O consenso parece inegável: o MMA é um esporte com perspectiva de crescer sem sobressaltos no Brasil. O sucesso de público e de audiência percebido durante o UFC Rio, no fim de agosto, apenas atestou um fenômeno registrado em outros cantos do planeta. A atenção demasiada, observada na mídia, nas conversas e nos programas televisivos, com a participação dos lutadores e o carinho explícito dos fãs, ratificou a sina da prática esportiva. E, claro, atiçou o olhar dos donos das redes de televisão.
A Rede TV, detentora dos direitos de transmissão, chegou a ficar em primeiro lugar na audiência por poucos minutos durante a realização do evento na Cidade Maravilhosa, segundo o Ibope. Superou a Globo, líder inconstestável no horário. A média, entre 9 e 12 pontos, bateu até mesmo à do Pânico na TV, programa de maior retorno junto ao público da própria Rede TV. Não à toa, os dias seguintes ao torneio foram marcados pela exposição exarcebada dos atletas de MMA nos quadros da emissora.
A informação veiculada pela Folha de São Paulo sobre a desistência da Globo de brigar pelos direitos de transmissão do UFC em 2012 pode esquentar a disputa entre as outras emissoras. A Bandeirantes teria manifestado interesse em veicular as atrações ligadas ao UFC. Em entrevista ao Portal Imprensa, o gerente de Esportes da Rede Record deixou em aberto a possibilidade de cair em campo para passar o maior torneio de lutas de artes marciais mistas do mundo. “Quando for aberto algum tipo de negociação, a Record vai se mexer”, teria afirmado Sérgio Hillinsky.
O sucesso de público e de audiência do UFC Rio empolgou os organizadores do UFC. Dana White, presidente da marca, brincou, na entrevista coletiva após o evento: “Poderíamos fazer as lutas aqui toda semana”. Um dos dois irmãos donos do Ultimate Fighting Championship, Lorenzo Fertita, considerou a hipótese de o Brasil sediar quatro campeonatos em 2012.
A franquia do UFC traz retorno financeiro tanto para os organizadores – todos os cerca de 15 mil ingressos no Rio foram vendidos em questão de horas - quanto lutadores. O atleta brasileiro Rodrigo Minotauro, por exemplo, recebeu mais de R$ 800 mil em prêmios pela participação e desempenho durante a luta contra o norte-americano Brendan Schaub no Rio. Há, ainda, o lucro indireto com a venda de produtos da marca UFC, como camisas, bonecos, luvas, entre outros artigos.
A desistência da Globo de lutar pela transmissão - com base no argumento de que a prática estimula a violência – pode ter se configurado como um erro estratégico. Tanto pelo ponto de vista comercial como esportivo. O retorno financeiro se desenha como sólido no horizonte (basta perguntar à Rede TV). E, no panorama atlético, a aceitação em relação ao MMA mudou significativamente nos últimos anos, com a introdução de limites, regras e tempo para os combates. Nos Estados Unidos, a Fox arriscou e comprou os direitos de transmitir as lutas.
A disputa pelos direitos de transmissão entre as outras emissoras favorece o fã de combates porque amplia o valor do esporte. Quem ganhar deve se esforçar para dar conta do recado e deixar o público satisfeito. No centro do ringue, estão a expansão da audiência e o crescimento do lucro com a exibição dos duelos. E ninguém quer sair na foto nocauteado pelo prejuízo.
