UFC 147 sem cerveja

Bebidas alcoólicas serão proibidas na edição mineira

A cena do lutador concentrado, na caminhada rumo ao octógono, com fãs atrás enlouquecidos e com copos de cerveja nas mãos é uma marca do UFC a ser esquecida na edição 147, em MInas Gerais. Explica-se: para garantir o torneio em Belo Horizonte, dia 23 de junho, os organizadores concordaram com o Ministério Público estadual em proibir a comercialização de bebidas alcoólicas dentro do ginásio Mineirinho. A restrição se alinha ao procedimento adotado nos estádios de futebol brasileiros – onde elas estão banidas. Mas a Anheuser-Busch, dona da cerveja Bud Light e principal patrocinadora do torneio, está liberada para espalhar a marca durante o evento.

Os termos para a realização do UFC na capital mineira foram acertados em reunião, ontem, com autoridades locais e a IMX Esporte e Entretenimento – representante da franquia de lutas. O acordo incluiu a fixação de 14 mil ingressos colocados à venda para os torcedores. Eles poderão ser adquiridos pela internet e apanhados na bilheteria do ginásio. Cada pessoa poderá comprar até quatro ingressos (por CPF). A segurança dentro do Mineirinho será bancada pela organização do Ultimate. O governo deve investir cerca de R$ 950 mil em ações de infraestrutura para receber o evento e atender à demanda turística. O governador mineiro, Antônio Anastasia, elogiou o MMA e fez apelo para o UFC marcar o estado no calendário dos próximos eventos. “Vamos trabalhar para que todos apreciem esse esporte”, salientou.

A atenção dispensada ao torneio é uma excelente cartada para situar Minas na vitrine das competições internacionais. O UFC é transmitido para mais de 160 países e goza de investimentos de patrocinadores de peso. No Rio de Janeiro – por onde passou em agosto de 2011 e janeiro deste ano -, a franquia obteve retorno satisfatório. Na primeira edição, esgotou ingressos em 74 minutos. O Ultimate já passou também por São Paulo, em 1998.

A edição mineira só perderá (pouco) de importância porque a luta da principal estrela, Anderson Silva, foi transferida para Las Vegas por pressão dos patrocinadores e incompatibilidade com calendário do Rio de Janeiro e São Paulo – primeiras cidades cogitadas para recebê-la. O brasileiro lutará com o fanfarrão Chael Sonnen. O card do UFC 147 terá como combate principal Vitor Belfort vs. Wanderlei Silva, treinadores do TUF Brasil, e o enfrentamento dos finalistas do programa.

UFC isenta IMX de culpa por transferência de revanche

A sempre atenciosa assessoria do UFC no Brasil entrou em contato com o Ringue Diario apresentando a justificativa oficial da franquia para a transferência da revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen para Las Vegas.

A polêmica surgiu depois que o campeão dos médios atribuiu a responsabilidade à IMX, empresa do grupo de Eike Batista que gerencia a imagem do UFC no Brasil. Silva endureceu e acusou a IMX de não ter dado a devida importância ao evento.

A justificativa veio do diretor de desenvolvimento internacional do UFC, Marshall Zelaznik.

Segue a declaração na íntegra:

A IMX atuou de forma profissional fornecendo ao UFC, em tempo hábil, todos os estudos e planejamento necessários para dar suporte a decisão de fazer ou não um evento em um estádio de futebol. Após definido que tentaríamos trazer o evento para o Rio de Janeiro, novos fatores obrigaram a uma reavaliação que resultou na transferência do mesmo. A decisão de não mais realizar o UFC 147 na Cidade do Rio de Janeiro foi única e exclusiva da empresa Zuffa LLC, dona do UFC.

A culpa é de Eike Batista…

Os fãs brasileiros de MMA ainda estão digerindo a confirmação da transferência da revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen para Las Vegas. E não era para menos. Os lutadores e o presidente Dana White já haviam confirmado a luta no Brasil e até a data e o local já estavam definidos.

Dono de uma fortuna estimada em US$ 30 bilhões, o empresário Eike Batista parece ter um papel importante nesta história. De acordo com Anderson, a IMX – braço do grupo EBX que adquiriu os direitos de imagem do UFC no Brasil – teria sido “incompetente”, ao não dar a devida importância ao evento.

“Esta edição do UFC vai entrar para a história. Mas parece que algumas pessoas não enxergaram o tamanho desse evento”, lamentou Anderson Silva. “A empresa responsável por fazer o evento acontecer aqui não foi competente. O Dana veio três vezes para realizar o UFC no Brasil. Tentou em São Paulo, tentou no Rio. Incompetência real da empresa que estava por trás disso”, acrescentou.

Confira o vídeo produzido pelos colegas do Portal do Vale Tudo.

 

 

Bilionário brasileiro por trás do UFC

Empresário Eike Batista comprou empresa de marketing responsável por trazer o UFC ao Brasil

A popularidade do UFC aquece os olhos de quem está acostumado a enxergar boas oportunidades de negócios. Nos Estados Unidos, a FOX se rendeu ao MMA e fechou contrato para transmissão das lutas na televisão aberta. O experimento será feito no dia 12 de novembro, já com a disputa do cinturão dos pesos pesados entre Cain Velasquez e o brasileiro Junior Cigano dos Santos. No Brasil, depois do sucesso do UFC Rio, o empresário Eike Batista comprou a Brasil 1, companhia de marketing responsável por trazer o UFC de volta ao país em agosto – segundo a revista Meio e Mensagem. Um claro sinal ao mercado publicitário e esportivo: a atividade tem futuro e pode dar (muito) lucro.

O mineiro Eike Batista é um dos mais ricos empresários brasileiros. Tem negócios nas áreas energia, siderurgia, petróleo, indústria naval, logística e mineração. A revista Forbes o elegeu como o 8º maior bilionário do mundo em 2011. O patrimônio líquido dele é avaliado em mais de 30 bilhões de dólares. Eike também ficou conhecido no Brasil por namorar a modelo Luma de Oliveira – ela chegou a desfilar por uma escola de samba com uma coleira na qual estava gravado o nome do companheiro.

O empresário esteve na plateia do UFC Rio. E teve a oportunidade de presenciar a magnitude do evento sobre o qual terá gerência quando o contrato firmado com a Brasil 1 for concretizado – a assinatura com a IMX (do grupo de Eike) deve ocorrer nas próximas semanas. O torneio na Cidade Maravilhosa atraiu mais de 14 mil pessoas ao HSBC Arena e gerou uma renda, apenas com bilheteria, de quase quatro milhões de dólares – o dobro do UFC 135, realizado em Denver, nos Estados Unidos, no último fim de semana. A transmissão pela televisão teria alcançado 30 milhões de lares brasileiros.

O sucesso foi inegável. O presidente do UFC, Dana White, chegou a brincar com a possibilidade de realizar um evento no Brasil todo fim de semana. Está nos planos dele e dos irmãos Fertita – donos da marca – promover mais edições no país em 2012. Manaus e São Paulo tomam as rédeas das negociações até agora. A soma dos números com a probabilidade de realização dos torneios de MMA no Brasil gera lucro garantido. E nenhum grande investido é capaz de ignorar o cálculo. Eike já anda com a calculadora nas mãos.