UFC vive dilema para conceder revanche

Nick, Dana e Condit: cheiro de marmelada no ar

O imbróglio criado pelo UFC para conter a aposentadoria de Nick Diaz e tentar (ainda) lucrar com a luta entre ele e George St-Pierre começa a cheirar mal. O esforço dos dirigentes para marcar uma revanche contra quem o derrotou (Carlos Condit, no UFC 143) cada vez mais parece jogada de marketing em vez de estratégia esportiva. Nesta quarta-feira, versões contraditórias em relação a um novo duelo entre os dois empurraram o UFC para a berlinda e forçaram os donos da franquia a tomar uma decisão – em breve, espera-se – para evitar ficar à mercê de declarações desencontradas.  O equilíbrio entre pressões financeira e atlética precisa ser retomado.

Nick Diaz reagiu à derrota contra Carlos Condit com o anúncio do fim da carreira no MMA. A notícia surpreendeu fãs do esporte e dirigentes. O bad boy do UFC, apesar de ostentar um passado de decisões imprevisíveis, tem apenas 28 anos e é apontado como o único capaz de bater o atual campeão, o canadense St-Pierre. A luta, claro, é fonte de renda garantida. O fracasso diante de Condit escapou aos planos. E, agora, o Ultimate se ensaia uma sequência de ações como quem tenta recolocá-lo frente à possibilidade de disputar o cinturão dos meio-médios.

O presidente do UFC, Dana White, chegou a postar no Twitter a luta como certa. Ele asseverou a vontade de ambos os atletas. Mas o treinador de Diaz, o mais interessado no confronto, veio a público para desmentir o suposto acerto. “Não vai haver revanche. É tudo que eu posso dizer. Não posso falar mais nada”, Cesar Gracie teria dito à ESPN.

A luta entre Diaz e St-Pierre seria, sem dúvida, um espetáculo primoroso. Os dois nutrem um ódio mútuo como poucos vistos no esporte na atualidade – talvez só comparado ao de Chael Sonnen por Anderson Silva. Depois do UFC 143, o canadense – afastado do octógono por conta de uma cirurgia – chegou a reforçar a vontade em encarar o desafeto. Pierre representa um mercado lucrativo no Ultimate. O Canadá é a segunda casa do esporte e detém, até hoje, o recorde no número de público em um evento de MMA – a edição de número 129, em Toronto, atraiu 55 mil pessoas.

A especulação toma forma mais consistente sobre a verdade. E alicerça uma confusão cada vez mais difícil de ser desfeita pelo UFC. Em jogo, a batalha do marketing e do dinheiro contra a ética e a esportividade.

Vai ter “arrumadinho” no UFC?

Possibilidade de revanche entre Nick Diaz e Carlos Condit soa como tentativa de favorecer o bad boy do MMA

Condit quer o cinturão de verdade. Nick aguarda a revanche

Carlos Condit bateu Nick Diaz dentro do octógono do UFC 143. Ponto. Decisão dos árbitros. Incontestável dentro da autonomia dos juízes. O atual campeão dos meio-médios, George St-Pierre, parabenizou o dono do cinturão interino da categoria. O presidente da franquia, Dana White, validou o resultado. Condit desabafou. Disse ter sido subestimado. E quer disputar o título. Mas o caminho é turvo. Algo de estranho começa a se mover no subterrâneo do Ultimate. E cheira mal. Melhor, cheira a arrumadinho…

A vitória de Nick Diaz era esperada pelo UFC e pelos torcedores. Todos aguardavam a prometida luta contra St-Pierre. Os dois trocam xingamentos e ameaças há meses. A lesão do canadense adiou o confronto. Antes, o descompromisso de Diaz, o bad boy do Ultimate, havia procastinado o duelo: ele faltou a uma entrevista coletiva promovida pela franquia. Os atropelos serviram como combustível. E o encontro entre os dois se definia com uma jogada comercial lucrativa para o UFC. Mas Condit estava no percurso. E a vitória sobre Diaz esfriou os planos de faturar com a luta. Os bastidores do MMA, no entanto, começam a se movimentar para contornar o desfecho do octógono.

A primeira tentativa de melar o resultado partiu de Nick Diaz. Após a derrota, ele anunciou a aposentadoria. Declarou que a luta contra St-Pierre era o único motivo de permanecer na franquia. A ameaça de sair acendeu o alerta entre dirigentes. Nick é uma figura diferenciada no esporte. Tem estilo próprio. Fora dos ringues, produz declarações capazes de alavancar o marketing do UFC. Dentro deles, é apontado como o único em condições de roubar o título de St-Pierre – invicto há nove lutas e com sete defesas de cinturão bem-sucedidas. Perder um lutador com potencial para lucrar e dar show é uma opção fora dos planos do Ultimate.

O segundo aviso de jeitinho veio de Dana White. O mandachuva do UFC sinalizou com a possibilidade de uma revanche antes do retorno de George St-Pierre. Seria uma forma de satisfazer quem enxergou uma vitória de Diaz. Quem entende do assunto sabe: é uma formar de tentar faturar com a chance de uma luta entre St-Pierre e Diaz. Em nada tem a ver com a ideia de fazer Justiça e conceder a um lutador a oportunidade de esclarecer uma luta com resultado polêmico. Se fosse isso, por que não fazer uma revanche entre Maurício Shogun Rua e Dan Henderson? Os dois protagonizaram um duelo épico, sobre o qual as opiniões em todos os cantos se dividiram. Mas a hipótese nunca foi cogitada.

No twitter, lutadores de peso internacional, como Royce Gracie, vencedor das primeiras edições do UFC, apontaram vitória de Nick Diaz. É uma pressão forte. E perigosa. Se ceder aos apelos da comunidade do MMA e conceder uma revanche, Dana White abre um precedente condenável, já característico de esportes como o boxe – onde a manipulação de resultados manchou a prática. A revanche, por si só, é legítima – porque dá nova chance de lutadores tão iguais duelarem. Mas agendada nessas circunstâncias soa como arrumadinho para favorecer o lutador derrotado – justamente aquele com maior potencial para render lucros ao UFC. Ou alguém acredita que se Condit fosse o derrotado o Ultimate daria chance semelhante?

UFC 143: show brasileiro e surpresa na disputa por título

Condit desbancou Diaz (d)

Texto da assessoria do UFC:

Estratégico, Carlos Condit usa pernas para superar Nick Diaz

Para desgosto de Georges St-Pierre, que já havia declarado publicamente seu desejo de enfrentar Nick Diaz, o recém-coroado campeão interino Carlos Condit se credenciou a brigar pelo título definitivo dos meio-médios do Ultimate Fighting Championship. Constantemente provocado pelo bad boy Nick Diaz dentro e fora do octógono, Condit utilizou um jogo estratégico para frustrar o adversário na batalha de pé e faturar a decisão unânime dos jurados após cinco equilibrados rounds.

Sempre em movimento, Condit teve os certeiros chutes como principais armas contra o perigoso boxe de Nick Diaz. Diaz, que entrou para o combate como favorito, não deixou por menos, e chegou a ameaçar uma reviravolta no fim da batalha, quando utilizou seu perigoso jiu-jitsu para chegar às costas de Condit e esboçar uma finalização. A agressividade inteligente do novo campeão, contudo, foi o suficiente para garantir a vitória nas papeletas – o que não desceu muito bem com o rival. Contrariado, Nick não aceitou a derrota e declarou, ainda no octógono, que estaria se aposentando do MMA aos 28 anos.

“Não vou aceitar o fato de que isso foi uma derrota”, declarou Diaz, invicto há mais de quatro anos. “Perdi lutas antes, mas essa decisão não está certa. Eu o encurralei a luta inteira. Ele me chutou com seus chutes de perna de bebê a luta inteira. Acho que parei com o MMA. Eu me diverti. Eu não preciso disso. Não quero mais lutar assim. Estou fora”, declarou Diaz, que não estava presente na coletiva de imprensa posterior ao evento.

Em batalha dura, Werdum leva a melhor sobre um perseverante Roy Nelson


Mal parecia que os dois adversários da co-luta principal da noite eram dois faixas-pretas de jiu-jitsu. Afinal, foi justamente no muay thai que um evoluído Fabrício Werdum dominou Roy Nelson e levou a decisão unânime dos juízes e o bônus de “Luta da Noite” em Las Vegas. Surpreendendo com um jogo de pé refinado, o grappler Werdum provou que, após três anos e meio de ausência da maior organização de MMA do mundo, ainda é um dos mais perigosos e versáteis lutadores da divisão dos pesos pesados.

O triunfo, no entanto, não veio com facilidade. Nem mesmo uma certeira joelhada no nariz de Roy Nelson – o principal de vários golpes bastante incisivos – foi suficiente para derrubar o roliço lutador de kung-fu, famoso pelo queixo de aço. Foi o mesmo Nelson que sobreviveu a um castigo de três rounds do atual campeão Junior Cigano em 2010.

“Eu sei que Roy Nelson é um cara duro, mas eu pratico Muay Thai todos os dias”, declarou Werdum, que acumulou a 15ª vitória de sua carreira profissional no MMA.

Barão amplia sequência vitoriosa e vê title shot cada vez mais perto …Continue lendo…

O confronto que nunca existiu

Lesão de George St-Pierre força o atleta a ficar de molho por dez meses e adia duelo com Nick Diaz

O confronto entre o campeão do meio-médio, o canadense George St-Pierre, e o desafiante ao cinturão Nick Diaz parece estar fadado a não ocorrer. O presidente do UFC, Dana White, anunciou pelo Twitter o novo adiamento do combate entre os dois. O dono do título se machucou durante o treinamento e está afastado dos ringues por, no mínimo, dez meses. “GSP rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho. Carlos Condit será o adversário de Nick no dia 4 de fevereiro em Las Vegas”, escreveu o chefão do Ultimate.

A luta entre os dois deveria ocorrer no UFC 137. Mas Nick Diaz faltou à entrevista coletiva sobre o torneio e foi punido por Dana com o rebaixamento ao confronto secundário da noite, diante de BJ Penn. George enfrentaria Carlos Condit. O campeão, no entanto, se machucou e viu o duelo de Nick ser alçado a combate principal da noite. Depois de passar por BJ, Diaz esculachou GSP e o desafiou publicamente a enfrentá-lo. As palavras foram duras a ponto de fazer Dana White modificar o card do UFC 143, escantear Condit e colocar Nick como o desafiante ao cinturão.

Agora, nova reviravolta. Machucado, o canadense sai de cena e deixa o caminho livre para a disputa do cinturão interino. Condit e Diaz serão as estrelas principais do card marcado para o início de fevereiro de 2012. A sorte parece conspirar a favor de Nick. Lutador problemático, ele tem um histórico de atropelos diante dos compromissos do UFC. Já perdeu lutas por estar acima do peso, já foi apanhado no exame anti-doping, levou puxões de orelha publicamente do patrão. Quando os fatos lhe apontavam o corte do Ultimate, a misericórdia de Dana White (e o olho atento para o lucro frente a polêmicas) estendeu-lhe a mão e devolveu-lhe a chance de reerguer-se na carreira. Nick abraçou a oportunidade, bateu BJ, desafiu GSP e ficou a uma luta de abocanhar o cinturão.

Do retiro, George St-Pierre, bastante irritado com as provocações do desafeto, pode assistir à glorificação de quem o desmoralizou publicamente. E é bom voltar à forma rapidamente para recuperar o espaço que, por obra do destino, tem sido arremessado no colo de um rapaz chamado Nick Diaz.