Cigano critica UFC por preferir lutas que deem lucro

Brasileiro condenou chance dada a Overeem para enfrentá-lo

O doping impediu o holandês Alistair Overeem de disputar o título dos pesos-pesados do UFC contra o brasileiro Junior Cigano dos Santos, em maio deste ano. O teste feito pela comissão atlética apontou excesso de testosterona – mesmo motivo pelo qual o norte-americano Chael Sonnen acabou punido, depois do primeiro duelo contra Anderson Silva, e liberado, para fazer a segunda batalha. O desafiante ficou de molho e deve retornar ao octógono em breve. Contra quem? Justamente o dono do cinturão da categoria mais robusta do torneio. O brasileiro ficou irritado com o privilégio concedido pela franquia ao atleta punido por condição irregular. E criticou abertamente a predileção por lutadores com potencial de vender as lutas – recentemente, o Ultimate decidiu colocar Jon Jones contra Sonnen no TUF 17.

“É meio fora de sentido. Hoje em dia, o UFC está priorizando as lutas que vendem. O principal exemplo disso foi o Chael Sonnen, que vendeu muito bem sua luta, e o Overeem seguiu o mesmo caminho. Mas, por mim, vamos nessa. Não fujo de desafio nenhum, sei que posso ganhar de qualquer um que seja. Venha quem vier, vou fazer meu melhor para sair com a vitória no octógono”, afirmou Cigano, em declaração reproduzida pelo site do SporTV. O brasileiro faz revanche contra Cain Velásquez no fim do ano para defender o cinturão.

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Os números ($) do UFC 148 em Las Vegas

Franquia espera gerar 140 milhões de dólares durante passagem do torneio

A alcunha de luta do século não é à toa. Dentro e fora do octógono. Sobre o ringue, Anderson Silva reencontra o adversário mais habilitado a derrubá-lo desde a conquista do cinturão. No entorno das grades da jaula mais conhecida do MMA, a batalha é pelo lucro. E os números prospectados pelo Ultimate dimensionam a força do evento para quebrar recordes de arrecadação e impacto financeiro na cidade-sede. Vejam alguns:

>> O UFC espera a movimentação financeira de 140 milhões (330 milhões de reais) de dólares durante a semana do evento e o dia das lutas. Em torneios do mesmo porte realizados em Las Vegas, o montante só chegou a 51 milhões (100 milhões de reais)

>> Os pacotes para ter acesso à exposição do UFC Fan variam de 45 dólares (100 reais) a cerca de 2,5 mil dólares (quase cinco mil reais). A diferença está na hospedagem. O mais caro – VIP, claro – inclui dois dias de hospedagem no Mandala Bay. Ano passado, evento arrecadou 93 milhões (180 milhões de reais)

>> O UFC espera receber cerca de 60 mil turistas durante os dias de evento. 40% seriam de fora de fora do estado onde são realizadas as lutas. Entre 5% e 10%, contingente internacional. Em 2011, foram 46 mil visitantes

>> Estudo do UFC aponta o visitante como uma pessoa com ida duas vezes por ano a Las Vegas. Tem uma renda de quase três mil reais e deixa nas mesas de jogo aproximadamente mil. 42% ganhariam pouco mais de 200 mil reais ao ano

Quem lucra mais: uma noite de UFC ou um jogo de futebol?

É inegável a popularidade conquistada pelo UFC: os eventos são transmitidos para mais de 145 países, os ingressos das lutas se esgotam em minutos e as cotas de patrocínio se multiplicam a cada torneio. Os lutadores viraram celebridades. Peregrinam por programas televisivos, dão autógrafos, estrelam campanhas publicitárias. O lucro vem a reboque: cachês altos, direitos de transmissão disputados, contratos mais longos. No país do futebol, no entanto, a melhor forma de traduzir o crescimento do MMA é a comparação com o poder da bola de gerar dinheiro. E, nesse campo, vale dizer, a luta já tem vitórias para celebrar.

O saldo de uma noite de combates ganha fácil da receita gerada na partida com mais torcedores em uma rodada de futebol do Campeonato Brasileiro da Série A. O UFC 135, realizado no sábado passado, em Denver, nos Estados Unidos, por exemplo, atraiu 16,3 mil pessoas ao ginásio onde o evento ocorreu. O montante arrecadado com a venda de ingressos chegou à marca de dois milhões e oitenta e nove mil dólares (mais de 3,7 milhões de reais), segundo o site MMA Frenzy.

O jogo do Brasileirão da Série A de 2011 com melhor saldo na bilheteria  atingiu menos da metade: 1,5 milhão de reais no confronto entre São Paulo e Atlético (MG), no Morumbi. A partida teve o maior público do campeonato (60 mil pagantes) e celebrou o milésimo jogo do goleiro Rogério Ceni com a camisa do tricolor paulista. Se a comparação for feita com a média de arrecadação dos embates da Série A, a diferença se torna ainda mais gritante: o site da CBF anota uma receita de 283 mil reais – é quase 13 vezes a menos que o torneio de Denver.

O cálculo dos lucros ignora despesas e ganhos conseguidos com patrocínio e cotas de televisão. Estima-se que em apenas uma noite de luta o UFC consiga movimentar mais de 70 milhões de reais – nos ginásios onde os combates são realizados, há uma infinidade de produtos da marca à venda: de bonecos a camisas com imagens dos lutadores.

E a tendência é de fluxo maior no caixa. O UFC fechou contrato com a emissora FOX – gigante do mercado norte-americano – para transmissão dos duelos em televisão aberta. No Brasil, o presidente da marca, Dana White, deu carta branca aos atletas para negociar uso da imagem com clubes de futebol. Uma forma de ampliar a visibilidade do esporte e torná-lo ainda mais popular junto aos torcedores. Anderson Silva é do Corinthians. Rodrigo Minotauro, do Internacional. Dos clubes, eles lucram com o direito de imagem. Ao MMA, dão a valiosa contribuição de atrair audiência para o esporte.

É utópica a possibilidade de o MMA fazer frente ao futebol no Brasil. A bola é o esporte número um do país e reina absoluta entre as demais modalidades. Mas os números obtidos por torneios como o UFC deixam patente uma tendência na terra da seleção canarinha: a luta entrou em campo e nem de longe quer ser derrotada. As cifras geradas pelos eventos e o terreno fértil da audiência garantem a continuidade dos rounds pela conquista dos fãs.