Lutador brasileiro punido pela polêmica testosterona

Toquinho testou positivo para níveis intoleráveis do hormônio no UFC

A praga do excesso de testosterona no organismo fez mais uma vítima no UFC. O brasileiro Rousimar Palhares, o Toquinho, testou positivo no exame antidoping para a substância depois da derrota diante do atleta Hector Lombard, na edição Sotiropoulos x Pearson, realizado na Austrália, no mês passado. O lutador apresentou níveis muito acima do permitido pelas normas internacionais e deverá ficar de longe do octógono por, no mínimo, nove meses. Ele já deveria ficar de molho por seis meses por recomendação médica em função de ter quebrado o pé durante o combate.

O baque sofrido por Toquinho fora do ringue se soma ao fiasco das mais recentes apresentações na categoria dos médios do torneio. Exímio finalizador, o atleta tem tropeçado nos confrontos escalados pelo UFC: perdeu a luta contra Lombard e a anterior frente a Alan Belcher, depois de emplacar uma sequência de três vitórias seguidas. O limbo forçado deve atirar o brasileiro no ostracismo pelos próximos meses e atrasar qualquer tentativa dele de chegar a disputar o cinturão hoje de posse do imbatível Anderson Silva.

A punição aplicada a Toquinho entra na lista de penalizações sancionadas por conta da controversa presença de testosterona no organismo de um lutador. A reposição do hormônio por meio de tratamento é uma prática confusa na interpretação das autoridades médicas responsáveis por controlar a legalidade das lutas no torneio.

O atleta Chael Sonnen, por exemplo, chegou a ser punido por ostentar níveis acima dos fixados e, depois, recebeu sinal verde para repor testosterona antes de enfrentar o Aranha.  Alistair Overeem, recém-autorizado a voltar aos ringues, havia sido castigado pelo mesmo problema. Nate Marquardt chegou a culpar o hormônio pelo afastamento da franquia enquanto Tito Ortiz, já aposentado, condenou os tratamentos para reforçá-la adotado, entre outros, pelo ex-campeão Forrest Griffin.

A indecisão na hora de decidir quem deve ser punido por apresentar níveis inadequados da testosterona no organismo vitimou, agora, o brasileiro Toquinho, atleta de 32 anos, 14 vitórias e 5 derrotas nas artes marciais mistas. É uma questão mal resolvida pelas autoridades ligadas ao MMA internacional, ponto frágil na condução do esporte. Quem será a próxima vítima?

P.S.: o atleta Joey Beltran também foi pego no exame antidoping. Ele acabou punido pela presença de um esteróide no sangue. Assim como o brasileiro, ficará afastado dos ringues por nove meses.

Mais de cem lutas canceladas por lesões

Levantamento mostra estrago das contusões em um anos de trabalho no UFC e no Strikeforce

Quando recomendou aos lutadores diminuir o ritmo de treinamento para evitar lesões, o presidente do UFC tocou em um ponto sensível – e aparentemente irremediável – no mundo do MMA: a recorrência de problemas físicos e a conseqüente alteração dos cards das lutas. Dana White (abaixo) cobrou prudência em tom de apelo. Soou como súplica de quem sente no bolso o prejuízo deixado por uma mudança súbita na ordem dos combates. Levantamento inédito do MMA Fighting divulgado nesta semana deu números à preocupação do dirigente: somente em 2012, exatamente 104 duelos foram cancelados no Ultimate e no Strikeforce (prestes a ser extinto) motivados por lesões.

Veja a lista completa aqui

O montante, apesar de ser absorvido ao longo dos 31 eventos promovidos somente pelo UFC em 2012, incomoda e coloca na mesa dos dirigentes a necessidade de adotar medidas mais eficazes para evitar a recorrência dos episódios. A redefinição de uma luta gera prejuízos para os cofres dos torneios – com perda ou mudança de material de marketing, queda na venda de ingressos, renegociação de direitos televisivos – e frustra a ansiedade do público muitas vezes alimentada por meses de ver o confronto entre dois lutadores. O espiral de transtornos enredou o mal-estar no cancelamento do UFC 151, justamente depois de Dan Henderson se machucar às vésperas de enfrentar Jon Jones. Lyoto Machida e Shogun recusaram a luta. Coube a Belfort o duelo, na edição de número 152. Em 20 anos de UFC, pela primeira vez um torneio deixou de ser promovido.

A pesquisa do MMA Fighting frisou os combates por título cancelados pelas lesões: foram sete. O brasileiro José Aldo (no alto), campeão do peso pena do torneio, aparece duas vezes na relação. Teve as lutas contra Erik Koch e Frankie Edgar removidas – a última após sofrer acidente de moto. Sete disputas de combate principal deixaram de ser feitas por conta das contusões. Entre elas, a final da primeira edição do TUF Brasil entre Vitor Belfort (quebrou a mão) e Wanderlei Silva, revanche esperada desde 1998 e provavelmente marcada para nunca acontecer.

É difícil explicar a origem de tantas lesões. Esforço extremo durante os treinamentos, provocado pelo nível cada vez maior de competitividade, e desgaste físico em função da idade certamente pesam. Mas há quem enxergue nas contusões uma forma de os lutadores ludibriarem as comissões atléticas e correrem dos flagrantes nos testes de doping. Além, é claro, do descuido na preparação do dia a dia, a exemplo de José Aldo, lesionado depois de cair de uma moto.

 O levantamento serve de alerta para o UFC e outros eventos de MMA. Instiga a adoção de medidas mais eficazes para diminuir a alteração dos cards em função de lesões geradas nos treinamentos. O dano financeiro pode até ser remediado pela convocação de outras lutas de peso para recompor os torneios. Mas a possibilidade de nunca ver dois lutadores em ação no auge da forma é uma perda irreparável para os fãs. Só os atletas podem poupar esforços nessa hora.

O doping ainda vai corroer o UFC

Dana: falta firmeza ao UFC

O UFC constrói a reputação de maior torneio mundial de MMA sobre as bases do lucro, da visibilidade e da popularidade dos atletas. A explosão das cifras e das vendas de pay-per-views nos anos recentes pavimenta o crescimento dos combates e corrói o preconceito contra as lutas embutido na resistência dos mais conservadores. O alicerce da credibilidade atlética junto ao público se apresenta sólido no campo esportivo. Mas a estrutura racha quando um problema antigo insiste em se atirar aos olhos dos críticos, dos admiradores e dos próprios dirigentes: a incapacidade de lidar de forma severa e universal com os resultados positivos de doping.

A hesitação em punir atletas queridos, o relaxamento de condutas permitido pelas comissões atléticas e a adoção de castigos diferenciados para os lutadores apanhados nos exames melam o nome da franquia e minam a seriedade dos confrontos. O caso mais recente – admitido mais de três anos depois – envolve o primeiro campeão do The Ultimate Fighter dos EUA, o carismático Forrest Griffin. Ele revelou ter usado substância ilegal (ansiolítico, para relaxar) antes da luta contra o brasileiro Anderson Silva, em um combate de peso combinado em 2009. O norte-americano perdeu de forma vergonhosa: levou socos no queixo e fugiu depois do encerramento do duelo com o maxilar deslocado.

O resultado da luta serviu de justificativa, hoje, para Griffin menosprezar o apelo ao medicamento. “O fato de eu não ter revelado isso antes é porque não faz a menor diferença. Veja o que aconteceu comigo contra Anderson. Eu fui humilhado, mas felizmente consegui sobreviver”, ele contou à MMAFighting. O segredo mantido pelo atleta pode até ser compreensível: ele relutou em expor uma informação danosa ao currículo. Mas a cobrança precisa ser direcionada, principalmente, ao UFC e à comissão atlética responsável pela integridade física dos atletas. Por que os dois se omitiram de aplicar uma punição ao lutador? Como o teste falhou em detectar a substância?

A conduta dúbia das comissões atléticas também preocupa. Após perder pela primeira vez para o brasileiro Anderson Silva, no UFC 117, Chael Sonnen acabou afastado dos ringues por fazer uso de testosterona. Antes da revanche, no UFC 148, no entanto, conseguiu liberação para tocar o tratamento com o hormônio condenado em taxas excessivas. O desafiante ao título dos pesados, Alistair Overeem, seguiu para a geladeira por nove meses justamente por apresentar níveis elevados da substância. A contradição impera. E a volatilidade disciplinar é evidente: o UFC e as comissões atléticas escorregam ao sabor do momento na hora de se mostrar firmes no combate ao doping.

Os exames existem para garantir a igualdade entre competidores – independentemente do esporte praticado. Os comitês olímpicos aprimoram as técnicas todos os anos para evitar premiar com vitórias os atletas empurrados pela artificialidade de substâncias ilegais. E se fazem rigorosos ao tomar de volta medalhas concedidas antes de divulgar a reprovação nos testes aos quais os participantes se submetem. O teste antidoping é a retaguarda moral de qualquer prática atlética. O escudo contra a prevalência da desonestidade.

A falta de clareza para definir as substâncias lícitas e as medidas punitivas põe em xeque a credibilidade do Ultimate. Em vinte anos de vida, o torneio driblou a imagem de lutadores forjados nos anabolizantes e atraiu para si um rótulo de saúde ao prezar pela integridade física dos atletas dentro do octógono. Mas, agora, titubeia em levar a estratégia adiante, com relaxamento frente a condutas irregulares. O vacilo se infiltra como cupim na fortaleza edificada em números, dinheiro e popularidade. O dano é irreparável: a carcaça pode até resistir ao tempo, mas nenhuma estrutura fica de pé se está podre por dentro.

LEIA:

Overeem entre o passado e o futuro

Nick Diaz: 12 meses sem lutar

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Brasileira campeã de MMA foi expulsa de evento

Cris Cyborg, suspensa por doping, mostrou-se magoada por não conseguir assistir à luta de adversária

A brasileira Cris Cyborg dos Santos, afastada do Strikeforce por doping, acabou expulsa da mais recente edição do evento. A lutadora acompanhava as lutas e interagia com fãs na plateia quando foi convidada a deixar o local. Segundo Cris, uma lei impede os atletas apanhados em exames anti-doping de participar dos shows. Mas ela se sentiu maltratada pela forma como se deu a ordem para abandonar o recinto. Veja o que disse em entrevista publicada no site MMAMania.com:

“Eu vi todas as lutas, menos a última, de Ronda. Uma mulher que trabalhava no evento veio me dizer que eu tinha que sair porque a comissão não aceita atletas suspensos nos shows. Meu empresário conversou com os rapazes na comissão e há realmente uma lei que diz isso. Fiquei chateada pela forma como me trataram. Eles poderiam ter me puxado num canto e comunicado. Mas não na frente dos fãs. Eu estava tirando fotos quando eles me interromperam, dizendo que eu tinha que ir. Foi muito desrespeitoso. Acredito que um campeão merece ser tratado com respeito. Todo mundo sabe que a vida de um atleta não é fácil, por isso todos os lutadores merecem respeito. Quando eu estava no Brasil, eu assisti ao UFC e não havia nenhum problema”.

Na edição do sábado passado, Ronda Rousey venceu Sarah Kaufman e manteve o cinturão dos pesos galos do Strikeforce

Overeem: entre passado e futuro

Punido por doping, holandês luta contra o tempo para retornar ao octógono

O ringue é passado de lembranças ou futuro de esperança para Alistair Overeem: o presente lhe foi subtraído por culpa de um resultado positivo no teste antidoping. A reprovação no exame médico nocauteou a oportunidade de o atleta roubar o cinturão do campeão brasileiro dos pesados do UFC, Junior Cigano dos Santos, e o confinou à geladeira da franquia até o fim da suspensão, em dezembro deste ano. O castigo congelou socos e pontapés. Mas aqueceu a língua: longe do octógono, o holandês golpeia os adversários com palavras e se sente à vontade para opinar sobre combates de colegas de profissão.

O ataque mais feroz mirou o dono do cinturão. Overeem chamou Cigano de medroso. “Sei que tem medo de lutar comigo. Ele sabe que sou a maior ameaça que existe ao seu cinturão. Sabe que, quando lutar comigo, não terá para onde correr. Vai bater e sair, ou vai levar a luta para o chão. De qualquer forma, vai deixar o octógono com uma derrota”, garantiu. Cigano havia classificado o adversário, ex-campeão do Strikeforce, de trapaceiro. A troca de farpas  fermenta o marketing em torno do encontro dos dois dentro do octógono. Cigano deve enfrentar, primeiro, Cain Velasquez. Se vencer, dá de cara com Alistair.

O lutador holandês também palpitou sobre a possibilidade de Anderson Silva, campeão dos médios, enfrentar Jon Jones, o melhor entre os meio-pesados. Ao site Bloody Elbow, externou a vontade de vê-los se confrontar. Mas considerou a possibilidade remota porque o norte-americano (Jones) seria contra enfrentar o brasileiro. “Eu conversei com ele, que falou: ‘Não, eu não quero lutar contra ele porque é meu mentor’”, narrou Overeem. “Mas eu gostaria de ver esas luta”, observou o holandês.

Alistair Overeem combina com experiência e habilidade no MMA. Atuou no Pride e em outros eventos internacionais, como o Dream, antes de chegar ao UFC. Enfrentou lendas do esporte, como Minotauro e Vitor Belfort, e acumulou 36 vitórias em 48 combates. Tornou-se supremo no Dream, no K-1 World e no Strikeforce. Ambicionou o título mais cobiçado das artes marciais mistas da atualidade: o cinturão dos pesados do UFC. A súbita derrota para o doping interrompeu a jornada. Amordaçou golpes e silenciou expectativas. Mas nunca calou o desejo de ser campeão. O lutador sem presente hoje treina com as palavras para nocautear o tempo. Aos desconfiados do futuro, avisa: o passado de glórias é eloquente.

Overeem promete nocautear o tribunal e Cigano

Flagrado em exame antidoping surpresa com um nível de epitestosterona 14 vezes acima do normal, o holandês Alistair Overeem resolveu quebrar o silêncio e falar sobre a polêmica.

Aparentando muita segurança, o lutador apontou o julgamento de seu caso, que será realizdo em 24 de abril, como o maior desafio de sua carreira. Garantiu, entretanto, que vai vencer esta batalha e também a luta contra o brasileiro Júnior Cigano.

“Dia 24 de abril será a maior luta da minha vida, e dia 26 de maio será uma luta ainda maior. Tenho duas grandes lutas pela frente, estou confiante. Vou nocauteá-los”, assegurou o lutador.

Ao que parece, o UFC compartilha da confiança de que Overeem será absolvido. Até o momento, o holandês segue como o desafiante de Cigano.

 

Dana White e o doping no UFC: dois discursos?

Presidente do UFC condena uso de substâncias ilícitas, mas teme postura mais rigorosa em relação a atletas com potencial de gerar lucro para a franquia

Dana White esbraveja: contra as substâncias ilícitas, os atletas usuários, o resultado positivo dos exames antidoping. Dana White sofre: com o risco de o MMA perder credibilidade, a possibilidade de os recursos minguarem, a retração do esporte. E Dana White age: condena publicamente os lutadores irregulares, respalda a comissão atlética responsável pelos testes, enquadra o plantel do UFC nas decisões. Mas, quando a situação ameaça a edição de um torneio extremamente esperado, Dana White: muda. Ou melhor, alivia. E é um perigo.

O doping é uma prática perniciosa para qualquer esporte. Aumenta a performance dos atletas e desequilibra a disputa saudável. O rigor dos exames, revigorado anualmente por comitês olímpicos e outras comissões esportivas, atesta a preocupação. Nada há de novidade. Mas a preocupação é redobrada no MMA.

As artes marciais mistas sempre caminharam em paralelo às associações com episódios violentos, capitaneados por vândalos embrutecidos a anabolizantes em academias e instituições de caráter duvidoso. O quebra-pau comum às edições de vale-tudo em décadas passadas ilustra as cenas de barbárie. A desvinculação da imagem de brutalidade se tornou uma tarefa executada com primor por Dana White e companhia à frente do UFC. E o trabalho passou pela construção da imagem de atletas saudáveis: da filosofia à condição física. Daí, o prejuízo multiplicado pelo infinito quando um lutador é enquadrado no exame.

O presidente do Ultimate conhece o problema. Condena o uso. Mas, em momentos recentes, escorregou no discurso, estremeceu a postura e pôs em xeque a linha a ser tida como exemplo por outros atletas. Quando Nick Diaz acabou apanhado no teste por utilização de maconha – e ficou muito longe de realizar uma luta lucrativa aos olhos do UFC contra George St-Pierre -, Dana White trabalhou nos bastidores para colocar panos quentes e suavizar a punição. A batalha contra o desafeto Pierre renderia bilheteria e pay-per-view. Medida recente adotada pela Comissão Atlética da Califórnia – competente para regular os casos – entendeu ser toleráveis a utilização de maconha e a reposição hormonal para casos específicos. Ainda não é decisivo.

Outro escorregão de Dana veio com a postura dúbia em relação a Alistair Overeem, …Continue lendo…

O sermão do campeão do povo

Tito Ortiz critica quem usa substâncias ilícitas para melhorar desempenho nos torneios de MMA

A reprovação de Alistair Overeem no teste antidoping após a coletiva de imprensa do UFC 146 inspirou o veterano Tito Ortiz a passar um sermão nos lutadores envolvidos com uso de substâncias ilícitas. Ex-campeão do Ultimate e um dos nomes mais admirados no seio da comunidade internacional de artes marciais mistas, o atleta puxou a orelha de quem apela para melhorar o desempenho com a ingestão de produtos cuja utilização é expressamente vedada pelas comissões fiscalizadoras dos torneios. Em entrevista ao site FightersOnly.com, o lutador sentenciou: “Se é contra a lei ou o esporte, não faça isso (usar melhoradores de performance proibidos). Se tem que fazer, deixe de lutar”.

Tito tem retaguarda moral para aconselhar os lutadores. Em quinze anos de profissão, jamais falhou em exames para detectar presença de substâncias irregulares no organismo. Edificou as conquistas com treinos e aprimoramento dos fundamentos da luta. Esculpiu uma identidade capaz de irritar oponentes e enlouquecer a torcida com provocações antes e depois dos combates. Sobretudo após as vitórias, quando simulava o enterro do adversário prostrado no chão do octógono. O carinho dos fãs sacramentou a entrada do ídolo na memória sentimental do esporte e lhe outorgou a alcunha de campeão do povo.

O ex-campeão revela já ter recebido orientação para adotar métodos ilegais de preparação durante os treinamentos. Mas salienta: a escolha em trilhar o caminho equivocado passa pelas mãos do atleta. “Eu disse para mim mesmo: ‘se eu tiver que fazer isso, eu estou acabado para o esporte. Eu não vou competir mais porque eu quero ser um atleta natural. Eu passei por todos os testes, nesses quinze anos, porque eu sou um atleta natural. Muitos garotos usam suplementos para torná-los mais impressionáveis, serem os lutadores que desejam. É uma escolha deles”, ele avaliou.

O campeão do povo deve ser aposentar em breve. A última luta está marcada para o dia 7 de julho: é um tira-teima contra o também ex-campeão do UFC Forrest Griffin. O combate mais recente de Tito se deu contra o brasileiro Rogério Minotouro. O atleta norte-americano, hoje com 37 anos, perdeu por nocaute. Depois de levar uma sequência de socos na região do abdômen, chegou a chorar de dor – performance interpretada como indício da impossibilidade de o atleta continuar a se apresentar em alto nível.

O próximo desafio de Tito é a aposentadoria. Mas as palavras sobre o doping do colega de profissão deixam uma certeza: o lutador sai de cena. O campeão, no entanto, sobrevive na imagem vencedora. Dentro e fora dos ringues.

 

Cyborg sofre nova derrota em tribunal

Flagrada em exame antidoping em dezembro, a brasileira Cris Cyborg teve o pedido de diminuição da pena negado pela Comissão Atlética da Califórnia. De acordo com um dos membros da comissão, VanBuren Ross Lemons, o abrandamento da punição poderia trazer sérias consequências ao MMA. “O uso de substâncias para melhorar a performance nesse esporte são inaceitáveis. Intencionalmente ou não, o oponente foi posto em risco durante a luta. Minha recomendação é que a pena não seja reduzida”, destacou VanBuren. Com isso, Cyborg só deve voltar aos ringues em 2013.

 

 

Frank Mir beneficiado com doping de Overeem

Lutador pode ganhar a chance de disputar cinturão dos pesados contra brasileiro Cigano no UFC 146

A humilhação em forma de espancamento na derrota avassaladora para Brock Lesnar, no UFC 100, em 2009, criou uma obsessão na carreira de Frank Mir: recuperar o fôlego e a chance de uma revanche contra o algoz. A aposentadoria do desafeto forçada por recorrentes problemas de saúde, no entanto, enterrou de vez o objetivo de um novo embate. Mir chegou a cogitar o abandono do octógono. Mas mudou de ideia. E acabou recompensado pelo destino: o doping de Alistair Overeem, anunciado ontem, deu-lhe a oportunidade de empunhar novamente o cinturão dos pesos-pesados do UFC. Ele é o mais cotado para enfrentar o brasileiro Junior Cigano dos Santos no UFC 146.

“Estou pronto”, declarou o lutador ao site MMA Junkie, ao ser informado da reprovação do colega no teste feito de surpresa durante coletiva de imprensa para promover o evento. Se a mudança ocorrer, Cain Velásquez deve encarar o brasileiro Pezão. A outra luta do card principal seria entre Roy Nelson e um oponente escolhido por Dana White.

Frank Mir ostentou o título do Ultimate ao finalizar Tim Silvia na edição de número 48. Depois, sofreu um acidente de moto e ficou fora dos ringues por dois anos. O retorno ao ponto mais alto do UFC veio no UFC 92 com o posto de campeão interino do torneio depois de vitória sobre o brasileiro Minotauro – posição perdida após derrota diante de Brock Lesnar. “Estou feliz em ter a oportunidade de tentar novamente o título”, ele declarou.