Pernambucano ex-lutador do UFC tem nova luta

Junior Assunção enfrentará Chris Jones em abril

Ex-lutador do Ultimate Fighting Championship, o pernambucano Junior Assunção já tem desafio pela frente no MMA. Ele enfrenta o norte-americano Chris Jones em um dos confrontos do Legacy Fighting Championship, evento de artes marciais mistas do Texas, nos Estados Unidos. O adversário carrega um cartel de destaque, com oito vitórias e apenas uma derrota. Os dois lutam no dia 12 de abril.

Demitido do UFC em condições surpresas – como também aponta a reportagem do MMA Junkie -, o pernambucano vem de oito vitórias nos últimos dez combates. Entre elas, um resultado positivo e outro negativo no UFC (vitória sobre Eddie Yagin e derrota diante de Ross Pearson). Irmão de Rapha Assunção, lutador do UFC, e de Freddy Assunção, também lutador de MMA, Junior acabou afastado do maior torneio de lutas do mundo sem uma justificativa plausível. O adversário derrotado por ele – Eddie Yagin – continuou nos quadros do torneio.

O próximo desafio do atleta é o primeiro após deixar a franquia de Dana White. Aos 31 anos, o pernambucano radicado nos EUA precisa voltar a vencer de forma convincente se ainda quiser disputar espaço entre a elite do MMA mundial. É o primeiro passo para a possibilidade de retornar ao UFC.

CARD do Legacy FC 19:

MAIN CARD (AXS TV, 10 p.m. ET)

- Champ Will Campuzano vs. Alan Nascimento – for flyweight title
- Junior Assuncao vs. Chris Jones
- Matt Hobar vs. Nelson Salas
- Sean Spencer vs. Roy Spoon
- Ryan Benoit vs. opponent TBA
- Eli Tamez vs. opponent TBA

PRELIMINARY CARD (Untelevised, 7 p.m. ET)

- Sean Holden vs. Armando Servin
- Kirk Gibson vs. Clay Hantz
- Angelus McFarlane vs. Evan Thompson
- Bull Lawal vs. Jabari Shakur
- Bobby Moore vs. Lior Shporen

Pernambuco, terra de megalomanias… não no MMA

Estado sofre para se aproximar de um título de expressão nas artes marciais mistas

Junior: cortado do UFC

 

De todos os atributos pendurados no perfil dos pernambucanos, a megalomania reina absoluta. Apoiado quase sempre em estatísticas duvidosas e crendices risíveis, o estado inflama entre os conterrâneos a busca pelo status de se definir como o maior. Em qualquer área. A avenida mais extensa do país? O shopping com mais área construída? O centro do futebol no Nordeste? O coro é inequívoco: Pernambuco. A sensação de supremacia por aqui, no entanto, perde força no terreno das artes marciais mistas. Na elite dos ringues, o topo parece um desejo intocável: nenhum dos atletas da terra se aproxima hoje da oportunidade de conquistar o cinturão de uma das sete categorias do UFC, maior torneio de MMA do mundo. Entre colegas de região, por exemplo, a situação é outra: Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba experimentam o prazer de ter lutadores entre as maiores estrelas do torneio.

O retorno para casa do campeão interino dos peso-galo, o potiguar Renan Barão, ilustra a relevância do esporte no estado. Depois de bater o queridinho do UFC Urijah Faber na edição de número 153 – com uma luta impecável do ponto de vista técnico, embora monótona – o nordestino se apossou do cinturão e entrou no círculo restrito dos campeões brasileiros do torneio. Marcou espaço ao lado de Anderson Silva (médios), Junior Cigano dos Santos (pesados) e José Aldo (pena). O título coroou a trajetória de 31 vitórias no MMA – seis seguidas no Ultimate. Ao regressar à terra natal, Barão caiu nas graças dos potiguares e desfilou em carro aberto (foto). Do estado, também saiu Gleison Tibau (25 vitórias e 8 derrotas). Experiente, o lutador de 29 anos coleciona 14 combates no UFC (cinco derrotas) – mas nunca venceu quatro vezes seguidas, sequência capaz de habilitá-lo ao cinturão.

Prova de prestígio, o Rio Grande do Norte realizou evento de artes marciais mistas em Mossoró, interior do estado, na semana passada, e contou com a presença de Rogério Minotouro, lenda do esporte, Rony Jason (Ceará), e Gasparzinho (potiguar), ex-integrantes do TUF Brasil.

 

Barão: reconhecimento na volta a Natal

O campeão dos pesados, Junior Cigano dos Santos, apesar de nascido em Santa Catarina, considera-se baiano de coração e leva o nome da terra de todos os santos para onde vai. É, aliás, da escola de um mito da Bahia, o pugilista Acelino Popó Freitas, tetracampeão mundial de boxe. Cigano detém as qualidades necessárias para se perpetuar como dono do cinturão da categoria mais valorosa do esporte: é ágil, atributo raro em lutadores de peso elevado, e domina com desenvoltura a nobre arte. Quando Lorenzo Fertita, sócio da Zuffa e um dos donos do Ultimate, veio ao Brasil recentemente, fez questão de passar na Bahia e tirar uma foto com o campeão. Relevância baiana no UFC.

A Paraíba – para citar um lutador como exemplo – é terra natal de Antônio Silva, o Pezão. Entre os feitos do atleta, um encerra qualquer discussão sobre qualidade dentro do octógono: a vitória avassaladora no Strikeforce sobre Fedor Emelianenko, uma das maiores lendas das artes marciais mistas da história. Pezão perdeu a luta mais recente para Cain Velasquez, mas é considerado um atleta casca-grossa e, em caso de vitória, volta a brigar pelo cinturão dos pesados do UFC.

O time pernambucano no Ultimate conta com dois lutadores de destaque. Mas, por enquanto, longe de almejar o título nas categorias pelas quais competem. Rapha Assunção, 30 anos, possui três lutas no maior torneio do mundo. Perdeu uma e venceu as mais recentes. Cria do WEC – torneio incorporado pelo Ultimate -, tem 18 vitórias e quatro derrotas no cartel. Mas ainda precisa engatar uma sequência de sucessos para sonhar em chegar ao topo dos galos. O nocaute sobre Issei Tamura no UFC On Fuel, em julho, é um ponto positivo para lhe abrir as portas a desafios mais consistentes. Ele luta, ainda, para evitar desfecho semelhante ao do irmão, Junior Assunção, cortado do Ultimate em condições misteriosas, após passar pelo torneio duas vezes. O outro membro da família, Freddy, luta pelo Titan Fighting Championship (do Texas, nos EUA) e batalha para ser convocado pelo UFC.

 

Braulio: promessa?

Outro pernambucano no quadro da franquia mais famosa do mundo é Rafaello Tractor. Ele contabiliza duas passagens pelo Ultimate. Na primeira vez, lutou três vezes e venceu apenas uma. No regresso – um ano e quatro duelos depois -, perdeu duas e venceu somente a última, em julho passado. A derrota certamente o afastaria do quadro de funcionários do Ultimate – o patrão Dana White é intolerante a fracassos sucessivos de atletas de expressão mediana. Tractor precisa vencer, primeiro, de olho na permanência na franquia. O cinturão é uma ambição bem distante.

Um novo nome surgiu recentemente no rol de pernambucanos lutadores de MMA. Bráulio Estima, consagrado no jiu-jitsu, ensaia os primeiros passos nas artes marciais mistas. Aos 32 anos, o Carcará detém um currículo recheado de sucessos: é pentacampeão panamericano de jiu-jitsu, tricampeão mundial e tricampeão do ADCC. Ele se prepara para estrear em agosto, no Titan 24 (MMA). Mas, por enquanto, engrossa a lista dos conterrâneos longe de um cinturão de peso no esporte em maior crescimento no mundo.

A pequenez de Pernambuco no panorama internacional das artes marciais mistas é reforçada pela ausência de eventos sistemáticos de grande porte. O Recife Fighting Championship, trampolim de Rafaello e Junior Assunção ao UFC, custa para ser realizado. No fim de 2011, o Night of World Championship, promovido no estado pela primeira vez, contou, no card, com lutadores amadores e sofreu com a troca de atletas em cima da hora. A falta de investimentos maciços e de estrutura apropriada para treinamento agrava o quadro.

O cenário tacanho encolhe o nome do estado mundo afora e distancia os atletas locais da nata das artes marciais mistas. A terra orgulhosa de exagerar as próprias proezas – ou de fabricá-las quando convém – amarga o dissabor da quase invisibilidade perante o mundo no MMA – especialmente no UFC. A inexpressividade atual no esporte destrona a megalomania e torna Pernambuco, rei na arte de se vangloriar, plebeu da própria mediocridade.

 

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Pernambucano Junior Assunção já tem adversário no Legacy

Junior Assunção: hora de vencer

 

O pernambucano Junior Assunção já sabe quem vai enfrentar no próximo desafio dentro dos ringues. A organização do Legacy Fighting Championship anunciou o lutador Douglas Frey como oponente do brasileiro. Os dois devem se enfrentar no dia 17 de agosto, em Dallas, nos Estados Unidos, pela edição de número 13 do torneio.

O veterano Junior Assunção tenta reencontrar a vitória para abrir a possibilidade de voltar ao Ultimate Fighting Championship – considerado a elite das artes marciais mistas do mundo. O pernambucano acumula duas passagens pelo UFC: na primeira, perdeu para Kurt Pellegrino, na edição 64, em 2006, venceu David Lee, torneio 70, em 2007, e sucumbiu diante de Nate Diaz, no UFC Fight Night 11, em 2007. Os resultados desfavoráveis desvincularam o atleta da franquia.

O pernambucano perambulou por outros torneios de MMA. Depois de oito lutas – com apenas uma derrota – voltou ao UFC. Venceu Eddie Yagin (na edição 135) e perdeu na decisão dos árbitros de Ross Pearson. O Ultimate quebrou o contrato com o lutador em seguida. O rompimento surpreendeu: Junior estava bem condicionado e havia sido elogiado pelo próprio presidente da franquia, Dana White. O lutador derrotado por ele, Eddie Yagin, misteriosamente herdou o direito de permanecer no UFC – enfrentou e venceu Mark Hominick, ex-desafiante ao título, no UFC 145. O pernambucano chegou a creditar o desligamento a um possível jogo político nos bastidores.

Aos 30 anos, Junior Assunção tem 13 vitórias na carreira e cinco derrotas. O oponente, o norte-americano do Texas, Douglas Frey, tem 29 e apresenta um card com dez vitórias e oito derrotas – ele perdeu quatro das últimas cinco lutas de MMA. O irmão de Junior Assunção, Raphael Assunção, mantém contrato com o UFC.

Ross Pearson promete surpresa para José Aldo

Algoz de Júnior Assunção na última luta do pernambucano no UFC, o inglês Ross Pearson é um dos candidatos a desafiante de José Aldo. Motivado pelo sonho de tornar-se campeão do Ultimate, o britânico desceu para o peso Pena e promete derrotar o atual campeão.

“Acho que eu faria uma grande luta com o José Aldo. Eu tenho um Muay Thai e um Boxe tão bons quanto ele. Garanto que ninguém vai ficar em pé e enfrentá-lo do jeito que eu vou. Ninguém nessa categoria vai chegar lá e bater no José Aldo, mas eu vou”, garantiu Pearson.

Promessa nada fácil de ser cumprida. José Aldo ostenta uma invencibilidade de 14 combates, sendo os três últimos no UFC. O brasileiro, que nocauteou o norte-americano Chad Mendes em janeiro, no evento realizado no Rio de Janeiro, já tem data para voltar ao octógono.

O presidente Dana White adiantou que Aldo tentará defender seu cinturão mais uma vez no UFC 149, que será realizado em julho, no Canadá. O desafiante, entretanto, ainda não foi definido.

Desabafo da família de Junior Assunção

O súbito desligamento do pernambucano Junior Assunção do UFC ainda ressoa na família do atleta. O lutador foi cortado do maior torneio de MMA do mundo em condições misteriosas. Ele tinha um contrato de quatro lutas. Venceu uma, perdeu a seguinte por decisão dos juízes e tinha sido bem avaliado até mesmo por Dana White, presidente da franquia. O inconformismo familiar foi traduzido em forma de desabafo por uma tia de Junior. Ela entrou em contato com o Ringue Diario e fez questão de externar a tristeza dos parentes com a demissão.

Leia a nota enviada por ela (e clique aqui para saber mais informações sobre a decisão do UFC)

“Nós, da Família Assunção, estamos todos surpresos com essa notícia. Ficamos sem entender, mesmo por que ele tinha quatro lutas dentro do UFC e sua última luta, mesmo perdendo, foi muito elogiada por todos, por causa de sua performance. Não entendemos o que acontece dentro e qual a razão de ele ter sido dispensado. Porque ele já estava ele sendo cotado para o UFC de São Paulo. Infelizmente, isso aconteceu e temos que seguir em frente a luta continua e, sendo Junior Assunção um atleta exemplar, correto, dedicado, vai seguir sua vida e continuar sua carreira em outros eventos de MMA do mundo.

Muitas coisas erradas acontecem por trás dos bastidores do UFC. Um atleta como ele, dedicado, correto, exemplar, eles tratam dessa forma, Desligam sem um explicação. O atleta aposta sua vida no UFC e não tem a menor segurança de trabalho. Eles nem pagam um salário mensal e não permitem que o mesmo atleta participe de outros eventos de MMA. Prendem o atleta, não pagam salário e demitem na hora que querem sem nem saber o que o atleta fez na sua vida para estar dentro do UFC, seus compromissos financeiros, família, como Júnior, que tem dois filhos no Brasil pra criar.

Agradecemos a todos pelo apoio e pela torcida e estamos à disposição de voces para qualquer coisa. Estamos muito triste. Sabemo que tudo isso é politicagem. Segue no UFC Raphael Assunção. Que Deus nos abençoe”.

Clênia Assunção Galvão, tia do atleta

 

Pernambucano cortado do UFC

Junior Assunção revelou a dispensa do maior torneio de lutas do mundo pelo Twitter

O pernambucano Junior Assunção, da categoria dos pesos-pena, foi dispensado do UFC, maior franquia de lutas de MMA do mundo. O próprio lutador revelou o corte por meio do Twitter na noite desta segunda-feira. “Eu acabei de ser cortado do UFC! Uau… Aparentemente, eles não gostaram da minha última luta. Obrigado ao @ufc pela oportunidade. Aos meus fãs, eu voltarei! Obrigado pelo suporte. Eu não estou no controle disso. Meu técnico disse que tudo ficará bem”, postou o atleta no microblog. A mais recente participação de Junior no Ultimate ocorreu no combate contra Ross Pearson, quando ele acabou derrotado por decisão dos juízes, no UFC 141, no fim de dezembro.

O atleta pernambucano já havia sido dispensado das lutas pelo UFC – depois da derrota para Nate Diaz, no UFC Fight Night 11, em 2007. A partir de então, competiu em eventos menos expressivos de MMA: foram oito duelos e apenas uma frustração – o périplo por torneios do circuito alternativo incluiu a participação exitosa em duas edições do RFC. Junior manteve uma invencibilidade de quatro anos até o retorno ao Ultimate, em setembro do ano passado, contra Eddie Yagin – luta vencida pelo brasileiro.

A notícia do corte surpreendeu o lutador. Em postagens subsequentes à do anúncio da dispensa, ele atribuiu a decisão do UFC a política nos bastidores. E isentou o mandatário da franquia, Dana White.”O chefe me disse que a luta (contra Ross) foi boa, uma performance de valor. Eu não entendo. Se eu soubesse que seria cortado, preferiria uma luta fácil, eu disse a meu treinador. Alguém pode me ajudar a entender?”, questionou o atleta. “Não foi decisão de Dana White. São as políticas por trás”, completou.

Depois de desabafar pelo Twitter, Assunção preferiu o silêncio: “A verdade vai aparecer logo. Não sei o que acontece nnos bastidores. Mas eu devo me calar agora”, observou. Com a saída de Junior, Pernambuco fica com apenas dois atletas no UFC: Rafaello Trator e Rapha Assunção – irmão do lutador dispensado. Pelo microblog, o irmão de Junior lhe deu apoio: “Deus tem o futuro. Estamos juntos, irmão”. A torcida pernambucana, também. Segue junto ao atleta.

 

Evolução, apesar da derrota

Não foi o final de ano que a família Assunção estava esperando. Em seu segundo confronto desde o seu retorno ao UFC, o mais velho dos “Assunção Brothers” foi derrotado pelo inglês Ross Pearson, na edição 141 do Ultimate. Um dos três representantes de Pernambuco no principal evento de lutas do planeta, Júnior teve bons momentos durante o combate, mas foi superado pela regularidade do adversário, que venceu por decisão unânime.

Apesar do tropeço, há bons motivos para manter o otimismo. De olho em metas mais arrojadas, Júnior resolveu descer para os Penas e para isso, submeteu-se a uma rotina pesada de treinamentos, interrompida somente para acompanhar a vitória do irmão Freddy no último Recife Fighting. Ficou claro que a dedicação rendeu bons frutos. Em sua quinta participação no UFC (disputou três lutas entre 2006 e 2007), o recifense finalmente conseguiu se soltar no octógono. Morando nos Estados Unidos desde a adolescência, Júnior, Raphael e Freddy, começaram na capoeira, mas acumularam bons repertórios em academias de jiu-jitsu, muay thai e boxe.

Diferentemente do que mostrou contra Eddie Yagin, no UFC 135, em setembro, Júnior optou por não levar o combate para o chão. Confiante, o pernambucano resolveu mostrar à organização do evento que pode proporcionar grandes espetáculos ao público. Adotando uma postura parecida com a de Lyoto Machida, com a guarda aberta, ele impôs respeito e acertou golpes duros em Pearson, vencendo o 1º round.

O inglês, porém, derrubou o brasileiro no segundo, com um jab certeiro e a partir daí, ganhou mais confiança e passou a dominar as ações. Apesar do knock down, Júnior manteve-se tranquilo e por pouco não conseguiu finalizar o adversário depois de derrubá-lo no início do round final. Fica a lição de que no UFC qualquer descuido pode custar muito caro. Seguimos na torcida, guerreiro!

Osss

UFC 141: a ascensão de Overeem e o adeus de Lesnar

Antes do início da luta principal da edição 141 do UFC, poucos se arriscavam a dizer quem seria o vencedor do confronto entre os gigantes Brock Lesnar e Alistair Overeem. Donos de medidas espantosas, ambos eram tratados com bastante respeito. Afinal de contas, um golpe bem encaixado – seja por quem quer que fosse – decretaria o final do combate. Bastaram 2min26s para o superlativo holandês apresentar outros motivos para que seus adversários o respeitem, além dos seus 120 kg distribuídos em 1,95 m.

Enquanto a maioria imaginava que o golpe decisivo sairia da mão de algum dos lutadores, Overeem estudou a postura de seu adversário cautelosamente e assim que encontrou a distância correta, castigou o norte-americano com joelhadas contundentes no abdômen. Apesar de ter conseguido acertar um jab que abriu o supercílio do adversário, Lesnar acusou os golpes e, inseguro, sofreu um knock down após um chute na lateral do tórax. O brasileiro Mário Yamasaki ainda aguardou algum sinal de reação de Lesnar, que era castigado por vários socos. Nada.

Obrigado a se afastar dos ringues  por dois longos períodos nos últimos anos, Lesnar venceu a diverticulite, mas não conseguiu voltar a mostrar os desempenhos que renderam-lhe o cinturão da categoria. Resignado, o norte-americano anunciou que aquela fora a sua última aparição no octógono. “Fiz uma promessa à minha esposa e meus filhos, que sofreram comigo e sempre me apoiaram durante todo este tempo. Se eu vencesse, faria uma última luta pelo título. Como perdi, estou oficialmente aposentado”, revelou para o espanto dos fãs do MMA.

Enquanto Lesnar deu adeus ao MMA com o curto cartel de 5 vitórias e 3 derrotas, Overeem mostrou que tem armas suficientes para elevar o nível dos Pesados do UFC. A vitória na estreia na franquia rendeu-lhe o direito de desafiar Júnior Cigano pelo cinturão da categoria. Cumprindo o protocolo do Ultimate, o brasileiro compareceu ao octógono após a luta, para aceitar o desafio. Sorridente, o campeão exalava confiança em seus punhos, mas é bom que ele se prepare adequadamente para um combate duríssimo.

Card Principal

Brock Lesnar vs Alistair Overeem
vencedor:
Overeem, por nocaute técnico aos 2min26s do 1º round (socos, depois de chute no tórax)

Nate Diaz vs Donald Cerrone
vencedor:
Diaz, por decisão unânime (30/27, 30/27 e 29/28)

Johny Hendricks vs John Fitch
vencedor:
Hendricks, por nocaute, aos 12s do 1º round (cruzado de esquerda)

Vladimir Matyushenko vs Alexander Gustafsson
vencedor:
Gustafsson, por nocaute técnico, aos 2min38s do 1º round (socos)

Jimy Hettes vs Nam Phan
vencedor:
Hettes, por decisão unânime (30/25, 30/25 e 30/26)

Card Preliminar

Ross Pearson vs Júnior Assunção
vencedor:
Pearson, por decisão unânime (29/28, 29/28 e 30/27)

Danny Castillo vs Anthony Njokuani
vencedor:
Castillo, por decisão dividida (29/28, 29/28 e 28/29)

Dong Hyun Kim vs Sean Pierson
vencedor:
Kim, por decisão unânime (30/27)

Jacob Volkmann vs Efraim Escudero
vencedor:
Volkmann, por decisão unânime (29/28)

Diego Nunes vs Manny Gamburyan
vencedor:
Nunes, por decisão unânime (29/28)

UFC 141: a estreia da categoria Monstros!

141ª edição do UFC. Esta noite – a penúltima de 2011 – não haverá qualquer cinturão em disputa. Ainda assim, os bastidores do Ultimate estão agitados como há muito não se via. E há, sim, motivos de sobra para isto. Na principal luta da noite, o norte-americano Brock Lesnar e o inglês naturalizado holandês Alistair Overeem se enfrentam num combate que pode marcar o ressurreição dos pesos Pesados do MMA mundial. Não é segredo para ninguém que o presidente Dana White vem fazendo de tudo para elevar o nível da categoria. Tudo em nome do justificado efeito que um evento entre Pesados exerce sobre os espectadores.

Antes que venham os críticos, não há aqui qualquer crítica ao desempenho de Júnior Cigano. Na verdade, ele é um dos poucos atletas dessa faixa de peso com potencial para entrar no hall das lendas do MMA. E a chegada de competidores como Lesnar e Overeem somente fortalece a importância do cinturão conquistado pelo brasileiro. E já que todas as negociações entre o UFC e o russo Fedor Emilianenko terminaram em fracasso, resta torcer para que o plantel atual inicie uma nova era entre os Pesados.

Os pernambucanos têm ainda outro excelente motivo para acompanhar o evento, que começará a ser transmitido às 21h15 (do Recife). O estado será representado por Júnior Assunção, que encara o inglês Ross Pearson, no card preliminar do evento, em seu segundo compromisso pelo UFC desde sua volta à franquia. Uma boa vitória deve render ao mais velho dos “Assunção Brothers” uma oportunidade de aparecer num card principal ainda em 2012. “Me preparei bastante para este combate porque quero provar que posso ser um dos melhores lutadores dessa categoria”, destacou o recifense em entrevista ao Ringue Diario.   “Além do que, tenho recebido muito apoio dos meus conterrâneos e quero ajudar a mostrar a força do meu Estado para todo o mundo”, acrescentou.

Card Principal

Brock Lesnar vs Alistair Overeem (Pesados)
Nate Diaz vs Donald Cerrone (Leves)
Jon Fitch vs Johny Hendricks (Meio-médios)
Alexander Gustafsson vs Vladimir Matyushenko (Meio-pesados)
Nam Phan vs Jimy Hettes (Penas)

Card Preliminar

Ross Pearson vs Junior Assunção (Penas)
Anthony Njokuani vs Ramsey Nijem (Leves)
Dong Hyun Kim vs Sean Pierson (Meio-médios)
Jacob Volkmann vs Efrain Escudero (Leves)
Luis “Beição” Ramos vs Matt Riddle (Meio-médios)
Diego Nunes vs Manny Gamburyan (Penas)

 

“Quero ajudar Pernambuco a se firmar no cenário do MMA”

Dana White observa encarada entre Jr Assunção (E) e Yagin na pesagem do UFC 135.

 

No início da adolescência, Júnior Assunção e seus irmãos, os gêmeos Raphael e Freddy, deixaram o Brasil com a mãe, em busca do sonho de uma vida melhor nos Estados Unidos. A adaptação não foi nada fácil, mas o trio encontrou nas artes marciais o apoio que precisavam para superar as adversidades. Suor, sangue e muita dedicação. Estes foram alguns dos ingredientes que transformaram em realidade o sonho de levar a bandeira de Pernambuco ao octógono do UFC.

Em sua reestreia no evento, Júnior apostou na aplicação tática para vencer o norte-americano Eddie Yagin na edição 135 do torneio, em 24 de setembro. O próximo encontro é com o inglês Ross Pearson, em 30 de dezembro, no UFC 141. Em meio aos preparativos para o combate, uma pausa para acompanhar o irmão Freddy no Recife Fighting Championship. Em entrevista exclusiva ao Ringue Diario, o lutador falou de suas metas e do carinho pelo RFC.

Ringue Diario: Como anda a expectativa pela luta do seu irmão no Recife Fighting?

Junior Assunção: Estou bastante ansioso. Talvez, até mais do que ele! (risos) Fazemos de tudo para podermos ficar juntos e numa luta como essa, em nossa casa, não poderia ser diferente. Com certeza, eu e Raphael estaremos ali no corner, para dar aquela força.

RD: Vocês dois estão conseguindo se firmar no UFC. Acredita que uma boa exibição pode ajudar Freddy a começar a trilhar o mesmo caminho?

JA: Com certeza! Essa é justamente a ideia! Já pensaram? Os “Assunção Brothers” todos no UFC?! Acho que nem os Gracie tiveram três membros da família lutando ao mesmo tempo no Ultimate.

RD: Durante um bom tempo, Rafaello Trator vinha tentando carregar a bandeira de Pernambuco no cenário do MMA mundial. Agora, vocês chegaram para dividir este fardo.

JA: Pois é. Trator realmente é um grande lutador e um ídolo local. Acho que ele teve um pouco de falta de sorte no UFC, mas sei do potencial dele. É que aqui, o nível é altíssimo! Acredito que com uma boa apresentação, as coisas vão ficar bem melhor para ele. E essa é uma das nossas batalhas. Queremos muito representar Pernambuco bem e deixar nossos conterrâneos orgulhosos. Quero ajudar Pernambuco a se firmar no cenário do MMA mundial.

RD: O que o Recife Fighting representa para você?

JA: Foi um evento muito importante para a minha carreira. Apesar de eu já ser conhecido aqui nos Estados Unidos há algum tempo, anotei mais duas vitórias no meu cartel. O RFC me tratou super bem! A partir dali, o promoter Daniel Cipó (proprietário da franquia) virou amigo da família. Sendo bem direto: foi um evento muito importante para o meu retorno ao UFC.

RD: Como andam os preparativos para a luta contra Ross Pearson?

JA: Estou muito focado nesse combate. Tenho treinador numa cidade chamada Colorado Springs, que fica a 2 mil metros de altitude. Isso torna os treinos ainda mais difíceis, mas sei que vai me ajudar bastante. Aqui, as coisas são muito profissionais.

RD: Acredita que uma nova vitória pode colocar você no card principal de algum UFC?

JA: Acredito que sim. Por isso, não penso em outra coisa, senão em vencer esse inglês. Aí, as coisas ficarão ainda melhores no ano que vem.