Aranha atende a pedido do chefe e vai lutar no UFC Rio 3. Minotauro também participa
Dana White acertou. Substituiu com velocidade e à altura os principais personagens do UFC Rio 3. Com a saída de José Aldo e Rampage Jackson (machucados) do card, escalou Anderson Silva e Minotauro para fortalecer o evento e salvá-lo do fiasco. O corte dos dois atletas sentenciaria a edição na Cidade Maravilhosa ao fiasco. Faltariam nomes de peso para garantir a audiência, atrair patrocinadores e conquistar a atenção dos fãs. Dana só precisou de um telefonema para sondar o campeão brasileiro dos médios e confirmá-lo entre os participantes. A inclusão de Minotauro também caiu bem: o atleta é tido no país como o rosto do esporte. A história de superação dele o credencia a título de herói do povo.
O presidente do UFC tinha poucas possibilidades – os brasileiros mais conhecidos (Lyoto, Shogun, Cigano) haviam lutado recentemente ou possuíam compromissos em breve – e estava pressionado pelo tempo e pela lembrança infeliz do evento mais recente promovido no Brasil. A edição de 13 de outubro exigia reparação do pouco convincente torneio realizado em Minas Gerais. A cidade de Belo Horizonte acabou como sede para a final do The Ultimate Fighter Brazil, vale frisar, depois de uma pendenga entre o Rio de Janeiro (impossibilitado por conta da Conferência das Nações Unidas) e São Paulo (impedida em função de leis rígidas contra barulho durante a madrugada). Sobrou BH, mas faltaram atrativos: a luta entre Anderson Silva e Chael Sonnen migrou para Las Vegas por pressão dos patrocinadores. E Vitor Belfort, uma das estrelas do card, machucou a mão na véspera do evento. A edição meia-boca acabou com derrota de Wanderlei Silva para o veterano Rich Franklin. Nada empolgante.
A escolha de Minotauro e Anderson Silva – principalmente o campeão – é um remendo para tentar manter o alto nível da próxima edição. Bom para o Ultimate e os lutadores recém-relacionados. A decisão de aceitar entrar no UFC Rio 3 com apenas um mês para se preparar salda uma dívida do Aranha com o torcedor brasileiro e sela a sintonia entre Anderson e o patrão Dana White. A transferência do combate com o falastrão norte-americano travou o estômago do campeão meses atrás. Silva queria bater o adversário no país. Era uma forma de fazê-lo engolir – a golpes e nocaute – as palavras maldosas desferidas contra os brasileiros. Dentro de casa, o show teria sabor de desforra. A mudança tomou o Aranha de assalto e o fez digerir a contragosto o combate. As relações com o chefe ficaram arranhadas.
Sinal da boa vontade de Anderson para contornar o mal-estar com o dirigente já havia sido dado quando Dan Henderson ficou impossibilitado de participar do UFC 151 por força de uma lesão. Ao se candidatar para salvar o evento, ele fez apenas uma exigência: não enfrentar Jon Jones, até então definido como a luta principal. Os torcedores mais aficcionados do MMA encararam a condição imposta pelo campeão como indício de receio de duelar contra o segundo lutador mais talentoso da momento do UFC.
É preciso ter calma.
Do ponto de vista comercial, um combate arranjado em cima da hora seria pouco lucrativo para o lutador e os patrocinadores. Se havia a possibilidade de colocá-los no octógono, seria melhor trabalhar o evento e torná-lo rentável – como foi a luta entre Silva e Sonnen, uma das mais assistidas da história. A questão técnica também interferiu. Enfrentar Jones seria o desafio mais perigoso para Anderson, principalmente na fase atual da carreira, à beira da aposentadoria. Necessitaria de preparo específico e estratégia aperfeiçoada com o tempo. O imediatismo poderia ser um obstáculo em uma luta provavelmente decidida – pela qualidade dos atletas – em detalhes.
O combate entre os dois craques do MMA, só para deixar claro, ainda é considerado pelos dirigentes do UFC: em entrevista recente, Dana White aventou a possibilidade de ver Anderson enfrentar Jon Jones depois de colocar o brasileiro diante de outra lenda, o canadense George St-Pierre. O discurso do mandachuva sugere o início de um trabalho para fazer a luta acontecer, mesmo contra a vontade dos dois atletas, auto-declarados amigos.
O ADVERSÁRIO
O Aranha vai lutar, no UFC Rio 3, contra Stephan Bonnar, 35 anos, categoria dos meio-pesados, acima do peso médio no qual está o brasileiro. O lutador norte-americano vem de uma trajetória incerta. Mas guarda na história o principal trunfo: ele fez a luta principal da primeira edição do The Ultimate Fighter dos EUA. O programa é considerado fator decisivo na popularização do UFC no país e bóia salva-vidas na qual a cúpula do torneio se agarrou para evitar naufragar depois de ter comprado a marca anos antes. O duelo de Bonnar com Franklin em 2005 (Bonnar perdeu na decisão) é um das mais significativos do percurso recente do Ultimate, reconhece o próprio Dana White.
No combate do dia 13 de outubro, o brasileiro é favorito disparado. Oriundo do jiu-jitsu e ex-aluno do lendário Carlson Gracie, Bonnar lutou pela última vez em novembro do ano passado. Nos últimos seis combates, venceu três lutas – sucessos obtidos em sequência nos confrontos mais recentes. Entre as derrotas, uma para Jon Jones por decisão dos árbitros. Mas a situação importa menos que a disposição. Bonnar volta à história do UFC ao cavar lugar no coração do chefe por aceitar o combate em cima da hora contra um dos mais talentosos lutadores do MMA mundial. A cartada de Dana deve garantir atenção ao evento e, certamente, livrá-lo do fracasso ao qual estava condenado com a perda de nomes como José Aldo e Rampage Jackson. O apelo ao melhor sempre funciona. Agora, o show é no ringue.
O CARD
UFC Rio 3
HSBC Arena, Rio de Janeiro
Sábado, 13 de outubro de 2012
- Anderson Silva enfrentará Stephan Bonnar;
- Glover Teixeira enfrentará Fábio Maldonado;
- Rodrigo Minotauro enfrentará Dave Herman;
- Wagner Caldeirão enfrentará Phil Davis;
- Demian Maia enfrentará Rick Story;
- Erick Silva enfrentará Jon Fitch;
- Rony Jason enfrentará Sam Sicilia;
- Serginho Moraes enfrentará Renée Forte;
- Cristiano Marcello enfrentará Reza Madadi;
- Diego Brandão enfrentará Joey Gambino;
- Francisco Massaranduba enfrentará Gleison Tibau.





