E agora, Shogun, o sonho acabou?

Derrota diante de Gustafsson afasta o lutador do cinturão da categoria

A mão perdeu a força de outrora. Fere sem tanta gravidade, machuca menos, leva com mais dificuldade ao chão. A mobilidade minguou. O corpo arfa, as pernas demoram, o organismo cambaleia. Só a resistência dá provas de vida. Mas falta fôlego ao desempenho de dias gloriosos dentro do ringue. Aos 31 anos, o curitibano e ex-campeão do UFC e do Pride (extinto torneio de MMA do Japão) Maurício Shogun Rua sofre com o peso do tempo. A performance arrebatadora de anos atrás, quando desfigurava os adversários com golpes infalíveis, parece ter ruído. E o atleta virou uma sombra do lutador temido do passado.

O fracasso mais recente se deu na luta contra Alexander Gustafsson, revelação sueca do MMA, no UFC On Fox 5. O confronto decidiria o próximo adversário de Jon Jones, detentor do cinturão. Era uma aposta velada de Dana White, presidente da franquia, para dar a Shogun a chance de revanche contra quem lhe tirou o título dos meio-pesados. Mas o tropeço do brasileiro, com uma atuação sofrível e indigna dos melhores dias dele nas artes marciais mistas, deu a vitória ao oponente e obrigou o chefe do UFC a rebolar para inventar nova luta ao sueco antes de importunar o atual campeão.

Dana dizimou a expectativa de Gustafsson e convocou o nome de Lyoto Machida para definir o desafiante à hegemonia da categoria – mesmo a contragosto de Dan Henderson, contra quem o carateca está escalado para lutar. É o imbróglio fabricado na esteira da decisão precipitada do dirigente de colocar o duelo Shogun x Gustafsson como ponte para o combate e, sobretudo, da queda inesperada do brasileiro diante do sueco.

A derrota do sábado é a terceira de Maurício nas últimas cinco lutas. Perdeu para Jon Jones por nocaute, Dan Henderson em uma luta épica e Gustafsson. E venceu Brandon Vera e Forrest Griffin. Mas nem as melhores performances têm sido convincentes. Shogun evidenciou cansaço incômodo na luta contra Vera e poderia ter perdido. Diante de Griffin, conseguiu vitória mais expressiva, com nocaute no primeiro round.

Dentro do octógono, no entanto, ele apresenta lentidão, cambaleia, hesita em momentos cruciais. Exibição distinta da observada na trajetória do atleta. Shogun se notabilizou pelo apuro atlético no Pride – quando perdeu apenas uma vez – e até aparentou engrenar no UFC quando venceu Mark Coleman, Chuck Lidell e Machida, na disputa pelo cinturão. Desde então, oscila entre maus e bons momentos, sem conseguir vencer duas vezes consecutivas.

A gangorra no UFC o afasta do retorno ao posto de melhor lutador do mundo na categoria. A derrota para Gustafsson praticamente o elimina da chance de enfrentar Jon Jones, já um adversário difícil de ser batido por lutadores de expressão. A lista de desafiantes é extensa com Chael Sonnen (injustamente escalado), Lyoto Machida, Dan Henderson e o próprio sueco. Some-se à dificuldade a possibilidade de o jovem campeão subir de categoria, ao fim de 2013, como anunciou, ou fazer uma superluta contra Anderson Silva em peso combinado – todas as hipóteses adiam infinitamente o sonho de Shogun reaver o título e o prestígio agora combalido no Ultimate.

O lutador precisa recuperar a forma física para reencontrar o caminho das vitórias. Mas o maior adversário está além do ringue e tem uma força constante: é o tempo, impiedoso com atletas de qualquer modalidade esportiva. Quanto mais o brasileiro naufraga nas tentativas de voltar ao topo, mais pena com o avanço da idade e o conseqüente desgaste da forma física. E os fracassos lhe empurram para o fim de uma relação cada vez mais maior pelo surgimento de novos lutadores na escalada rumo ao cinturão. A única saída para o brasileiro é a sina perseguida por todos os lutadores: vencer. E logo. Qualidade, ele tem. A história registra. Mas o passado de glórias precisa encontrar o presente tortuoso. O tempo urge.

Semana de luta no UFC com pernambucano no card

O UFC respira mais uma semana de lutas. No sábado, Seatle, nos Estados Unidos recebe a edição do UFC on Fox. O card terá expoentes do MMA, como o brasileiro Maurício Shogun Rua, a disputa pelo título dos leves entre Benson Henderson (campeão) e Nate Diaz, além da participação de um dos dois pernambucanos na maior franquia de artes marciais mistas do planeta, Raphal Assunção – ele enfrenta Mike Easton, pela categoria galo. O Ultimate divulgou vídeo promocional do torneio.

PRINCIPAL
Ben Henderson vs. Nate Diaz
Maurício Shogun vs. Alexander Gustafsson
BJ Penn vs. Rory MacDonald
Mike Swick vs. Matt Brown

PRELIMINAR
Yves Edwards vs. Jeremy Stephens
Raphael Assunção vs. Mike Easton
Ramsey Nijem vs. Joe Proctor
Daron Cruickshank vs. Henry Martinez
Tim Means vs. Abel Trujillo
Dennis Siver vs. Nam Phan
Scott Jorgensen vs. John Albert

Velhinha chama Wanderlei Silva de “folgado” em comercial

Campanha de caminhonete Renault Duster aposta nas estrelas do MMA nacional

Sempre antenada com tendências e gostos populares, a publicidade aposta no conhecimento do público para validar marcas e produtos no mercado. É o termômetro do senso comum. A exposição crescente do MMA no Brasil incluiu o esporte na rota de comerciais e campanhas publicitárias. A mais recente envolve Anderson Silva, Minotauro, Lyoto Machida, Maurício Shogun Rua e, claro, o lendário Wanderlei Silva. O carequinha, por sinal, vira protagonista ao ser chamado de “folgado” por uma senhora. Confira e dê gargalhadas:

Nova reviravolta e, agora, Jon Jones vai lutar contra Vitor Belfort

Lyoto desistiu e abriu caminho para o brasileiro fenômeno no MMA

Olha a confusão no site do UFC: Jones, Machida, Henderson e Belfort nas chamadas

 

Mais uma reviravolta para sacudir de vez a estrutura do UFC: Jon Jones, o campeão do meio-pesado do UFC, vai lutar contra Vitor Belfort na edição de número 152, em Toronto, no Canadá. Como o brasileiro caiu de para-quedas para enfrentar um dos homens mais temidos do mundo? É preciso olhar para o dia mais conturbado da história da franquia.

Jones lutaria contra Dan Henderson. Mas ele se machucou. Dana White, o presidente do UFC, tentou armar o combate com o falastrão Chael Sonnen. O fanfarrão derrotado por Anderson Silva rapidamente topou o desafio, pois subiu de categoria e está louco para estrear. Mas, prudente, Jones e o treinador Greg declinaram. Por que dariam a chance a Sonnen, um lutador sem qualquer luta no meio-pesado?

A recusa deixou Dana White maluco. Irritado, ele descascou o treinador de Jones, mostrou-se magoado com o pupilo e protegido na franquia e anunciou o cancelamento do UFC 151 – o momento mais triste da história do dirigente no Ultimate, ele definiu.

Lyoto Machida, vencedor do combate contra Ryan Bader, pintou na ponta da lista. Mas o brasileiro também recusou o combate. Provavelmente em virtude do pouco tempo para se preparar para o confronto, que seria em semanas. O site MMA Brasil informou que Maurício Shogun Rua, segundo na linha de sucessão para o título, também rejeitou lutar – no caso de Shogun, o despreparo evidente demonstrado na luta contra Brandon Vera explica a recusa.

Sobrou adinvinha para quem? Vitor Belfort. Exatamente. O fenômeno, um dos campeões mais jovens do UFC, lutador na categoria dos médios, será o próximo oponente de Jon Jones. É uma luta tão inusitada quanto interessante. Durante a carreira, Belfort enfrentou adversários mais pesados, fortes e demonstrou ser um competidor à altura dos grandes do esporte.

Vitor estava escalado para lutar contra Alan Belcher no UFC 153, no Rio de Janeiro, em outubro. Mas, agora, terá a batalha mais importante deste período da carreira – depois da tentativa de título frustrada contra Anderson Silva.

Do imbróglio, ficou a decepção de Dana White com Jon Jones – por conta da recusa em enfrentar Chael Sonnen – e do próprio fanfarrão do UFC contra o campeão do meio-pesado. A relação entre a maior franquia de lutas do mundo e a principal revelação dos últimos anos ficou decididamente estremecida. A luta de Jones contra Belfort está agendada para 22 de setembro. A menos que haja outra reviravolta…

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A análise do campeão Jon Jones

O que pensa o campeão sobre os quatro desafiantes ao título dos meio-pesados que lutam amanhã

 

"Minha previsão: eu aposto no (Maurício) Shogun vencendo por pontos após uma luta predominantemente de trocação. (Brandon) Vera pode tornar a luta mais interessante se usar queda. Uma coisa que o Vera faz bem é que ele luta em duas bases diferentes. É difícil se preparar para algo que você não sabe como vem. Vejo o (Lyoto) Machida vencendo por interrupção, confundindo o (Ryan) Bader com a movimentação e golpes rápidos. Bader precisa tornar a luta uma trocação pura. Tem mãos pesadas e um poderoso overhand de direita. O mesmo soco com que Shogun nocauteou Lyoto. Dos quatro caras, Lyoto foi o quebra-cabeças mais difícil de desvendar. Brandon foi o mais falastrão. Bader pareceu o mais forte, e o Shogun durou mais tempo (risos)”

 

 

Shogun e Machida: revanche no horizonte

Se ganharem combates de amanhã, brasileiros devem fazer tira-teima

Uma vitória para cada lado até agora

 

Empacotem o sonho do cinturão. Guardem na geladeira. Ou deixem de molho. Não é para agora. Maurício Shogun Rua e Lyoto Machida possuem um compromisso antes de desfrutar a chance de recuperar a soberania nos meio-pesados do UFC. Se vencerem os combates de amanhã contra Brandon Vera e Ryan Bader, respectivamente, eles devem se enfrentar em um tira-teima para decidir quem tem direito de disputar o título. É o caminho natural posto diante do mandachuva do Ultimate, Dana White.

O dirigente até tropeçou na língua nos útimos dias. Deu preferência a Shogun e Vera. Pressionado pela razão, estendeu a Machida e Bader o privilégio. Mas se os dois brasileiros lograrem sucesso no octógono, como Dana decidiria entre eles?

Shogun e Machida chegam ao UFC On Fox 4 em situação semelhante. O primeiro perdeu a luta, o cinturão e a moral contra o atual campeão, Jon Jones – foi surrado até ficar tonto e ver o combate ser encerrado pela arbitragem. Merece elogio pela capacidade de resistência. Machida perdeu para Jones de forma melancólica. Dormiu em pé após estrangulamento. Pesa a favor do carateca, no entanto, o controle da luta e dos golpes no primeiro round.

O desempate seria pelo retrospecto no confronto direto. Mas o duelo entre ambos está igualado. Machida bateu Shogun na defesa do cinturão. Na revanche logo em seguida, sofreu o primeiro nocaute na trajetória no MMA. Uma vitória para cada lado. O tira-teima, é óbvio, sobressaiu na coletiva de ontem sobre o UFC On Fox 4. Todos querem saber quem teria preferência na disputa do cinturão. Como sair do embate?

Há uma carta na manga do UFC. E ela rende grana. Shogun e Machida podem se tornar os técnicos da próxima edição do The Ultimate Fighter Brazil. Cairiam como luva no programa. Os dois têm carisma, se expressam bem, são “bons moços” e conquistaram respeito no mundo das artes marciais mistas. Levariam ao ar a disputa e o treinamento dos meio-pesados – a primeira edição trabalhou peso-pena e médio. E, pelo próprio perfil, garantiriam o toque de elegância e humanidade necessário à segunda edição do reality.

A saída ganha corpo como a mais viável para evitar o constrangimento a Dana White de decidir – sem critérios palpáveis, diga-se – quem é o indicado a lutar contra o vencedor de Jon Jones e Dan Henderson. Mas, antes de avançar no tempo, é preciso respeitar o presente. Brandon Vera e Ryan Bader lutam por espaço ao sol e prometem endurecer a vida dos brasileiros. A revanche, recomenda a prudência, começa no octógono de amanhã. Só a vitória permite imaginar o título no horizonte. Antes disso, o sonho do cinturão repousa na gaveta do tempo.

Shogun e Machida decidem o destino no UFC 154

Brasileiro enfrentam adversários na busca para recuperar o cinturão dos meio-pesados

Quando Lyoto Machida ganhou o cinturão dos meio-pesados do Ultimate com um nocaute espetacular sobre o até então invicto Rashad Evans, no UFC 98, o mundo do MMA assistia ao nascimento de um novo ídolo. Dono de uma esquiva incômoda para adversários, técnico no movimento e consciente na colocação sobre o octógono, o carateca paraense reunia as qualidades necessárias para se firmar como campeão da categoria. Mas o destino lhe concedeu outro caminho. Mais curto. E, de certa forma, frustrante. Machida perdeu o título (e a invencibilidade no MMA) logo na revanche contra o também brasileiro Maurício Shogun Rua.

Moldado no Pride, o novo campeão trazia na bagagem vitórias sobre Alistair Overeem (hoje cotado para enfrentar o Junior Cigano, pelos pesados) e Rampage Jackson. Superar Machida credenciava o atleta a reinar nos meio-pesados. Mas veio Jon Jones, e o cinturão voltou às mãos dos EUA. Lyoto e Shogun caíram na roda-viva do UFC para recuperar o título. Os dois têm um compromisso decisivo no próximo sábado (contra Ryan Bader e Brandon Vera). Quem vencer ganhar o direito de sonhar novamente com a supremacia na categoria.

A luta principal do UFC on FOX 4, em Los Angeles, no próximo dia 4, será feita entre Shogun e Brandon Vera. O brasileiro vem de uma instável sequência de resultados. Depois da vitória sobre Machida, perdeu de Jon Jones, venceu Forrest Griffin e caiu diante de Dan Henderson, em uma batalha épica. Com 20 vitórias no cartel e seis derrotas, ele precisa passar por Vera para se manter firme na disputa pelo cinturão. Sob pena de abrir o caminho justamente para o homem sobre quem consquistou o título.

Lyoto Machida luta contra Ryan Bader com a “fama” de ter sido o único lutador, até agora, a impor um ritmo de luta e acertar o atual campeão Jon Jones. Na disputa pelo cinturão, no UFC 140, ele dominou o primeiro round do combate. Calculou bem a distância e golpeou Jones – mesmo sem a força necessária para vencer. Uma cotovelada no segundo round selou a derrota – confirmada com um estrangulamento – frente ao número 1 da categoria. Machida mostrou ser possível machucar o campeão. O paraense tem 17 vitórias no currículo e três insucessos. O adversário de agora, Bader, também se candidata ao título. Com 15 vitórias no cartel e somente duas derrotas, venceu Jason Brilz e Rampage Jackson nos últimos confrontos. Pesa contra ele o fato de também ter perdido a luta contra Jon Jones.

A sorte de Machida e Shogun será decidida na noite do sábado. Vitória reabre a janela da esperança de hastear a bandeira brasileira no alto de uma das categorias mais visadas hoje no UFC. A derrota, no entanto, pode fechar de vez a porta para quem já provou o sabor de ser o melhor dentro do octógono.

Confira o card completo:

Main Event:
205 lbs.: Mauricio Rua vs. Brandon Vera
Main card (FOX):
205 lbs.: Lyoto Machida vs. Ryan Bader170 lbs.: Mike Swick vs. DaMarques Johnson155 lbs.: Jamie Varner vs. Joe Lauzon
Preliminary card (FUEL TV)
145 lbs.: Cole Miller vs. Nam Phan205 lbs.: Phil Davis vs. Wagner Prado145 lbs.: Rani Yahya vs. Josh Grispi265 lbs.: Philip De Fries vs. Oli Thompson145 lbs.: Manny Gamburyan vs. Michihiro Omigawa125 lbs.: Ulysses Gomez vs. John Moraga

Jon Jones x Rashad Evans: duelo confirmado

Ex-amigos vão se encontrar no octógono do UFC em abril

Jones defende o cinturão que já foi do colega Rashad (d)

O campeão dos pesos meio-pesados do UFC volta ao octógono em 21 de abril, pelo UFC 145. É o retorno de quem impressionou o mundo do MMA ao tirar do caminho da categoria nomes respeitados, como Lyoto Machida, Maurício Shogun Rua e Quinton Rampage Jackson. Jon Jones, jovem talento das artes marciais mistas, vê pela frente, agora, um ex-colega de treinamento: o ex-campeão Rashad Evans, desafiante com motivos até emocionais para recuperar o cinturão.

O confronto entre os dois deveria ter ocorrido no fim do ano. Mas Evans se machucou e deu lugar ao carateca Lyoto Machida. O brasileiro ensaiou uma surpresa para Jones. Dominou o primeiro round – a despeito da opinião dos juízes da luta – e impôs uma distância incômoda ao atual campeão. No segundo, prevaleceu a habilidade de Jones: Lyoto foi posto para dormir em pé. Caiu de forma humilhante. E, embora tenha sido o único a ameaçar a curta hegemonia do norte-americano, engrossou a relação de atletas derrotados pelo homem apontado por Dana White como o segundo melhor na atualidade entre todos os lutadores – atrás apenas de Anderson Silva, campeão dos médios.

A relação entre Jones e Evans começou a estremecer depois de o jovem conquistar o cinturão diante de Shogun. Evans estava escalado para a luta, mas teve uma lesão e cedeu espaço para o colega da Jackson’s MMA. Após se sagrar campeão, Jon deixou claro o interesse em enfrentar o amigo. Rashad repudiou a atitude e, acredita-se, começou a nutrir ódio pelo antigo companheiro de treinos. Os dois se provocam desde então através da imprensa.

A oportunidade concedida a Evans veio depois da vitória dele sobre Phill Davis, no UFC 142. Mas o desempenho do atleta foi pouco convincente entre a crítica especializada para tomar o cinturão de Jon Jones. Rashad fez uma luta burocrática, sem conseguir ameaçar o oponente de nocaute e venceu somente por pontos. Se quiser voltar a respirar o ar de campeão, ele precisará se superar para vencer Jon Jones, considerado um dos mais habilidosos lutadores de MMA no cenário do UFC.

Se fracassar, a última “esperança” da categoria de ver um novo campeão entre os nomes consagrados do esporte será no duelo entre Jones e o veterano Dan Henderson – cujo passaporte para a disputa de cinturão foi obtido depois de vitória em confronto épico contra Shogun Rua. Caso os dois falhem, o jovem norte-americano tem as ferramentas na mão para iniciar um longo reinado com um dos cinturões mais cobiçados do UFC. Falam suas apostas.

Dan Henderson surpreso com resistência de Shogun

A disputa épica entre Maurício Shogun Rua e Dan Henderson pelo UFC 139 ainda rende comentários. Principalmente entre os lutadores. A capacidade do brasileiro de se manter vivo na luta mesmo depois de ser massacrado por Hendo nos minutos iniciais era inesperada pelo norte-americano. Em uma entrevista ao site Sherdog, o vencedor do combate considerado uma das melhores da história do MMA declarou: “Eu não esperava aquela reação dele após três rounds”.

Hendo venceu os três primeiros rounds, mas não conseguiu nocautear Shogun. Quando o público acreditava em uma intervenção do árbitro, o brasileiro surpreendia e virava o jogo: chegou até mesmo a bater no norte-americano e quase finalizá-lo em momentos da luta. Ao fim, os juízes deram 48-47 para Henderson. O resultado foi contestado. O próprio presidente do UFC, Dana White, enxergou empate, com o desempenho avassalador de Shogun no último round.

Na entrevista ao Sherdog, Henderson também comentou o cansaço sentido ao final do combate: “Eu estava muito cansado. Não sei. Tinha algo ocorrendo. Eu tive problemas no quinto round. Não senti isso nos últimos cinco anos. Talvez tenha sido o desgaste de ter dado mais golpes que ele”, afirmou o lutador.

Shogun chegou a se manifestar a favor de uma revanche em virtude do resultado apertado da luta. Mas Dana White negou e conduziu Henderson às portas da disputa do cinturão. O norte-americano, de 41 anos, espera o vencedor do confronto entre Jon Jones e Lyoto Machida pelo UFC 140, no próximo dia 11. Shogun deve fazer outras lutas antes de voltar a sonhar com o título da categoria dos meio-pesados.

A lesão de Shogun

Aqueles que acompanham a carreira de Maurício Shogun desde a época do Pride já desconfiavam da possibilidade de haver algo de estranho com o lutador. Desde que assinou com o UFC, o curitibano mostrou o estilo explosivo que o alçou ao status de estrela do extinto evento japonês em poucas oportunidades. Aquele Shogun agressivo e impetuoso só deu as caras mesmo no segundo confronto com Lyoto Machida e contra Forrest Griffin.

Ainda que tenha feito uma luta histórica contra Dan Henderson, Shogun não foi contundente como se esperava. O lutador que subiu no octógono do UFC 139 estava um pouco inchado, fora de forma. A grande virtude do brasileiro ali foi mostrar uma impressionante habilidade de suportar o castigo imposto pelo norte-americano. Nesse aspecto, Shogun foi um verdadeiro guerreiro em cima do ringue.

Nas semanas que antecederam a luta, a escolha por treinos secretos intrigou a mídia e os fãs. A justificativa de que seria uma estratégia para ficar mais concentrado não colou. Ao que parece, Shogun sofreu uma séria lesão no ombro direito, que o impediria de participar do confronto. Segundo informações, o brasileiro deslocou a clavícula e rompeu um ligamento na região. Como não queria cancelar a luta, teria escondido a contusão, por acreditar que teria condições de se recuperar.

Demoramos um pouco para tratar este assunto porque queríamos checar melhor as informações. Acredito que insistir no confronto não foi uma decisão acertada. Ainda que Shogun tenha presenteado os amantes do MMA com uma das melhores lutas da história do esporte, ele se colocou sob um risco desnecessário. Espero que a lição tenha sido assimilada e que aquele guerreiro do Pride volte também a brilhar no UFC.