Superluta pode ser um marco na história moderna do Ultimate
Quando pôs o pé na estrada dos esportes, o UFC controlado por Dana White e os irmãos Fertita topou com dois desafios: derrubar a imagem negativa de barbárie associada ao MMA e emplacar estratégias de marketing capazes de vender a atividade como uma prática socialmente aceita (e lucrativa). O desafio de suavizar as lutas percorreu a adoção de regras rígidas, preocupação com a saúde dos atletas e categorização por peso dos combates. A popularização ganhou corpo, principalmente, com o reality show The Ultimate Fighter e a conseqüente exibição da vida pessoal dos lutadores na TV. Em uma década, o torneio ganhou o mundo e derrubou recordes de audiência.
Mas o sucesso ainda carece de uma catarse. O momento derradeiro para glorificar o Ultimate através de uma marca inédita aos olhos do planeta. O apogeu comparável a uma final de copa do mundo, a um epílogo de jogos olímpicos. A franquia batalha pelos recordes e nutre iniciativas geradoras de atenção. Dana White farejou em Chael Sonnen, por exemplo, mero falastrão fora do octógono, um convite ao público. E deu-lhe privilégios negados a atletas mais tarimbados. A revanche contra Anderson Silva, no meio de 2012, mirou tão somente o lucro. Rendeu audiência, mas nem chegou perto do sonho de estourar limites – recorde obtido com Brock Lesnar VS. Frank Mir, em 2009, com 1,6 milhões de PPV.
A próxima cartada do UFC para chegar ao topo da lista é dar voz aos fãs e promover um dos confrontos mais esperados do torneio: a luta entre Anderson Silva, campeão do médio, e George St-Pierre (GSP), campeão unificado dos meio-médios, cinturão recuperado no sábado passado. Durante anos, os dirigentes evitaram o duelo. Mas tanto o brasileiro como o canadense venceram todos os adversários possíveis e se tornaram os dois maiores detentores de título da franquia. A superluta, com peso combinado, virou imposição do MMA da atualidade.
A previsão de quebra de recorde financeiro e de público frutifica na retaguarda profissional de cada atleta. Os dois têm o nome na relação dos eventos mais vistos na história do UFC – Silva VS. Sonnen é o oitavo da lista, seguido por St-Pierre VS. BJ Penn – e desfrutam de uma legião de patrocínios de fazer inveja – Anderson é apoiado por Burger King, Nike, Nextel, enquanto GSP tem o suporte do Google, da Coca-Cola, Bacardi, entre outros. A máquina publicitária toma mais fôlego quando se alinha ao desempenho atlético e midiático dos dois, considerados extremamente técnicos dentro do octógono e exemplos de caráter fora dele.
O presidente do UFC, Dana White, compreende o potencial do combate. E, por isso, cogita um evento de proporções épicas, realizado em um estádio de futebol com capacidade para mais de cem mil pessoas no Brasil ou em Dallas, nos EUA, já em maio de 2013. O maior número de espectadores presentes a uma edição do Ultimate, até agora, corresponde à metade da projeção: foi na edição 129, em Toronto no Canadá, em 2011, com 55 mil pagantes – e a luta principal envolvia GSP e Jake Shields. A possibilidade de duplicar o público em um combate com os principais campeões da franquia, em meio à locomotiva de marketing movida a anúncios e interesse dos fãs, tornaria o combate o mais significativo da história do MMA. Antes, no entanto, é preciso convencer os protagonistas. E a tarefa é cumprida com paciência.
Anderson Silva sempre se mostrou contrário à ideia. …Continue lendo…


