade com a opinião do mandachuva do torneio, Dana White, para quem o brasileiro venceu o combate com golpes regulares. Assodado pela fama, empurrado pelo prestígio, Erick quer outra vitória.

O perfil de Fitch é rima com calma. O lutador é conhecido por amarrar os combates e vencer os adversários pelo cansaço. Calcular os golpes e erguer a defesa para evitar ser atingido. Sem correr riscos. Das dez lutas mais recentes, somente uma acabou com nocaute: justamente a da derrota dele no ano passado. O restante, vencido por Fitch, terminou nas mãos dos juízes dos torneios. Até mesmo a derrota para GSP precisou do posicionamento dos árbitros. A estratégia nem sempre agrada fãs do MMA e o próprio UFC, mais acolhedor de lutadores capazes de dar espetáculo, mas é eficiente. E rende ao atleta o tempo necessário para vencer.

“As pessoas acham que os lutadores ganham bem. Sim, o dinheiro é bom, mas nós não somos pagos do mesmo jeito que os atletas da NBA, NFL”

A compilação de rankings feita pelo USA Today, o parâmetro mais aceito para classificar os lutadores, coloca Fitch em sétimo lugar e o brasileiro Erick Silva em vigésimo. O desfecho do combate na noite do sábado será significativo. Se vencer, o capixaba caminha na direção dos top da categoria e se aproxima da chance de lutar pelo cinturão. Fitch ficaria mais distante de repetir os feitos de outrora. O inverso reconduz o norte-americano à possibilidade – talvez a última – de concorrer ao título. E só deixa Erick um pouco afastado da supremacia hoje pertencente a Carlos Condit. No duelo da pressa contra a calma, só uma autoridade pode decidir o combate. Com a palavra, o tempo.

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Rio, de novo, a casa do UFC

Cidade recebe pela terceira vez uma edição do maior torneio de MMA do planeta

O Brasil se prepara para sediar mais uma disputa do Ultimate Fighting Championship, o maior evento de artes marciais mistas do mundo, no próximo fim de semana. Desde o retorno ao país, após um período de quase década e meia de afastamento – o único torneio havia sido realizado em 1998, em São Paulo -, o UFC promove a quarta edição em terras tupiniquins no século 21. É o terceiro campeonato organizado no Rio de Janeiro, o destino preferido por aqui aos olhos de turistas estrangeiros.

O card, salvo em cima da hora pelo campeão brasileiro do peso médio, Anderson Silva, e pela lenda do MMA Rodrigo Minotauro, é composto na maioria por lutadores do país: eles estão em todos os doze combates e protagonizam duelos nacionais em três disputas.

O UFC Rio 3 flertou com o fiasco depois de duas das estrelas do torneio se machucarem: o campeão dos penas, José Aldo (impossibilitado por conta de uma lesão fruto de uma queda de moto) e o norte-americano Rampage Jackson (contundido quando fazia preparação no Recife).  Sem nomes de expressão para substituir os atletas lesionados e estimular a venda do evento no pay-per-view, a edição só ocorreu depois da intromissão de Anderson Silva e Minotauro. A dupla pediu para participar do card e devolveu ao evento o prestígio necessário para grandes combates.

O Aranha enfrenta o veteranno Stephan Bonnar, cujo maior feito foi disputar a final da primeira edição do The Ultimate Fighter dos EUA contra Forrest Griffin. Sem lutar há meses, o atleta topou desafiar o brasileiro em uma luta de peso combinado – ele está na categoria acima do médio. A expectativa é de uma vitória de Anderson e da manutenção do cinturão pelo lutador mais temido do UFC. Minotauro retorna ao octógono depois de ter o braço quebrado por Frank Mir, no fim do ano passado, e luta contra Dave Herman. Erick Silva contra Jon Fitch, Phil Davis versus Wagner Caldeirão e Demian Maia contra Rick Story completam o card principal. A participação nordestina no evento fica por conta de Gleison Tibau (RN), Rony Jason Mariano (CE) e Renée Forte (CE).

Confira o card completo:

Principal:

Anderson Silva (BRA) vs Stephan Bonnar (EUA) – peso meio-pesado

Glover Teixeira (BRA) vs Fabio Maldonado (BRA) – peso meio-pesado

Rodrigo “Minotauro” Nogueira (BRA) vs Dave Herman (EUA) – peso pesado

Erick Silva (BRA) vs Jon Fitch (EUA) – peso meio-médio

Phil Davis (EUA) vs Wagner “Caldeirão” Prado (BRA) – peso meio-pesado

Demian Maia (BRA) vs Rick Story (EUA) – peso meio-médio

 

Card Preliminar:

Rony “Jason” Mariano (BRA) vs Sam Sicilia (EUA) – peso pena

Francisco “Massaranduba” Drinaldo (BRA) vs Gleison Tibau (BRA) – peso leve

Diego Brandão (BRA) vs Joey Gambino (EUA) – peso pena

Sérgio Moraes (BRA) vs Renée Forte (BRA) – peso meio-médio

Luiz “Banha” Cané (BRA) vs Chris Camozzi (EUA) – peso médio

Cristiano Marcello (BRA) vs Reza Madadi (SUE) – peso leve

 

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O plano de retirada de Stephan Bonnar após o UFC Rio III

Esposa do adversário do Aranha está grávida, e parto pode ocorrer no dia da luta

O adversário do brasileiro Anderson Silva prepara um plano de emergência para sair o mais rápido do Rio de Janeiro, neste sábado, depois de enfrentar o campeão do peso médio no UFC Rio III. Independentemente do resultado. A esposa do norte-americano finalista da primeira edição do The Ultimate Fighter dos EUA Stephan Bonnar está na iminência de ter um filho, e ele prometeu, de acordo com informações do site TMZ, estar ao lado dela durante o parto.

O site de notícias “especializado” em celebridades garantiu: o chefão do UFC, Dana White, teria até oferecido o jatinho particular (foto) para o lutador chegar em Las Vegas com velocidade caso encontrasse problemas com agendamento de voos. O portal ironiza a possibilidade de Stephan, ainda assim, perder o parto do bebê e sugere o uso do Skype para ele assistir ao procedimento realizado na maternidade.

As contas da esposa do lutador, no entanto, afastam qualquer temor pelo nascimento nas horas seguintes ao combate. O bebê é esperado para o fim do mês. E nem é bom nutrir a esperança de ver o lutador partir logo depois do duelo. Afastado dos ringues há um bom tempo e diante do maior atleta de MMA da atualidade, a hipótese de Stephan sair do octógono direto para o hospital é a mais crível. É melhor pedir para o bebê esperar…

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O doping ainda vai corroer o UFC

Dana: falta firmeza ao UFC

O UFC constrói a reputação de maior torneio mundial de MMA sobre as bases do lucro, da visibilidade e da popularidade dos atletas. A explosão das cifras e das vendas de pay-per-views nos anos recentes pavimenta o crescimento dos combates e corrói o preconceito contra as lutas embutido na resistência dos mais conservadores. O alicerce da credibilidade atlética junto ao público se apresenta sólido no campo esportivo. Mas a estrutura racha quando um problema antigo insiste em se atirar aos olhos dos críticos, dos admiradores e dos próprios dirigentes: a incapacidade de lidar de forma severa e universal com os resultados positivos de doping.

A hesitação em punir atletas queridos, o relaxamento de condutas permitido pelas comissões atléticas e a adoção de castigos diferenciados para os lutadores apanhados nos exames melam o nome da franquia e minam a seriedade dos confrontos. O caso mais recente – admitido mais de três anos depois – envolve o primeiro campeão do The Ultimate Fighter dos EUA, o carismático Forrest Griffin. Ele revelou ter usado substância ilegal (ansiolítico, para relaxar) antes da luta contra o brasileiro Anderson Silva, em um combate de peso combinado em 2009. O norte-americano perdeu de forma vergonhosa: levou socos no queixo e fugiu depois do encerramento do duelo com o maxilar deslocado.

O resultado da luta serviu de justificativa, hoje, para Griffin menosprezar o apelo ao medicamento. “O fato de eu não ter revelado isso antes é porque não faz a menor diferença. Veja o que aconteceu comigo contra Anderson. Eu fui humilhado, mas felizmente consegui sobreviver”, ele contou à MMAFighting. O segredo mantido pelo atleta pode até ser compreensível: ele relutou em expor uma informação danosa ao currículo. Mas a cobrança precisa ser direcionada, principalmente, ao UFC e à comissão atlética responsável pela integridade física dos atletas. Por que os dois se omitiram de aplicar uma punição ao lutador? Como o teste falhou em detectar a substância?

A conduta dúbia das comissões atléticas também preocupa. Após perder pela primeira vez para o brasileiro Anderson Silva, no UFC 117, Chael Sonnen acabou afastado dos ringues por fazer uso de testosterona. Antes da revanche, no UFC 148, no entanto, conseguiu liberação para tocar o tratamento com o hormônio condenado em taxas excessivas. O desafiante ao título dos pesados, Alistair Overeem, seguiu para a geladeira por nove meses justamente por apresentar níveis elevados da substância. A contradição impera. E a volatilidade disciplinar é evidente: o UFC e as comissões atléticas escorregam ao sabor do momento na hora de se mostrar firmes no combate ao doping.

Os exames existem para garantir a igualdade entre competidores – independentemente do esporte praticado. Os comitês olímpicos aprimoram as técnicas todos os anos para evitar premiar com vitórias os atletas empurrados pela artificialidade de substâncias ilegais. E se fazem rigorosos ao tomar de volta medalhas concedidas antes de divulgar a reprovação nos testes aos quais os participantes se submetem. O teste antidoping é a retaguarda moral de qualquer prática atlética. O escudo contra a prevalência da desonestidade.

A falta de clareza para definir as substâncias lícitas e as medidas punitivas põe em xeque a credibilidade do Ultimate. Em vinte anos de vida, o torneio driblou a imagem de lutadores forjados nos anabolizantes e atraiu para si um rótulo de saúde ao prezar pela integridade física dos atletas dentro do octógono. Mas, agora, titubeia em levar a estratégia adiante, com relaxamento frente a condutas irregulares. O vacilo se infiltra como cupim na fortaleza edificada em números, dinheiro e popularidade. O dano é irreparável: a carcaça pode até resistir ao tempo, mas nenhuma estrutura fica de pé se está podre por dentro.

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