Dan Henderson surpreso com resistência de Shogun

A disputa épica entre Maurício Shogun Rua e Dan Henderson pelo UFC 139 ainda rende comentários. Principalmente entre os lutadores. A capacidade do brasileiro de se manter vivo na luta mesmo depois de ser massacrado por Hendo nos minutos iniciais era inesperada pelo norte-americano. Em uma entrevista ao site Sherdog, o vencedor do combate considerado uma das melhores da história do MMA declarou: “Eu não esperava aquela reação dele após três rounds”.

Hendo venceu os três primeiros rounds, mas não conseguiu nocautear Shogun. Quando o público acreditava em uma intervenção do árbitro, o brasileiro surpreendia e virava o jogo: chegou até mesmo a bater no norte-americano e quase finalizá-lo em momentos da luta. Ao fim, os juízes deram 48-47 para Henderson. O resultado foi contestado. O próprio presidente do UFC, Dana White, enxergou empate, com o desempenho avassalador de Shogun no último round.

Na entrevista ao Sherdog, Henderson também comentou o cansaço sentido ao final do combate: “Eu estava muito cansado. Não sei. Tinha algo ocorrendo. Eu tive problemas no quinto round. Não senti isso nos últimos cinco anos. Talvez tenha sido o desgaste de ter dado mais golpes que ele”, afirmou o lutador.

Shogun chegou a se manifestar a favor de uma revanche em virtude do resultado apertado da luta. Mas Dana White negou e conduziu Henderson às portas da disputa do cinturão. O norte-americano, de 41 anos, espera o vencedor do confronto entre Jon Jones e Lyoto Machida pelo UFC 140, no próximo dia 11. Shogun deve fazer outras lutas antes de voltar a sonhar com o título da categoria dos meio-pesados.

A lesão de Shogun

Aqueles que acompanham a carreira de Maurício Shogun desde a época do Pride já desconfiavam da possibilidade de haver algo de estranho com o lutador. Desde que assinou com o UFC, o curitibano mostrou o estilo explosivo que o alçou ao status de estrela do extinto evento japonês em poucas oportunidades. Aquele Shogun agressivo e impetuoso só deu as caras mesmo no segundo confronto com Lyoto Machida e contra Forrest Griffin.

Ainda que tenha feito uma luta histórica contra Dan Henderson, Shogun não foi contundente como se esperava. O lutador que subiu no octógono do UFC 139 estava um pouco inchado, fora de forma. A grande virtude do brasileiro ali foi mostrar uma impressionante habilidade de suportar o castigo imposto pelo norte-americano. Nesse aspecto, Shogun foi um verdadeiro guerreiro em cima do ringue.

Nas semanas que antecederam a luta, a escolha por treinos secretos intrigou a mídia e os fãs. A justificativa de que seria uma estratégia para ficar mais concentrado não colou. Ao que parece, Shogun sofreu uma séria lesão no ombro direito, que o impediria de participar do confronto. Segundo informações, o brasileiro deslocou a clavícula e rompeu um ligamento na região. Como não queria cancelar a luta, teria escondido a contusão, por acreditar que teria condições de se recuperar.

Demoramos um pouco para tratar este assunto porque queríamos checar melhor as informações. Acredito que insistir no confronto não foi uma decisão acertada. Ainda que Shogun tenha presenteado os amantes do MMA com uma das melhores lutas da história do esporte, ele se colocou sob um risco desnecessário. Espero que a lição tenha sido assimilada e que aquele guerreiro do Pride volte também a brilhar no UFC.

O choro emocionado de um mito

Vídeo exclusivo do UFC mostra o desabafo de Wanderlei Silva nos bastidores após vencer Cung Le no UFC 139

 

Ele lutou com a corda no pescoço. Sob o peso da incerteza. Pressionado. A batalha era fora do octógono. Interna. Contra a dúvida. O medo do incerto. O receio do fim. E a triste sentença de uma aposentadoria precoce. Wanderlei Silva subiu ao octógono do UFC 139 dividido. Parte rememorava os anos de glória no Pride. Tempos de Cachorro Louco. Dias de Machado Assassino. A faceta capaz de atirar pelo caminho lendas, mitos, invencíveis como Dan Henderson, Nakamura, Quinton Jackson. Outra parte era amedrontada pelos insucessos sucessivos. Fracassos. Derrotas. Oito nas dez últimas lutas. Ao fim do combate, adversário no chão, triunfo no semblante, ressurreição na alma.

A saga do medo à plenitude traduziu-se em lágrimas. Nos bastidores, depois da luta histórica, Wanderlei desabou. Chorou. Em nome da batalha interna para persistir. Em nome da vitória sobre os próprios limites. Em nome da trajetória sofrida da via-crúcis até a redenção. Nas imagens, Wanderlei agradece a Deus, aos fãs, a quem nunca o abandonou. Faz questão de dividir o sucesso. Fala do treino, do tempo sem êxito na profissão. Diz-se feliz. E deixa uma mensagem: “Acredite”. Valeu a pena, Wand.

Confira o vídeo.

Após a batalha: Shogun e Henderson seis meses sem lutar

A batalha épica entre Dan Henderson e Maurício Shogun pelo UFC 139, no sábado passado, rendeu visibilidade para os atletas e popularidade ao MMA. Mas custou caro. E o preço foi cobrado na pele dos lutadores. Aliás: pele, ossos, músculos… A recomendação feita pela Comissão Atlética da Califórnia após o torneio – uma ação de praxe no pós lutas – é para os dois deixarem de lado as luvas por, no mínimo, seis meses.

Dan Henderson pegou 60 dias de gancho pela dificuldade da luta e 180 dias por uma possível fratura no polegar direito. O adversário dele, o brasileiro Shogun, recebeu 45 dias em função do combate árduo, 60 pela laceração da sobrancelha direita e 180 pela possiblidade de ter fraturado a face e o crânio. Pelo Twitter, no entanto, o lutador brasileiro tranquilizou os fãs e garantiu não ter qualquer fratura: “Galera muito obrigado pelo apoio, Estou muito bem, sem nenhuma fratura. Só com o olho roxo. Abraços a todos”. (Na foto, ambos no hospital após o confronto)

A comissão sugeriu a Wanderlei ficar de fora das lutas por 60 dias em função de machucado na sobrancelha direita. Cung Le, derrotado por ele, deveria repousar 45 dias, por conta do nocaute, e 60 dias por uma possível fratura no nariz. Rafael dos Anjos, brasileiro vencido pelo compatriota Gleison Tibau, recebeu a recomendação de entrar na geladeira por seis meses por conta de problemas no polegar direito.

As determinações das comissões atléticas nem sempre são seguidas. Atletas e treinadores costumam voltar ás atividades físicas bem antes do tempo estipulado. Principalmente em função dos torneios. Confira a lista com os demais lutadores citados pela Comissão californiana:

Brian Bowles – Suspenso 45 dias (30 dias sem contato) após perder por submissão.

Martin Kampmann – Suspenso 60 dias (60 dias sem contato) por causa da testa e lacerações na sobrancelha direita.

Rick Story – Suspenso 60 dias (60 dias sem contato) por causa da laceração no queixo.

Jason Brilz – Suspenso 45 dias (30 dias sem contato) por derrota por nocaute técnico.

Michael McDonald – Suspenso 180 dias (180 dias sem contato) por fratura do dedo da mão direita.

Tom Lawlor – Suspenso 45 dias (30 dias sem contato) depois de perder por submissão.

Rafael dos Anjos – Suspenso 180 dias (180 dias sem contato) após possível fratura no polegar direito.

Shamar Bailey – Suspenso 45 dias (30 dias sem contato) por derrota por nocaute técnico.

Massacre de Wanderlei Silva aposentou Cung Le?

Surra dada pelo brasileiro pode ter custado a continuidade de vietnamita no UFC

O massacre de socos e chutes imposto pelo brasileiro Wanderlei Silva a Cung Le, no UFC 139, colocou em risco a carreira do vietnamita no Ultimate, maior evento de MMA do planeta. Ex-campeão do Strikeforce, o lutador tem 39 anos e havia sido levado ao torneio de Dana White com a expectativa de durar muito sobre o octógono. A derrota acachapante diante do brasileiro pode ter mudado os planos do dirigente do UFC:

“Eu não sei. Vamos ver. Vocês sabem, o sonho dele era lutar no UFC. Ele teve a chance e enfrentou Wanderlei Silva. Se você pensar bem, Cung Le é um daqueles caras das artes marciais tradicionais. O que ele fez para se adaptar ao MMA foi interessante. Eu tenho muito respeito por ele enquanto lutador e ser humano”, observou Dana, segundo site MMAmania.

A resposta escapou da questão central. Mas não parece ter sido um sinal muito claro de continuidade do vietnamita dentro do maior torneio do mundo de MMA. Só o tempo saberá dizer qual o futuro de Cung Le.

350 mil dólares por uma surra?

Foi o valor pago a Cung Le pela apresentação no UFC 139. Ele saiu massacrado após perder de Wanderlei Silva

O lutador vietnamita Cung Le recebeu a maior premiação paga pelo UFC aos atletas participantes da edição de número 139: 350 mil dólares (quase 630 mil reais). Na estreia no maior evento de MMA do mundo, ele recebeu uma verdadeira surra de Wanderlei Silva, o Cachorro Louco. O retorno triunfante do brasileiro à performance dos tempos dourados do Pride rendeu-lhe o cachê de 200 mil dólares. Ele ainda ganhou uma premiação pela melhor noite da luta juntamente com Cung, Maurício Shogun e Dan Henderson (cada um faturou a maios 70 mil dólares).

Depois de perder na decisão contestada dos árbitros, Shogun embolsou 165 mil dólares pela apresentação (sem contar com a premiação extra). O oponenente Dan Henderson, com o passaporte carimbado para disputar o cinturão contra o vencedor de Jon Jones vs Lyoto Machida, ganhou 250 mil dólares.

Os outros dois brasileiros, do card preliminar, Gleison Tibau e Rafael dos Anjos, levaram cachês bem mais modestos. O mossoroense Tibau recebeu 54 mil dólares (27 mil pela apresentação e mais 27 mil pela vitória). O adversário dele derrotado na noite, Rafael, ficou com singelos 16 mil.

A bolsa de premiação do UFC ainda incluiu o garoto da Califórnia Urijah Faber como melhor finalização da noite, após derrotar Brian Bowles. O vencedor ganhou 64 mil dólares (32 mil da liuta e 32 mil da finalização). Confira abaixo a lista com todas os cachês pagos aos atletas. Para obter os valores aproximados em real, basta multiplicar por 1,8.

PREMIAÇÃO

Wanderlei Silva — $200,000
Cung Le — $350,000
Silva venceu Le por nocaute

Urijah Faber — $64,000 ($32,000 to show, $32,000 to win)
Brian Bowles — $19,000
Faber derrotou Bowles por submissão

Stephan Bonnar — $68,000 ($34,000 to show, $34,000 to win)
Kyle Kingsbury — $10,000
Bonnar venceu Kingsbury por decisão unânime

Martin Kampmann — $58,000 ($29,000 to show, $29,000 to win)
Rick Story — $19,000
Kampmann derrotou Story por decisão dividida

Ryan Bader — $48,000 ($24,000 to show, $24,000 to win)
Jason Brilz — $13,000
Bader venceu Brilz por nocaute

Michael McDonald — $14,000 ($7,000 to show, $7,000 to win)
Alex Soto — $6,000
McDonald venceu Soto por nocaute

Chris Weidman — $24,000 ($12,000 to show, $12,000 to win)
Tom Lawlor — $12,000
Weidman venceu Lawlor por submissão

Gleison Tibau — $54,000 ($27,000 to show, $27,000 to win)
Rafael dos Anjos — $16,000
Tibau ganhou de Rafael por decisão dividida

Miguel Torres — $60,000 ($30,000 to show, $30,000 to win)
Nick Pace — $4,000
Torres venceu Pace por decisão unânime

Seth Baczynski — $16,000 ($8,000 to show, $8,000 to win)
Matt Brown — $12,000
Baczynski venceu Brown por submissão

Danny Castillo — $34,000 ($17,000 to show, $17,000 to win)
Shamar Bailey — $8,000
Castillo venceu Bailey por nocaute

Shogun vs Henderson: uma luta, dois vencedores

Maurício Shogun e Dan Henderson protagonizam uma batalha épica no UFC 139 e dão um show para os fãs do MMA em todo o mundo

O esporte é uma alma de sonhos inquilina de um corpo constituído de realidade. No campo da imaginação, os lances soam perfeitos, indefectíveis. São irretocáveis por natureza. Dignos da memória. Quase inatingíveis. Na esfera do real, a vida trilha o possível. Os movimentos falham, beiram os defeitos, penam diante dos limites. Quando a idealização de uma prática casa com a performance irrepreensível dos atletas, o esporte vive um momento de glória. Salta do cotidiano. Eleva-se diante do normal. Torna-se clássico, épico, histórico. A batalha travada entre o brasileiro Maurício Shogun Rua e o norte-americano Dan Henderson, pelo UFC 139, garantiu espaço cativo no terreno sagrado das melhores lutas de MMA.

O brasileiro perdeu a disputa na decisão dos juízes. Mas ganhou o respeito do público, a idolatria dos fãs e a eterna gratidão das artes marciais mistas. Durante cinco rounds, os dois protagonizaram todos as possibilidades do UFC. Shogun apanhou, caiu, sangrou, sofreu. Viu-se encurralado, à beira do nocaute, vítima do bombardeio de golpes desferidos por Henderson. Quando lhe sobrava a desistência, a reviravolta: desafiou o improvável e se ergueu. Levantou o punho, manteve a guarda, bateu, massacrou, buscou a vitória. Pôs o adversário a seus pés. Henderson lançou mão de todo o repertório de golpes. Shogun, de toda a capacidade de resistência incomum a um ser humano. Normal para um mito.

Ao fim da luta, o veredito dos árbitros (48-47 pró Henderson) tornou-se coadjuvante. Diante do duelo, viirou desnecessário. Shogun e Dan alcançaram o triunfo juntos: proporcionaram aos fãs de MMA um combate épico. Um encontro desejado desde os tempos do Pride. Consagrado pelas mãos do UFC.

A vitória credencia Henderson à disputa pelo cinturão. Ele aguarda o vencedor da luta entre Jon Jones e o brasileiro Lyoto Machida. Aos 41 anos, o norte-americano, campeão do Strikeforce, tem a chance derradeira de conquistar a excelência dos meio-pesados. A Shogun, resta voltar a lutar e derrubar novos adversários até abrir o caminho para a chance de disputar o título perdido para Jones.

“Tudo que posso dizer é que esse cara consegue aguentar muitos socos. Bati forte, e ele aguentou tudo. É um guerreiro. Eu deveria ter finalizado a luta. Acho que essa pode ter sido a luta mais difícil da minha vida”, afirmou Henderson. “Ele bateu muito forte, parabenizo-o pelo resultado. Eu tentei usar o jiu-jitsu, e talvez eu até pudesse ter vencido”, lamentou o brasileiro

Há, no entanto, a possibilidade de uma revanche entre Shogun e Henderson. Dana White, presidente do UFC, enxergou forte vantagem do brasileiro no último round – o que mudaria o placar da luta para um empate. No Twitter, as opiniões se dividiram. A vantagem apertada pró-Henderson praticamente joga no colo do Ultimate a responsabilidade de garantir um desempate.

É prematuro arriscar qualquer previsão sobre o destino dos atletas. Caberá a Dana White pesar as possibilidades e as vantagens – até mesmo financeiras – de um novo duelo. Enquanto o futuro se enche de incertezas, o fanatismo reverencia o passado. Curva-se à batalha de dois homens alçados à categoria de mitos. Eterniza na memória os segundos nos quais a realidade passou-se por sonho e deixou uma lição: o corpo pode, sim, viver dias de alma. Em nome do esporte. Para o bem do MMA.

Resultado final:

CARD PRINCIPAL

Dan Henderson venceu Maurício Shogun por decisão unânime dos jurados

Wanderlei Silva venceu Cung Le por nocaute técnico aos 4m49s do segundo round

Urijah Faber venceu Brian Bowles por finalização a 1m27s do segundo round

Martin Kampmann venceu Rick Story por decisão dividida dos jurados

Stephan Bonnar venceu Kyle Kingsbury por decisão unânime dos jurados

CARD PRELIMINAR

Ryan Bader venceu Jason Brilz por nocaute a 1m17s do primeiro round

Michael McDonald venceu Alex Soto por nocaute aos 42s do primeiro round

Chris Weidman venceu Tom Lawlor por finalização a 1m07s do primeiro round

Gleison Tibau venceu Rafael dos Anjos por decisão dividida dos jurados

Miguel Angel Torres venceu Nick Pace por decisão unânime dos jurados

Seth Baczynski venceu Matt Brown por finalização aos 42s do segundo round

Danny Castillo venceu Shamar Bailey por nocaute técnico aos 4m52s do primeiro round

Wanderlei massacra no UFC 139 e dá volta por cima

A luta era pela história. Por um passado de glórias. Um presente de tropeços. Um futuro de incertezas. Wanderlei Silva, o Cachorro Louco do Pride, o Machado Assassino do MMA, entrou no octógono do UFC 139 com o peso do destino sobre as costas. O fracasso selaria a trajetória à aposentadoria. Mas uma sequência avassaladora no meio do segundo round garantiu a reviravolta necessária ao caminho de um dos maiores nomes do esporte. Wanderlei entupiu o adversário Cung Le de pancada e nocauteou a hipótese de pendurar as luvas. O UFC ficou na obrigação de garantir mais combates ao atleta brasileiro.

A batalha pelo futuro contra Cung Le começou de forma sofrida. Acanhado no ringue, Wanderlei parecia condenado a repetir uma atuação falível. O vietnamita Cung dominou o centro do octógono e, com chutes certeiros, encurralou o brasileiro. Um soco girador no primeiro round levou Wanderlei ao chão. A situação só não piorou porque, em poucos momentos, o Cachorro reagiu e conseguiu encaixar socos no rosto do adversário. A luta ficou equilibrada no fim do assalto.

O brasileiro retornou para o segundo round mais decidido. Chegou a levar Cung para a grade. Evitou os golpes e encurtou a distância entre ele e o vietnamita. Um cruzado certeiro fez o adversário cair. Depois, Wanderlei reviveu seus melhores momentos do Pride: empreendeu um bombardeio de golpes e joelhadas. O sangue escorreu pelo rosto de Cung.  O Machado Assassino percebeu a superioridade e massacrou o adversário. Restou ao árbitro intervir para evitar machucados ainda mais graves ao vietnamita.

A vitória levou o brasileiro ao desabafo. “É um momento extraordinário para mim. Nunca desisti. Nós podemos”, afirmou Wanderlei. Por várias vezes, ele esteve com a carreira ameaçada pelo presidente do UFC, Dana White. A performance desta noite refez o discurso do chefão do Ultimate: “Que luta”, bradou Dana pelo twitter. Cung ficou com o nariz amassado. Wanderlei resgatou a glória dos tempos dourados do Pride. E reescreveu o próprio destino. Agora, ele tem tudo para retomar as vitórias no UFC.

Em nome do Pride

UFC 139 vive noite histórica com estrelas do extinto torneio de MMA japonês. Brasileiros Shogun e Wanderlei Silva prometem vitória

O UFC se prepara para vivenciar, hoje à noite, um passeio pelos melhores tempos do Pride, evento de MMA japonês extinto na década passada. Dois dos maiores lutadores das artes marciais mistas, estrelas do torneio consagrado em terras orientais, se enfrentam no octógono em uma das batalhas mais aguardadas dos últimos anos. A batalha entre Dan Henderson e Maurício Shogun Rua pelo UFC 139 será um acerto com a história das lutas: ambos deveriam ter duelado no Pride, mas, por força do destino, só vão se encontrar agora, no ringue do Ultimate.

Henderson está calejado dos combates. É um atleta experiente. Com 41 anos, viveu bons momentos no UFC e brilhou no Strikeforce, franquia na qual se sagrou campeão e chegou a derrotar Fedor Emelianenko. Shogun tocou o auge da performance ao derrotar Lyoto Machida e levantar o cinturão dos meio-pesados. O vencedor da luta desta noite carimba o passaporte para enfrentar o melhor da batalha entre Jon Jones (campeão) e o brasileiro Lyoto.

A noite dedicada ao Pride se completa com a participação de Wanderlei Silva, o Cachorro Louco, idolatrado no Japão por derrubar os adversários dentro dos ringues de MMA. Também chamado de O Machado Assassino, ele encara o vietnamita Cung Le. O retrospecto de deslizes do brasileiro o sentencia a uma batalha pela sobrevivência no UFC: só lhe resta a opção de ganhar para continuar vivo na franquia. A aposentadoria será a maior dor de uma derrota.

Outros dois brasileiros integram o card do UFC 139: Gleison Tibau e Rafael dos Anjos fazem um duelo à parte no evento. O canal Combate transmite o torneio realizado em San Jose, na Califórnia, a partir das 20h50.

Confira o card completo:

CARD PRINCIPAL

Maurício “Shogun” (93kg) x Dan Henderson (92,1kg): meio-pesado – até 93kg

Wanderlei Silva (83,9kg) x Cung Le (83,9kg): médio – até 83,9kg

Urijah Faber (61,7kg) x Brian Bowles (61,7kg): galo – até 61,2kg

Martin Kampmann (77,1kg) x Rick Story (77,1kg): meio-médio – até 77,1kg

Stephan Bonnar (93kg) x Kyle Kingsbury (93kg): meio-pesado – até 93kg

CARD PRELIMINAR

Ryan Bader (93kg) x Jason Brilz (92,5kg): meio-pesado – até 93kg

Michael McDonald (61,7kg) x Alex Soto (61,2kg): galo – até 61,2kg

Tom Lawlor (83,9kg) x Chris Weidman (83,9kg): médio – até 83,9kg

Miguel Angel Torres (62,1kg) x Nick Pace (64,2kg): galo – até 61,2kg

Gleison Tibau (70,3kg) x Rafael dos Anjos (70,3kg): leve – até 70,3kg

Matt Brown (77,5kg) x Seth Baczynski (77,5kg): meio-médio – até 77,1kg

Shamar Bailey (71,kg) x Danny Castillo (70,3kg): leve – até 70,3kg

Dois gladiadores na cola do título

Dan Henderson e Shogun Rua disputam a chance para lutar pelo cinturão dos meio-pesados

A luta pelo cinturão dos pesos médios só será realizada no dia 11 de dezembro, nos Estados Unidos, entre o brasileiro Lyoto Machida e o campeão Jon Jones. Mas, no próximo fim de semana, dois dos maiores lutadores de MMA dos tempos do Pride – evento japonês já extinto – sobem ao octógono para entrar na fila pelo cinturão. Quem vencer o confronto entre o norte-americano Dan Henderson e o brasileiro Maurício Shogun Rua, pelo UFC 139, conquista o direito de encarar Machida ou Jones.

Dan Henderson é uma das estrelas do esporte. Aos 41 anos de idade, é o atual campeão do meio-pesado do Strikeforce. Na última luta, venceu ninguém menos que Fedor Emelianenko, considerado um dos maiores nomes do MMA na história. Henderson já foi campeão do Pride, mas não chegou a conquistar o título do UFC. Perdeu para Quinton Rampage Jackson e, ao descer de categoria, acabou finalizado por Anderson Silva. No cartel são 36 lutas: 28 vitórias e oito derrotas. Agora, ele tem a chance de dar a volta por cima e brigar, mais uma vez, pelo cinturão.

No caminho, no entanto, há uma pedreira. O lutador brasileiro Maurício Shogun Rua quer recuperar o título perdido de forma humilhante para o jovem talento do UFC Jon Jones. Shogun, também consagrado no Pride, havia se tornado campeão após nocautear Lyoto Machida – o então detentor do cinturão jamais tinha sido batido dessa forma por um oponente.

A conquista de Shogun parecia ser duradoura. Mas ruiu diante de uma performance formidável de Jon Jones no UFC 128. O brasileiro se recuperou, deu um show no UFC Rio – ao vencer Forrest Griffin – e, agora, também quer consolidar a boa fase. “É uma luta que eu queria muito, até porque nós dois somos atletas que se consagraram no Pride. Eu queria um cara top. Essa luta já era para ter acontecido há muito tempo, está na hora de acontecer, então agora é a hora “, afirmou.

Shogun tem 29 anos, 20 vitórias no cartel e cinco derrotas. Se ele vencer Henderson e Machida derrotar Jones, o Brasil vai parar para assistir a uma das maiores revanches do UFC.