Anderson Silva agride Sonnen na pesagem e se mostra furioso para a luta de amanhã
Anderson Silva está mordido. As palavras semeadas por Chael Sonnen desde a derrota no UFC 117, em 2010, geraram um rival com sangue nos dentes. A expressão é até suave. O Spider brasileiro parece ter assimilado o fato de a revanche ser inevitável. E o comportamento nos dias anteriores à luta de amanhã atestam a raiva explodida. A postura pós-pesagem, nesta noite, é a prova incontestável de um Anderson Silva tomado pelo ódio. Ao se aproximar do oponente para a tradicional encarada, ele deu uma ombrada no queixo de Sonnen. O gesto ultrapassou a provocação. Foi um golpe.
A turma do deixa disso – com o mandachuva Dana White à frente e um boquiaberto Bruce Buffer ao lado – separou os dois. Mas a adrenalina se espalhou. O público delirou com a audácia de Silva e a consequente provocação em tentar novamente se aproximar para saber se o inimigo tinha se machucado. Sonnen ficou desconsertado. O temor parece lhe tomar. Ou seria a frieza característica da confiança? O queixo doeu. E o norte-americano o moveu na tentativa de disfarçar a pancada. “Campeão versus mito. Lenda versus ícone. Anderson Silva x Chael Sonnen ao vivo amanhã”, afirmou. Na semana da luta, ele suavizou as palavras. Até reconheceu a vitória do brasileiro no UFC 117. Aceitou ter batido e desistido após ser finalizado em um triângulo – ele relutava em admitir o fracasso.
Anderson parece obstinado. “Eu não respeito Chael Sonnen. Chael não respeita nada. Ele não respeita o Brasil, não respeita o UFC. Amanhã nós vamos lutar”, ele disse. A plateia o vaiou. Não é a primeira vez. Silva luta em terra estrangeira – contra a vontade, pois esperava bater o desafeto número 1 no Brasil. A pressão financeira dos cassinos o afastou do país natal. Mas foi incapaz de derrubar a vontade de vencer.
Dana White está impossibilitado de reclamar. Exigiu o confronto. Fez vista grossa para os desmandos de Sonnen durante meses. Colocou Anderson contra a parede. Seduziu, ofereceu o Brasil, depois recuou. Manobrou para definir o confronto da forma como queria: nos Estados Unidos, na casa do UFC, Las Vegas, com a chance de quebrar recordes de pay-per-view. O clima tenso e de guerra desde o início da semana certamente vai alavancar as vendas da transmissão. E concentrar os olhares para a luta do século – mais uma.
Anderson Silva, no entanto, precisa ter cautela. O campeão Goerge St-Pierre advertiu para o fato de ele ter “engolido” o jogo de Sonnen. Sucumbiu às provocações? Será dominado pelo lado emocional? Será capaz de controlar os impulsos e transformar ódio em golpes certeiros? O brasileiro conserva a maioria dos recordes do Ultimate. Está invicto há anos. Detém o maior número de vitórias sucessivas no torneio. A trajetória está por um fio. Ele precisa ser inteligente o suficiente para se dominar. Há meses, Silva elegeu o único lutador capaz de vencê-lo: o seu clone. É hora de lutar contra si mesmo e manter o cinturão.
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Os demais brasileiros conseguiram bater o peso e vão lutar amanhã. Confira a pesagem:
CARD PRINCIPAL
Peso-médio (até 83,9kg*): Anderson Silva (83,4 kg) x Chael Sonnen (83,9 kg)
Peso-meio-pesado (até 93,4kg): Forrest Griffin (92,5 kg) x Tito Ortiz (92,5 kg)
Peso-médio (até 84,4kg): Cung Le (83,9 kg) x Patrick Côté (83,9 kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg): Dong Hyun Kim (77,1 kg) x Demian Maia (77,1 kg)
Peso-pena (até 66,2kg): Chad Mendes (66,2 kg) x Cody McKenzie (65,8 kg)
Peso-galo (até 61,2kg): Ivan Menjivar (61,7 kg) x Mike Easton (61,2 kg)
CARD PRELIMINAR
Peso-leve (até 70,8kg): Melvin Guillard (70,3 kg) x Fabrício “Morango” Camões (70,8 kg)
Peso-leve (até 70,8kg): Gleison Tibau (70,3 kg) x Khabib Nurmagomedov (70,3 kg)
Peso-médio (até 84,4kg): Costa Philippou (84,4 kg) x Riki Fukuda (83,9 kg)
Peso-leve (até 70,8kg): John Alessio (70.8 kg) x Shane Roller (70,3 kg)
Peso-leve (até 70,8kg): Rafaello “Trator” Oliveira (70,8 kg) x Yoislandy Izquierdo (70,8 kg)


