A língua pode até queimar – como é tendência natural em quem se atreve a antever os fatos. Mas é difícil pensar em derrota do campeão dos meio-pesados do UFC, Jon Jones, na luta recém-arranjada para ele contra o sueco Alexander Gustaffson. O duelo soa como arremedo diante da falta de adversários capazes de roubar-lhe o cinturão. E nunca é demais frisar: é mais um banho de água gelada em quem sonha um dia ver o maior combate de MMA da atualidade entre o jovem talento do Ultimate e o brasileiro Anderson Silva.
O adversário tem um histórico recente de sucessos. Mas as aparências podem enganar. Gustaffson só enfrentou dois lutadores entre os dez da lista dos mais fortes do ranking do UFC: Maurício Shogun Rua (7ª posição) e Phill Davis (8ª). Suou para ganhar do já combalido lutador brasileiro, hoje uma sombra do ex-campeão e guerreiro de antigamente. Perdeu do segundo lá atrás, antes de emplacar uma sequência de seis vitórias consecutivas. É uma performance duvidosa para encarar o maior lutador da atualidade depois do Aranha.
A definição da luta parece arranjo para movimentar o campeão Jon Jones. Verdade seja colocada: faltaram adversários disponíveis e qualificados – sobretudo depois da esquiva de Anderson Silva de uma possível superluta. Lyoto Machida, até hoje um dos lutadores mais perigosos frente ao campeão, ao lado de Vitor Belfort, vai encarar Phill Davis no próximo UFC no Rio de Janeiro. Está, portanto, fora da disputa (e até merece uma explicação mais robusta a falta de uma revanche entre ele e o campeão). Daniel Cormier recusou baixar de peso. Nem se cogitou o gordinho Roy Nelson. Shogun é carta fora do baralho depois de exibir performances fracas. Belfort até merecia uma chance, mas acabou ignorado.
O duelo está agendado para setembro, no Canadá, pelo UFC 165. E cai como uma luva para a pretensão de Jon Jones de segurar o título até embarcar rumo à categoria de cima, a dos pesos-pesados. Se depender do repertório de Gustaffson, até mesmo apontado por alguns como lutador com potencial, Jones segue imbatível. Isso se a língua não me trair…











