UFC 146: Cigano dá início a uma nova era entre os pesados

Brasileiro vence Frank Mir, mantém o cinturão e não vê adversários à altura pela frente

 

Por Celso Ishigami e Tiago Barbosa

Era de Cain Velasquez. Nem durou uma noite. Um soco e nocaute. Caiu no colo de Junior Cigano dos Santos. Era sinal do acaso. Sorte lançada. Resistiria a um teste? Veio Frank Mir. Palavras, empáfia, menosprezo. Vieram socos. Muitos. O linguarudo cambaleou. Caiu. Sumiu. Era desafiante. Virou passado. E Cigano deu início a seu reinado no UFC. Manteve-se campeão dos pesados. Incontestável. A vitória na edição 146 lhe propiciou uma nova era.

O último campeão do UFC a manter o cinturão em uma defesa foi Brock Lesnar, em 2008, após conquistá-lo com uma vitória sobre Randy Couture. Depois, ele perdeu o título para Velasquez – derrotado por Cigano. O panorama dos lutadores dos pesos-pesados sugere a supremacia do brasileiro por longo tempo. Ele venceu os concorrentes diretos ao cinturão – Velasquez, Frank Mir e Roy Nelson. Brock e Couture estão aposentandos – embora Dana White tenha deixado escapar, na coletiva de imprensa pós o 146, a vontade de conversar com Lesnar para demovê-lo da ideia.

A vitória de Cigano também vinga a derrota do companheiro Rodrigo Minotauro. A lenda sucumbiu duas vezes diante de Mir. A derrota mais recente lhe rendeu um braço quebrado depois de uma finalização no fim do ano passado. Curiosamente, Junior Cigano serviu como revanche para Minotauro pela segunda vez: ele também sobrepujou Cain Velasquez, de quem o amigo tinha perdido.

Sem adversários à altura, Dana White considera a possibilidade de proporcionar uma revanche a Velasquez – que derrotou, na edição deste sábado, o brasileiro Pezão, escalado de última hora para desafiar o ex-campeão. A outra possibilidade seria trazer novamente ao octógono Brock Lesnar ou mesmo recorrer a lutadores de fora do UFC – os fãs sempre torcem para o mito Fedor Emelianenko ser lembrado neste momento. Até lá, o Ultimate vive a era Cigano na categoria.

O UFC 146

A manutenção do título de Cigano veio depois de uma apresentação irretocável em Las Vegas. O brasileiro subiu no ringue consciente da estratégia de Frank Mir de levá-lo ao chão. Agiu com destreza e conseguiu escapar das tentativas do oponente. À distância, emendou sequências de golpes e só foi impedido pelo gongo de nocautear o adversário no primeiro round. O campeão manteve a tática no segundo assalto e, após desferir um soco direto na cara de Mir, conseguiu fazê-lo cair pela terceira vez. O desafiante deu as costas e tentou se proteger. Em um movimento desesperado, buscou o braço de Cigano. Mas o dono do cinturão se esquivou e se pôs de pé. Mir, bastante abalado, caiu de costas e ainda levou o derradeiro soco.

Em entrevista, ele evitou insistir na tese de vingar Minotauro: “Eu me sinto sensacional. É uma sensação maravilhosa. Minotauro é um tremendo lutador, e Mir é um ótimo lutador. Essa luta é entre eles. Eu vim aqui para defender o meu título, e fiz isso. Me surpreendeu o quanto ele consegue aguentar. Quero agradecer à galera de Salvador e de Caçador! Também quero agradecer ao meu amigo Breno, que veio aqui comigo. Essas pessoas passam por tantas dificuldades que merecem ter um momento de alegria”, observou (declaração publicada no SporTV).

BRASILEIROS

Os outros brasileiros do UFC 146 perderam os combates da noite. A revelação Edzon Barboza, cujo chute o consagrou no UFC Rio II, foi nocauteado por Jamie Varner ainda no primeiro round. O brasileiro chegou a esboçar uma revolta com o árbitro por ter interrompido a luta. Mas se acalmou e acolheu a decisão.

Diego Brandão perdeu na decisão dos juízes. Ele começou de forma explosiva e chegou a dominar o primeiro round. Mas acabou engolido por Darren Elkins. O oponente venceu os dois assaltos seguintes e mereceu a vitória.
A derrota mais violenta dos brasileiros foi a de Antônio Pezão. Escalado de última hora para substituir Frank Mir no combate contra o ex-campeão Cain Velasquez, ele perdeu a concentração depois de sofrer um corte acima do olho em uma cotovelada. O atleta ficou no chão, com os olhos cobertos pelo sangue. O árbitro chegou a interromper a luta para atendimento médico. Mas, ao retornar, acabou vencido pelos socos de Velasquez.

Confira os resultados da noite:

Junior Cigano venceu Frank Mir por nocaute técnico aos 3m04s do segundo round
Cain Velásquez venceu Antônio Pezão por nocaute técnico aos 3m36s do primeiro round
Roy Nelson venceu Dave Herman por nocaute aos 51s do primeiro round
Stipe Miocic venceu Shane del Rosario por nocaute técnico aos 3m14s do segundo round
Stefan Struve venceu Lavar Johnson por finalização a 1m05s do primeiro round
Darren Elkins venceu Diego Brandão por decisão unânime dos juízes
Jamie Varner venceu Edson Barboza por nocaute técnico aos 3m23s do primeiro round
C.B. Dollaway venceu Jason “Mayhem” Miller por decisão unânime dos juízes
Dan Hardy venceu Duane Ludwig por nocaute aos 3m51s do primeiro round
Paul Sass venceu Jacob Volkmann por finalização a 1m54s do primeiro round
Glover Teixeira venceu Kyle Kingsbury por finalização a 1m53s do primeiro round
Mike Brown venceu Daniel Pineda por decisão unânime dos juízes

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O preço do desrespeito – Globo frustra telespectadores por ignorar transmissão ao vivo do UFC 146

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O preço do desrespeito

Globo ignora própria promessa de transmitir UFC ao vivo e revolta telespectadores

 


 

Nos primórdios do UFC, uma questão incomodava os organizadores do torneio: como prever a duração das lutas para torná-las um pacote atraente às grades das emissoras de televisão? Os combates intermináveis das primeiras edições eram vistos – no prisma do marketing – como obstáculos à popularização das artes marciais mistas pelas telinhas. A preferência pela dinâmica natural dos duelos – até a desistência, finalização ou nocaute – somou-se ao preconceito contra o esporte, apontado como bárbaro,  e atrasou bastante a veiculação na TV aberta.

A compra da marca pela Zuffa, há mais de uma década, serviu como primeiro passo para profissionalização do MMA. A definição de regras, a preocupação com a integridade física dos atletas, a necessidade de satisfazer os espectadores e, principalmente, a limitação do tempo dos combates alçaram o UFC a outro patamar. A partir de então, os empresários do business televisivo passaram a enxergar o esporte como uma prática violenta, sim, mas com normas capazes de garantir o bom combate – como no boxe – e possível de ser incluída na programação. A TV paga saiu na frente e, durante um bom período, monopolizou as transmissões.

Nos Estados Unidos, onde o esporte se consagrou primeiro, a gigante FOX cresceu o olho e deu o salto necessário para qualificar ainda mais as artes marciais mistas. Depois de fechar contrato milionário com os donos do UFC, passou a transmitir os torneios, equipou a marca com a logo da emissora e abriu os lares norte-americanos para a prática. Deu respeito a uma atividade preparada para ser respeitada.

O caminho parecia ser o mesmo no Brasil. A Rede TV largou na dianteira e, como pôde, arriscou as transmissões. O sucesso estrondoso, lógico, atraiu a cobiça das maiores redes da televisão brasileira. Band, Record e Globo duelaram pelos direitos de transmissão – competição alavancada com o show de audiência obtido no primeiro UFC Rio, no ano passado. A Globo venceu a peleja. Modelo de transmissão, calejada por anos de boxe, parecia a guarida acolhedora ao esporte. Ledo engano.

O TUF Brasil rapidamente elevou os níveis de audiência e pautou os telespectadores. Apresentou os lutadores, a intimidade dos treinamentos, a humanidade de quem aparentemente era apenas um “bárbaro” dentro de um octógono. Em suma, revelou o caráter profissional por trás dos combates. O programa, junto aos diretos exclusivos de transmissão, flertava com a expansão rápida do MMA e a aposta da emissora em levar o esporte ao topo das transmissões. Exatamente como ocorreu com nos EUA, quando os reality shows popularizaram o UFC.

Mas o tropeço na noite deste sábado, com o desrespeito ao horário de transmissão da luta entre Junior Cigano dos Santos e Frank Mir, mostrou o quanto a emissora falhou na hora de prestigiar o MMA. Sem contar no erro diante de um Brasil cujo hábito de assistir às lutas se torna cada vez mais frequente. É um retrocesso. A Globo preferiu manter a transmissão de um filme e ignorou a própria propaganda na qual prometia passar o UFC 146 ao vivo. Como se não bastasse deixar de lado o card com mais três brasileiros relacionados. Vale lembrar: a emissora é uma concessão pública – deve, assim, ainda mais respeito aos telespectadores.

É impossível dimensionar como a falha implica na relação MMA x Globo x fãs. O menosprezo à atração – sediada em um dos maiores cassinos de Las Vegas – sugere uma falta de preocupação da TV até mesmo com o esporte. Se o UFC ou as artes marciais mistas dependerem da transmissão para conquistar a atenção e os corações do público, é melhor mudarem de estratégia. A emissora deu as costas ao esporte na madrugada deste sábado. Quanto aos telespectadores ansiosos para experimentar a sensação de ver uma luta de MMA na TV aberta, uma triste constatação. O recado dado pela exibição de um VT é um presente amargo para tapar o desejo de provar da prática. Ou, como resumem bem os tweets críticos à emissora, deu #globofail. O preço do desrespeito é a perda de credibilidade.

*o vídeo acima, com a chamada para a transmissão, parece um deboche.

O caminho de Cigano até o cinturão

Está chegando a hora. No sábado, o brasileiro Júnior “Cigano” dos Santos tentará defender pela primeira vez o cinturão dos Pesados do UFC. E o desafiante ao título será o norte-americano Frank Mir.

Mas há muita coisa além do título em disputa. Num contexto geral, o combate representa mais um capítulo da disputa entre Brasil e Estados Unidos pela hegemonia do MMA.

Individualmente, Cigano terá a oportunidade de vingar seu mentor e amigo Rodrigo Minotauro, que em dezembro teve o braço quebrado por Mir na revanche entre os dois. Antes, Minotauro já havia sido nocauteado pelo norte-americano.

Além de tudo, há muito tempo a categoria dos Pesados do UFC não vivia um momento tão bom. Pra falar a verdade, era o grande calo da franquia, que fez de tudo para montar uma relação de lutadores que mexesse com o público.

Para chegar ao topo, Cigano atropelou vários adversários. A maioria deles, por nocaute. E o UFC produziu um vídeo que conta um pouco da trajetória do brasileiro até o topo da categoria. Vale a pena conferir.

Parte 1

 

Parte 2

Cigano nem lutou, mas já marcou a festa

Lutador conclamou fãs e amigos para noitada no sábado após encarar Frank Mir

O brasileiro Junior Cigano dos Santos encara um dos maiores desafios da carreira no próximo sábado, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Defende o cinturão dos pesos-pesados do UFC diante do perigoso Frank Mir, atleta do torneio há cerca de 10 anos. O lutador foca na luta. Estuda cada movimento no octógono. Só pensa no adversário. Certo? Nem tanto assim. A dois dias do desafio, o campeão abre espaço no treinamento para falar de festa. Exatamente. Festa. Pelo Twitter, um aviso aos amigos e fãs: o lugar da comemoração depois do combate já está definido. Será no Chateau Nightclub & Gardens, do Bazaar  Under The Eiffel Tower. O banner promocional do dia dedicado ao competidor já faz parte do cronograma de eventos da boate (foto).

“Minha festa neste sábado depois de eu defender meu título será no Chateau”, postou Cigano no microblog. A noite agendada, diz o site da boate, será especial com o evento Bad Boy Bill. O otimismo do brasileiro, no entanto, precisa respeitar o passado do oponente. O último atleta a menosprezar a capacidade de Frank Mir no octógono – o lutador Rodrigo Minotauro – saiu do ringue direto para o hospital. Ele teve o braço quebrado em uma chave aplicada pelo adversário quando estava a poucos socos da vitória.

Ao lado, a boate em "noites normais"

A reviravolta do ano passado surpreendeu fãs, amigos, admiradores e até mesmo o presidente do UFC, Dana White. À época, ele deu diversas declarações ácidas sobre a hesitação de Big Nog em encerrar o combate. E até hoje sente dificuldade em entender o desfecho do duelo. A prudência recomenda a Cigano focar somente na luta. Encarar com serenidade o desafiante, conservar o espírito de campeão e fazer o jogo cujo retrospecto lhe conduziu ao título da categoria. A concentração pode premiá-lo com mais uma vitória e dar início a uma era como detentor do cinturão. Aí, sim, haverá motivo – redobrado – para festas intermináveis.

 

Cigano e treinador rebatem provocação de Frank Mir

Uma declaração antiga de Frank Mir começou a repercutir agora. Antes mesmo de ser definido como o substitudo de Alistair Overeem no confronto com Júnior Cigano, o norte-americano afirmou ser maior, mais forte e mais rápido que o brasileiro. O campeão dos pesados e seu treinador, Luiz Dórea, resolveram rebater.

Em seu twitter, Cigano mandou um recado bem direto ao adversário. “Mais forte, mas rápido, maior e mentiroso”, disparou. Em seguida, Dórea emendou: “A luta entre Junior Cigano e Mir, vai terminar na especialidade dos dois: Cigano em pé e Mir no chão. Acreditem! Ele fala muito!”

UFC 146
Las Vegas, Estados Unidos
Sábado, 26 de maio de 2012

CARD PRINCIPAL
Junior Cigano vs Frank Mir
Cain Velásquez vs Antônio Pezão
Dave Herman vs Roy Nelson
Shane Del Rosario vs Stipe Miocic
Mark Hunt vs Stefan Struve

CARD PRELIMINAR
Darren Elkins vs Diego Brandão
Edson Barboza vs Jamie Varner
Jason Miller vs C.B. Dollaway
Jacob Volkmann vs Paul Sass
Dan Hardy vs Duane Ludwig
Kyle Kingsbury vs Glover Teixeira
Mike Brown vs Daniel Pineda

Frank Mir é confirmado com o desafiante de Júnior Cigano

O UFC resolveu ceder à pressão externa e desistiu de esperar pelo julgamento de Alistair Overeem, que será realizado nesta terça-feira. Flagrado em exame antidoping, o holandês foi oficialmente cortado do confronto com o brasileiro Júnior “Cigano” dos Santos.

Melhor para o norte-americano Frank Mir, escolhido pela cúpula do evento como o desafiante do cinturão dos pesos Pesados da franquia. O anúncio foi feito por Dana White, em sua conta no twitter.

“Em 26 de maio, agora, terá Mir x JDS (iniciais de Junior dos Santos) pelo título dos pesos-pesados, em Las Vegas, no MGM Grand”, postou o presidente da franquia, que já havia mostrado seu descontentamento com o vacilo de Overeem, ao chamar o holandês de estúpido.

Em sua conta no twitter, Júnior Cigano comentou a decisão do Ultimate, mostrando satisfação com a escolha do novo adversário. “O que vocês acharam? Eu acho que o Mir era realmente quem estava mais qualificado a substituir o Overeem. É isso, vamos que vamos”.

Além de defender pela primeira vez o seu título, Cigano terá ainda a oportunidade de “vingar” o seu amigo Rodrigo Minotauro, que teve o braço quebrado por Mir no UFC 140 em dezembro.

Com a escolha de Frank Mir como substituto de Overeem, resta saber quem será o adversário de Cain Velasquez no Ultimate que terá apenas pesos pesados em sua edição de número 146.

Kelly Slater comenta doping de Overeem

Onze vezes campeão mundial de surfe, o norte-americano Kelly Slater é um grande fã do MMA. Em seu twitter, o maior atleta da modalidade costuma comentar eventos do UFC e resolveu se posicionar sobre o doping do holandês Alistair Overeem.

“Acho que independentemente do que aconteça com Overeem, Dana White deveria dar o braço a torcer e colocá-lo no fim da fila, para que quando ele tenha uma nova chance de disputar o título, seja com credibilidade”, argumentou o surfista.

Em seguida, Dana White respondeu bem ao seu estilo: “tenho que lidar com essas coisas estúpidas todos os dias, amigo”. No que Slater emendou: “Isso vai além da estupidez! É como os caras do Tour de France. É ridículo!”

Por fim, Slater – fã assumido de Mark Hunt – apontou Frank Mir como o adversário com melhores chances para substituir Overeem no confronto com o brasileiro Júnior Cigano.

Frank Mir beneficiado com doping de Overeem

Lutador pode ganhar a chance de disputar cinturão dos pesados contra brasileiro Cigano no UFC 146

A humilhação em forma de espancamento na derrota avassaladora para Brock Lesnar, no UFC 100, em 2009, criou uma obsessão na carreira de Frank Mir: recuperar o fôlego e a chance de uma revanche contra o algoz. A aposentadoria do desafeto forçada por recorrentes problemas de saúde, no entanto, enterrou de vez o objetivo de um novo embate. Mir chegou a cogitar o abandono do octógono. Mas mudou de ideia. E acabou recompensado pelo destino: o doping de Alistair Overeem, anunciado ontem, deu-lhe a oportunidade de empunhar novamente o cinturão dos pesos-pesados do UFC. Ele é o mais cotado para enfrentar o brasileiro Junior Cigano dos Santos no UFC 146.

“Estou pronto”, declarou o lutador ao site MMA Junkie, ao ser informado da reprovação do colega no teste feito de surpresa durante coletiva de imprensa para promover o evento. Se a mudança ocorrer, Cain Velásquez deve encarar o brasileiro Pezão. A outra luta do card principal seria entre Roy Nelson e um oponente escolhido por Dana White.

Frank Mir ostentou o título do Ultimate ao finalizar Tim Silvia na edição de número 48. Depois, sofreu um acidente de moto e ficou fora dos ringues por dois anos. O retorno ao ponto mais alto do UFC veio no UFC 92 com o posto de campeão interino do torneio depois de vitória sobre o brasileiro Minotauro – posição perdida após derrota diante de Brock Lesnar. “Estou feliz em ter a oportunidade de tentar novamente o título”, ele declarou.

UFC 146: proibido para os menores

Há algum tempo temos chamado a atenção para os esforços da cúpula do Ultimate em promover seus Pesados. Desde os tempos de rivalidade com o Pride, o presidente Dana White mostrava-se bastante incomodado com o nível técnico da categoria.

E os organizadores da franquia resolveram investir pesado (com o perdão do trocadilho) na categoria. Sua edição de número 146, que será disputada em 26 de maio, em Las Vegas, terá apenas Pesados em seu card principal, entre eles, três brasileiros.

Será a primeira defesa de título de Júnior Cigano, que terá ninguém menos que o gigante holandês Alistair Overeem como desafiante. O evento contará ainda com o confronto entre Cain Velasquez e Frank Mir, que decidem o próximo desafiante ao título da categoria.

Confiram o card completo. Lembrando que a ordem dos confrontos ainda não foi definida.

Card Principal

Júnior “Cigano” dos Santos vs Alistair Overeem
Cain Velasquez vs Frank Mir
Antônio “Pezão” Silva vs Roy Nelson
Gabriel “Napão” Gonzaga vs Shane del Rosario
Mark Hunt vs Stefan Struve

Card Preliminar

Edson Barboza vs Evan Dunham
C.B. Dollaway vs Jason “Mayhem” Miller
Mike Brown vs Daniel Pineda
Dan Hardy vs Duane Ludwig
Jacob Volkmann vs Paul Sass
Darren Elkins vs Diego Brandão
Kyle Kingsbury vs Glover Teixeira

Menos, Minotauro, menos…

Insistir em culpar o árbitro por decisão desastrosa na luta contra Frank Mir é difícil de digerir


A súbita mudança de estratégia adotada pelo peso-pesado Rodrigo Minotauro diante do norte-americano Frank Mir, no UFC 140, surpreendeu fãs, lutadores, treinadores e até mesmo o oponente. O brasileiro estava a poucos socos do nocaute garantido quando decidiu partir para uma finalização mal-sucedida. O jogo se inverteu e Mir, além de imobilizar Minotauro, conseguiu quebar-lhe o úmero – pois Big Nog se recusou a bater.

O lutador tem alardeado uma versão um tanto quanto inacreditável para o desastre: desistiu dos socos porque o juiz teria lhe lhe orientado a não bater mais na nuca do adversário. As 41 lutas no cartel, os 33 nocautes e a fama de mito no universo do MMA só permitem um pedido: menos, Minotauro, menos. É melhor digerir a derrota em vez de se apoiar em uma alegação incrível.

O brasileiro já participou de campeonatos em todo o mundo, enfrentou oponentes duros de bater, envolveu-se em combates polêmicos, difíceis de serem decididos pelos árbitros. Ou seja, tem experiência suficiente para não cair na marola de ser influenciado por supostas declarações do árbitro. É mais louvável admitir o equívoco e partir para a próxima. Aliás, é bom frisasr: o brasileiro tem um poder de recuperação raramente visto no MMA. Refez-se de uma cirurgia, ficou meses combalido e ainda conseguiu derrubar Brendan Schaub no UFC Rio, em agosto, contra todos os prognósticos.

Embora tenha feito a alegação do “pitaco” do árbitro, Minotauro mostrou disposição em seguir em frente. Em envtrevista à revista Tatame, ele declarou: “Mas não quero dar desculpas. Eu perdi, mas vou me recuperar e voltar a lutar. Provavelmente no segundo UFC do Brasil em 2012. Recebi muitas mensagens de apoio e também ao tratamento que recebi do chefe, Dana White”.

O irmão dele, Rogério Minotouro, postou foto no Twitter de ambos em um aeroporto dos EUA. Minotauro aparenta estar recuperado. Utiliza um artifício no braço do tratamento. Os médicos dispensaram a cirurgia – a alternativa reduz o tempo de recuperação do atleta. É bom. Agora, é hora de espantar as lembranças daquela fatídica noite. E deixar lá no passado as declarações sobre a derrota. Principalmente, a “orientação” do árbitro.