Lyoto Machida: o dragão precisa cuspir fogo novamente

O dragão brasileiro precisa cuspir mais fogo. A baforada anda fraca, tosca, insuficiente para amedrontar os adversários. O desempenho apresentado pelo carateca Lyoto Machida frente a Dan Henderson, no UFC 157, serviu apenas para credenciá-lo à disputa do cinturão. Mas preocupou pelo rendimento longe do ideal para quem sonha em ser o melhor da categoria. Principalmente quando o posto de número um é ocupado pelo imbatível Jon Jones.

O atleta do Pará é conhecido pela esquiva e estratégia do contra-ataque. Estuda os adversários e só arrisca com a certeza de atingi-los. É uma tática eficiente: rendeu-lhe um cinturão nos meio-pesados e só três derrotas na carreira de dezenove vitórias. Mas é pouco para o espetáculo do MMA e um risco quando a luta desemboca na decisão dos juízes.

Diante de Dan Henderson, o brasileiro economizou na agressividade, guardou os golpes e venceu pela margem mínima de diferença na avaliação dos árbitros. Passou maus momentos de costas para o chão e enfrentou sufoco em socos desferidos pelo oponente. Uma sequência bem encaixada do veterano mudaria o desfecho do combate e ameaçaria até mesmo a permanência de Machida no UFC – porque o chefão Dana White é intolerante com duelos sem a garra, trocação ou o jogo de solo inerentes aos confrontos mais empolgantes.

Lyoto já demonstrou destreza e agilidade em outras lutas. Derrubou Randy Couture com um chute cinematográfico, nocateou Rashad Evans com inteligência e até ameaçou o reinado de Jones. Mas no duelo com Henderson travou. Escondeu o ímpeto e exagerou no estudo do adversário. A concentração era visível, mas a gana pela vitória sumiu.

O maior desafio de Machida é interno. A luta é na cabeça. O ex-campeão carece de se portar com mais garra no octógono. Arriscar. Atacar. Sacar do repertório a variedade de golpes com os quais chegou ao topo da categoria e obteve prestígio na comunidade do MMA. A reconquista do cinturão é uma tarefa para quem cede à agressividade, derrama sangue nos olhos, investe na ousadia. A chance ressurgiu: contra Jon Jones, Lyoto precisa mostrar mais. Ao dragão, cabe voltar a cuspir fogo.

 

O dragão:

Idade: 34 anos
Cartel: 19 vitórias e 3 derrotas
À frente: Jon Jones ou Chael Sonnen

Ronda vale mais que Dan Henderson e Lyoto Machida?

A admiração do chefão do UFC, Dana White, pela primeira e única campeã do torneio sem jamais colocar o pé no octógono, Ronda Rousey, perdeu as estribeiras. Ou melhor: fez o dirigente subestimar o cacife de dois dos principais atletas do MMA da atualidade. A luta da atleta contra Liz Carmouche, estreia das artes marciais mistas femininas no Ultimate, sobrepujou o peso do confronto entre os dois lutadores, ex-campeões cujos combates são sempre dignos da elite do esporte.

A predileção por Ronda é mais um agrado concedido por Dana à atleta. Ele já contratou a lutadora contra prognósticos próprios de nunca abrir as portas do torneio para o MMA delas. Depois, concedeu-lhe o título de campeã sem colocá-la para lutar. Ronda desfrutava do status no Strikeforce, franquia administrada pelos donos do Ultimate, onde mereceu o cinturão do peso-galo.

A mulher que virou a cabeça do chefão do UFC

A manobra de complacência da vez é situá-la no combate principal da edição 157, em 23 de fevereiro de 2013. Pode parecer simples. Não é. A luta mais importante da noite dá nome ao evento e serve de referência histórica. Concentra as apostas e é o objeto de barganha do UFC para barganhar cotas de televisão e anunciantes – e vendê-las, claro. A escolha por Ronda é um recado da disposição de investir nela. Sem, necessariamente, apostar na categoria: o Ultimate sequer possui de quantidade suficiente de lutadora para dar conta da manutenção de um torneio feminino.

É válido frisar: Dan Henderson e Lyoto possuem histórico suficiente para credenciá-los ao combate da noite. Hendo brilhou no Pride, no Strikeforce e chegou a vencer a lenda Fedor Emelianenko. O carateca brasileiro já ergueu o cinturão dos meio-pesados do UFC, derrotou Randy Couture e foi o homem mais agressivo contra Jon Jones, atual campeão, em pé. A luta deles só fica aquém da disputa do cinturão porque Dana White derrapou na inteligência e escalou o vencedor de Shogun x Gustafsson para o desafio.

A história das mulheres deve e merece ser construída com prestígio. Mas nunca à custa da escuridão na qual são atirados os atletas com os quais o UFC edificou a própria trajetória. É questão de coerência com o passado. De nada vale apagá-lo.

Card do UFC 157 (até o momento)
23 de fevereiro de 2013, em Anaheim (EUA)
Ronda Rousey x Liz Carmouche
Dan Henderson x Lyoto Machida
Urijah Faber x Ivan Menjivar
Brendan Shaub x Lavar Johnson
Neil Magny x Jon Manley*
Court McGee x Josh Neer

Dana White: Jon Jones lutará contra vencedor de Shogun x Gustaffson

UFC adota critério duvidoso para escalar desafiante ao cinturão

No Twitter: @tiagobarbosa_

A definição dos combates pelo título do meio-pesado do UFC se tornou motivo de chacota. Uma piada alimentada pela falta de critério do torneio em priorizar os atletas mais técnicos. O primeiro tropeço veio com a escalação de Chael Sonnen como técnico rival do campeão Jon Jones na edição de número 17 do The Ultimate Fighter dos EUA. O lucro guiou a escolha: o falastrão norte-americano nem de longe merecia o posto depois de ter sido surrado na categoria de baixo por Anderson Silva. Deveria entrar na fila, fazer várias lutas antes de pleitear o título. Mas a chance de catapultar a audiência com as peripécias de Sonnen na TV impôs o lutador.

Após a predileção pelo showbiz, o presidente da franquia, Dana White, se equivoca na avaliação técnica ao garantir o vencedor de Shogun x Gustafsson (ver card abaixo) como próximo adversário de Jones. Lyoto Machida e Dan Henderson mereciam a oportunidade antes. Mauricio Shogun Rua é, históricamente, nome notável no universo de atletas de MMA brasileiros. Chegou ao cinturão dos meio-pesado do UFC com méritos – ao bater Machida -, mas perdeu a qualidade no desempenho nas lutas seguintes e afastou-se da forma com a qual se consagrou. A performance apresentada contra Brandon Vera, último duelo, recebeu críticas porque o brasileiro caminhou com sofreguidão no octógono. Ficou notória a falta de ar e de preparo físico do ex-campeão dentro do ringue. O próprio chefão do UFC lamentou após o combate e decidiu preteri-lo (pelo menos, em tese) das disputas seguintes.

O sueco Alexander Gustafsson possui um cartel impressionante: 14 vitórias e uma derrota. No UFC, são sete sucessos e um tropeço (contra Phill Davis). O retrospecto, no entanto, é insuficiente para credenciá-lo ao cinturão – do ponto de vista técnico, por falta de duelos mais difíceis, e financeiro, pelo fato de o atleta ser um nomem apenas comum dentro da comunidade do MMA.

Lyoto Machida, o único lutador a intimidar Jon Jones em pé, e Dan Henderson, com quem o campeão só não lutou por conta de uma lesão do veterano, foram deixados de lado sem justificativa plausível. O brasileiro deveria ser o primeiro na lista para reaver o cinturão em função do desempenho apresentado no combate contra o jovem talento do UFC. E Dan Henderson, em virtude da idade avançada, 41 anos, e dos serviços prestados com louvor ao MMA, merecia uma chance com certa brevidade. Mas eles terão de se enfrentar para – só depois – disputar o humor instável de Dana White na hora de posicioná-lo na chance pelo título da categoria.

O tempo é impiedoso e pode usurpar do UFC a oportunidade de presenciar confrontos ansiosamente esperados pelo público. Se continuar a definir os embates com base em critérios frágeis, o mandachuva do torneio pode exauri-lo na principal virtude: colocar os mais bem qualificados dentro do octógono para premiar os melhores lutadores da atualidade. Vai sobrar o riso.

UFC: Henderson x Diaz
8 de dezembro de 2012, em Seattle (EUA)
CARD PRINCIPAL
Ben Henderson x Nate Diaz
Maurício Shogun x Alexander Gustafsson
BJ Penn x Rory MacDonald
Mike Swick x Matt Brown
CARD PRELIMINAR
Yves Edwards x Jeremy Stephens
Raphael Assunção x Mike Easton
Ramsey Nijem x Joe Proctor
Daron Cruickshank x Henry Martinez
Tim Means x Abel Trujillo
Dennis Siver x Nam Phan
Scott Jorgensen x John Albert

Caetano Veloso cita mitos do MMA em nova música

A apresentação de Caetano Veloso das novas músicas do disco Abraçaço, comemorativo aos 70 anos do músico, surpreendeu pela inclusão de nomes de feras das artes marciais mistas (MMA) brasileiras em uma das letras. Cantada ontem, no programa do Jô, da TV Globo, a música A bossa nova é foda faz uma referência a lutadores top do país. Um dos versos diz:

Deu ao poeta, velho profeta, a chave da casa de munição. O velho transformou o mito das raças tristes em Minotauros, Junior Cigano, José Aldo, Lyoto Machida, Vitor Belfort, Anderson Silva e na coisa toda… A bossa nova é foda”.

Apanhados de surpresas durante a exibição do programa, a lenda viva do esporte Rodrigo Minotauro e o campeão dos pesos-pesados do UFC, Junior Ciganon, comemoraram com fãs no Twitter: “Tu viu rapaz? Me emocionei em ver essa música do ídolo máximo do nosso pais. Quanta honra!!! Valeu, Caetano Veloso…”, escreveu Minotauro ao amigo Junior Cigano. “Vocês viram isso? Tô assistindo ao Jô e simplesmente fiquei pasmo, meu nome em uma música desse ícone da música brasileira Caetano Veloso”, postou o campeão.

Para assistir à apresentação, clique aqui:

Jon Jones escapa de revanches e Anderson Silva em 2013?

Jon Jones pretende pular riscos no próximo ano. Quer evitar revanches contra Lyoto Machida, único a ameaçá-lo em pé no octógono, e Vitor Belfort, primeiro a fazê-lo temer no chão. Nem sonha em bater de frente com Anderson Silva, superluta da qual se esquiva quando pressionado. O campeão do meio-pesado do UFC enumerou quem pretende enfrentar em 2013. A lista é tímida. E os perigos, quase inexistentes. Depois de duelar com Chael Sonnen, pela final do The Ultimate Fighter 17, ele anseia encarar Dan Henderson, veterano de 41 anos, e o sueco Alexander Gustaffson, um dos destaques recentes do Ultimate.

Os confrontos – apesar das surpresas inerentes ao MMA – praticamente garantem o reinado incólume de Bones na categoria: em 2014, o atleta vai se aventurar entre os pesos-pesados. Em 2010, ele lutou quatro vezes – número considerado excessivo para os padrões do esporte. No ano seguinte, subiu ao octógono por duas vezes apenas. A tendência é fazer até três combates no período.

O desejo de lutar contra Henderson e Gustaffson foi manifestado durante participação em um chat com fãs do esporte. Ao lado do mandachuva do torneio, Dana White, e Chael Sonnen, ele falou sobre a participação no TUF 17 e justificou a preferência pelos próximos adversários: “Dan é um dos melhores lutadores de todos os tempos do MMA. Espero derrotar Chael e, depois, vencer Henderson. Eu também não posso esperar por lutar contra Alexander. Dizem que eu venço porque tenho braços longos. Mas, quando derrotá-lo, verão que isso não faz sentido”, explicou o campeão, em uma referência à envergadura do sueco.

Os planos do campeão podem, no enanto, ser atrapalhados pelo brasileiro Lyoto Machida e pelos instintos lucrativos de Dana White. O carateca brasileiro ex-campeão da categoria luta com Henderson antes do provável encontro do norte-americano com Bones. Se vencer, dinamita a probabilidade do confronto.

O efeito Dana White é outro fator de risco para o planejamento do dono do cinturão. O patrão da franquia tem transitado entre o mérito e o lucro com imprevisibilidade. E pode escalá-lo para combates inesperados com atletas descredenciados ao título – como fez ao colocar Sonnen como um dos técnicos do TUF 17.

O maior receio de Jon é ser obrigado a topar com o campeão dos médios, Anderson Silva, em uma das lutas mais esperadas dos anos recentes do torneio. O Aranha perambula por incertezas depois de limpar a categoria. Aos 37 anos, ele desfruta oficialmente de dois combates previstos em contrato. Enfrentar George St-Pierre, campeão afastado dos meio-médios, e Jones é o sonho de consumo dos fãs do MMA e a galinha de ouro da franquia. Jon pôs as cartas na mesa. Mas o jogo está longe de ser definido.

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Velhinha chama Wanderlei Silva de “folgado” em comercial

Campanha de caminhonete Renault Duster aposta nas estrelas do MMA nacional

Sempre antenada com tendências e gostos populares, a publicidade aposta no conhecimento do público para validar marcas e produtos no mercado. É o termômetro do senso comum. A exposição crescente do MMA no Brasil incluiu o esporte na rota de comerciais e campanhas publicitárias. A mais recente envolve Anderson Silva, Minotauro, Lyoto Machida, Maurício Shogun Rua e, claro, o lendário Wanderlei Silva. O carequinha, por sinal, vira protagonista ao ser chamado de “folgado” por uma senhora. Confira e dê gargalhadas:

Nova reviravolta e, agora, Jon Jones vai lutar contra Vitor Belfort

Lyoto desistiu e abriu caminho para o brasileiro fenômeno no MMA

Olha a confusão no site do UFC: Jones, Machida, Henderson e Belfort nas chamadas

 

Mais uma reviravolta para sacudir de vez a estrutura do UFC: Jon Jones, o campeão do meio-pesado do UFC, vai lutar contra Vitor Belfort na edição de número 152, em Toronto, no Canadá. Como o brasileiro caiu de para-quedas para enfrentar um dos homens mais temidos do mundo? É preciso olhar para o dia mais conturbado da história da franquia.

Jones lutaria contra Dan Henderson. Mas ele se machucou. Dana White, o presidente do UFC, tentou armar o combate com o falastrão Chael Sonnen. O fanfarrão derrotado por Anderson Silva rapidamente topou o desafio, pois subiu de categoria e está louco para estrear. Mas, prudente, Jones e o treinador Greg declinaram. Por que dariam a chance a Sonnen, um lutador sem qualquer luta no meio-pesado?

A recusa deixou Dana White maluco. Irritado, ele descascou o treinador de Jones, mostrou-se magoado com o pupilo e protegido na franquia e anunciou o cancelamento do UFC 151 – o momento mais triste da história do dirigente no Ultimate, ele definiu.

Lyoto Machida, vencedor do combate contra Ryan Bader, pintou na ponta da lista. Mas o brasileiro também recusou o combate. Provavelmente em virtude do pouco tempo para se preparar para o confronto, que seria em semanas. O site MMA Brasil informou que Maurício Shogun Rua, segundo na linha de sucessão para o título, também rejeitou lutar – no caso de Shogun, o despreparo evidente demonstrado na luta contra Brandon Vera explica a recusa.

Sobrou adinvinha para quem? Vitor Belfort. Exatamente. O fenômeno, um dos campeões mais jovens do UFC, lutador na categoria dos médios, será o próximo oponente de Jon Jones. É uma luta tão inusitada quanto interessante. Durante a carreira, Belfort enfrentou adversários mais pesados, fortes e demonstrou ser um competidor à altura dos grandes do esporte.

Vitor estava escalado para lutar contra Alan Belcher no UFC 153, no Rio de Janeiro, em outubro. Mas, agora, terá a batalha mais importante deste período da carreira – depois da tentativa de título frustrada contra Anderson Silva.

Do imbróglio, ficou a decepção de Dana White com Jon Jones – por conta da recusa em enfrentar Chael Sonnen – e do próprio fanfarrão do UFC contra o campeão do meio-pesado. A relação entre a maior franquia de lutas do mundo e a principal revelação dos últimos anos ficou decididamente estremecida. A luta de Jones contra Belfort está agendada para 22 de setembro. A menos que haja outra reviravolta…

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Reviravoltas – e decepções – por minuto

O UFC viveu uma tarde conturbada nesta terça-feira. Em poucos minutos, uma série de eventos abalou as estruturas da maior franquia de lutas do planeta. Em primeiro lugar, foi o anúncio de que o veterano Dan Henderson sofrera uma lesão e que estava fora do combate com Jon Jones e que seria substituído por – pasmem – Chael Sonnen. Após uma intensa rodada de negociações, ficou definido que Lyoto Machida será o próximo desafiante ao cinturão dos Meio-Pesados.

Inicialmente, Jones colocaria seu cinturão em disputa em 1º de setembro, entretanto, Hendo machucou o joelho num treinamento e não terá condições de se recuperar para a luta. Diante disto, Dana White viu uma excelente oportunidade de promover um confronto entre o campeão e Chael Sonnen. Decisão absurda, uma vez que o falastrão foi forçado a engolir a prepotência enquanto era massacrado por Anderson Silva. A surra fez com que ele decidisse subir de categoria, mas ele ainda não fez uma luta sequer.

Mas Jones negou-se a enfrentar Sonnen, forçando Dana White a tomar uma decisão inédita: cancelar toda a edição que estava programada. “Este é o pior momento dos meus 11 anos à frente do UFC. Nunca imaginei que teria que cancelar um evento por causa da recusa do campeão em aceitar um desafio. Jon Jones recusou-se a enfrentar Chael Sonnen após ter aceitado o desafio, e nos forçou a cancelar a luta. A disputa do cinturão acontecerá dia 22 de setembro, em Toronto, contra Lyoto Machida”, anunciou.

Ao contrário do que possa parecer inicialmente, a oportunidade pode não favorecer o brasileiro. A antecipação da revanche força Machida a uma preparação emergencial contra um dos lutadores mais perigosos da atualidade. E não custa lembrar que apesar do desfecho do primeiro encontro, Machida foi o adversário que mais perigo levou ao campeão.

A ganância de Jon Jones

Campeão do meio-pesado do UFC quer definir próxima luta de acordo com faturamento

No começo, a humildade imperava

 

O coelho da cartola sacado por Dana White para espinafrar o boxe sempre bateu na tecla dos combates arranjados. A nobre arte, no deboche do mandachuva do UFC, era incapaz de colocar os melhores lutadores para lutar. Estrategista do Ultimate, responsável direto pela popularização do MMA, o dirigente usou do truque para tripudiar dos duelos jamais realizados por interferência dos empresários e do poder econômico. O destino, no entanto, pregou-lhe uma arapuca. O atleta mais talentoso da nova geração do UFC, Jon Jones, veio a público e deixou claro: só pretende fazer lutas se elas venderem bem. Entenda-se: se a grana compensar.

A naturalidade do campeão desnudou uma realidade até então difusa no UFC. Anderson Silva já tinha apresentado desgosto em enfrentar Chael Sonnen – principalmente em virtude das ofensas feitas pelo adversário. Engoliu a seco a contrariedade e, no octógono, acabou com o oponente. Agora, só vai aceitar enfrentar atletas com os quais a comissão técnica dele esteja de acordo. Chris Weidman, coitado, foi a primeira vítima e terminou preterido. Junior Cigano dos Santos também demonstrou irritação em se ver obrigado a lutar contra Cain Velasquez. Gostaria de bater Alistair Overeem – o UFC adiou o duelo por doping do holandês.

Patrocinado pelo próprio Ultimate, recém-contratado pela Nike e dono de uma trajetória irrepreensível no octógono, Jon Jones  apossou-se da fama. Rejeitou duelar contra Lyoto Machida porque, ele diz, a luta seria financeiramente inviável. A alegação dada à ESPN coloca o dinheiro acima da esportividade – pois o brasileiro tem sido encarado como o único lutador até agora a conseguir desestabilizar Jones no ringue: “Eu não gostaria de lutar com o Lyoto. Ele foi a minha luta menos vendida, então acho que ninguém quer ver esse confronto novamente. Ele oferece um alto risco e uma pequena recompensa. Eu sei que o Lyoto é um atleta duro, mas “Shogun”, “Rampage” e Rashad foram lutas mais vistas”.

Os números dão a razão econômica a Jones. A luta contra Lyoto rendeu apenas 485 mil vendas no pay-per-view. Abaixo dos 490 mil do combate Jones vs. Shogun (UFC 128), 520 mil de Jones vs. Rampage (UFC 135) e muito inferior aos 700 mil de Jones vs. Rashad (UFC  145). Mas a gangorra financeira é insuficiente para prospectar os lucros em um combate no MMA. O ambiente criado pela astúcia de Machida contra Jon, no primeiro encontro, poderia ensejar mais atenção dos fãs do UFC – em virtude da possibilidade de ver um astro em ascensão ser derrotado.

A história do esporte refuta a postura do campeão. O UFC cresceu à base da promoção dos confrontos mais esperados. As revanches muitas vezes deram nome aos eventos e serviram para alavancar a atividade desde a época das chamadas sanguinolentas – removidas anos mais tarde para se adequar ao grande público. O Pride japonês – já extinto – primou por confrontar talentos de peso do MMA. Depois da derrocada, o Ultimate assumiu o papel e, até agora, cumpriu a missão de deixar no topo quem merece – e não o lutador capaz de gerar mais dinheiro.

O risco é óbvio: se poucos se protegerem no olimpo dos intocáveis, a franquia vai formar um grupo seleto de milionários da luta – incapazes de se misturar. Os duelos se curvarão ao poder econômico e, a partir de então, o esporte tomará a feição do lado mais triste do boxe – moldado pelos desmandos dos empresários.

Dana White já prometeu: pretende colocar Lyoto para lutar contra o vencedor de Dan Henderson vs. Jon Jones (UFC 151, em 1º de setembro). De olho na insurgência da revelação do UFC, cabe mensurar: as palavras do mandatário nunca precisaram tanto ter a força da pedra com a qual ele destruiu o telhado alheio. A credibilidade está na vitrine. E um truque em falso pode quebrá-la.

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É no chão?

Lyoto Machida diz que Jon Jones tem, sim, um ponto fraco

Com as costas no chão, sobrevive?

Lyoto Machida é páreo para Jon Jones. Os dois sabem disso. É adversário para derrotar fisica e moralmente o atual campeão dos meio-pesados. Os dois sabem disso. Quando ficaram frente a frente pela primeira vez, o brasileiro prevaleceu. Na luta, calculou a distância. Avançou e recuou na medida certa. E chegou a acertar o jovem norte-americano com golpes certeiros. O corpo deu o recado. A mente entendeu. A mente de Jones. Acuado, ele redefiniu a estratégia. E inverteu a dinâmica da luta com uma cotovelada. Tonto, Machida virou presa fácil para o oponente.

O desfecho seria outro se um dos socos do brasileiro tivesse mais força, se os chutes entrassem com mais eficácia, se a tática funcionasse. Mas, ainda bem, o MMA dispensa o “se”. Os dois sabem disso. E, para espantar o quase, o Dragão paraense tem outra lógica. Desde já, aponta. Melhor, fere: Jones é fraco. Sim, no chão. Onde nunca repousou as costas até agora na trajetória no UFC. Esteve sempre por cima. No combate, nos pontos, no resultado. Ali, embaixo, entre o oponente e a sensação de derrota, entre os socos e a impotência, entre a empáfia e o desespero, nunca ficou. É o caminho. Um caminho. Possível, mas tortuoso e longe. Fica a um cinturão de distância.

Jones nunca caiu porque reina em pé. Das doze lutas abrigadas sob o UFC, fez de tudo. Barba, cabelo, bigode. Nocaute, submissão, pontos. Ganhou o cinturão aos 24 anos e já o colocou em jogo três vezes. E nem parece, diz a estatística da facilidade: finalizou Rampage Jackson, Lyoto Machida e cozinhou Rashad Evans até a decisão dos jurados. Antes, fez Shogun parecer um sparring na conquista do cinturão. Ficar com as costas no chão pode ser um ponto fraco. Mas forte é a chance de ele evitar isso.

O caminho de Machida é espinhoso. Mas factível. O encontro entre os dois sobre o octógono pela última vez definhou a impossibilidade. O olimpo tocou o chão: Jones é de carne e osso. Humano. Atingível. E pode ser vencido. Mas a prudência pede passagem: antes do reencontro, existe Dan Henderson. Bom em pé, excelente no chão. Adversário imprevisível na dança dos cinturões. Capaz de subverter prognósticos. Casca grossa suficiente para qualquer um. Todos precisam considerar a máquina formada no Pride. Glorificada nas artes marciais mistas. Mesmo aos 41 anos, ele é perigo. Para Jones, para Machida. Eu sei, vocês sabem. E eles também sabem disso.

Relembre a derrota de Machida para Jon Jones

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Tiago Barbosa no Twitter: @tiagobarbosa_