Brasil, teu nome é UFC

A noite em que a vingança de Anderson Silva fez o país das chuteiras reverenciar o MMA

Das redes sociais, a ansiedade pingou incessantemente. Vozes distintas, de pontos diferentes do Brasil, construíram a corrente de apoio em nome da pátria. Uniram forças para empurrar o campeão no rumo da glória. Das ruas, o desejo brotou único e indissolúvel:  a vontade de rever o ídolo em ação reuniu o povo em frente da TV. Bares tomados, lares insones, um exército de torcedores de prontidão à espera do golpe derradeiro para vingar o orgulho ferido.

A vitória de Anderson Silva sobre Chael Sonnen neste sábado, em Las Vegas, ultrapassaria as fronteiras do octógono. As provocações desferidas pelo norte-americano durante quase dois anos, os xingamentos disparados à nação brasileira, o desrespeito à mulher do Spider e o menosprezo à cultura tupiniquim redefiniram o teor do combate: a luta deixou de ser entre dois atletas. Virou a batalha pelo orgulho. O duelo pela honra. A guerra contra o mau-caratismo. Anderson vestiu o bem. Empunhou a humildade. Representou a decência. Envergou o respeito. Anderson virou Brasil. Sonnen, o resto. E, no confronto para calar a soberba e a idiotice, a pátria das chuteiras calçou as luvas, entrou no octógono e armou a guarda. Na noite do sábado, o país do futebol virou a terra do MMA.

O campeão pareceu nervoso. Lambeu os lábios. Sentiu o peso sobre os ombros. Nas costas, levou o retrospecto de 14 vitórias consecutivas no UFC. Nove defesas de títulos. A invencibilidade à beira da decisão de se aposentar, aos 37 anos. Mais: carregou a expectativa de uma nação agora acordada para a vida dentro do ringue. Fracasso significaria recuo das artes marciais mistas. Decepção, retrocesso. A responsabilidade o dominou no primeiro round. Silva caiu diante de Sonnen. O norte-americano, no entanto, também titubeou. Precisava validar o deboche, legitimar a revanche. E se fez feliz por cinco minutos. Levou o brasileiro ao chão. Dominou. Bateu. Mas, apertado, perdeu a velocidade e a força dos movimentos. Fim do round. A sensação do massacre visto em 2010, no UFC 117, espalhou-se no ar. Doce ilusão.

Anderson Silva despejou o nervosismo no intervalo. Retornou como mito. Reinventou a luta. A esquiva se impôs. Ficou invisível para o oponente. Socou. Sonnen sentiu e, na trapalhada da falta de habilidade, girou no vazio para cair sem acertar Anderson Silva. O brasileiro o derrubou ao dançar o corpo para baixo. O adversário brasileiro se apagou. Anderson encaixou uma joelhada. Deu socos. Sonnen tentou levantar. Mas caiu com um murro e só parou de apanhar quando o juiz intercedeu. Aos 1m55s do segundo round, registre-se: nocauteados ao chão ficaram o lutador com a língua superior ao talento, a mediocridade das palavras desmedidas, a falência da prática de tentar intimidar o oponente com baixarias, o amadorismo. De pé, o campeão do respeito, o fruto do esforço, o domínio das artes marciais mistas. O brasileiro Anderson Silva, campeão dos médios do Ultimate, invicto há 15 lutas, com dez defesas de cinturão. O maior atleta do UFC de todos os tempos.

Fora do octógono, um país enlouquecido pelo MMA. O UFC 148 colheu a semente plantada pelo pioneirismo brasileiro nas artes marciais mistas décadas atrás. A façanha de Anderson Silva, do desafio ao sucesso absoluto, serviu de metáfora para desafogar a pátria com a garganta entalada contra menosprezos. A alegria ecoou eterna ao fim da luta. Braços erguidos, gritos ininterruptos. Um retrato de gol, conquista de copa do mundo.  As artes marciais mistas pediram licença ao futebol para, na noite do sábado, transformar o Brasil no país do MMA. É um caminho sem volta.

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Anderson Silva pode ser punido por agressão a Sonnen

Comissão atlética vai analisar ombrada em Sonnen

 

Golpe antecipado gerou surpresa

A ombrada dada durante a pesagem do UFC 148 pode gerar punição para o brasileiro Anderson Silva. A Comissão Atlética de Nevada, órgão responsável por regulamentar os esportes de luta nos Estados Unidos, deve se debruçar sobre as imagens do evento nas quais o campeão brasileiro dos médios do UFC se aproxima e desfere um golpe contra o rosto de Chael Sonnen, adversário da noite deste sábado no MGM Garden Arena, em Las Vegas. A entidade é quem autorizou o oponente do Spider a fazer tratamento polêmico de reposição de testosterona – ele chegou a ser punido depois da derrota diante de Silva no UFC 117 justamente pela ingestão desautorizada.

A agressão antes da luta é, claro, desencorajada pelos dirigentes do Ultimate. Mas é impossível exigir controle quando o clima no qual o combate está inserido ultrapassa os limites do profissionalismo. Anderson Silva tem se comportado com agressividade desde o início da semana, quando a revanche contra o adversário se tornou inevitável. Sonnen até suavizou as palavras – antes, ele havia xingado brasileiros, o lutador e até a mulher do campeão.

Dana White, o mandachuva do UFC, afastou qualquer possibilidade de punir o brasileiro pela atitude intempestiva. A lavagem de mãos é, na verdade, diplomática. Uma eventual insinuação de prejudicar Anderson – mesmo emocionalmente – pode atrapalhar o duelo da noite – e Dana nem sonha com isso.

O representante da comissão atlética, Keith Kizer, disse ao site MMAmania.com o que pretende fazer: ““Preciso dar uma olhada no vídeo para ver se Anderson Silva merece ou não ser multado pelas suas ações”.

BRASIL

Além de Anderson Silva, quatro brasileiros sobem ao octógono, na noite do sábado, para enfrentar adversários pelo UFC 148. Demian Maia luta contra Dong Hyun Kim. Vitória dele pode abrir caminho para outra revanche frente a Anderson Silva na disputa do cinturão da categoria. O potiguar Gleison Tibau luta contra Khabib Nurmagomedov. O pernambucano Rafaello Trator luta contra Yoslandy Izquierdo. Fabrício Camões pega Melvin Guillard.

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Quem segura o campeão?

Anderson Silva agride Sonnen na pesagem e se mostra furioso para a luta de amanhã

Anderson Silva está mordido. As palavras semeadas por Chael Sonnen desde a derrota no UFC 117, em 2010, geraram um rival com sangue nos dentes. A expressão é até suave. O Spider brasileiro parece ter assimilado o fato de a revanche ser inevitável. E o comportamento nos dias anteriores à luta de amanhã atestam a raiva explodida. A postura pós-pesagem, nesta noite, é a prova incontestável de um Anderson Silva tomado pelo ódio. Ao se aproximar do oponente para a tradicional encarada, ele deu uma ombrada no queixo de Sonnen. O gesto ultrapassou a provocação. Foi um golpe.

A turma do deixa disso – com o mandachuva Dana White à frente e um boquiaberto Bruce Buffer ao lado – separou os dois. Mas a adrenalina se espalhou. O público delirou com a audácia de Silva e a consequente provocação em tentar novamente se aproximar para saber se o inimigo tinha se machucado. Sonnen ficou desconsertado. O temor parece lhe tomar. Ou seria a frieza característica da confiança? O queixo doeu. E o norte-americano o moveu na tentativa de disfarçar a pancada. “Campeão versus mito. Lenda versus ícone. Anderson Silva x Chael Sonnen ao vivo amanhã”, afirmou. Na semana da luta, ele suavizou as palavras. Até reconheceu a vitória do brasileiro no UFC 117. Aceitou ter batido e desistido após ser finalizado em um triângulo – ele relutava em admitir o fracasso.

Anderson parece obstinado. “Eu não respeito Chael Sonnen. Chael não respeita nada. Ele não respeita o Brasil, não respeita o UFC. Amanhã nós vamos lutar”, ele disse. A plateia o vaiou. Não é a primeira vez. Silva luta em terra estrangeira – contra a vontade, pois esperava bater o desafeto número 1 no Brasil. A pressão financeira dos cassinos o afastou do país natal. Mas foi incapaz de derrubar a vontade de vencer.

Dana White está impossibilitado de reclamar. Exigiu o confronto. Fez vista grossa para os desmandos de Sonnen durante meses. Colocou Anderson contra a parede. Seduziu, ofereceu o Brasil, depois recuou. Manobrou para definir o confronto da forma como queria: nos Estados Unidos, na casa do UFC, Las Vegas, com a chance de quebrar recordes de pay-per-view. O clima tenso e de guerra desde o início da semana certamente vai alavancar as vendas da transmissão. E concentrar os olhares para a luta do século – mais uma.

Anderson Silva, no entanto, precisa ter cautela. O campeão Goerge St-Pierre advertiu para o fato de ele ter “engolido” o jogo de Sonnen. Sucumbiu às provocações? Será dominado pelo lado emocional? Será capaz de controlar os impulsos e transformar ódio em golpes certeiros? O brasileiro conserva a maioria dos recordes do Ultimate. Está invicto há anos. Detém o maior número de vitórias sucessivas no torneio. A trajetória está por um fio. Ele precisa ser inteligente o suficiente para se dominar. Há meses, Silva elegeu o único lutador capaz de vencê-lo: o seu clone. É hora de lutar contra si mesmo e manter o cinturão.

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Os demais brasileiros conseguiram bater o peso e vão lutar amanhã. Confira a pesagem:

CARD PRINCIPAL
Peso-médio (até 83,9kg*): Anderson Silva (83,4 kg) x Chael Sonnen (83,9 kg)
Peso-meio-pesado (até 93,4kg): Forrest Griffin (92,5 kg) x Tito Ortiz (92,5 kg)
Peso-médio (até 84,4kg): Cung Le (83,9 kg) x Patrick Côté (83,9 kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg): Dong Hyun Kim (77,1 kg) x Demian Maia (77,1 kg)
Peso-pena (até 66,2kg): Chad Mendes (66,2 kg) x Cody McKenzie (65,8 kg)
Peso-galo (até 61,2kg): Ivan Menjivar (61,7 kg) x Mike Easton (61,2 kg)
CARD PRELIMINAR
Peso-leve (até 70,8kg): Melvin Guillard (70,3 kg) x Fabrício “Morango” Camões (70,8 kg)
Peso-leve (até 70,8kg): Gleison Tibau (70,3 kg) x Khabib Nurmagomedov (70,3 kg)
Peso-médio (até 84,4kg): Costa Philippou (84,4 kg) x Riki Fukuda (83,9 kg)
Peso-leve (até 70,8kg): John Alessio (70.8 kg) x Shane Roller (70,3 kg)
Peso-leve (até 70,8kg): Rafaello “Trator” Oliveira (70,8 kg) x Yoislandy Izquierdo (70,8 kg)

Trator é Pernambuco no UFC 148

Lutador encara cubano para permanecer no quadro do UFC

Os minutos sobre o octógono no sábado à noite serão determinantes para o pernambucano Rafaello Trator. O lutador precisa da vitória para continuar dentro da maior franquia de artes marciais mistas (MMA) do mundo. O retrospecto do brasileiro – um dos cinco no card do torneio de Las Vegas – é desfavorável: ele vem de duas derrotas no Ultimate (diante do potiguar Gleison Tibau, na edição 130, e frente a Yves Edwards, no UFC Live). Os resultados na primeira passagem pelo torneio também é tortuosa: Rafaello venceu apenas uma das três lutas travadas contra Nik Lentz, John Gunderson (vitória) e Andre Winner.

O patrão do UFC, Dana White, costuma ser intolerante a derrotas. O atleta com sequências negativas só permanece no quadro de funcionários da franquia quando possui um histórico respeitado na trajetória do esporte ou, de alguma forma, obteve projeção midiátia a ponto de compensar o esforço (e recursos) investidos pelo torneio. O também pernambucano Junior Assunção sentiu na pele, recentemente, o golpe do UFC. Ele acabou cortado dos eventos mesmo com resultados positivos: perdeu um combate disputado diante de Ross Pearson, mas venceu a luta anterior contra Eddi Yaggin. Curiosamente, o havaiano por ele derrotado continua na lista de pagamento do Ultimate.

Rafaello demonstrou recuperação quando deixou o quadro do UFC pela primeira vez. Conseguiu emendar uma sucessão de quatro vitórias em eventos de expressão inferior ao do Ultimate – entre eles, o Recife Fighting Championship, cujos sucessos lhe renderam o passaporte de volta para casa de Dana White. O pernambucano acumula na carreira 19 lutas e 14 vitórias. Ao Ringue Diario, ele declarou estar confiante na batalha deste sábado.

O adversário de Rafaello é o cubano Yoislandy Izquierdo, lutador desde 2010. O atleta também vem de uma derrota, para Reza Madadi, no UFC on Fuel TV, em abril deste ano. As únicas vitórias de Reza ocorreram em eventos menores em termos de expressão. Ele tem 7 lutas e 6 resultados positivos.

A definição de um adversário com menos experiência no MMA sugere leve vantagem para o pernambucano. Os dois têm praticamente a mesma idade (28, o cubano, e 30, o brasileiro) e precisam de uma vitória na noite do sábado para continuar vivos dentro do UFC. Rafaello, com mais bagagem no mundo da luta, pode usar o currículo para impor o ritmo do confronto. Ele faz a primeira luta do card preliminar. Pernambuco torce pelo conterrâneo para contar com mais um atleta entre as estrelas do MMA mundial. Hoje, apenas Rapha Assunção, irmão de Junior, segue no corpo do Ultimate.

Onde vai passar o UFC 148 no Recife

Ringue Diario indica bares para você apreciar a luta Anderson Silva x Chael Sonnen

Bares do Recife já se organizaram para transmitir as lutas do evento que mais cresce no mundo. A edição de número 148 será televisionada, no Brasil, exclusivamente pelo Canal Combate. Apenas a luta principal entre Anderson Silva e Chael Sonnen passará na Globo (e não é certeza que a emissora veiculará o confronto ao vivo). O Ringue Diario colheu opões para você, fã de MMA, reunir uma turma e aproveitar o novo duelo do século de forma prazerosa. Há estabelecimentos ainda indecisos sobre a transmissão e só devem informar amanhã ou ao longo do dia. Por isso, atualizaremos a relação com novidades:

>> Vila do Samba: a casa de shows na Tamarineira vai dividir a programação musical com o UFC. A noite do sábado tem apresentações de Forró Pegado, Santa Clara, Forró do Leva e Sasmba de Elite. A entrada é às 20h, e os ingressos custam R$ 30. Vila do Samba fica na Rua São Vicente, 245 Recife, Tamarineira. Fone: (81) 3269-3591

>> Catamarã: o bar colocará dois telões de 8 metros quadrados para transmitir o UFC ao vivo. A noite também será de samba e axé, com o cantor Xexéo, ex-Timbalada, as bandas Fina Tonelada, Patusco e Samba de Preto Velho. Festa começa às 20h. Ingressos: R$ 40,00. Vendas: Nagem Informática (Tacaruna | Plaza | Recife). Endereço: Catamarã – Forte das 5 Pontas. Informações: 8814-4496.

>> Gentleman Loser Pub: casa abre espaço para transmissão do card principal do UFC e cobra entrada de R$ 15. Transmissão será em HD e com áudio acoplado ao sistema de som do estabelecimento. A taxa, diz a casa, é para garantir comodidade aos clientes. Rua Capitão Rebelinho, 527A, Pina.

>> O bar Entre Amigos, o Bode do Espinheiro também vai transmitir o UFC. Mas somente a luta principal entre Sonnen e Anderson Silva. O Bode fica na Rua da Hora, número 695.

>> Quiosque Brahma: bar transmite todo o card do UFC 148, a partir das 19h30. Estabelecimento fica na Rua Conselheiro Portela, 374 – Aflitos. Fone: 3048-7998.

>> Bar Recanto Paraibano também abre espaço para passar o Ultimate do sábado. A casa fica na avenida 17 de Agosto, 248. Fone: 3441-9945.

>> Os Fiteiros do Parnamirim e de Boa Viagem transmitem todo o card de lutas do UFC 148. O bar da Zona Norte fica na Rua Afonso Celso, 264. Fone: 3034 4875. O da Zona Sul está na Rua Capitão Rebelinho, 520, Pina. Fone: (081) 3032.6643.

 

 

Os números ($) do UFC 148 em Las Vegas

Franquia espera gerar 140 milhões de dólares durante passagem do torneio

A alcunha de luta do século não é à toa. Dentro e fora do octógono. Sobre o ringue, Anderson Silva reencontra o adversário mais habilitado a derrubá-lo desde a conquista do cinturão. No entorno das grades da jaula mais conhecida do MMA, a batalha é pelo lucro. E os números prospectados pelo Ultimate dimensionam a força do evento para quebrar recordes de arrecadação e impacto financeiro na cidade-sede. Vejam alguns:

>> O UFC espera a movimentação financeira de 140 milhões (330 milhões de reais) de dólares durante a semana do evento e o dia das lutas. Em torneios do mesmo porte realizados em Las Vegas, o montante só chegou a 51 milhões (100 milhões de reais)

>> Os pacotes para ter acesso à exposição do UFC Fan variam de 45 dólares (100 reais) a cerca de 2,5 mil dólares (quase cinco mil reais). A diferença está na hospedagem. O mais caro – VIP, claro – inclui dois dias de hospedagem no Mandala Bay. Ano passado, evento arrecadou 93 milhões (180 milhões de reais)

>> O UFC espera receber cerca de 60 mil turistas durante os dias de evento. 40% seriam de fora de fora do estado onde são realizadas as lutas. Entre 5% e 10%, contingente internacional. Em 2011, foram 46 mil visitantes

>> Estudo do UFC aponta o visitante como uma pessoa com ida duas vezes por ano a Las Vegas. Tem uma renda de quase três mil reais e deixa nas mesas de jogo aproximadamente mil. 42% ganhariam pouco mais de 200 mil reais ao ano

UFC joga pesado contra a pirataria em Las Vegas

Franquia obtém apoio da Justiça para coibir venda de produtos sem licença e publicação de vídeos na web

Fora do cassino, fiscalização redobrada

Enquanto os holofotes procuram as estrelas do octógono em Las Vegas, sede do torneio de sábado, funcionários do Ultimate Fighting Championship afiam a estratégia para banir das redondezas os vendedores piratas. A franquia, extremamente severa quanto à proteção dos direitos de imagem sobre produtos, se muniu de ferramentas para coibir a negociação ilegal na região.

Os advogados do UFC conseguiram na Justiça uma ordem de restrição para fechar pontos comerciais irregulares – cujos produtos usem indevidamente a marca da franquia. Obtiveram ainda o direito de acompanhar a fiscalização dos contêineres desembarcados na área. A zona de atuação mais rigorosa do UFC ocorre dentro de um raio de dez milhas do MGM Garden Arena, onde será promovida a edição de número 148.

A estrutura montada pelos organizadores da franquia conta até com uma sala própria para monitorar imagens e vídeos jogados na internet sem a devida autorização do Ultimate. A decisão de intensificar a fiscalização surgiu depois de a cúpula do UFC constatar a presença constante de vendedores piratas nas mediações dos eventos feitos nos Estados Unidos. Medida de proteção semelhante só teria sido observada – diz Lawrence Epstein, vice-presidente executivo da Zuffa, empresa proprietária do UFC – na luta de boxe entre Oscar de La Hoya e Felix Trinidad, em 1999.

A preocupação com a transmissão indevida faz sentido. Parte considerável do lucro do torneio advém da renda obtida com a venda de direitos de transmissão ou mesmo pay-per-view. A comercialização de produtos licenciados também é marca registrada empresa.
A luta contra a pirataria é uma das bandeiras do UFC. O presidente do torneio, Dana White, deu declarações públicas sobre a necessidade de coibir e enfrentar quem pirateia o conteúdo da franquia, principalmente na internet. O apoio a leis mais severas nos Estados Unidos lhe rendeu até ataques de hackers – o site do Ultimate chegou a ser invadido e modificado por uma seita auto-denominada Annonymous.

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UFC 148: Silva e Sonnen quase brigam em coletiva

Lutadores se estranharam durante evento promovido pelo UFC hoje, em Las Vegas

O clima esquentou e quase descambou para a violência aberta durante a coletiva do UFC 148 entre os lutadores Anderson Silva e Chael Sonnen. Quando os dois ficaram frente a frente para a tradicional foto da encarada, hoje, em Las Vegas, as provocações e o falatório propalados até momentos antes deram lugar ao estranhamento. A intervenção providencial de Dana White, mandachuva do Ultimate, e dos seguranças escalados para acalmar os ânimos, evitou uma antecipação do confronto agendado para o sábado.

A fúria, especialmente a demonstrada por Anderson, é compreensível. Desde a derrota de Sonnen no UFC 117, em 2010, o norte-americano se esmera em provocar o brasileiro. As declarações ofensivas até mesmo à família do Spider causaram indignação na comunidade de lutadores – mas renderam holofotes da mídia e ensejaram o ambiente para o UFC estourar os recordes de transmissão da revanche. Agora, é esperar pelo desfecho sobre o palco daqui a quatro dias. O campeão brasileiro dos médios demonstrou uma ira fora do comum. Se ela se converter em golpes, dá para sentir pena de Sonnen…

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Silva x Sonnen: imagens e números dizem tudo?

Estatísticas chegam a sugerir vantagem do norte-americano, mas são incapazes de prever desfecho da revanche

 

A semana decisiva em torno da nova luta do século – a primeira também envolveu Anderson Silva, mas contra Vitor Belfort – começa com uma sequência muito bem elaborada pelo UFC sobre os dois lutadores. Mas a análise do retrospecto do Spider brasileiro e do falastrão Chael Sonnen, com base na batalha anterior entre eles e na trajetória profissional sobre os ringues, inquieta porque é incapaz de explicar o resultado de um combate a partir de imagens e números. O vídeo tenta radiografar os atletas e as possibilidades no UFC 148, no próximo sábado. Despeja dados e cenas. Salienta pontos fortes e fracos. Interpreta artimanhas. Em suma, explica. Ou seria confunde?

A inconguência entre sequências e resultados é angustiante. No primeiro encontro entre Silva e Sonnen, o norte-americanon reinou. Aos números: no round inicial, Chael acertou o brasileiro 31 vezes. O montante supera a quantidade de acertos contra o Spider em qualquer luta pelo Ultimate Fighting Championship. Todos os adversários de Anderson conseguiram acertá-lo de forma significativa 166 vezes. Sonnen chegou a mais de 320 quando os dois duelaram no UFC 117, em 2010. Como pode um lutador bater tanto e perder?

A magia do MMA entra aqui. Ou a força da finalização. O vídeo também expõe a fraqueza do norte-americano: 100% das derrotas dele no UFC e no WEC foram por submissão – como fez Anderson ao encaixar um triângulo a pouco mais de um minuto do fim da luta. É o ponto fraco de Sonnen: ele já permitiu 18 tentativas perigosas de submissão nas lutas. Entre os atletas do UFC, é a terceira pior marca. O fracasso diante do Aranha anotou a finalização mais tardia entre as batalhas do UFC: veio com 23 minutos e dez segundos.

A projeção para a revanche turva o resultado. Os dois oponentes têm a seu favor números dignos de campeões. De um lado, Anderson Silva: sem perder no UFC há seis anos, detém 85% de percentual de finalização – um recorde no torneio. O poder de atingir o oponente é de 68,5% (precisão). Silva consegue evitar 80% das tentativas de ser derrubado. Mas, diante de Sonnen, o imprevisível: ele se viu dominado por 63% do tempo do combate. O fanfarrão encurralou o brasileiro por 19 minutos e 50 segundos – patamar é o dobro do alcançado por todos os adversários de Silva juntos.

O norte-americano sai na vantagem por absorver melhor os golpes: 1 strike significativo por minuto - o índice mais baixo na história da categoria do UFC (segundo a organização, claro) – ele evita 69% dos golpes dos oponentes.  E por que não ganhou?

Quando os dois se encontraram pela primeira vez, há dois anos, a média de apostas era de 4 a favor de Silva e um por Sonnen. A diferença entre as projeções sobre quem ganha caiu. Agora, é de 2 a 1 a favor do brasileiro. Dentro do octógono, no entanto, o desfecho supera os cálculos. E nenhuma estatística se mostra capaz de adivinhar quem leva a melhor na categoria dos médios. A torcida brasileira espera, no entanto, mais um resultado positivo na conta do brasileiro. Na matemática da torcida, imagens e números significam vitória do Aranha.

Volta de Trator ao octógono tem data marcada

Acostumado a grandes desafios, o pernambucano Rafaello “Trator” Oliveira tem mais um pela frente. Ainda buscando sua primeira vitória depois do retorno ao Ultimate, ele foi confirmado no UFC 148, no card preliminar do evento que marcará a revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen.

Com um cartel de 14 vitórias e 5 derrotas, Trator sabe que um novo tropeço deve significar o fim de seu contrato pelo Ultimate. Afinal de contas, nas cinco lutas que fez na franquia, venceu apenas uma. Em seu retorno, perdeu para o potiguar Gleison Tibau e para Yves Edwards, das Bahamas.

O próximo adversário do pernambucano é o cubano Yoislandy Izquierdo. Recuperado da fratura na mão que sofreu na luta contra Edwards e de uma cirurgia no cotovelo, Trator está muito otimista com a nova oportunidade. “É agora! Estou pronto!”, postou em seu perfil no twitter.

Estamos na torcida, guerreiro!

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