Sonnen tem limite?

Lutador norte-americano incentiva os atletas com dicas sobre roubar, esfaquear e matar

 

O lutador norte-americano Chael Sonnen alcançou o patamar de celebridade do UFC pelas pérolas disparadas com a língua ferina. Atacou o lutador brasileiro Anderson Silva desenfreadamente. Chamou-lhe de covarde, ameaçou o atleta em público e, em uma prova de pseudo coragem, ofendeu a mulher do Aranha em um tom provocativo no mínimo ridículo: ele, o bravo, entraria na casa do campeão dos meio-médios e daria um tapa na esposa do ídolo tupiniquim.

O novo front da esculhambação envolveu o lutador Lyoto Machida. De forma lacônica, Sonnen brincou com o hábito do Dragão de ingerir a própria urina. Machida lhe desafiou para o combate. O norte-americano, no alto da valentia, claro, recusou. Mais um estrago moral, no entanto, estava feito.

A trincheira mais recente das declarações desastrosas de Sonnen veio em um vídeo no qual ele se arrisca a ensinar algo a novos lutadores. A sequência de situações criadas pelo atleta envergonha qualquer profissional do MMA. O encorajamento passar por incitação a roubar, esfaquear e matar (veja o vídeo).

Já é hora de o UFC tomar uma posição quanto aos limites da impáfia de atletas desprovidos de bom senso. Uma medida radical, tomada pelo presidente da franquia, Dana White, indicava uma intolerância a posicionamentos preconceituosos e difamatórios: ele baniu o lutador Miguel Torres dos torneios do Ultimate depois de o lutador fazer uma piada de mau gosto sobre estupro no Twitter.

Mas as punições em relação aos deslizes verbais parece ter parado por aí. Sonnen goza de prestígio e holofotes da mídia em todo o mundo e, por isso, desfila idiotices ao vento sem qualquer repreensão. É um péssimo indício de diferença no tratamento dado pelo UFC aos próprios atletas e, pior, um sinal claro do desconhecimento de certos profissionais sobre o papel desempenhado dentro do esporte por praticado por eles. O respeito mútuo entre os lutadores e ao público é a raiz de um relacionamento saudável com a sociedade e um ingrediente indispensável à popularidade entre as modalidades consagradas mundo afora. É hora de o UFC abrir o olho para as práticas perniciosas ao MMA…