Ronda Rousey será a primeira a lutar no UFC já declarada campeã do torneio
O talento de Ronda Rousey é inquestionável: a lutadora só conhece vitórias no MMA (seis como profissional e três como amadora) e ostenta com propriedade o cinturão da extinta categoria do peso-galo do Strikeforce, torneio mantido pela Zuffa, mesma dona do UFC. Os combates dos quais participa acabam de forma fulminante para as adversárias. Especialista na chave de braço, ela costuma finalizar as oponentes antes do minuto inicial do duelo – apenas uma das lutas durou perto de cinco minutos. Mas o cartel de sucesso é detalhe dispensável frente ao poder de Rousey fora dos ringues. A atleta tem conquistado notabilidade pela capacidade de dobrar – sem qualquer esforço – o chefão da franquia, Dana White.
A loira mais bem-sucedida dos ringues diluiu a convicção do dirigente e o fez abrir as portas do torneio para o MMA feminino. Ou, melhor, para ela: Ronda Rousey se tornou a primeira mulher patrocinada pelo UFC e, agora, terá o direito de estrear no octógono dentro de um card com outros lutadores. Feito inédito na história de quase 20 anos do Ultimate Fighting Championship. A inclusão veio com bônus: o mandachuva do campeonato já concedeu a ela o cinturão do torneio. Em geral, a conquista é consequência de uma luta na categoria recém-criada – como ocorreu, em setembro, entre os moscas, na batalha vencida por Demetrious Johnson. Ronda pulou a etapa.
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A decisão de promover uma luta de mulheres alfineta o bom senso porque contraria até mesmo o meticuloso planejamento empregado pelos controladores do torneio. Antes de criar uma categoria, o UFC relaciona uma série de lutadores para alimentá-la e mantê-la viva por tempo significativo. Exemplo: a relação dos atletas peso-mosca é, hoje, a menor da franquia, com 15 lutadores – mas permite articular combates e atrair futuros atletas. A luta de Ronda será única: ela enfrenta Liz Carmouche (cartel de sete vitórias e duas derrotas) no combate do UFC 157, em fevereiro de 2013, com a promessa de encarar, futuramente, a brasileira Cris Cyborg, punida por doping. E é só. A incerteza prevalece quanto à contratação de mais mulheres pelo Ultimate.

O próprio Dana White encara a luta como uma aposta e se exime de responsabilidade quanto ao futuro do MMA feminino na franquia. O comportamento dele mais parece um presente à lutadora cuja trajetória dentro e fora do ringue cativou a atenção do dirigente.
Nascida nos Estados Unidos há 25 anos, Ronda fez carreira no judô, modalidade pela qual se tornou campeã nos jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007. Faturou a medalha de prata no mundial do mesmo ano, e, nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, subiu ao lugar mais alto do pódio.
A migração para o MMA se deu em 2010. Contra Miesha Tate, em março de 2012, protagonizou a luta principal de um card do Strikeforce, vencida pela loira no primeiro round. Desde então, ganhou o epíteto de imbatível. A julgar pela atenção conquistada da cúpula do UFC e pela atração exercida sobre fãs do esporte e holofotes da mídia, Ronda tem um futuro de invencibilidades pela frente. No octógono, o retrospecto mostra o quando será difícil demovê-la do papel de campeã. Longe dele, o carisma impõe a admiração com a qual dobrou quem jamais previa a capacidade de o jeitinho feminino conquistar até mesmo o inquebrantável chefão do torneio. Às colegas de profissão, resta o desafio de aproveitar a brecha para garantir a manutenção do espaço aberto por Ronda Rousey.



