Dana White se ajoelha e leva um coice

O chefão do UFC deu as mãos à burrice e tomou um coice do destino. Mesmo calejado por decepções anteriores, Dana White decidiu passar a mão na cabeça de Nick Diaz, o eterno bad boy do torneio, e ficou ajoelhado aos pés do lutador para evitar prejuízo financeiro e moral. Veio a público esbravejar contra a conduta do subordinado, acusado pelo dirigente de perder (junto com o irmão, Nate) gravações de programas promocionais da edição 158 e fazer a franquia torrar mais de cem mil reais. Quem mandou insistir com o problema?

Nick Diaz é recorrente em trapalhadas. Perdeu coletiva de imprensa quando se preparava para enfrentar o adversário de agora, o campeão do meio-médio, George St-Pierre, e amargou rebaixamento à luta secundária do torneio. Antes, ficou encostado por uso de maconha. A fúria de Dana White, vomitada durante entrevista à época, parecia sentenciar o lutador à demissão. Mas o dirigente incorporou a clemência e se curvou ao lutador intempestivo – ele permaneceu na franquia e, depois, ganhou a chance de disputar o cinturão.

Lutador mediano, feroz com as palavras e razoável no octógono, Nick Diaz se sentiu prestigiado a ponto de pedir uma disputa com St-Pierre, contra quem só poderia lutar se tivesse vencido Carlos Condit. O UFC chacoalhou os bastidores, furou a fila do cinturão e, sob a desculpa podre de promover um acerto de conta, autorizou o combate entre os dois.

A marmelada custou caro: com medo de levar uma surra do campeão, Nick Diaz encena o script do atleta irresponsável e força o torneio a defenestrá-lo para driblar o vexame de atrapalhar o protocolo promocional até a luta. O lutador, cuja garganta sempre antagonizou com as artes marciais, jamais deu indício de mudança e pouco faz para atender o torneio. Inexistiam motivos para dar-lhe outra chance. Mas Dana pegou a contramão da inteligência. Sem cabelos para arrancar, encara o resultado de, lá atrás, ter feito escolhas erradas e absolvido um lutador sem respeito pelo torneio. Ficou de quatro. E levou um coice.

O que será de Nick Diaz?

O combate entre George St-Pierre e Nick Diaz é um capítulo à parte do UFC. Desvia de acertos em função de ranking (qualquer um), foge a brigas por cinturão, escapa de confronto entre melhores. O duelo é um acerto particular. Às cegas da lógica. A encruzilhada entre pessoal e profissional. Vem de um pedido concedido sem bravatas pelo Ultimate a GSP, campeão do meio-médio, um dos melhores do MMA atual.

Pierre estava entalado com Diaz por conta das asneiras disparadas pelo bad boy do torneio meses atrás. Ambos deveriam se encontrar dentro do octógono no UFC 137. Mas Nick seguiu a coerência dos atos impensados: faltou à coletiva de imprensa e terminou punido. O duelo seguinte atrasou por conta de lesão de GSP.

A raiva nunca morreu. Hibernou para acordar meses depois. Às vésperas de despejá-la, no UFC 158, em março, George topou com Nick na entrevista a jornalistas, ontem. Os dois trocaram elogios. Mas a cordialidade, no MMA, é a ante-sala da fúria desmedida. Quando subir no octógono, St-Pierre terá as ferramentas para destroçar Diaz. Tem habilidade, agilidade, repertório e físico para fazer de Nick uma vaga lembrança de magrelo metido a lutador. Só o espírito do improvável salva o bad boy.

 Antes mesmo de a luta virar história, a dúvida inquietante a respeito do combate é: o que será de Nick Diaz quando a derrota se somar a uma trajetória marcada por indisciplina, abuso de maconha e palavreado calado por insucessos?

GSP se curva à facilidade e o MMA sofre…

Campeão prefere enfrentar o bad boy Nick Diaz a lutar contra o Aranha

E George St-Pierre se curvou. Preferiu o caminho mais fácil. Embora menos digno para a trajetória dele enquanto campeão do meio-médio do UFC. Aceitou lutar contra o bad boy da franquia, Nick Diaz – e a pecha de playboy do mal é o único atrativo dele na fase atual do showbiz do MMA – em detrimento de um possível combate contra Anderson Silva, melhor do momento nas artes marciais mistas. Entre arriscar levar uma surra do Aranha e sanar uma rixa antiga com um lutador cheio de empáfia e maus modos, a exemplo da suspensão por uso repetido de maconha, o canadense tascou a chance de sair por cima.

Os dois lutadores sobem no octógono em 18 de março de 2013. Antes, não dá. Há um detalhe nada desprezível pelo caminho: Nick Diaz aguarda o fim da suspensão de um ano por ter consumido maconha no período do duelo contra Carlos Condit, na disputa pelo cinturão interino da categoria. Combate do qual saiu derrotado depois de encher o peito se declarar o melhor antes de ser submetido ao infalível teste do esporte: simplesmente entrar, competir e ganhar.

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O falatório também dominou o primeiro encontro dos dois lutadores no ringue – frustrado porque Nick faltou à coletiva de imprensa sobre o torneio. Enfurecido, Dana White, o flexível presidente da franquia, colocou o atleta para fazer a luta secundária da noite e chegou a ameaçá-lo. Mas, ciente do potencial de lucro dos lutadores com a língua solta, amansou. E Nick ganha nova oportunidade de disputar o título da categoria. De quebra, também resolve uma pendência extra-octógono com St-Pierre. Nos meses recentes, os dois trocaram farpas pela mídia – fenômeno raro para o campeão, sempre tido como um gentleman pela conduta social – e se juraram mutuamente.

A St-Pierre, um fôlego para dissipar a atenção em torno da superluta contra Anderson Silva. Confronto do qual ele foge e se esconde atrás de argumentos financeiros. Levar o próximo desafio até março implicaria, logicamente, adiar um possível combate contra o Aranha para, no mínimo, o meio de 2013 – respeitado o prazo de descanso e recuperação pós-duelo. E tempo, como todos sabem, é um inimigo mordaz do brasileiro, já com 37 anos e perto de pendurar as luvas – embora insista junto ao UFC em estender o contrato por mais confrontos.

Cada vez mais envolvido com a possibilidade de faturar, o UFC nem hesitou em definir o duelo principal da edição de número 158. O canadense George St-Pierre, campeão com mais defesas de títulos depois de Anderson Silva, colocará o cinturão em jogo contra o garotinho problema do torneio, o imprevisível Nick Diaz. A escolha vai valer a noite: os dois chegarão ao confronto com fumaça no nariz. Mas, lá no fundo, fica a sensação de mais uma oportunidade perdida. Bom mesmo seria ver GSP em pé de igualdade contra o Aranha brasileiro. O MMA se curvaria.

O UFC vai barrar os aventureiros?

Agora é Nick Diaz que quer fazer superluta contra Anderson Silva

O silêncio do UFC antes de definir o próximo adversário do imbatível Anderson Silva virou espécie de concessão para aventureiros se lançarem no caminho do Aranha. E eles começam a dar as caras. Nick Diaz, atleta punido duas vezes pela comissão atlética por uso de maconha, derrotado por Carlos Condit na luta criada para aquecer o combate com o campeão George St-Pierre, desfruta os 15 minutos de fama ao ver o nome atirado no noticiário pelo treinador Cesar Gracie.

O que o credencia a uma superluta contra o campeão dos médios, o maior da atualidade nas artes marciais mistas? Nada. Apenas uma retaguarda técnica de influência na comunidade do MMA e um barulho em torno da fama de “bad boy” da franquia – mais pela forma de agir verificada fora do octógono. Nick reza pela cartilha de comportamento escrita por Chael Sonnen: faz questão de alimentar a os gestos destemperados – já foi fotografado com o dedo médio em riste, faltou a coletiva de imprensa marcada pelo UFC, recebeu punição por indisciplina – e falar muito antes dos combates. Mas é só.

Quando finalmente passou perto de tentar o cinturão contra St-Pierre, correu da entrevista, enfureceu Dana White e acabou rebaixado no card. Em seguida, disparou farpas contra o campeão o canadense do meio-médio. Testado antes contra Carlos Condit, mostrou um desempenho pífio e perdeu o cinturão interino. Pior: flagrado no antidoping pela segunda vez por uso de maconha, foi para a geladeira, de onde só sai depois de fevereiro do próximo ano. Aos 29 anos, o atleta acumula 26 vitórias na carreira e apenas oito derrotas. Mas, no UFC, o resultado é sete triunfos e cinco tropeços. O sucesso obtido no Strikeforce é o único cartão de visita apresentável ao combate. Ainda assim, é pouco para fazer frente ao Aranha.

O colega de bravatas Chael Sonnen chegou mais longe com as provocações longe do ringue. Conseguiu lutar contra Anderson Silva por duas vezes – e perder ambas – e, agora, vai disputar o cinturão dos meio-pesados contra Jon Jones. Ele rende dinheiro e atrai patrocínio. É o único trunfo. Diaz nem isso conseguiu. Antes de vislumbrar uma superluta, ele precisa deixar de ser um meio atleta. Corrigir a postura extra ringue e subir a escada dos adversários para topar com os maiores. O UFC precisa bradar contra os aventureiros.

No Twitter, @tiagobarbosa_

Nick Diaz: 12 meses sem lutar

Bad boy do UFC finalmente foi punido por uso de maconha

Nick Diaz (e) apanhou no ringue e, agora, sofre fora dele

 

Havia esperança no ar. Uso de maconha como tratamento terapêutico, autorizado para fins medicinais. Desculpa aparentemente plausível para vingar o tropeço flagrado pelo antidoping durante o UFC 143, na luta contra Carlos Condit pelo cinturão dos meio-médios. O pretexto de nada valeu. A Comissão Atlética de Nevada, nos Estados Unidos, foi impiedosa com Nick Diaz, considerado bad boy do Ultimate. Sentenciou o lutador a 12 meses de afastamento do octógono e aplicou multa de 30% sobre a bolsa recebida pelo combate em fevereiro deste ano.

A punição esfriou qualquer tentativa do UFC de ressuscitar Nick Diaz para duelar contra o atual campeão da categoria, George St-Pierre. O canadense se recupera de cirurgia no joelho e treina para unificar os cinturões dos meio-médios – o título interino pertence a Carlos Condit. A troca de insultos e demonstrações públicas de ódio alimentaram o confronto entre Diaz e St-Pierre. Mas o doping jogou uma pá de cal na estratégia de colocá-los frente a frente.

Nick amarga novo arranhão na carreira. Soma o desgaste à falta em uma coletiva de imprensa – punida com rebaixamento da luta principal para secundária -, reprovação em exame antidoping, pesagem acima do estabelecido e ausência de outros compromissos agendados pelo UFC. Na semana passada, ignorou luta-exibição de jiu-jitsu marcada com o pernambucano Bráulio Estima, em uma feira mundial voltada a fãs, lutadores e patrocinadores.

A sucessão de equívocos cometidos por conta de indisciplina e irresponsabilidade obscurece a imagem de lutador aguerrido e competente apresentada por Nick dentro do octógono. O retorno parece cada vez mais difícil.

Veja também: Nick Diaz dá bolo em pernambucano

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Ex-lutador do UFC falta a luta contra pernambucano

Nick Diaz alega calote para deixar de comparecer a combate com Braulio Estima

Pernambucano ficou revoltado

 

O bad boy da luta Nick Diaz mantém o mal comportamento com o qual ficou conhecido durante a passagem pelo Ultimate Fighting Championship (UFC). Punido por boicotar compromissos da franquia e afastado das competições após ser flagrado no exame antidoping por uso de maconha, o lutador segue incorrigível. A mais recente trapalhada fora dos ringues ocorreu no sábado passado. Ele ignorou uma luta exibição marcada contra o pernambucano Braulio Estima, tricampeão mundial de jiu-jitsu, pelo World Jiu-Jitsu – evento para troca de experiência entre lutadores da modalidade, patrocinadores e representantes comerciais de produtos destinados a atletas.

O lutador alegou calote por parte da organização do evento para faltar ao combate. No Facebook, postou: “O organizador não doou o dinheiro para a caridade e mudou as regras para beneficiar o colega brasileiro”. Nick repassaria o valor da bolsa a entidades beneficentes. No duelo da noite, enfrentaria o pernambucano em um duelo de jiu-jitsu sem quimono.

Braulio condenou a ausência do ex-lutador do UFC e reiterou a vontade de encará-lo. “Eu gostaria de enfrentá-lo nas artes marciais mistas e tenha certeza de que eu estaria lá”, afirmou a repórtere à beira do tatame. O pernambucano é um lutador reconhecido no universo do Brazilian Jiu-Jitsu. Nasceu no Recife e fez carreira sob a tutela da Academia Gracie Barra. Aos 31 anos, ostenta, além dos três títulos mundiais, medalhas de ouro no Campeonato Panamericano de 2006 e Europeu de 2007.

Nick Diaz espera um abrandamento da pena no UFC para retomar o sonho de enfrentar o canadense George St-Pierre – detentor do cinturão dos meio-médios da franquia – e conquistar o cinturão da categoria.

Dana White e o doping no UFC: dois discursos?

Presidente do UFC condena uso de substâncias ilícitas, mas teme postura mais rigorosa em relação a atletas com potencial de gerar lucro para a franquia

Dana White esbraveja: contra as substâncias ilícitas, os atletas usuários, o resultado positivo dos exames antidoping. Dana White sofre: com o risco de o MMA perder credibilidade, a possibilidade de os recursos minguarem, a retração do esporte. E Dana White age: condena publicamente os lutadores irregulares, respalda a comissão atlética responsável pelos testes, enquadra o plantel do UFC nas decisões. Mas, quando a situação ameaça a edição de um torneio extremamente esperado, Dana White: muda. Ou melhor, alivia. E é um perigo.

O doping é uma prática perniciosa para qualquer esporte. Aumenta a performance dos atletas e desequilibra a disputa saudável. O rigor dos exames, revigorado anualmente por comitês olímpicos e outras comissões esportivas, atesta a preocupação. Nada há de novidade. Mas a preocupação é redobrada no MMA.

As artes marciais mistas sempre caminharam em paralelo às associações com episódios violentos, capitaneados por vândalos embrutecidos a anabolizantes em academias e instituições de caráter duvidoso. O quebra-pau comum às edições de vale-tudo em décadas passadas ilustra as cenas de barbárie. A desvinculação da imagem de brutalidade se tornou uma tarefa executada com primor por Dana White e companhia à frente do UFC. E o trabalho passou pela construção da imagem de atletas saudáveis: da filosofia à condição física. Daí, o prejuízo multiplicado pelo infinito quando um lutador é enquadrado no exame.

O presidente do Ultimate conhece o problema. Condena o uso. Mas, em momentos recentes, escorregou no discurso, estremeceu a postura e pôs em xeque a linha a ser tida como exemplo por outros atletas. Quando Nick Diaz acabou apanhado no teste por utilização de maconha – e ficou muito longe de realizar uma luta lucrativa aos olhos do UFC contra George St-Pierre -, Dana White trabalhou nos bastidores para colocar panos quentes e suavizar a punição. A batalha contra o desafeto Pierre renderia bilheteria e pay-per-view. Medida recente adotada pela Comissão Atlética da Califórnia – competente para regular os casos – entendeu ser toleráveis a utilização de maconha e a reposição hormonal para casos específicos. Ainda não é decisivo.

Outro escorregão de Dana veio com a postura dúbia em relação a Alistair Overeem, …Continue lendo…

Maconha é peça fora do octógono

Chefão do UFC “dificulta”retorno de Nick Diaz

No octógono, Nick (à esq.), apanhou

Os apelos minguam a cada tentativa. Quem ansiava assistir logo ao retorno do bad boy do UFC ao octógono vai brigar com o tempo. Em entrevista divulgada pela revita MMA Wekly, o mandachuva do Ultimate, Dana White, colocou uma pá de terra na esperança do atleta punido por testar positivo para maconha na edição de número 143.

“Minha posição sobre a coisa toda é … não é permitido. Você não está autorizado a fazê-lo. Qualquer que seja a comissão diz que você não está autorizado a fazer. Não importa o que eu acho que …. Eu não fumo maconha, não é o meu negócio é ilegal,.. você não pode fazer isso eu não posso apresentar um argumento para justificar o fato de (Nick Diaz) ele usar”, ele lamentou.

Nick era cotado para desafiar o campeão afastado dos meio-médios, George St-Pierre, mas perdeu a luta travada contra Carlos Condit. O anúncio do flagrante no uso de maconha veio a público quando o chefão do torneio cogitava uma revanche os dois.

O UFC apostava numa reviravolta no resultado para faturar em cima da  batalha entre Nick e Pierre – porque os dois trocaram farpas durante meses. A alternetiva do Ultimate é calibrar a propaganda em cima de Condit para dar brilho na disputa pelo cinturão da categoria.

Maconha seria usada como tratamento

Técnico de Nick Diaz tenta limpar a ficha do lutador para vê-lo novamente nos ringues

Nick: saúde à base da erva

Apanhado no antidoping por uso de maconha pela segunda vez, o lutador Nick Diaz pode estar com os dias contados no UFC. Talvez até no MMA. A notícia do teste positivo após a derrota diante de Carlos Condit, no UFC 143, encerrou também os planos de vê-lo lutar em breve contra o principal desafeto, o campeão da categoria George St-Pierre. O treinador do atleta veio a público para tentar minimizar o estrago provocado pela erva. Em entrevista, ele atribuiu o resultado do exame a um descuido no tratamento de saúde feito pelo lutador com utilização de marijuana.

“Eu fiquei muito desapontado. Todo mundo sabe que ele fuma maconha medicinalmente na Califórnia. Ele tem o direito legal de fazer isso nesse estado. Nick ficou surpreso com o resultado positivo. Ele faz o mesmo ritual sempre para lutar nos últimos cinco anos. Parou a tempo e limpou o organismo, como um louco, bebeu bastante água e expurgou a erva do organismo”, tentou remediar Cesar Gracie, técnico do atleta.

A Comissão Atlética de Nevada deve avaliar o caso e definir uma punição para o atleta. O último antidoping positivo rendeu a Nick uma suspensão de seis meses e o pagamento de uma multa de três mil dólares. A reincidência, no entanto, deve lhe custar bem mais. A menos que os integrantes da entidade tenham a bondade de aceitar os argumentos do técnico do atleta e, como fez um dia Dana White, presidente do UFC, passem a mão na cabeça dele…

Maconha estraga planos do UFC

O enredo se desenvolvia sem atropelos: nos bastidores, as peças se mexiam para preparar uma revanche entre Nick Diaz, considerado bad boy do MMA, e Carlos Condit. O lutador com fama de moleque havia perdido por pontos o duelo no UFC 143. A derrota tinha jogado um banho de água fria na expectativa do Ultimate de vê-lo enfrentar o campeão George St-Pierre, afastado dos ringues por conta de cirurgia. Apesar da chiadeira de Condit, o presidente da franquia, Dana White, considerava a hipótese de colocá-los novamente frente a frente. Mas a maconha…

A maconha se tornou, pela segunda vez, a vilã inesperada na carreira de Diaz – a primeira vez foi em 2007. Inesperada para quem nutria a esperança de vê-lo afastado da droga e inteiramente dedicado à disciplina do esporte. Para o lutador, o consumo venceu. E ele acabou, de novo, apanhado pelo exame antidoping. Pela reincidência, o atleta deve ser punido com mais rigor pela comissão atlética. E o presidente do UFC será obrigado a repensar os rumos tanto da categoria meio-médio como do lutador problema – além do uso da erva, Nick já faltou a coletiva e apresentou-se acima do peso para uma luta.

O arranhão na imagem do esporte é, por enquanto, uma das maiores preocupações do UFC. Até o resultado do exame pós edição 143, ele era apontado como único capaz de bater George St-Pierre. O atual campeão, de molho por problemas de saúde, engoliu a corda e sentiu-se pressionado a encarar o desafeto. Em declarações públicas, chegou a ignorar o vencedor Carlos Condit e demonstrou preferência em lutar com Nick. O ódio mútuo fomentaria uma rivalidade bem tratada pelos veículos especializados no esporte e, claro, pelo marketing até desembocar em um evento lucrativo. Mas a maconha…

Nick “brilha” em anúncio na Times Square, em NY

Agora, apoiar um atleta cujo uso de substância proibida se deu pela segunda vez soa como dar murro em ponta de faca. E o presidente do UFC – ele lamentou o doping de Nick – está em uma encruzilhada entre a possibilidade de lucro e a ética do MMA. Pior: em Nova Iorque, onde o MMA é proibido, o consumo da erva por Diaz caiu como uma bomba. Justamente quando o UFC faz esforços – apoiado em um número expressivo de atletas – para validar o torneio de lutas na capital do mundo. Dana White já bancou o misericordioso e passou a mão na cabeça do atleta quando ele faltou a uma coletiva de imprensa do próprio UFC. Repetir o gesto pode custar um estrago irremediável a longo prazo.