
É inegável a popularidade conquistada pelo UFC: os eventos são transmitidos para mais de 145 países, os ingressos das lutas se esgotam em minutos e as cotas de patrocínio se multiplicam a cada torneio. Os lutadores viraram celebridades. Peregrinam por programas televisivos, dão autógrafos, estrelam campanhas publicitárias. O lucro vem a reboque: cachês altos, direitos de transmissão disputados, contratos mais longos. No país do futebol, no entanto, a melhor forma de traduzir o crescimento do MMA é a comparação com o poder da bola de gerar dinheiro. E, nesse campo, vale dizer, a luta já tem vitórias para celebrar.
O saldo de uma noite de combates ganha fácil da receita gerada na partida com mais torcedores em uma rodada de futebol do Campeonato Brasileiro da Série A. O UFC 135, realizado no sábado passado, em Denver, nos Estados Unidos, por exemplo, atraiu 16,3 mil pessoas ao ginásio onde o evento ocorreu. O montante arrecadado com a venda de ingressos chegou à marca de dois milhões e oitenta e nove mil dólares (mais de 3,7 milhões de reais), segundo o site MMA Frenzy.
O jogo do Brasileirão da Série A de 2011 com melhor saldo na bilheteria atingiu menos da metade: 1,5 milhão de reais no confronto entre São Paulo e Atlético (MG), no Morumbi. A partida teve o maior público do campeonato (60 mil pagantes) e celebrou o milésimo jogo do goleiro Rogério Ceni com a camisa do tricolor paulista. Se a comparação for feita com a média de arrecadação dos embates da Série A, a diferença se torna ainda mais gritante: o site da CBF anota uma receita de 283 mil reais – é quase 13 vezes a menos que o torneio de Denver.
O cálculo dos lucros ignora despesas e ganhos conseguidos com patrocínio e cotas de televisão. Estima-se que em apenas uma noite de luta o UFC consiga movimentar mais de 70 milhões de reais – nos ginásios onde os combates são realizados, há uma infinidade de produtos da marca à venda: de bonecos a camisas com imagens dos lutadores.
E a tendência é de fluxo maior no caixa. O UFC fechou contrato com a emissora FOX – gigante do mercado norte-americano – para transmissão dos duelos em televisão aberta. No Brasil, o presidente da marca, Dana White, deu carta branca aos atletas para negociar uso da imagem com clubes de futebol. Uma forma de ampliar a visibilidade do esporte e torná-lo ainda mais popular junto aos torcedores. Anderson Silva é do Corinthians. Rodrigo Minotauro, do Internacional. Dos clubes, eles lucram com o direito de imagem. Ao MMA, dão a valiosa contribuição de atrair audiência para o esporte.
É utópica a possibilidade de o MMA fazer frente ao futebol no Brasil. A bola é o esporte número um do país e reina absoluta entre as demais modalidades. Mas os números obtidos por torneios como o UFC deixam patente uma tendência na terra da seleção canarinha: a luta entrou em campo e nem de longe quer ser derrotada. As cifras geradas pelos eventos e o terreno fértil da audiência garantem a continuidade dos rounds pela conquista dos fãs.