Cigano x Velasquez: a revanche se aproxima

Um dos confrontos mais esperados do ano no UFC será realizado no próximo dia 29. O brasileiro Junior Cigano dos Santos, campeão do peso-pesado e um dos atletas mais ágeis da categoria, se prepara para enfrentar Cain Velasquez, exímio atleta, só abatido pelo próprio dono do cinturão. Cigano vem de vitória contra Frank Mir e Velasquez de triunfo sobre Pezão. A revanche promete. Veja vídeo feito pelo UFC sobre a preparação do atleta brasileiro.

Shogun e Machida: revanche no horizonte

Se ganharem combates de amanhã, brasileiros devem fazer tira-teima

Uma vitória para cada lado até agora

 

Empacotem o sonho do cinturão. Guardem na geladeira. Ou deixem de molho. Não é para agora. Maurício Shogun Rua e Lyoto Machida possuem um compromisso antes de desfrutar a chance de recuperar a soberania nos meio-pesados do UFC. Se vencerem os combates de amanhã contra Brandon Vera e Ryan Bader, respectivamente, eles devem se enfrentar em um tira-teima para decidir quem tem direito de disputar o título. É o caminho natural posto diante do mandachuva do Ultimate, Dana White.

O dirigente até tropeçou na língua nos útimos dias. Deu preferência a Shogun e Vera. Pressionado pela razão, estendeu a Machida e Bader o privilégio. Mas se os dois brasileiros lograrem sucesso no octógono, como Dana decidiria entre eles?

Shogun e Machida chegam ao UFC On Fox 4 em situação semelhante. O primeiro perdeu a luta, o cinturão e a moral contra o atual campeão, Jon Jones – foi surrado até ficar tonto e ver o combate ser encerrado pela arbitragem. Merece elogio pela capacidade de resistência. Machida perdeu para Jones de forma melancólica. Dormiu em pé após estrangulamento. Pesa a favor do carateca, no entanto, o controle da luta e dos golpes no primeiro round.

O desempate seria pelo retrospecto no confronto direto. Mas o duelo entre ambos está igualado. Machida bateu Shogun na defesa do cinturão. Na revanche logo em seguida, sofreu o primeiro nocaute na trajetória no MMA. Uma vitória para cada lado. O tira-teima, é óbvio, sobressaiu na coletiva de ontem sobre o UFC On Fox 4. Todos querem saber quem teria preferência na disputa do cinturão. Como sair do embate?

Há uma carta na manga do UFC. E ela rende grana. Shogun e Machida podem se tornar os técnicos da próxima edição do The Ultimate Fighter Brazil. Cairiam como luva no programa. Os dois têm carisma, se expressam bem, são “bons moços” e conquistaram respeito no mundo das artes marciais mistas. Levariam ao ar a disputa e o treinamento dos meio-pesados – a primeira edição trabalhou peso-pena e médio. E, pelo próprio perfil, garantiriam o toque de elegância e humanidade necessário à segunda edição do reality.

A saída ganha corpo como a mais viável para evitar o constrangimento a Dana White de decidir – sem critérios palpáveis, diga-se – quem é o indicado a lutar contra o vencedor de Jon Jones e Dan Henderson. Mas, antes de avançar no tempo, é preciso respeitar o presente. Brandon Vera e Ryan Bader lutam por espaço ao sol e prometem endurecer a vida dos brasileiros. A revanche, recomenda a prudência, começa no octógono de amanhã. Só a vitória permite imaginar o título no horizonte. Antes disso, o sonho do cinturão repousa na gaveta do tempo.

Brasil, teu nome é UFC

A noite em que a vingança de Anderson Silva fez o país das chuteiras reverenciar o MMA

Das redes sociais, a ansiedade pingou incessantemente. Vozes distintas, de pontos diferentes do Brasil, construíram a corrente de apoio em nome da pátria. Uniram forças para empurrar o campeão no rumo da glória. Das ruas, o desejo brotou único e indissolúvel:  a vontade de rever o ídolo em ação reuniu o povo em frente da TV. Bares tomados, lares insones, um exército de torcedores de prontidão à espera do golpe derradeiro para vingar o orgulho ferido.

A vitória de Anderson Silva sobre Chael Sonnen neste sábado, em Las Vegas, ultrapassaria as fronteiras do octógono. As provocações desferidas pelo norte-americano durante quase dois anos, os xingamentos disparados à nação brasileira, o desrespeito à mulher do Spider e o menosprezo à cultura tupiniquim redefiniram o teor do combate: a luta deixou de ser entre dois atletas. Virou a batalha pelo orgulho. O duelo pela honra. A guerra contra o mau-caratismo. Anderson vestiu o bem. Empunhou a humildade. Representou a decência. Envergou o respeito. Anderson virou Brasil. Sonnen, o resto. E, no confronto para calar a soberba e a idiotice, a pátria das chuteiras calçou as luvas, entrou no octógono e armou a guarda. Na noite do sábado, o país do futebol virou a terra do MMA.

O campeão pareceu nervoso. Lambeu os lábios. Sentiu o peso sobre os ombros. Nas costas, levou o retrospecto de 14 vitórias consecutivas no UFC. Nove defesas de títulos. A invencibilidade à beira da decisão de se aposentar, aos 37 anos. Mais: carregou a expectativa de uma nação agora acordada para a vida dentro do ringue. Fracasso significaria recuo das artes marciais mistas. Decepção, retrocesso. A responsabilidade o dominou no primeiro round. Silva caiu diante de Sonnen. O norte-americano, no entanto, também titubeou. Precisava validar o deboche, legitimar a revanche. E se fez feliz por cinco minutos. Levou o brasileiro ao chão. Dominou. Bateu. Mas, apertado, perdeu a velocidade e a força dos movimentos. Fim do round. A sensação do massacre visto em 2010, no UFC 117, espalhou-se no ar. Doce ilusão.

Anderson Silva despejou o nervosismo no intervalo. Retornou como mito. Reinventou a luta. A esquiva se impôs. Ficou invisível para o oponente. Socou. Sonnen sentiu e, na trapalhada da falta de habilidade, girou no vazio para cair sem acertar Anderson Silva. O brasileiro o derrubou ao dançar o corpo para baixo. O adversário brasileiro se apagou. Anderson encaixou uma joelhada. Deu socos. Sonnen tentou levantar. Mas caiu com um murro e só parou de apanhar quando o juiz intercedeu. Aos 1m55s do segundo round, registre-se: nocauteados ao chão ficaram o lutador com a língua superior ao talento, a mediocridade das palavras desmedidas, a falência da prática de tentar intimidar o oponente com baixarias, o amadorismo. De pé, o campeão do respeito, o fruto do esforço, o domínio das artes marciais mistas. O brasileiro Anderson Silva, campeão dos médios do Ultimate, invicto há 15 lutas, com dez defesas de cinturão. O maior atleta do UFC de todos os tempos.

Fora do octógono, um país enlouquecido pelo MMA. O UFC 148 colheu a semente plantada pelo pioneirismo brasileiro nas artes marciais mistas décadas atrás. A façanha de Anderson Silva, do desafio ao sucesso absoluto, serviu de metáfora para desafogar a pátria com a garganta entalada contra menosprezos. A alegria ecoou eterna ao fim da luta. Braços erguidos, gritos ininterruptos. Um retrato de gol, conquista de copa do mundo.  As artes marciais mistas pediram licença ao futebol para, na noite do sábado, transformar o Brasil no país do MMA. É um caminho sem volta.

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Silva x Sonnen: imagens e números dizem tudo?

Estatísticas chegam a sugerir vantagem do norte-americano, mas são incapazes de prever desfecho da revanche

 

A semana decisiva em torno da nova luta do século – a primeira também envolveu Anderson Silva, mas contra Vitor Belfort – começa com uma sequência muito bem elaborada pelo UFC sobre os dois lutadores. Mas a análise do retrospecto do Spider brasileiro e do falastrão Chael Sonnen, com base na batalha anterior entre eles e na trajetória profissional sobre os ringues, inquieta porque é incapaz de explicar o resultado de um combate a partir de imagens e números. O vídeo tenta radiografar os atletas e as possibilidades no UFC 148, no próximo sábado. Despeja dados e cenas. Salienta pontos fortes e fracos. Interpreta artimanhas. Em suma, explica. Ou seria confunde?

A inconguência entre sequências e resultados é angustiante. No primeiro encontro entre Silva e Sonnen, o norte-americanon reinou. Aos números: no round inicial, Chael acertou o brasileiro 31 vezes. O montante supera a quantidade de acertos contra o Spider em qualquer luta pelo Ultimate Fighting Championship. Todos os adversários de Anderson conseguiram acertá-lo de forma significativa 166 vezes. Sonnen chegou a mais de 320 quando os dois duelaram no UFC 117, em 2010. Como pode um lutador bater tanto e perder?

A magia do MMA entra aqui. Ou a força da finalização. O vídeo também expõe a fraqueza do norte-americano: 100% das derrotas dele no UFC e no WEC foram por submissão – como fez Anderson ao encaixar um triângulo a pouco mais de um minuto do fim da luta. É o ponto fraco de Sonnen: ele já permitiu 18 tentativas perigosas de submissão nas lutas. Entre os atletas do UFC, é a terceira pior marca. O fracasso diante do Aranha anotou a finalização mais tardia entre as batalhas do UFC: veio com 23 minutos e dez segundos.

A projeção para a revanche turva o resultado. Os dois oponentes têm a seu favor números dignos de campeões. De um lado, Anderson Silva: sem perder no UFC há seis anos, detém 85% de percentual de finalização – um recorde no torneio. O poder de atingir o oponente é de 68,5% (precisão). Silva consegue evitar 80% das tentativas de ser derrubado. Mas, diante de Sonnen, o imprevisível: ele se viu dominado por 63% do tempo do combate. O fanfarrão encurralou o brasileiro por 19 minutos e 50 segundos – patamar é o dobro do alcançado por todos os adversários de Silva juntos.

O norte-americano sai na vantagem por absorver melhor os golpes: 1 strike significativo por minuto - o índice mais baixo na história da categoria do UFC (segundo a organização, claro) – ele evita 69% dos golpes dos oponentes.  E por que não ganhou?

Quando os dois se encontraram pela primeira vez, há dois anos, a média de apostas era de 4 a favor de Silva e um por Sonnen. A diferença entre as projeções sobre quem ganha caiu. Agora, é de 2 a 1 a favor do brasileiro. Dentro do octógono, no entanto, o desfecho supera os cálculos. E nenhuma estatística se mostra capaz de adivinhar quem leva a melhor na categoria dos médios. A torcida brasileira espera, no entanto, mais um resultado positivo na conta do brasileiro. Na matemática da torcida, imagens e números significam vitória do Aranha.

Anderson Silva x Chael Sonnen em um minuto

A revanche mais aguardada dos últimos anos no MMA está na contagem regressiva. Anderson Silva e Chael Sonnen levam para o octógono a chance de encerrar os xingamentos, as ofensas e provocações – além da disputa por um dos cinturões mais cobiçados do UFC, o dos pesos médios. O Ultimate investe pesado no marketing para divulgação do evento e se arma para quebrar todos os recordes de pay-per-view da história do torneio. A estratégia de aquecer o público para o combate passa pela divulgação de vídeos sobre os dois lutadores. O primeiro preview mostra, em um minuto, momentos memoráveis do único encontro entre os dois dentro do ringue. Do massacre imposto por Sonnen à redenção em um triângulo alcançada pelo Spider. Confira!

Henderson foge de Anderson

 

Dan Henderson seguramente guarda o nome na lista dos lutadores mais talentosos das artes marciais mistas de todos os tempos. Habilidoso, resistente e versátil, o atleta lutou na era do Pride contra gigantes do MMA. Só entre os brasileiros, enfrentou Vitor Belfort, Wanderlei Silva, Murilo Bustamente e Minotauro. No UFC, bateu Maurício Shogun. Quando passou pelo Strikeforce, venceu Fedor Emelianenko, apontado como um dos melhores do esporte. Incontestável como lutador, aguarda na fila para disputar o cinturão dos meio-médios contra Rashad Evans ou Jon Jones. Mas, enquanto a chance demora, é obrigado a lidar com um uma lembrança difícil de apagar da lista de sucessos: a derrota fragorosa diante de Anderson Silva.

O brasileiro aceitou lutar contra o norte-americano embora pertencesse a categoria inferior à de Henderson. No octógono, o Aranha esqueceu a diferença e humilhou o desafiante com um mata-leão. O fracasso persegue o norte-americano. Em entrevista a um site estrangeiro, o veterano lutador de 41 anos afastou a hipótese de revanche contra Silva: “Eu não preciso de uma nova luta para me redimir. Eu sei que eu sou capaz e que seria bom lutar com ele se tivesse em um bom dia e não em um dia ruim”, afirmou. Hendo, como é conhecido, está prestes a se aposentar. Antes, no entanto, tenta emplacar uma vitória para fechar a carreira com chave de ouro.

Anderson Silva x Sonnen em Las Vegas, afirma blog

A poderosa pressão dos cassinos de Las Vegas pode desequilibrar a disputa em torno do local para realizar a luta do campeão dos médios do UFC, Anderson Silva, contra o desafeto norte-americano Chael Sonnen. O blog Por Dentro da Arena noticiou a mudança de planos em relação à luta, anteriormente planejada para o estádio do Engenhão, no Brasil, em junho. A batalha, diz o site, será em Las Vegas, nos Estados Unidos.

A cidade norte-americana é considerada a Meca do UFC. Concentra grande parte das edições e, vale frisar, é terra conhecida dos irmãos Fertita, donos de cassinos e proprietários do Ultimate. Se for confirmada, a mudança encerra uma pendenga em torno da data da luta no Brasil. Anderson x Sonnen seria o combate principal do UFC Rio 3. Antes, selaria o retorno do torneio a São Paulo depois de mais de uma década. Morumbi e Pacaembu chegaram a ser cogitados, mas, por razões de agenda e horário, acabaram descartados.

A transferência para Las Vegas favorece, de início, o norte-americano Sonnen. Ele teria o privilégio de enfrentar novamente o campeão em solo natal. Da primeira vez, no UFC 117, ele perdeu depois de dominar o combate por quatro rounds e meio. Anderson chegou a treinar no exterior e manifestou descontentamento a respeito da distância de casa. A possibilidade de lutar no Brasil apavorava o norte-americano. Ele até temeu pela própria saúde e disparou contra os brasileiros.

O novo local também exerce efeito imediato sobre o próprio UFC Rio 3. O torneio perderia em importância e teria como luta principal a revanche entre Vitor Belfort e Wanderlei Silva – além do combate dos vencedores do The Ultimate Fighter Brasil (TUF). O UFC ainda não confirmou oficialmente a mudança de sede da luta entre Anderson e Sonnen.

Werdum pode ser o substituto de Overeem contra Cigano

Ainda bastante chateado com o doping do holandês Alistair Overeem, o presidente do UFC, Dana White, já adiantou que não pretende cancelar o confronto entre Frank Mir e Cain Velasquez para que um dos dois desafie o cinturão de Júnior Cigano. Nos bastidores da franquia, fala-se em uma medida inesperada para o evento principal da edição 146 do principal torneio de lutas do mundo, que contará apenas com pesos pesados em seu card principal.

Vindo de uma vitória sobre Roy Nelson, em seu retorno ao Ultimate, o brasileiro Fabrício Werdum pode ser o adversário de Cigano na ocasião. Em princípio, o próximo compromisso de Werdum é com Mike Russow, no UFC 147, que contará com as finais do TUF Brasil e o reencontro de Anderson Silva com Chael Sonnen.

Entretanto, Werdum parece não estar muito confortável com a ideia de reencontrar Cigano para uma luta “em cima da hora”. Em 24 de maio de 2008, ele foi nocauteado pelo compatriota no UFC 90 (a estreia de Cigano no Ultimate), e acredita que teria pouco tempo para se preparar para a revanche. “Estava treinando, mas não para uma luta daqui a 50 dias. O ideal é ter três meses de preparação”, comentou. “Minha ideia era fazer passo a passo até chegar ao cinturão. Acabei de voltar para o UFC, mas tudo pode acontecer”, acrescentou.

A possibilidade, porém, não está descartada. “Depende da proposta, muita coisa pode acontecer. Não digo só financeiramente, mas uma derrota agora, por exemplo, pode ser ruim. Se fosse começo de carreira… Mas é aquele negócio, sou brasileiro. Se me colocar para lutar, eu luto. Mas o que eu não quero é deixar de lutar no Brasil. Participei do TUF e gostaria de lutar na final do evento”, destacou Werdum.

Confira como foi o rápido encontro entre Cigano e Werdum no UFC 90.

UFC vive dilema para conceder revanche

Nick, Dana e Condit: cheiro de marmelada no ar

O imbróglio criado pelo UFC para conter a aposentadoria de Nick Diaz e tentar (ainda) lucrar com a luta entre ele e George St-Pierre começa a cheirar mal. O esforço dos dirigentes para marcar uma revanche contra quem o derrotou (Carlos Condit, no UFC 143) cada vez mais parece jogada de marketing em vez de estratégia esportiva. Nesta quarta-feira, versões contraditórias em relação a um novo duelo entre os dois empurraram o UFC para a berlinda e forçaram os donos da franquia a tomar uma decisão – em breve, espera-se – para evitar ficar à mercê de declarações desencontradas.  O equilíbrio entre pressões financeira e atlética precisa ser retomado.

Nick Diaz reagiu à derrota contra Carlos Condit com o anúncio do fim da carreira no MMA. A notícia surpreendeu fãs do esporte e dirigentes. O bad boy do UFC, apesar de ostentar um passado de decisões imprevisíveis, tem apenas 28 anos e é apontado como o único capaz de bater o atual campeão, o canadense St-Pierre. A luta, claro, é fonte de renda garantida. O fracasso diante de Condit escapou aos planos. E, agora, o Ultimate se ensaia uma sequência de ações como quem tenta recolocá-lo frente à possibilidade de disputar o cinturão dos meio-médios.

O presidente do UFC, Dana White, chegou a postar no Twitter a luta como certa. Ele asseverou a vontade de ambos os atletas. Mas o treinador de Diaz, o mais interessado no confronto, veio a público para desmentir o suposto acerto. “Não vai haver revanche. É tudo que eu posso dizer. Não posso falar mais nada”, Cesar Gracie teria dito à ESPN.

A luta entre Diaz e St-Pierre seria, sem dúvida, um espetáculo primoroso. Os dois nutrem um ódio mútuo como poucos vistos no esporte na atualidade – talvez só comparado ao de Chael Sonnen por Anderson Silva. Depois do UFC 143, o canadense – afastado do octógono por conta de uma cirurgia – chegou a reforçar a vontade em encarar o desafeto. Pierre representa um mercado lucrativo no Ultimate. O Canadá é a segunda casa do esporte e detém, até hoje, o recorde no número de público em um evento de MMA – a edição de número 129, em Toronto, atraiu 55 mil pessoas.

A especulação toma forma mais consistente sobre a verdade. E alicerça uma confusão cada vez mais difícil de ser desfeita pelo UFC. Em jogo, a batalha do marketing e do dinheiro contra a ética e a esportividade.

Burocracia trava revanche de Fedor contra Fabrício Werdum

Empresário do M-1 Global quer arranjar a luta, mas se queixa da indisposição de  Dana White, presidente do UFC, a quem chamou de “Cachorro no Feno”


O lutador Fedor Emelianenko deve guardar um ressentimento particular em relação ao brasileiro Fabrício Werdum. Até a luta entre os dois, em junho de 2010, o Último Imperador, como é conhecido o atleta de origem russa no universo do MMA, desfrutava de uma fama irretocável sobre os ringues. Desde abril de 2001, ele só conhecia vitórias diante dos adversários nas artes marciais mistas. Havia subjugado oponentes como Minotauro (duas vezes), Mark Coleman, Mirko Cro Cop (no auge da forma), Tim Sylvia, Andrei Arlovski, entre outros nomes de peso no esporte. Mas, há pouco menos de um ano e meio, ele sucumbiu a Werdum no Strikeforce e registrou a primeira derrota em 27 combates. O reencontro no octógono, no entanto, deve demorar para acontecer por conta da burocracia.

O empresário do M-1 Global Vadim Finkestein, entidade à qual Fedor está ligado, tenta articular uma revanche dele contra o brasileiro. Seria uma das três lutas previstas para o Imperador em 2012. Mas há um impedimento chamado Dana White. O presidente do UFC é desafeto declarado do lutador de origem russa e sempre o manteve distante do Ultimate. A consequência é danosa para a carreira do atleta porque a franquia norte-americana de MMA estabelece exclusividade sobre os rumos dos lutadores com quem mantém contrato.

Nesta semana, o empresário do Imperador desabafou sobre a restrição imposta pelo UFC: “Dana White é como um cachorro no feno – ele não come e não deixa os outros comerem. Há muitos outros bons lutadores que estamos considerando. Josh Barnett, por exemplo. Precisamos esperar o torneio do Strikeforce acabar e então podemos ver a possibilidade de organizar essa luta”, declarou Vadim (na foto, com Fedor).

O destino conhecido de Fedor tenta reviver a fama criada nos tempos do Pride, extinto torneio japonês, onde ele reinou. O atleta vai enfrentar o campeão olímpico de judô, o nipônico Satoshi Ishi, pelo torneio Dream, na véspera do ano novo. Ishii é um dos poucos pesos-pesados de destaque com quem a lenda viva do MMA ainda consegue marcar uma luta.  Fora do UFC, somente o próprio Fedor e Cole Konrad, com contrato junto ao Bellator. O panorama pode mudar quando o Strikeforce (mantido pelo Ultimate) encerrar a disputa da categoria – extinção já anunciada pelos donos do torneio.

“Nós realmente queríamos uma revanche contra Werdum. Mas ele está trancado na prisão chamada UFC e, por conta disso, o arranjo da luta deve ficar difícil”, disparou o empresário. Emelianenko batalha contra o tempo para recuperar o prestígio perdido nas atuações desastrosas no Strikeforce, quando foi derrotado por Werdum, Antônio Silva e Dan Henderson. A última luta dele ocorreu em solo russo. Vitória contra Jeff Monson por pontos. Enquanto a liberação do UFC não vem, resta ao mito brilhar em circuitos alternativos e, claro, na lembrança dos fãs de MMA de todo o mundo.