O último UFC de 2012: Cigano defende cinturão

Texto: Superesportes

O campeão dos pesos pesados Júnior “Cigano” dos Santos e o desafiante Cain Velásquez bateram o peso nesta sexta-feira e estão prontos para a revanche valendo o cinturão da categoria até 120kg. A luta acontecerá na noite deste sábado, na MGM Grand Arena, em Las Vegas, pela edição 155 do UFC. O evento começará às 22h e será transmitido pelo Canal Combate e a SporTV (card principal).

Júnior “Cigano” e Cain Velásquez dividiram a torcida presente na pesagem. Os dois foram aplaudidos e vaiados na mesma proporção. O primeiro a entrar no palco armado na MGM Grand Arena foi Velásquez. Norte-americano de ascendência mexicana, ele recebeu aplausos dos fãs de MMA dos EUA e do México. Contudo, nem mesmo a união dos torcedores desses países foi suficiente para calar as vaias dos brasileiros que estavam no local. O ex-campeão dos pesos pesados marcou 108,9kg na balança.

O atual dono do cinturão recebeu idêntico tratamento: aplausos e vaias. Júnior “Cigano” foi até a balança acompanhado por seu mestre Luíz Dórea, líder da Champion Team, e ficou apenas algumas gramas abaixo de Cain Velásquez: 108,5kg. Os dois lutadores protagonizaram uma encarada respeitosa após a pesagem e estão prontos para o combate.

Os demais atletas que lutarão no UFC 155 também bateram o peso sem problemas. Alguns deles se encararam de forma intensa como Melvin Guillard e Jamie Varner. O primeiro teve de ser contido pelo presidente Dana White, pois tentou se aproximar do seu adversário de forma voraz. Guillard ainda apontou o dedo na cara de Varner e o provocou com ofensas.

A pesagem do UFC 155 ainda teve dois lutadores que apareceram no palco com fantasias. Michael Johnson vestiu um chapéu extravagante e um óculos de boas-vindas ao ano de 2013. Erik Perez utilizou uma máscara típica dos atletas de luta livre mexicana e uma bandeira do país como capa.

Confira os resultados da pesagem para o UFC 155:

Card principal
Junior Cigano (108,5kg) x Cain Velásquez (108,9kg) – Peso pesado
Jim Miller (70,8kg) x Joe Lauzon (70,8kg) – Peso leve
Tim Boetsch (84,4kg) x Costa Phillipou (84,4kg) – Peso médio
Yushin Okami (83,5kg) x Alan Belcher (84,4kg) – Peso médio
Chris Leben (83,9kg) x Derek Brunson (83,9kg) – Peso médio

Card preliminar
Brad Pickett (61,7kg) x Eddie Wineland (61,2kg) – Peso galo
Erik Perez (61,7kg) x Byron Bloodworth (61,7kg) – Peso galo
Melvin Guillard (70,3kg) x Jamie Varner (70,3kg) – Peso leve
Michael Johnson (69,8kg) x Myles Jury (70,3kg) – Peso leve
Philip De Fries (111,1kg) x Todd Duffee (112,9kg) – Peso pesado
Leonard Garcia (66,2kg) x Max Holloway (65,8kg) – Peso pena
Chris Cariaso (56,7kg) x John Moraga (57,2kg) – Peso mosca

Cigano x Velasquez: a revanche se aproxima

Um dos confrontos mais esperados do ano no UFC será realizado no próximo dia 29. O brasileiro Junior Cigano dos Santos, campeão do peso-pesado e um dos atletas mais ágeis da categoria, se prepara para enfrentar Cain Velasquez, exímio atleta, só abatido pelo próprio dono do cinturão. Cigano vem de vitória contra Frank Mir e Velasquez de triunfo sobre Pezão. A revanche promete. Veja vídeo feito pelo UFC sobre a preparação do atleta brasileiro.

Junior Cigano na galeria de craques do MMA da Nike

A gigante do segmento de material esportivo do mundo fisgou mais um atleta na galeria de campeões do Ultimate Fighting Championship. Depois de fechar patrocínio com Anderson Silva, o campeão dos médios e considerado o maior atleta de MMA em atividade, e o novo talento do esporte, o campeão dos meio-pesados, Jon Jones, a empresa anunciou o apoio ao brasileiro Junior Cigano dos Santos, detentor do cinturão dos pesados da franquia. O suporte financeiro e a retaguarda de imagem proporcionada pela multinacional acolhem o lutador no seleto clube seleto de atletas de modalidades esportivas distintas, tais como Kobe Bryant, no basquete, Manny Pacquiao, no boxe, e Ronaldo Fenômeno, no futebol.

Jon Jones fecha com a Nike

Os termos do anúncio distribuídos à imprensa se derretem em elogios ao brasileiro: “É um atleta de alto nível. Contar com ele no time da Nike é uma honra”, assinala o diretor de Sports Marketing da empresa no Brasil. Cigano, iniciante tardio no MMA, chegou ao topo da carreira depois de destroçar feras do ringue, como Shane Carwin, Roy Nelson e o temível Cain Velásquez. A vitória sobre Frank Mir, no UFC 146, encerrou os desafios de risco no patamar do campeão e o reconduziu a uma revanche contra Velásquez, ex-dono do cinturão da categoria mais barra pesada do torneio.

O brasileiro se destaca no octógono pelo estilo incomum a um peso-pesado: move-se com agilidade, domina técnicas em pé e no chão, além de possuir uma técnica de boxe afiada. É uma aquisição incontestável para a galeria de craques de MMA formada aos poucos pela Nike.

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Está na hora de rankear, Dana White?

Dana: o mandachuva organiza os combates

O UFC rechaça rankings. O presidente da franquia, Dana White, prefere valorizar a capacidade de casar boas lutas e fazer a engrenagem do lucro e do showbiz girar ao sabor do momento. Ignora projeções e comete até atrocidades como a definição do combate entre Jon Jones e Chael Sonnen em abril do próximo ano – quando o norte-americano falastrão sequer conseguiu vencer uma luta na categoria dos meio-pesados dentro do próprio Ultimate.

A estratégia deu certo durante o amadurecimento da franquia: era necessário abrir espaço no mercado, e a definição de lutas com base na sensibilidade da preferência do público e de empresários tornou-se vital. Mas o esporte se consolidou, incorporou novos atletas, ganhou os olhos do mundo e, agora, exige a contrapartida da profissionalização dos duelos para existir como uma prática justa diante de quem o acompanha.

Outros torneios, como o Bellator (principal concorrente hoje do UFC) e o Jungle Fight (o maior da América Latina), por exemplo, ensaiam o encadeamento de lutas para escolher os lutadores aptos a disputar um cinturão. As edições funcionam como etapas eliminatórias para credenciar os atletas diante de novos desafios. É mais justo com o público e estabelece um critério esportivo para o MMA.

A divulgação de rankings elaborados por revistas e sites especializados alimenta a cobrança contra o UFC. O mais bem construído – divulgado pelo USA Today mensalmente – demonstra como o Ultimate atropela o desempenho recente dos lutadores e ignora a possibilidade de colocar os melhores para duelar (veja abaixo, com atletas de outras franquias).

Entre os pesados, Junior Cigano dos Santos, o campeão, vai enfrentar Cain Velásquez. Mas é cotado para o confronto com Alistair Overeem, punido por doping. O brasileiro é o primeiro, enquanto o holandês está na nona posição. Faz sentido? No meio-pesado, Jon Jones, o primeiro, entra no octógono contra Chael Sonnen, sequer classificado na categoria. O desafiante aparece como o quarto dos médios. Anderson Silva, líder do peso até 84 quilos, se esquiva de enfrentar os Chris Weidmann e Michael Bisping, os dois mais bem colocados no ranking…

A fórmula do cruzamento imediato dentro da lista pode nem ser a solução para o Ultimate. Mas é urgente a definição de critérios mais rigorosos. A preferência de olho no lucro e no showbiz, antes fundamental para a consolidação da franquia, pode começar a atrapalhar daqui por diante.

RANKING

PESO-PESADO (93 a 120kg) (extraído do blog Por Dentro da Arena)

1 Junior dos Santos 175 UFC 1
2 Cain Velasquez 168 UFC 2
3 Daniel Cormier 155 Strikeforce 3
4 Fabricio Werdum 150 UFC 5
5 Frank Mir 141 UFC 6
6 Josh Barnett 129 Strikeforce 8
7 Antonio Silva 127 UFC 9
8 Antonio Rodrigo Nogueira 125 UFC 7

9 Alistair Overeem 130 UFC 4
10 Stefan Struve 98 UFC 13
11 Roy Nelson 75 UFC 12
12 Travis Browne 70 UFC 10
13 Mark Hunt 69 UFC 11
14 Mike Russow 61 UFC 14
15 Ben Rothwell 64 UFC 16
16 Cheick Kongo 61 UFC 15
17 Damian Grabowski 60 Bellator 21
18 Sergei Kharitonov 57 Russian MMA Champ. 17
19 Gabriel Gonzaga 52 UFC 24
20 Brendan Schaub 49 UFC 19
21 Kenny Garner 48 M-1 Mix-FC 25
22 Stipe Miocic 47 UFC 18
23 Matt Mitrione 43 UFC 22
24 D.J. Linderman 44 WSOF 28
25 Thiago Santos 40 Bellator NR

MEIO-PESADO (93kg)

1 Jon Jones 150 UFC 1
2 Dan Henderson 143 UFC 2
3 Rashad Evans 135 UFC 3
4 Lyoto Machida 132 UFC 4
5 Mauricio Rua 130 UFC 5

6 Phil Davis 112 UFC 6
6 Alexander Gustafsson 112 UFC 7
8 Ryan Bader 107 UFC 8
9 Quinton Jackson 82 UFC 9
10 Antonio Rogerio Nogueira 74 UFC 10
11 Gegard Mousasi 61 Strikeforce 12
12 Glover Teixeira 60 UFC 15
13 Forrest Griffin 58 UFC 11
14 Muhammed Lawal 51 Bellator 13
15 Ryan Jimmo 46 UFC 17
16 Rafael Cavalcante 45 Strikeforce 14
17 Renato Sobral 43 OneFC 21

18 Anthony Johnson 40 WSOF 24
19 Vitor Belfort 39 UFC 19
20 James Te Huna 38 UFC 18
21 Attila Vegh 36 Bellator 24
22 Matt Hamill 35 UFC 28
23 Thales Leites 31 Amazon Forest Combat 30
24 Thiago Silva 30 UFC 16

25 Brandon Vera 28 UFC 23
25 Jan Blachowicz 28 KSW 31

MÉDIOS (84kg)

1 Anderson Silva 150 UFC 1
2 Chris Weidman 140 UFC 2
3 Michael Bisping 129 UFC 4
4 Chael Sonnen 127 UFC 3
5 Tim Boetsch 123 UFC 5
6 Luke Rockhold 120 Strikeforce 6
7 Mark Munoz 106 UFC 7
8 Yushin Okami 97 UFC 8
8 Alan Belcher 97 UFC 9
10 Brian Stann 77 UFC 11
11 Jake Shields 74 UFC 12
12 Ronaldo Souza 73 Strikeforce 10
13 Rich Franklin 69 UFC 14
14 Hector Lombard 67 UFC 13
15 Mamed Khalidov 56 KSW 17
16 Tim Kennedy 54 Strikeforce 15
17 Chris Leben 51 UFC 16
18 Roger Gracie 50 Strikeforce 24
19 Alexander Shlemenko 46 League S-70 20
20 Jorge Santiago 45 Titan Fighting 21
21 Wanderlei Silva 44 UFC 19
22 Rousimar Palhares 43 UFC 18

22 Lorenz Larkin 43 Strikeforce 22
24 Constantinos Philippou 41 UFC 23
25 Robbie Lawler 37 Strikeforce 27

MEIO MÉDIOS (77kg)

1 Carlos Condit 147 UFC 1
2 Martin Kampmann 138 UFC 3
3 Johny Hendricks 135 UFC 2
4 Jake Ellenberger 122 UFC 5
5 Nick Diaz 120 UFC 4
6 Josh Koscheck 116 UFC 6
7 Jon Fitch 114 UFC 7
8 Nate Marquardt 105 Strikeforce 8
9 Rory MacDonald 91 UFC 9
10 Ben Askren 85 Bellator 10
11 Diego Sanchez 61 UFC 12
12 Siyar Bahadurzada 59 UFC 13
13 Demian Maia 59 UFC 14
14 B.J. Penn 58 UFC 11
15 Mike Pierce 50 UFC 22
16 Mike Pyle 44 UFC 17
17 Tyron Woodley 39 Strikeforce 18
17 Jay Hieron 39 UFC 19
19 James Head 33 UFC 23
20 Brian Ebersole 32 UFC 24
21 John Hathaway 31 UFC 29
22 Erick Silva 30 UFC 20
23 Jordan Mein 29 Score Fighting Series 27
24 Kyle Noke 29 UFC 28
25 Douglas Lima 28 Bellator 31

LEVES (70kg)

1 Ben Henderson 150 UFC 1
2 Frankie Edgar 144 UFC 4
3 Gilbert Melendez 136 Strikeforce 2
4 Gray Maynard 131 UFC 3
5 Nate Diaz 127 UFC 5
6 Anthony Pettis 110 UFC 7
7 Donald Cerrone 109 UFC 9
8 Michael Chandler 106 Bellator 6
9 Clay Guida 105 UFC 7
10 Eddie Alvarez 82 Free Agent 11
11 Jim Miller 74 UFC 10
12 T.J. Grant 55 UFC 16
13 Pat Healy 49 Strikeforce 21
14 Rick Hawn 48 Bellator 18
15 Joe Lauzon 47 UFC 14
16 Matt Wiman 45 UFC 24
17 Josh Thomson 43 Strikeforce 13
18 Khabib Nurmagomedov 41 UFC 15
19 Mark Bocek 38 UFC 22
20 Shinya Aoki 36 One FC 12
21 Jadamba Narantungalag 30 Legend FC 27
21 Michael Johnson 30 UFC NR
23 Melvin Guillard 29 UFC 17
24 Evan Dunham 28 UFC 25
24 Antonio McKee 28 EFWC 29

PENAS (66kg)

1 Jose Aldo 150 UFC 1
2 Chad Mendes 136 UFC 3
3 Pat Curran 135 Bellator 2
4 Ricardo Lamas 123 UFC 4
5 Chan Sung Jung 118 UFC 6
6 Hatsu Hioki 110 UFC 5
7 Erik Koch 109 UFC 8
8 Dennis Siver 108 UFC 7
9 Diego Nunes 87 UFC 10
10 Dustin Poirier 86 UFC 9
11 Cub Swanson 75 UFC 11
12 Tatsuya Kawajiri 67 One FC 13
13 Daniel Straus 66 Bellator 12
14 Hacran Dias 53 UFC 20
15 Robert Peralta 53 UFC 17
16 Hiroyuki Takaya 49 DREAM 14
17 Marlon Sandro 46 Bellator 15
18 Manny Gamburyan 44 UFC 18
19 Nik Lentz 42 UFC 27
20 Bart Palaszewski 39 UFC 16
21 Tyson Griffin 37 Resurrection Fight Alliance 19
21 Mike Brown 37 UFC 24
23 Charles Oliveira 36 UFC 28
24 Darren Elkins 34 UFC 20
25 Yuri Alcantara 30 UFC 29

GALOS (61kg)

1 Dominick Cruz 150 UFC 1
2 Renan Barao 144 UFC 2
3 Urijah Faber 136 UFC 3
4 Michael McDonald 129 UFC 4
5 Brian Bowles 120 UFC 4
6 Brad Pickett 110 UFC 7
7 Eddie Wineland 108 UFC 6
8 Bibiano Fernandes 106 One FC 8
9 Eduardo Dantas 76 Shooto Americas 9

10 Scott Jorgensen 65 UFC 10
11 Mike Easton 63 UFC 18
12 Marcos Galvao 57 Bellator 12
13 Raphael Assuncao 56 UFC 16

14 Tyson Nam 55 Shooto Americas 13
15 Miguel Torres 52 WSOF 11
16 Luis Alberto Nogueira 46 Bellator 14
17 Zach Makovsky 44 Bellator 21
18 Alexis Vila 41 Bellator 17
18 Chase Beebe 41 Bellator NR
20 Ivan Menjivar 37 UFC 23
20 Ian Loveland 37 Tachi Palace Fights 28
22 Masakatsu Ueda 36 One FC 20
23 Takeya Mizugaki 33 UFC 14
23 Bryan Caraway 33 UFC 31
25 Yoshiro Maeda 32 DEEP 25

MOSCAS (até 57kg)

1 Demetrious Johnson 125 UFC 1
2 Joseph Benavidez 118 UFC 2
3 Ian McCall 112 UFC 3
4 John Dodson 109 UFC 6
5 Jussier da Silva 99 UFC 4

6 Yasuhiro Urushitani 90 UFC 5
7 Chris Cariaso 85 UFC 7
8 John Moraga 77 UFC 9
9 Darrell Montague 69 Vale Tudo Japan 8
10 Louis Gaudinot 68 UFC 10
11 Joshua Sampo 57 Legacy Promotions 13
11 Darren Uyenoyama 57 UFC NR
13 Antonio Banuelos 51 Legacy Promotions 15
14 Will Campuzano 45 Legacy Promotions 17
15 Mamoru Yamaguchi 42 Vale Tudo Japan 11
16 Shinichi Kojima 39 Shooto 12
17 Sean Santella 33 Cage Fury FC 19
18 Rambaa Somdet 32 Grabaka 16
19 Kentaro Watanabe 31 Shooto NR
20 Giorgio Andrews 29 Ultimate Chal. UK 21
21 Johnathan Mackles 28 Renaissance MMA 29
22 Nam Jin Jo 27 Shooto 23
22 Tim Elliott 27 UFC 24
24 Kris Edwards 26 CageWarriors 25
25 Mitsuhisa Sunabe 24 Pancrase 18
25 John Lineker 24 UFC 26

Cigano critica UFC por preferir lutas que deem lucro

Brasileiro condenou chance dada a Overeem para enfrentá-lo

O doping impediu o holandês Alistair Overeem de disputar o título dos pesos-pesados do UFC contra o brasileiro Junior Cigano dos Santos, em maio deste ano. O teste feito pela comissão atlética apontou excesso de testosterona – mesmo motivo pelo qual o norte-americano Chael Sonnen acabou punido, depois do primeiro duelo contra Anderson Silva, e liberado, para fazer a segunda batalha. O desafiante ficou de molho e deve retornar ao octógono em breve. Contra quem? Justamente o dono do cinturão da categoria mais robusta do torneio. O brasileiro ficou irritado com o privilégio concedido pela franquia ao atleta punido por condição irregular. E criticou abertamente a predileção por lutadores com potencial de vender as lutas – recentemente, o Ultimate decidiu colocar Jon Jones contra Sonnen no TUF 17.

“É meio fora de sentido. Hoje em dia, o UFC está priorizando as lutas que vendem. O principal exemplo disso foi o Chael Sonnen, que vendeu muito bem sua luta, e o Overeem seguiu o mesmo caminho. Mas, por mim, vamos nessa. Não fujo de desafio nenhum, sei que posso ganhar de qualquer um que seja. Venha quem vier, vou fazer meu melhor para sair com a vitória no octógono”, afirmou Cigano, em declaração reproduzida pelo site do SporTV. O brasileiro faz revanche contra Cain Velásquez no fim do ano para defender o cinturão.

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Overeem: entre passado e futuro

Punido por doping, holandês luta contra o tempo para retornar ao octógono

O ringue é passado de lembranças ou futuro de esperança para Alistair Overeem: o presente lhe foi subtraído por culpa de um resultado positivo no teste antidoping. A reprovação no exame médico nocauteou a oportunidade de o atleta roubar o cinturão do campeão brasileiro dos pesados do UFC, Junior Cigano dos Santos, e o confinou à geladeira da franquia até o fim da suspensão, em dezembro deste ano. O castigo congelou socos e pontapés. Mas aqueceu a língua: longe do octógono, o holandês golpeia os adversários com palavras e se sente à vontade para opinar sobre combates de colegas de profissão.

O ataque mais feroz mirou o dono do cinturão. Overeem chamou Cigano de medroso. “Sei que tem medo de lutar comigo. Ele sabe que sou a maior ameaça que existe ao seu cinturão. Sabe que, quando lutar comigo, não terá para onde correr. Vai bater e sair, ou vai levar a luta para o chão. De qualquer forma, vai deixar o octógono com uma derrota”, garantiu. Cigano havia classificado o adversário, ex-campeão do Strikeforce, de trapaceiro. A troca de farpas  fermenta o marketing em torno do encontro dos dois dentro do octógono. Cigano deve enfrentar, primeiro, Cain Velasquez. Se vencer, dá de cara com Alistair.

O lutador holandês também palpitou sobre a possibilidade de Anderson Silva, campeão dos médios, enfrentar Jon Jones, o melhor entre os meio-pesados. Ao site Bloody Elbow, externou a vontade de vê-los se confrontar. Mas considerou a possibilidade remota porque o norte-americano (Jones) seria contra enfrentar o brasileiro. “Eu conversei com ele, que falou: ‘Não, eu não quero lutar contra ele porque é meu mentor’”, narrou Overeem. “Mas eu gostaria de ver esas luta”, observou o holandês.

Alistair Overeem combina com experiência e habilidade no MMA. Atuou no Pride e em outros eventos internacionais, como o Dream, antes de chegar ao UFC. Enfrentou lendas do esporte, como Minotauro e Vitor Belfort, e acumulou 36 vitórias em 48 combates. Tornou-se supremo no Dream, no K-1 World e no Strikeforce. Ambicionou o título mais cobiçado das artes marciais mistas da atualidade: o cinturão dos pesados do UFC. A súbita derrota para o doping interrompeu a jornada. Amordaçou golpes e silenciou expectativas. Mas nunca calou o desejo de ser campeão. O lutador sem presente hoje treina com as palavras para nocautear o tempo. Aos desconfiados do futuro, avisa: o passado de glórias é eloquente.

UFC 146: Cigano dá início a uma nova era entre os pesados

Brasileiro vence Frank Mir, mantém o cinturão e não vê adversários à altura pela frente

 

Por Celso Ishigami e Tiago Barbosa

Era de Cain Velasquez. Nem durou uma noite. Um soco e nocaute. Caiu no colo de Junior Cigano dos Santos. Era sinal do acaso. Sorte lançada. Resistiria a um teste? Veio Frank Mir. Palavras, empáfia, menosprezo. Vieram socos. Muitos. O linguarudo cambaleou. Caiu. Sumiu. Era desafiante. Virou passado. E Cigano deu início a seu reinado no UFC. Manteve-se campeão dos pesados. Incontestável. A vitória na edição 146 lhe propiciou uma nova era.

O último campeão do UFC a manter o cinturão em uma defesa foi Brock Lesnar, em 2008, após conquistá-lo com uma vitória sobre Randy Couture. Depois, ele perdeu o título para Velasquez – derrotado por Cigano. O panorama dos lutadores dos pesos-pesados sugere a supremacia do brasileiro por longo tempo. Ele venceu os concorrentes diretos ao cinturão – Velasquez, Frank Mir e Roy Nelson. Brock e Couture estão aposentandos – embora Dana White tenha deixado escapar, na coletiva de imprensa pós o 146, a vontade de conversar com Lesnar para demovê-lo da ideia.

A vitória de Cigano também vinga a derrota do companheiro Rodrigo Minotauro. A lenda sucumbiu duas vezes diante de Mir. A derrota mais recente lhe rendeu um braço quebrado depois de uma finalização no fim do ano passado. Curiosamente, Junior Cigano serviu como revanche para Minotauro pela segunda vez: ele também sobrepujou Cain Velasquez, de quem o amigo tinha perdido.

Sem adversários à altura, Dana White considera a possibilidade de proporcionar uma revanche a Velasquez – que derrotou, na edição deste sábado, o brasileiro Pezão, escalado de última hora para desafiar o ex-campeão. A outra possibilidade seria trazer novamente ao octógono Brock Lesnar ou mesmo recorrer a lutadores de fora do UFC – os fãs sempre torcem para o mito Fedor Emelianenko ser lembrado neste momento. Até lá, o Ultimate vive a era Cigano na categoria.

O UFC 146

A manutenção do título de Cigano veio depois de uma apresentação irretocável em Las Vegas. O brasileiro subiu no ringue consciente da estratégia de Frank Mir de levá-lo ao chão. Agiu com destreza e conseguiu escapar das tentativas do oponente. À distância, emendou sequências de golpes e só foi impedido pelo gongo de nocautear o adversário no primeiro round. O campeão manteve a tática no segundo assalto e, após desferir um soco direto na cara de Mir, conseguiu fazê-lo cair pela terceira vez. O desafiante deu as costas e tentou se proteger. Em um movimento desesperado, buscou o braço de Cigano. Mas o dono do cinturão se esquivou e se pôs de pé. Mir, bastante abalado, caiu de costas e ainda levou o derradeiro soco.

Em entrevista, ele evitou insistir na tese de vingar Minotauro: “Eu me sinto sensacional. É uma sensação maravilhosa. Minotauro é um tremendo lutador, e Mir é um ótimo lutador. Essa luta é entre eles. Eu vim aqui para defender o meu título, e fiz isso. Me surpreendeu o quanto ele consegue aguentar. Quero agradecer à galera de Salvador e de Caçador! Também quero agradecer ao meu amigo Breno, que veio aqui comigo. Essas pessoas passam por tantas dificuldades que merecem ter um momento de alegria”, observou (declaração publicada no SporTV).

BRASILEIROS

Os outros brasileiros do UFC 146 perderam os combates da noite. A revelação Edzon Barboza, cujo chute o consagrou no UFC Rio II, foi nocauteado por Jamie Varner ainda no primeiro round. O brasileiro chegou a esboçar uma revolta com o árbitro por ter interrompido a luta. Mas se acalmou e acolheu a decisão.

Diego Brandão perdeu na decisão dos juízes. Ele começou de forma explosiva e chegou a dominar o primeiro round. Mas acabou engolido por Darren Elkins. O oponente venceu os dois assaltos seguintes e mereceu a vitória.
A derrota mais violenta dos brasileiros foi a de Antônio Pezão. Escalado de última hora para substituir Frank Mir no combate contra o ex-campeão Cain Velasquez, ele perdeu a concentração depois de sofrer um corte acima do olho em uma cotovelada. O atleta ficou no chão, com os olhos cobertos pelo sangue. O árbitro chegou a interromper a luta para atendimento médico. Mas, ao retornar, acabou vencido pelos socos de Velasquez.

Confira os resultados da noite:

Junior Cigano venceu Frank Mir por nocaute técnico aos 3m04s do segundo round
Cain Velásquez venceu Antônio Pezão por nocaute técnico aos 3m36s do primeiro round
Roy Nelson venceu Dave Herman por nocaute aos 51s do primeiro round
Stipe Miocic venceu Shane del Rosario por nocaute técnico aos 3m14s do segundo round
Stefan Struve venceu Lavar Johnson por finalização a 1m05s do primeiro round
Darren Elkins venceu Diego Brandão por decisão unânime dos juízes
Jamie Varner venceu Edson Barboza por nocaute técnico aos 3m23s do primeiro round
C.B. Dollaway venceu Jason “Mayhem” Miller por decisão unânime dos juízes
Dan Hardy venceu Duane Ludwig por nocaute aos 3m51s do primeiro round
Paul Sass venceu Jacob Volkmann por finalização a 1m54s do primeiro round
Glover Teixeira venceu Kyle Kingsbury por finalização a 1m53s do primeiro round
Mike Brown venceu Daniel Pineda por decisão unânime dos juízes

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Nos primórdios do UFC, uma questão incomodava os organizadores do torneio: como prever a duração das lutas para torná-las um pacote atraente às grades das emissoras de televisão? Os combates intermináveis das primeiras edições eram vistos – no prisma do marketing – como obstáculos à popularização das artes marciais mistas pelas telinhas. A preferência pela dinâmica natural dos duelos – até a desistência, finalização ou nocaute – somou-se ao preconceito contra o esporte, apontado como bárbaro,  e atrasou bastante a veiculação na TV aberta.

A compra da marca pela Zuffa, há mais de uma década, serviu como primeiro passo para profissionalização do MMA. A definição de regras, a preocupação com a integridade física dos atletas, a necessidade de satisfazer os espectadores e, principalmente, a limitação do tempo dos combates alçaram o UFC a outro patamar. A partir de então, os empresários do business televisivo passaram a enxergar o esporte como uma prática violenta, sim, mas com normas capazes de garantir o bom combate – como no boxe – e possível de ser incluída na programação. A TV paga saiu na frente e, durante um bom período, monopolizou as transmissões.

Nos Estados Unidos, onde o esporte se consagrou primeiro, a gigante FOX cresceu o olho e deu o salto necessário para qualificar ainda mais as artes marciais mistas. Depois de fechar contrato milionário com os donos do UFC, passou a transmitir os torneios, equipou a marca com a logo da emissora e abriu os lares norte-americanos para a prática. Deu respeito a uma atividade preparada para ser respeitada.

O caminho parecia ser o mesmo no Brasil. A Rede TV largou na dianteira e, como pôde, arriscou as transmissões. O sucesso estrondoso, lógico, atraiu a cobiça das maiores redes da televisão brasileira. Band, Record e Globo duelaram pelos direitos de transmissão – competição alavancada com o show de audiência obtido no primeiro UFC Rio, no ano passado. A Globo venceu a peleja. Modelo de transmissão, calejada por anos de boxe, parecia a guarida acolhedora ao esporte. Ledo engano.

O TUF Brasil rapidamente elevou os níveis de audiência e pautou os telespectadores. Apresentou os lutadores, a intimidade dos treinamentos, a humanidade de quem aparentemente era apenas um “bárbaro” dentro de um octógono. Em suma, revelou o caráter profissional por trás dos combates. O programa, junto aos diretos exclusivos de transmissão, flertava com a expansão rápida do MMA e a aposta da emissora em levar o esporte ao topo das transmissões. Exatamente como ocorreu com nos EUA, quando os reality shows popularizaram o UFC.

Mas o tropeço na noite deste sábado, com o desrespeito ao horário de transmissão da luta entre Junior Cigano dos Santos e Frank Mir, mostrou o quanto a emissora falhou na hora de prestigiar o MMA. Sem contar no erro diante de um Brasil cujo hábito de assistir às lutas se torna cada vez mais frequente. É um retrocesso. A Globo preferiu manter a transmissão de um filme e ignorou a própria propaganda na qual prometia passar o UFC 146 ao vivo. Como se não bastasse deixar de lado o card com mais três brasileiros relacionados. Vale lembrar: a emissora é uma concessão pública – deve, assim, ainda mais respeito aos telespectadores.

É impossível dimensionar como a falha implica na relação MMA x Globo x fãs. O menosprezo à atração – sediada em um dos maiores cassinos de Las Vegas – sugere uma falta de preocupação da TV até mesmo com o esporte. Se o UFC ou as artes marciais mistas dependerem da transmissão para conquistar a atenção e os corações do público, é melhor mudarem de estratégia. A emissora deu as costas ao esporte na madrugada deste sábado. Quanto aos telespectadores ansiosos para experimentar a sensação de ver uma luta de MMA na TV aberta, uma triste constatação. O recado dado pela exibição de um VT é um presente amargo para tapar o desejo de provar da prática. Ou, como resumem bem os tweets críticos à emissora, deu #globofail. O preço do desrespeito é a perda de credibilidade.

*o vídeo acima, com a chamada para a transmissão, parece um deboche.

O caminho de Cigano até o cinturão

Está chegando a hora. No sábado, o brasileiro Júnior “Cigano” dos Santos tentará defender pela primeira vez o cinturão dos Pesados do UFC. E o desafiante ao título será o norte-americano Frank Mir.

Mas há muita coisa além do título em disputa. Num contexto geral, o combate representa mais um capítulo da disputa entre Brasil e Estados Unidos pela hegemonia do MMA.

Individualmente, Cigano terá a oportunidade de vingar seu mentor e amigo Rodrigo Minotauro, que em dezembro teve o braço quebrado por Mir na revanche entre os dois. Antes, Minotauro já havia sido nocauteado pelo norte-americano.

Além de tudo, há muito tempo a categoria dos Pesados do UFC não vivia um momento tão bom. Pra falar a verdade, era o grande calo da franquia, que fez de tudo para montar uma relação de lutadores que mexesse com o público.

Para chegar ao topo, Cigano atropelou vários adversários. A maioria deles, por nocaute. E o UFC produziu um vídeo que conta um pouco da trajetória do brasileiro até o topo da categoria. Vale a pena conferir.

Parte 1

 

Parte 2

Cigano nem lutou, mas já marcou a festa

Lutador conclamou fãs e amigos para noitada no sábado após encarar Frank Mir

O brasileiro Junior Cigano dos Santos encara um dos maiores desafios da carreira no próximo sábado, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Defende o cinturão dos pesos-pesados do UFC diante do perigoso Frank Mir, atleta do torneio há cerca de 10 anos. O lutador foca na luta. Estuda cada movimento no octógono. Só pensa no adversário. Certo? Nem tanto assim. A dois dias do desafio, o campeão abre espaço no treinamento para falar de festa. Exatamente. Festa. Pelo Twitter, um aviso aos amigos e fãs: o lugar da comemoração depois do combate já está definido. Será no Chateau Nightclub & Gardens, do Bazaar  Under The Eiffel Tower. O banner promocional do dia dedicado ao competidor já faz parte do cronograma de eventos da boate (foto).

“Minha festa neste sábado depois de eu defender meu título será no Chateau”, postou Cigano no microblog. A noite agendada, diz o site da boate, será especial com o evento Bad Boy Bill. O otimismo do brasileiro, no entanto, precisa respeitar o passado do oponente. O último atleta a menosprezar a capacidade de Frank Mir no octógono – o lutador Rodrigo Minotauro – saiu do ringue direto para o hospital. Ele teve o braço quebrado em uma chave aplicada pelo adversário quando estava a poucos socos da vitória.

Ao lado, a boate em "noites normais"

A reviravolta do ano passado surpreendeu fãs, amigos, admiradores e até mesmo o presidente do UFC, Dana White. À época, ele deu diversas declarações ácidas sobre a hesitação de Big Nog em encerrar o combate. E até hoje sente dificuldade em entender o desfecho do duelo. A prudência recomenda a Cigano focar somente na luta. Encarar com serenidade o desafiante, conservar o espírito de campeão e fazer o jogo cujo retrospecto lhe conduziu ao título da categoria. A concentração pode premiá-lo com mais uma vitória e dar início a uma era como detentor do cinturão. Aí, sim, haverá motivo – redobrado – para festas intermináveis.