Caneta salva estudante da morte

Duas canetas que estavam por dentro da blusa de uma estudante a salvaram da morte. Acompanhada da filha de sete anos, a dona de casa de 25 anos chegava à Escola Estadual Gabriela Mistral, no Alto do Pascoal, na Zona Norte do Recife, quando ambas foram atingidas por disparos de arma de fogo, por volta das 19h de ontem. A dona de casa que não quis revelar a identidade costuma levar a filha para assistir aula com ela todos os dias. Dois homens, que estariam usando farda da rede estadual, tentaram roubar a arma do vigilante da unidade de ensino, que reagiu.

Estudante de 25 anos foi baleada junto com a filha de apenas sete anos. Foto: Reprodução/TV Clube

Estudante de 25 anos foi baleada junto com a filha de apenas sete anos. Foto: Reprodução/TV Clube

Mãe e filha passam bem, mas a criança permanece internada no Hospital Otávio de Freitas (HOF), no Sancho, na Zona Oesta, após ter passado por cirurgia. Ela sofreu perfurações à bala nas duas mãos e um tiro de raspão na bochecha e ombro direitos.

Segundo a dona de casa, que estuda na unidade, ela estava entrando na escola quando ouviu os disparos. “Todo mundo tentou correr e depois vi que minha filha tinha sido baleada na mão. Ainda cheguei perto do vigilante e disse que o tiro atingiu minha filha. Somente quando cheguei na UPA eu vi que também estava baleada. O médico disse que tive sorte porque estava com as canetas presas na roupa e isso impediu que a bala entrasse no meu corpo”, contou a mulher em entrevista à TV Clube/Record.

De acordo com uma tia da criança, a menina está em observação e terá sua mão avaliada por uma equipe médica. “Ela fez a cirurgia, mas ainda não sabemos qual foi o resultado. Só vamos saber após a avaliação médica”, ressaltou.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação lamentou o fato e confirmou que a investida dos assaltantes teve como alvo o roubo da arma do vigilante da escola. A secretaria informou que está prestando assistência à estudante da unidade de ensino e à filha dela. A nota diz ainda que a “gestão da escola e a empresa de vigilância contratada para fazer a segurança da unidade de ensino estão colaborando com a polícia nas investigações. A Secretaria de Educação esclarece que a escola não possui histórico de violência, sendo essa a primeira vez que ocorre esse tipo de investida.”

O marido da estudante acredita que faltou preparo ao vigilante. “Ele deveria ser melhor treinado para agir em situações como essas. Por pouco eu não perdi minha família”, declarou. A Prosegur confirmou a tentativa de assalto a um vigilante ontem. Ainda segundo a nota, “durante a ação criminosa, houve troca de tiros entre os suspeitos e o vigilante e, na ação, uma senhora e uma criança ficaram feridas. A Prosegur informa que está dando apoio às vítimas e às autoridades.

A agonia além dos muros do Complexo Prisional do Curado

Do Diario de Pernambuco, por Rosália Rangel e Thiago Neuenschwander

O secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, estará hoje na cidade de San José, na Costa Rica, para dar explicações à Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre reiteradas violações aos direitos humanos no Complexo Prisional do Curado, antigo Aníbal Bruno. À defesa junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos, ele terá de acrescentar justificativas sobre a morte do autônomo Ricardo Alves da Silva, 33, assassinado ontem dentro da própria residência, vizinha ao complexo prisional, ao ser atingido por disparos que teriam partido de dentro da prisão – após confusão entre detentos do Frei Damião de Bozzano (PFDB), um dos três da unidade.

Confusão no Complexo Prisional resultou na morte de um vizinho da unidade. Fotos: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Confusão no Complexo Prisional resultou na morte de um vizinho da unidade. Fotos: Roberto Ramos/DP/D.A Press

A morte acontece na esteira de um processo que se arrasta desde 2011, quando uma coalização de organizações de direitos humanos começou a documentar uma série de abusos contra os detentos. O trabalho resultou na produção de um dossiê com 750 páginas. Segundo a ONG Justiça Global, uma das responsáveis pelo documento, há casos alarmantes, como o de um preso que teria sido torturado por agentes e solto dez anos após ter cumprido a sentença.

Moradores da localidade fizeram protesto por causa da morte do autônomo

Moradores da localidade fizeram protesto por causa da morte do autônomo

Os autos do processo internacional do Complexo Prisional do Curado contêm denuncias de 268 casos de violência no presídio (assassinatos, torturas e outros), dentre esses 87 de mortes violentas, 175 casos de denegação de acesso à saúde, 74 mortes não violentas ou por causas desconhecidas e 267 pedidos de assistência jurídica. Hoje, o presídio funciona com quase quatro vezes mais detentos que a capacidade. São 6.965 presos em um local que só comporta 1.819. A OEA exige a redução da superlotação, a garantia de atenção médica e a eliminação da revista vexatória. A reportagem tentou falar com o secretário-executivo de Ressocialização, Éden Vespaziano, mas a assessoria disse que ele não daria entrevistas.

Polícia Militar foi acionada para tentar conter ânimos da comunidade após a morte

Polícia Militar foi acionada para tentar conter ânimos da comunidade após a morte

Revoltados com a morte de Ricardo, moradores do Alto da Bela Vista, no Totó, interditaram os dois sentidos da BR-232, no Curado. A confusão no presídio começou às 6h. No tiroteio, os detentos José Carlos Serafim, 32, e Mário Francisco do Nascimento, 26, foram atingidos por disparos. Os dois foram socorridos para o Hospital Otávio de Freitas, onde seguem internados.

Corpo de  vai ser sepultado nesta segunda-feira, no Cemitério Parque das Flores

Corpo de Ricardo será sepultado nesta segunda-feira, no Cemitério Parque das Flores

A Polícia Civil solicitou à Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres) as armas utilizadas por agentes penitenciários para averiguar se o disparo partiu das forças de segurança ou dos detentos. “Trabalhamos só com uma linha de investigação: a de que o tiro partiu de dentro do presídio. Cabe saber quem atirou”, relatou o delegado Joaquim Braga, da Força-Tarefa.

Ricardo teve três lesões na face, mas isso não inviabilizaria a tese de bala perdida. “Foram pelo menos dois tiros. É possível, dependendo da arma, dar dois disparos rápidos em sequência. O tipo da arma, só após a perícia”, disse. A casa de Ricardo, diz o delegado, ficava a 300 metros do presídio. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa investiga o crime.

 

Família quer processar estado 

“Vamos terminar o que o governo fez. Vamos sepultar meu irmão e processar o estado, que está sem domínio e sem controle”. O desabafo em tom de revolta é do irmão de Ricardo Alves, Maviel Alves, ao falar da perda trágica do familiar. Segundo ele, Ricardo trabalhava há pelo menos 15 anos com conserto e venda de peças de bicicleta em feiras da cidade, de onde tirava o sustento para os dois filhos, de 6 e 10 anos, e a esposa.

Irmão da vítima disse que família pretende processar o estado

Irmão da vítima disse que família pretende processar o estado

O autônomo foi baleado enquanto escovava os dentes em um pequeno tanque de lavar roupas, em uma área da casa onde é possível ver o conjunto de presídios. Vizinhos e familiares de Ricardo contaram que é comum ter tiroteio na comunidade. “Policiais chegam atirando e não querem nem saber quem é bandido ou morador”, disse um deles.

Maviel acrescentou que os moradores se articulam para um novo protesto na BR-232, hoje, às 15h. “Ninguém aguenta mais o presídio no meio do bairro. Há meses, na mesma passarela que fica em frente à casa do meu irmão, um policial foi baleado ”, disse o irmão da vítima. O velório será às 7h e o sepultamento, às 14h, no Cemitério do Parque das Flores, no Sancho.

Raio x

3 presídios
compõem o Complexo Prisional do Curado

Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros (Pjallb)

Capacidade:
901
Detentos:
3.215 (256.8%)

Presídio ASP Marcelo Francisco Araújo (Pamfa)

Capacidade:
464
Detentos:
1.868 (302.5%)

Presídio Frei Damião de
Bozzano (PFDB)

Capacidade:
454
Detentos:
1.882 (414.5%)

Total

Capacidade:
1.819
Detentos:
6.965 (382.9%)

Fonte: Seres

Três vidas forjadas na violência

Leonardo, Ronaldo e Leandro. Três jovens. Três Silvas. Três vidas marcadas pela violência. Os irmãos procurados pela polícia por incendiar dois ônibus na Estrada do Barbalho, na Iputinga, também podem ser os responsáveis por cometer assassinatos na comunidade do Detran, onde moram. Essa vida de crimes teria começado após um outro ato bárbaro: os irmãos vieram para o Recife depois que sua mãe foi estuprada e assassinada em Bom Jardim, a 104km da capital.

Policiais militares estarão de prontidão durante 24 horas. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Policiais militares estarão de prontidão durante 24 horas. Fotos: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Ontem, enquanto a polícia procurava os suspeitos, a circulação de duas linhas, que tinha sido suspensa após os incêndios da noite da segunda-feira e na manhã da terça, foi retomada mediante reforço policial com 18 viaturas, três motos e 41 policiais militares.

Segundo a polícia, Leonardo Santos da Silva, 28; Ronaldo Adriano dos Santos da Silva, 27; e Leandro Lucas da Silva, 25, são irmãos de Romário Lucas da Silva, 21, preso por policiais militares, na última segunda-feira, juntamente com sua esposa de 17 anos, com 48 pedras de crack.

Dois coletivos foram incendiados na Estrada do Barbalho nesta semana

Dois coletivos foram incendiados na Estrada do Barbalho nesta semana

Os quatro fariam parte de uma quadrilha de tráfico e são considerados perigosos. Os incêndios aos coletivos seriam uma retaliação à prisão de Romário e da adolescente. Todos têm passagem pela polícia por tráfico de drogas. Contra Leonardo há ainda um mandado de prisão preventiva decretado em março, por uma tentativa de homicídio em outubro de 2014. A polícia acredita que ele seja responsável também por três mortes na comunidade do Detran e investiga os outros irmãos por envolvimento nesses assassinatos.

De acordo com o comandante do 13º Batalhão, tenente-coronel Carlos José, alguns policiais estão em pontos fixos. “Além do reforço no número de viaturas, aumentamos a quantidade de policiamento motorizado. Esse esquema será mantido até a situação ser normalizada”, garantiu o oficial. Ontem, várias viaturas foram vistas na comunidade.

Fuga a nado
Segundo o delegado Ricardo Cysneiros, os suspeitos conseguiram escapar do cerco policial nadando pelo Rio Capibaribe até a Ilha do Babanal, no Monteiro. “Abrimos dois inquéritos para investigar os casos separadamente. Até agora, temos as identificações desses três irmãos, mas pode haver mais envolvidos.”

A polícia pede que a população colabore repassando informações sobre o paradeiro dos suspeitos ou revelando nomes de outros envolvidos. “Vamos ouvir alguns passageiros que estavam nos coletivos e ver se as câmeras dos ônibus conseguiram registrar as imagens dos suspeitos”, acrescentou o delegado.

Metrô, o transporte do medo

Do Diario de Pernambuco, por Afonso Bezerra e João Vitor Pascoal

O metrô do Recife tem se transformado em um transporte do medo. Só este ano já foram registradas mais de 100 ocorrências de roubo ou furto dentro dos vagões. E nos últimos 30 dias, um total de cinco assaltos, mais de um por semana. Um número que assusta e já resulta em morte. Ontem, um policial civil à paisana reagiu a um assalto e matou dois suspeitos dentro do vagão, na Estação Largo da Paz, em Afogados. Perto dali, a polícia apreendeu um menor que confessou que estava indo à estação matar um desafeto, mas foi apreendido antes pelos policiais.

Foto: João Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

Mortes aconteceram por volta das 14h. Foto: João Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

O principal sistema de transporte de massa da Região Metropolitana transporta cerca de 400 mil usuários por dia, mas a insegurança traz medo não apenas para os usuários, mas também para os trabalhadores. Depois de três paralisações no ano passado, o Sindicato dos Metroviários participa hoje de uma audiência pública em Brasília para pedir por uma solução para a onda de terror.

Ontem, de acordo com informações fornecidas por funcionários da estação, os três homens embarcaram na estação Imbiribeira, Zona Sul, por volta das 14h. E logo que o trem iniciou o movimento, eles anunciaram o assalto. Um policial civil à paisana estava presente no vagão e deu voz de prisão aos homens. Um deles estava armado com um revólver calibre 38 e teria tentado atirar três vezes, mas a arma falhou. Com isso, o policial reagiu e deu dois tiros. O segundo tentou pegar a arma do morto para atirar e também foi morto. Já o adolescente não teria reagido e foi apreendido e encaminhado para o Departamento de Proteção à Criança e ao Adolescente(DPCA). Os suspeitos não foram identificados. O Instituto de Medicina Legal IML) vai aguardar dez dias para o reconhecimento.

De acordo com a perita do Instituto de Criminalística Vanja Coelho, não houve uma troca de tiros e os suspeitos foram atingidos de forma letal. O policial civil prestou depoimento na DPCA acompanhado do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol). “Ele agiu em defesa da própria vida e dos usuários”, afirmou Áureo Cisneiros, presidente do Sinpol.

De acordo com a assessoria da CBTU, o departamento de segurança já vinha monitorando o movimento dos suspeitos, que sempre ocorria no mesmo horário. Algumas imagens fornecidas pela CBTU podem servir de prova da ação dos assaltantes.

O presidente do Sindicato dos Metroviários, Diogo Morais, disse que serão feitas novas mobilizações para pedir por mais segurança. “Na próxima semana, vamos nos reunir em assembleia e discutir nossas posições no futuro”. Ele relembrou do plano de segurança que está sendo elaborado, que prevê contratação de funcionários e a possibilidade parceria com a Polícia Militar. “O documento está pronto, mas ainda não foi apresentado oficialmente. Continua em debate”, apontou. Já a CBTU informou que está em busca de mais recursos para nomeação dos candidatos aprovados em concurso.

A polícia que precisa de polícia

Do Diario de Pernambuco

Em um mesmo fim de semana, três policiais foram vítimas da violência. Na noite da sexta-feira, o delegado da Polícia Civil Joel Venâncio foi assaltado no bairro de Porta Larga, em Jaboatão dos Guararapes. No sábado, a policial civil de Porto de Galinhas Tatiana Ribeiro de Melo reagiu a um assalto e acabou baleada e morta, em Abreu e Lima. Ontem, em Apipucos, no Recife, outra morte. Desta vez, um policial militar, do banco de trás da viatura, matou um colega de trabalho, o cabo Adriano Batista.

Crime aconteceu na manhã do domingo. Foto: João Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

Crime aconteceu na manhã do domingo. Foto: João Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

O PM Adriano Batista da Silva, 41 anos, tirava o seu quarto plantão com o soldado Flávio Oliveira, descrito por ex-companheiros de batalhão como “problemático”. O soldado passou mais de um ano em reabilitação por abuso de álcool e já havia passado por intervenção cirúrgica neurológica. Foi considerado apto a oferecer seus serviços à população pelo setor de psiquiatria da corporação. Ele puxou o gatilho por conta de uma suposta discussão iniciada minutos antes sobre cotas raciais.

“O que prevalece na instituição não é transferir, mas tratar o problema. A PM está pautada nos princípios de direitos humanos para lidar com a sociedade e também com o quadro interno”, afirmou o diretor-adjunto de articulação social e direitos humanos, major Cláudio dos Santos Silva, do grupo de trabalho criado em 2013, que promove palestras, inclusive, sobre questões étnico-raciais “a exemplo do atual curso de formação de soldados, com 1.117 policiais militares, que estudaram a disciplina de diversidade étnico-sociocultural”, como frisa a nota emitida pela corporação.

O Comando Geral também empenhou o Centro de Assistência Social, o departamento médico e representantes de todos os batalhões, a fim de compreender os motivos do que considera uma “solução fútil e covarde com que se deu o desfecho do caso”.

Para o presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco, Alberisson Carlos, o caso não é pontual. “Há uma pressão enorme por resultados na diminuição do Crimes Violentos Letais Intencionais, de modo a chegar a obrigar-se que um policial problemático, que não deveria estar nas ruas, seja escalado. Há vários outros com problemas de saúde. Desse (Flávio), todo mundo sabia”, lamenta. Segundo ele, não há acompanhamento psicológico sistemático, os PMs não passam por uma formação continuada e as chamadas “reciclagens” acabam inviabilizadas por conta das escalas.

Não foi o primeiro caso de assassinato de um policial por um colega. Há um mês, o escrivão Luciano José Gonçalves Bezerra, 36, foi morto por um agente da Polícia Civil, em Triunfo. Em março, o PM baiano Mauro Simões foi morto a tiros em Petrolina por um policial civil de Araripina. Ambos, por desentendimentos. Os dois policiais civis assaltados no fim de semana não estavam no exercício da profissão. Fora de serviço, engrossaram as estatísticas dos quase 200 assaltos diários que somaram 33,9 mil casos (entre os registrados) apenas no primeiro semestre de 2015.

Adolescente confessa homicídio de professor no Galetus

Do Diario de Pernambuco

Um adolescente confessou ter assassinado o estudante de engenharia eletrônica da UPE e professor do Pronatec, José Renato de Souza, 39, durante assalto à churrascaria Galetus, na Caxangá, no domingo. O suspeito de 17 anos foi ouvido pelo delegado Bruno Magalhães.

Ele chegou acompanhado da advogada Cícera Lins. “Os disparos foram atos impensados, na hora do desespero”, disse a defensora. O garoto vai aguardar a decisão da Justiça em liberdade, porque não houve flagrante. “Ele confessou que deu dois tiros e não está se omitindo, o fato é público”, reforçou Cícera.

Na terça-feira, foi preso outro suspeito. Marcelo Henrique dos Santos Silva, 24, foi encontrado na casa de um tio em São José da Coroa Grande. Ele já cumpriu pena por assalto nas penitenciárias Barreto Campelo, em Itamaracá, e Frei Damião de Bozano, no Recife. Marcelo confessou participação no assalto, mas disse que não atirou na vítima. Marcelo foi encaminhado ao Cotel ontem, após expedição de mandado de prisão. A polícia procura outros dois suspeitos.

O radialista José Roberto de Souza, irmão de José Renato, esteve ontem no DHPP para falar com o delegado Bruno Magalhães. Depois da conversa, ele pediu às pessoas que testemunharam o fato que colaborem com a polícia. “Quem tiver imagens, entre em contato, porque isso ajuda a dar mais consistência aos pedidos de prisão. Também apelo ao Ministério Público”, enfatizou José Roberto de Souza.

Preso 1º suspeito de participar do assalto e morte no Galetus

A polícia prendeu na noite dessa terça-feira um dos suspeitos de ter participado do assalto que terminou com a morte do professor José Renato de Souza, 39 anos, na churrascaria Galetus, na Avenida Caxangá, no Cordeiro. Marcelo Henrique dos Santos Silva, 24 anos, foi preso em Várzea do Una, em São José da Coroa Grande, no litoral Sul pernambucano.

O suspeito foi levado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife. Segundo a Polícia Militar, Marcelo Henrique confirmou a participação no latrocínio, que teria contado com a o envolvimento de mais três pessoas. A polícia já tem o nome dos outros envolvidos e também a identificação de um deles através das impressões digitais recolhidas pelos peritos papiloscopistas do IITB.

O suspeito que é adolescente teria sido o autor do disparo que matou José Renato. As digitais dele foram colhidas no copo usado por ele para tomar refrigerante. Outras digitais também foram encontradas e estão sendo analisadas.

Marcelo Henrique foi preso em São José da Coroa Grande. Foto: Polícia Militar/Divulgação

Marcelo Henrique foi preso em São José da Coroa Grande. Foto: Polícia Militar/Divulgação

Dois homens se passaram por clientes quando outra dupla anunciou o assalto e passou a recolher objetos de quem estava no local. José Renato pediu para manter os documentos consigo e um dos assaltantes ameaçou matá-lo. Com a arma apontada para si, ele reagiu e tentou fugir.

O universitário foi atingido por um tiro e correu para fora da churrascaria pela porta da frente. Ele foi alcançado poucos metros depois, levou uma pancada na cabeça com a arma, foi acertado novamente e morreu no local.

Um revés para o Pacto pela Vida

A violência voltou a subir no estado. Julho teve 297 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), 40 a mais que no mesmo período de 2014. Os números foram anunciados ontem pela Secretaria de Defesa Social. O titular da pasta, Alessandro Carvalho, ponderou que, apesar do crescimento, julho foi o segundo mês menos violento de 2015 até agora. Em junho, 264 homicídios foram computados.

Julho deste ano teve 40 mortes a mais que julho de 2014. Foto: SDS/Divulgação

Julho deste ano teve 40 mortes a mais que julho de 2014. Foto: SDS/Divulgação

Para Carvalho, o aumento nas mortes deve-se a fatores com o crescimento do tráfico de drogas e da criminalidade em geral, em meio à crise econômica, e à redução dos plantões por alguns delegados e policiais civis, em protesto.

“Apesar dos esforços que estamos fazendo, o mês de julho não teve um bom resultado no Pacto pela Vida. Depois de dois meses seguidos de redução, veio esse aumento de 15,6% no número de CVLIs. Um dos pontos que contribuiu para esse cenário foram as entregas dos plantões no interior do estado. Tínhamos 14 delegacias de plantão na Zona da Mata e no Agreste e depois das entregas, esse número caiu para oito. Isso faz com que as viaturas da PM fique mais tempo sem circular nas ruas porque estão nas delegacias para registar as ocorrências”, ponderou o secretário. Ainda segundo Carvalho, o governo do estado está aberto ao diálogo com os policiais, porém não tem previsão para que seja sinalizado aumento de salário.

 

Meta
Segundo dados da SDS, as Áreas Integradas de Segurança mais violentas em relação ao número de assassinatos foram as de Paulista (27), Caruaru (27), Garanhuns (26), Jaboatão (24), Nazaré da Mata (21) e Cabo de Santo Agostinho (20). O desafio da SDS agora será atingir a meta do Pacto pela Vida, que prega uma redução de 12% em relação ao número de mortes com o mesmo período do ano anterior, para o mês de agosto.

Em 2014, 250 assassinatos foram registrados em Pernambuco em agosto. Isso significa dizer que para este mês, para atingir a meta, o estado não pode registrar mais do que 220 homicídios.