Campeão dos médios do UFC indicou possíveis adversários pelo caminho
A sabedoria informal é útil para farejar indícios de realidade onde se amontoam apenas aparências. E a cartilha do senso comum é prática quando extrai de um ato involuntário a vontade de revelar pensamentos. Ensinamento popular define pura e simplesmente: toda brincadeira tem um fundo de verdade.
A postagem de uma foto do brasileiro Anderson Silva no Instagram deu margem indispensável a interpretações sobre a próxima luta do atleta. A imagem, mesmo publicada a serviço da interatividade, restringiu o universo de futuros adversários do campeão do peso médio do UFC. O Aranha atiçou os fãs ao perguntá-los com qual oponente deveria dividir o octógono. Na múltipla escolha, recortou: Vitor Belfort, George St-Pierre e Chris Weidman.
A provocação escancara: o Aranha foge de uma luta com Jon Jones, campeão do meio-pesado, aceita revanche contra Vitor Belfort, detonado por ele com apenas um chute, reforça a possibilidade de um duelo de peso acertado com George St-Pierre e, pela primeira vez, inclui o lutador Chris Weidman entre os desafiantes.
Anderson Silva nunca escondeu o desgosto de enfrentar Jones, revelação mais talentosa do Ultimate nos anos recentes. Pressionado por Dana White, o mandachuva da franquia, apelou até para a amizade recém-contraída com o lutador mais novo. Quando o UFC 151 naufragou por falta de adversários aptos a disputar o cinturão de Jon, o brasileiro impôs uma condição: lutaria com qualquer um para salvar o card. Menos, claro, o rei do meio-pesado. Virou o rosto para o confronto mais esperado pelos fãs. Golpe do medo.
A superluta com George St-Pierre, preterida anos antes, virou atalho para fugir de Jones. O desafio com o campeão de uma categoria mais leve motivou o Aranha. Mas a recusa, disfarçada sob o ódio ferino de GSP em relação a outro lutador da franquia, serviu de escudo ao campeão do meio-médio para se esquivar do combate. O canadense pediu para bater em Nick Diaz, ex-candidato ao título, punido por derrotas dentro do octógono e indisciplina fora dele. O medo virou de lado. E o encontro com Silva caiu nas mãos do tempo.
O círculo apertou Belfort e Weidman. O brasileiro já experimentou o gosto – amargo – de topar com Silva. Despencou em um chute memorável. Mais experiente, calejado e empolgado depois de ferir até mesmo Jon Jones, é cotado para a revanche. Vitor mira mais em cima. Quer outra chance, sim. Mas contra o campeão do meio-pesado. A escolha o beneficia: Belfort fatura junto ao público, ávido por desafios épicos, esquiva-se da responsabilidade de vencer – o adversário é favorito – e escapa de apanhar de novo de Anderson. Vira presa longe do alcance da teia do Aranha.
Os percalços do destino armam um cenário difícil de ser redesenhado: jovem de 28 nos e invicto após nove combates, Chris Weidman resta como única opção imediata para o Aranha sair do descanso. O norte-americano é barulhento e clama aos chefes para lutar pelo título. A escalada até as bordas do topo lhe permitiu derrubar Demiam Maia e Mark Munhoz. Mas Anderson ainda o vê com desdém. O bolso impõe um freio: Chris é atleta pífio para atrair anunciantes. E longe de ser ameaça ao cinturão do brasileiro.
O tempo, no entanto, encurta o período de decisão do campeão dos médios. Os 37 anos exigem pressa. Longe do octógono desde outubro, ele precisa acelerar o passo para dar conta das dez lutas acertadas com o UFC. Na luta da maturidade contra a liberdade de escolha, o eleito deve vir de uma disputa (inesperada, até agora) de Weidman e Belfort. Depois, a hipótese mais provável é Anderson encarar o canadense GSP, já sem adversários na categoria. Jon Jones vira sonho de consumo para fechar a carreira.
A foto postada no Instagram sentencia o destino do maior lutador da atualidade. O ditado do povo credencia a conjectura em torno do combate seguinte do Aranha. É inescapável: onde há fumaça, há fogo.










