Mais de cem lutas canceladas por lesões

Levantamento mostra estrago das contusões em um anos de trabalho no UFC e no Strikeforce

Quando recomendou aos lutadores diminuir o ritmo de treinamento para evitar lesões, o presidente do UFC tocou em um ponto sensível – e aparentemente irremediável – no mundo do MMA: a recorrência de problemas físicos e a conseqüente alteração dos cards das lutas. Dana White (abaixo) cobrou prudência em tom de apelo. Soou como súplica de quem sente no bolso o prejuízo deixado por uma mudança súbita na ordem dos combates. Levantamento inédito do MMA Fighting divulgado nesta semana deu números à preocupação do dirigente: somente em 2012, exatamente 104 duelos foram cancelados no Ultimate e no Strikeforce (prestes a ser extinto) motivados por lesões.

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O montante, apesar de ser absorvido ao longo dos 31 eventos promovidos somente pelo UFC em 2012, incomoda e coloca na mesa dos dirigentes a necessidade de adotar medidas mais eficazes para evitar a recorrência dos episódios. A redefinição de uma luta gera prejuízos para os cofres dos torneios – com perda ou mudança de material de marketing, queda na venda de ingressos, renegociação de direitos televisivos – e frustra a ansiedade do público muitas vezes alimentada por meses de ver o confronto entre dois lutadores. O espiral de transtornos enredou o mal-estar no cancelamento do UFC 151, justamente depois de Dan Henderson se machucar às vésperas de enfrentar Jon Jones. Lyoto Machida e Shogun recusaram a luta. Coube a Belfort o duelo, na edição de número 152. Em 20 anos de UFC, pela primeira vez um torneio deixou de ser promovido.

A pesquisa do MMA Fighting frisou os combates por título cancelados pelas lesões: foram sete. O brasileiro José Aldo (no alto), campeão do peso pena do torneio, aparece duas vezes na relação. Teve as lutas contra Erik Koch e Frankie Edgar removidas – a última após sofrer acidente de moto. Sete disputas de combate principal deixaram de ser feitas por conta das contusões. Entre elas, a final da primeira edição do TUF Brasil entre Vitor Belfort (quebrou a mão) e Wanderlei Silva, revanche esperada desde 1998 e provavelmente marcada para nunca acontecer.

É difícil explicar a origem de tantas lesões. Esforço extremo durante os treinamentos, provocado pelo nível cada vez maior de competitividade, e desgaste físico em função da idade certamente pesam. Mas há quem enxergue nas contusões uma forma de os lutadores ludibriarem as comissões atléticas e correrem dos flagrantes nos testes de doping. Além, é claro, do descuido na preparação do dia a dia, a exemplo de José Aldo, lesionado depois de cair de uma moto.

 O levantamento serve de alerta para o UFC e outros eventos de MMA. Instiga a adoção de medidas mais eficazes para diminuir a alteração dos cards em função de lesões geradas nos treinamentos. O dano financeiro pode até ser remediado pela convocação de outras lutas de peso para recompor os torneios. Mas a possibilidade de nunca ver dois lutadores em ação no auge da forma é uma perda irreparável para os fãs. Só os atletas podem poupar esforços nessa hora.

A saideira do Strikeforce

Evento de MMA realiza última noite de lutas da história

O assassinato obedece a um ritual infalível: compra, promessa, estrangulamento, extinção. Da aquisição do torneio concorrente ao sepultamento, o UFC premedita os passos para se consolidar como a maior e mais importante franquia de artes marciais mistas do planeta. Depois de exaurir o Pride e dissecar o WEC, a legenda comandada por Dana White se prepara para enterrar o Strikeforce, evento de kickboxing fundado em 1985, mas convertido ao MMA em meados da década passada. O velório está marcado para sábado, em Oklahoma City, nos EUA: é a última edição da marca transmitido pela Showtime e, consequentemente, a derradeira na história do SF.

O card reúne as sobras do desmantelo provocado por migrações para o UFC. A luta principal será entre o veterano do Ultimate e campeão do meio-médio do Strikeforce, Nate Marquardt, e o desafiante Tarec Saffiedine. De olho no torneio mais pomposo do MMA, o atual campeão dos pesados Daniel Cormier enfrenta Dion Starring. Os brasileiros escalados para a noite são o ex-campeão Ronaldo Souza, o Jacaré, e o representante da família mais tradicional do jiu-jitsu, Roger Gracie. Destaque para o confronto entre Josh Barnett, ex-campeão dos pesados do UFC, e Nandor Guelmino.

O pacote de lutas definido para a edição do sábado estanca o sangramento iniciado no início de 2011 quando o Strikeforce caiu no colo da Zuffa, administradora do UFC. As declarações seguintes à compra tentaram apaziguar o mercado. “Vamos apoiar o Strike”, prometeu Dana White. Era falácia. Baseados em uma fórmula bem ministrada para o Pride e o WEC – ambos eventos adquiridos e, depois, extintos – os donos  Ultimate abriram as feridas insanáveis no novo torneio: transferência de lutadores para o UFC, extinção de categorias, inviabilização econômica.

Abandonaram o Strikeforce nomes consagrados do MMA, como Dan Henderson, e promessas, a exemplo de Alistair Overeem, Nick Diaz e Cung Le. Fedor Emelianenko, uma das lendas do esporte, só evitou a franquia de Dana White por conta de uma rixa com o dirigente. Atento à sangria, o canal Showtime chegou a estipular uma cláusula para impedir assinatura de contratos sem a chancela da emissora. Deu em nada. Em seguida, os chefes do SF anunciaram o fim da categoria dos pesados do torneio.

A hemorragia seguiu curso com a aquisição da maior lutadora do torneio, Ronda Rousey. Símbolo do MMA feminino e ícone de beleza, a loira invicta hipnotizou Dana White. Contrário aos combates femininos no UFC, ele mudou de opinião, contratou a campeã do peso-galo, deu-lhe o cinturão do Ultimate e conferiu-lhe o privilégio de fazer a luta principal de um evento (UFC 157) no qual figuram nomes como Lyoto Machida e Dan Henderson.

A derrocada do Strikeforce serve a todo tipo de argumento pró e contra a hegemonia do UFC. O fim interrompe a sangria desatada provocada pelos conseqüentes atropelos na gestão do torneio. Evita a humilhação de ceder atletas de destaque e funcionar como espécie de divisão de acesso para o Ultimate.

Mas a face negativa do óbito da franquia indica o fortalecimento incontestável do UFC, para onde devem migrar os melhores lutadores ainda presos ao SF. Resta apenas o Bellator como principal concorrente à sigla globalizada de Dana White e dos irmãos Fertita – e o risco de monopólio do MMA e dos lucros por ele gerados se apresenta como risco desnecessário ao esporte.

Às vésperas de bater as botas, o Strikeforce abre as portas do hexágono para brindar o público com uma última rodada de combates. O sangue transpirado pelos atletas será a marca histórica de mais um torneio tragado pela ambição desmedida do UFC. E o gongo já anuncia: é hora da saideira.

Confira o card:

Principal
Nate Marquardt vs. Tarec Saffiedine
Daniel Cormier vs. Dion Staring
Josh Barnett vs. Nandor Guelmino
Gegard Mousasi vs. Mike Kyle
Ronaldo Souza vs. Ed Herman

Preliminar
Pat Healy vs. Kurt Holobaugh
Roger Gracie vs. Anthony Smith
Tim Kennedy vs. Trevor Smith
Ryan Couture vs. K.J. Noons
Jorge Gurgel vs. Adriano Martins
Mike Bravo vs. Estevan Payan

 

A mulher que virou a cabeça do chefão do UFC

Ronda Rousey será a primeira a lutar no UFC já declarada campeã do torneio

O talento de Ronda Rousey é inquestionável: a lutadora só conhece vitórias no MMA (seis como profissional e três como amadora) e ostenta com propriedade o cinturão da extinta categoria do peso-galo do Strikeforce, torneio mantido pela Zuffa, mesma dona do UFC. Os combates dos quais participa acabam de forma fulminante para as adversárias. Especialista na chave de braço, ela costuma finalizar as oponentes antes do minuto inicial do duelo – apenas uma das lutas durou perto de cinco minutos.  Mas o cartel de sucesso é detalhe dispensável frente ao poder de Rousey fora dos ringues. A atleta tem conquistado notabilidade pela capacidade de dobrar – sem qualquer esforço – o chefão da franquia, Dana White.

A loira mais bem-sucedida dos ringues diluiu a convicção do dirigente e o fez abrir as portas do torneio para o MMA feminino. Ou, melhor, para ela: Ronda Rousey se tornou a primeira mulher patrocinada pelo UFC e, agora, terá o direito de estrear no octógono dentro de um card com outros lutadores. Feito inédito na história de quase 20 anos do Ultimate Fighting Championship. A inclusão veio com bônus: o mandachuva do campeonato já concedeu a ela o cinturão do torneio. Em geral, a conquista é consequência de uma luta na categoria recém-criada – como ocorreu, em setembro, entre os moscas, na batalha vencida por Demetrious Johnson. Ronda pulou a etapa.

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A decisão de promover uma luta de mulheres alfineta o bom senso porque contraria até mesmo o meticuloso planejamento empregado pelos controladores do torneio. Antes de criar uma categoria, o UFC relaciona uma série de lutadores para alimentá-la e mantê-la viva por tempo significativo. Exemplo: a relação dos atletas peso-mosca é, hoje, a menor da franquia, com 15 lutadores – mas permite articular combates e atrair futuros atletas. A luta de Ronda será única: ela enfrenta Liz Carmouche (cartel de sete vitórias e duas derrotas) no combate do UFC 157, em fevereiro de 2013, com a promessa de encarar, futuramente, a brasileira Cris Cyborg, punida por doping. E é só. A incerteza prevalece quanto à contratação de mais mulheres pelo Ultimate.

O próprio Dana White encara a luta como uma aposta e se exime de responsabilidade quanto ao futuro do MMA feminino na franquia. O comportamento dele mais parece um presente à lutadora cuja trajetória dentro e fora do ringue  cativou a atenção do dirigente.

Nascida nos Estados Unidos há 25 anos, Ronda fez carreira no judô, modalidade pela qual se tornou campeã nos jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007. Faturou a medalha de prata no mundial do mesmo ano, e, nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, subiu ao lugar mais alto do pódio.

A migração para o MMA se deu em 2010. Contra Miesha Tate, em março de 2012, protagonizou a luta principal de um card do Strikeforce, vencida pela loira no primeiro round. Desde então, ganhou o epíteto de imbatível. A julgar pela atenção conquistada da cúpula do UFC e pela atração exercida sobre fãs do esporte e holofotes da mídia, Ronda tem um futuro de invencibilidades pela frente. No octógono, o retrospecto mostra o quando será difícil demovê-la do papel de campeã. Longe dele, o carisma impõe a admiração com a qual dobrou quem jamais previa a capacidade de o jeitinho feminino conquistar até mesmo o inquebrantável chefão do torneio. Às colegas de profissão, resta o desafio de aproveitar a brecha para garantir a manutenção do espaço aberto por Ronda Rousey.

Brasileira campeã de MMA foi expulsa de evento

Cris Cyborg, suspensa por doping, mostrou-se magoada por não conseguir assistir à luta de adversária

A brasileira Cris Cyborg dos Santos, afastada do Strikeforce por doping, acabou expulsa da mais recente edição do evento. A lutadora acompanhava as lutas e interagia com fãs na plateia quando foi convidada a deixar o local. Segundo Cris, uma lei impede os atletas apanhados em exames anti-doping de participar dos shows. Mas ela se sentiu maltratada pela forma como se deu a ordem para abandonar o recinto. Veja o que disse em entrevista publicada no site MMAMania.com:

“Eu vi todas as lutas, menos a última, de Ronda. Uma mulher que trabalhava no evento veio me dizer que eu tinha que sair porque a comissão não aceita atletas suspensos nos shows. Meu empresário conversou com os rapazes na comissão e há realmente uma lei que diz isso. Fiquei chateada pela forma como me trataram. Eles poderiam ter me puxado num canto e comunicado. Mas não na frente dos fãs. Eu estava tirando fotos quando eles me interromperam, dizendo que eu tinha que ir. Foi muito desrespeitoso. Acredito que um campeão merece ser tratado com respeito. Todo mundo sabe que a vida de um atleta não é fácil, por isso todos os lutadores merecem respeito. Quando eu estava no Brasil, eu assisti ao UFC e não havia nenhum problema”.

Na edição do sábado passado, Ronda Rousey venceu Sarah Kaufman e manteve o cinturão dos pesos galos do Strikeforce

MMA com rímel e respeito

 

Ronda: a campeã

 

O MMA também usa batom. É vaidoso, faz trança nos cabelos, preocupa-se com a forma e os quilinhos indesejados. Tem voz fina, mas sabe se fazer ouvir. É forte, com ternura e jeitinho feminino. Quando sorri, encanta, atrai, conquista. Quando luta, fascina.

O MMA do batom chegou devagar. Projetou-se ontem, na década de 1990. Lá do outro lado do mundo, no oriente, onde deu os primeiros passos. Aos poucos, globalizou-se. Lentamente, é verdade. Peregrina por torneios menos expressivos. Muitos, desconhecidos. Mas, como toda revolução criada para igualar direitos de homens e mulheres, caminhou no compasso firme. Demarcou espaço. E avança a golpes indefensáveis no preconceito.

O MMA com short e top tem rosto. Um símbolo. Loiro, belo e poderoso. Ronda Rousey, norte-americana, campeã da categoria dos galos do Strikeforce, maior evento de lutas depois do UFC. Um dos únicos com mulheres no card nos EUA. Invicta, ela nem brinca com o tempo. Venceu cinco das seis lutas em menos de um minuto. Tem pressa. E coerência. Terminou todos os combates com chave de braço.

A vítima mais recente caiu no sábado. Sarah Kaufman nem deu para o gasto. Em 54 segundos, desistiu. Título mantido, triunfo na conta de Ronda. No ringue, ela é soberana. Fora dele, é esperança. De um MMA mais feminino. De um UFC aberto a rímel, seios e respeito. De um esporte acolhedor para todos os sexos.

Nos golpes de Ronda, o MMA dos músculos fica mais torneado. E democrático. No card, na torcida, nos números. E, por que não, no faturamento? O Strikeforce com a loira na luta principal atraiu 529 mil telespectadores. Eram seis garotas entre doze rapazes na disputa da noite. Mas o pico de audiência, 676 mil pessoas na frente da TV, se deu na luta principal, de Ronda. Maior retorno televisivo desde junho do ano passado. Em 2009 a brasileira Cristiane Cyborg do Santos, hoje afastada das lutas por doping, atraiu 856 mil aficcionados na luta contra Gina Carano, musa do hexágono e das telonas de cinema.

O MMA delas tem charme. Vende bem. No flerte, nocauteia. O chefe do UFC ficou seduzido. E se curvou. Dose de cavalheirismo pelo desempenho e, claro, pelos lucros. A estrela Ronda é sondada para entrar no UFC. Seria a primeira no time.

Antes, no entanto, é preciso equilibrar a balança. Fazer a pesagem. Finalizar o velho sobrepeso ao feminino. O MMA dos machões paga melhor para eles. Mesmo se elas brilham na noite. No Strikeforce, Ronda garantiu a audiência. Mas ganhou bônus (40 mil dólares) inferior ao de Ronaldo Souza, o Jacaré (94 mil). É a reprodução no ringue do preconceito cristalizado no lar, no trabalho, nas relações do cotidiano. Em ambos os campos de batalha, a sentença deve ser a mesma: igualdade.

O MMA do charme, da voz suave, da maternidade e do batom cava o próprio espaço nos universo dos combates. Enquanto elas buscam terreno na vida, nos direitos, nos salários, na representação política, a justiça em um mundo mais igual. O MMA da trança no cabelo luta a batalha de todas as mulheres, dentro e fora dos ringues. Quer ser reconhecido e valorizado. Pelo que é e o que pretende ser. O MMA da voz fina quer ser ouvido. Quer rímel e respeito.

Sim, isso é MMA!

Parece ensaio sensual para capa de revista masculina. Corpos esculturais, perfeitos, em uma pose para registro de qualquer um admirador das curvas femininas. Mas, vale frisar, isso também é MMA. Um treino leve realizado entre Ronda Rousey, a soberana dos pesos-galos no Strikeforce, um dos torneios mais importantes do mundo, e a modelo, atriz e cantora Carmen Electra, conhecida por participação no seriado Baywatch (no Brasil, S.O.S. Malibu) e uma pontinha em Todo Mundo em Pânico. A foto foi tirada durante uma sessão de sparring.
Ronda, musa das artes marciais mistas, se prepara para defender o cinturão no próximo dia 18. Ela luta contra Sarah Kaufman. Conhecida pelo estilo agressivo dentro do ringue, ela tirou o cinturão da categoria das mãos da rival Miesha Tate. Os especialistas do esporte acreditam que ela deve permanecer como campeã por muito tempo. O clichê é inevitável: Ronda não é só um rostinho bonito…

Dana White “desiste” do Strikeforce

Grande responsável pelo retumbante crescimento do UFC e a consequente explosão do MMA, o presidente da franquia, Dana White, desistiu de se envolver na organização do Strikeforce, aquisição mais recente do grupo Zuffa (detentor dos direitos do Ultimate).

Vale destacar que, como nas investidas sobre os direitos do Pride e outros eventos fagocitados pelo UFC, White esteve a frente das negociações com o Strikeforce.  Ao contrário do que aconteceu com a marca japonesa, que acabou extinta, a ideia da Zuffa é explorar o Strikeforce como um produto alternativo ao público do MMA, além de observar novos lutadores.

Mas, a expectativa do chefão do UFC foi frustrada e Dana White não escondeu sua insatisfação. Diferentemente do que ele esperava, sua influência nas decisões do Strikeforce não foi respeitada pela diretoria do evento. Ao invés de baixar a cabeça e acatar as “sugestões” de White, Stephen Spinoza, coordenador do Strikeforce preferiu manter as coisas à sua maneira.

Bem ao seu estilo, White explicou que não se envolverá mais nas decisões da nova competição. “Nunca mais cometerei esse erro de novo. O UFC é o meu lugar e é aqui que eu tenho que ficar”, desabafou.

O que teria deixado White mais irritado foi o fato de Spinoza não tê-lo procurado para dizer que as mudanças sugeridas não seriam seguidas. “Quase perdi uma edição do UFC pela primeira vez em 11 anos por conta do Strikeforce, mas o Pete Dropick (outro diretor da Zuffa) me ligou, quando eu estava no Japão, e disse que eles não mudariam basicamente nada do que eu pedi. Então eu disse: ‘que se f…’. Esses caras estão deixando um produtor merda no comando. E eu perguntei a Espinoza: você quer deixar esse cara comandar sua companhia? Vá em frente. Mate o seu negócio. O problema é seu. Eu tenho outro emprego “, justificou.

UFC aperta fiscalização para evitar doping

Organização estabelece pré-contrato com lutadores e obrigatoriedade de fazer exames antes de incorporá-los ao Ultimate e Strikeforce

O Ultimate Fighting Championship (UFC) decidiu endurecer a fiscalização para inibir o uso de drogas proibidas pelos lutadores de artes marciais mistas. A maior franquia de MMA do mundo anunciou, hoje, a obrigatoriedade da realização de exames antes de fechar uma espécie de pré-contrato com atletas no Strikeforce e UFC – ambos eventos de propriedade da Zuffa.

A medida adotada pelos organizadores vem a público no mesmo dia da constatação de um outro competidor ter sido apanhado no exame antidoping: King Mo Lawal, ex-campeão do meio-pesado do Strikeforce. Ele havia utilizado esteróides proibidos pela franquia. Há menos de um mês, a brasileira Cris Cybog testou positivo para uso de anabolizantes – atual campeã, ela foi afastada do octógono por um ano e deverá pagar multa de 2,5 mil dólares.

As novas regras criadas para as duas modalidades começaram a valer no início deste ano e se estendem para os participantes dos reality shows promovidos pelo UFC – o The Ultimate Fighter (TUF), previsto para ser realizado no Brasil em março. Os testes nos atletas já com contrato assinado devem continuar, informa a nota.

O aperto sobre o uso indevido de substâncias banidas do esporte segue a linha do UFC de zelar pelo bem-estar dos atletas e afastar sobretudo a pecha de uma prática ligada ao uso de anabolizantes – elemento comum, por exemplo, no universo das academias. A associação é uma catástrofe comercial e põe em xeque todo o esforço da companhia de Dana White de tentar vender uma imagem de saúde junto a mídia e patrocinadores. Em maio, com lembra a nota do próprio UFC, a organização um seguro em contrato para proteger os atletas durante os treinamentos e até outros incidentes, como batidas de carro.

“Estamos comprometidos com a segurança de nossos atletas”, afirmou Lorenzo Fertita, CEO do UFC. “Temos visto os problemas de desempenho que as drogas causaram em outros esportes e vamos fazer tudo que pudermos para mantê-las fora do UFC e Strikeforce. Nossos atletas já estão realizando os mais altos padrões de testes em todos os esportes por comissões atléticas. Nossa política para novos produtos dopantes só mostra como é importante para nós termos os nossos atletas competindo em igualdade de condições”, acrescenta Dana White.

LAWAL

O teste positivo de King Mo ocorreu depois da vitória contra Lorenz Larkin, por nocaute, em Las Vegas. O resultado do combate foi anulado. Segundo o site MMAmania, ele se mostrou surpreso com o resultado: “Eu sou muito cuidadoso com o que ponho no meu corpo”, teria afirmado ao saber do teste.

Brasileria apanhada no exame antidoping se desculpa

A brasileira Cris Cyborg, apanhada no exame antidoping por uso de substância indevida durante defesa de cinturão no Strikeforce, se manifestou da mesma forma como costuma derrubar as adversárias no octógono: rápida, direta e sem rodeios. Em nota, ela pediu desculpas pelo resultado do teste, assumiu a responsabilidade pela presença do anabolizante no organismo e afastou a possibilidade de qualquer tentativa de ganhar vantagem sobre a adversária Hiroko Yanamaka – a desafiante ao cinturão derrotada por Cris em 16 segundos, no mês de dezembro.

Ela corre o risco de perder o cinturão da categoria peso-pena do Strikeforce. O presidente do UFC, Dana White, cuja franquia controla o torneio cogitou a possibilidade ao se manifestar sobre o assunto. Por enquanto, Cyborg está afastada dos ringues por um ano e deverá pagar uma multa de 2,5 mil dólares.

Leia a nota divulgada pela lutadora sobre o exame antidoping:

“Gostaria de pedir desculpas ao Strikeforce, à organização Zuffa, à Hiroko Yamanaka e aos meus fãs pelo resultado do meu exame antidoping. Eu sou a única responsável por tudo que coloco no meu organismo e, no final do dia, não há desculpa para uma substância proibida no meu corpo”.

“Eu não tolero o uso de ‘melhoradores’ de desempenho por mim ou qualquer outro atleta profissional, e por isso aceito as penalidades e multas que tenham sido apresentadas a mim pela Comissão Atlético do Estado da Califórnia e pela organização Strikeforce/Zuffa”.

“Eu estava tendo muita dificuldade para perder peso para minha luta contra a Hiroko, e me ofereceram um suplemento, que foi apresentado como não sendo proibido o uso em competições esportivas. Nunca foi minha intenção obter uma vantagem injusta sobre a minha adversária, ou enganar o Strikefoce, a Comissão Atlética ou os meus fãs”.

“Eu treino muito e sou muito dedicada, não preciso de drogas para vencer no octógono, como pude provar nas minhas lutas anteriores. Meu único erro foi o de não verificar esse suplemento com o meu médico antes do uso. Infelizmente no final, tenho que sofrer as consequências, e aceito todas as responsabilidades de minhas ações”.

Lutadora brasileira suspensa por doping

Cris Cyborg foi apanhada por uso de anabolizante e está afastada das lutas de MMA por um ano


Um dos maiores nomes do MMA feminino no Brasil recebeu uma dura suspensão depois de ser apanhada no exame antidoping. Cristiane Santos, mais conhecida como Cris Cyborg, foi punida pela Comissão Atlética do Estado da Califórnia, dos Estados Unidos, por uso de estanazolol, anabolizante empregado para ganho de massa muscular. A substância teria sido detectada no teste feito por Cyborg após a defesa do título Hiroko Hamanaka, no Strikeforce do dia 17 de dezembro do ano passado. A brasileira está proibida pelo torneio de competir por um ano e deverá pagar multa de doi mil e quinhentos dólares (quase cinco mil reais).

A organização do evento reclassificou o duelo vencido pela brasileira para um no contest (sem vencedores). “Nossa primeira preocupação é com a saúde e a segurança dos atletas. Anabolizantes põem os usuários e os oponentes em risco. A comissão não tolera o seu uso”, declarou ao MMA Junkie, site especializado em MMA, o executivo da comissão atlética George Dodd.

A brasileira é considerada uma das mais qualificadas lutadoras das artes marciais mistas. Detém um cartel de dez vitórias e apenas uma derrota. É campeã do Strikeforce desde a vitória sobre a atleta norte-americana Gina Carano, em 2009. Defendeu o cinturão  com sucesso por três vezes. A brasileira não se manifestou na imprensa. Ela tem o direito de recorrer da proibição de lutar.