Primeiro rolezinho do Recife foi considerado tranquilo

Quem esteve no Shopping RioMar na tarde deste sábado, teve a experiência de ver de perto o primeiro rolezinho realizado no Recife. O evento foi considerado tranquilo pela direção do centro de compras, apesar de muitas lojas terem baixado suas portas durante a manifestação. Um pequeno grupo apenas 11 pessoas compareceu ao ato, onde estavam confirmados mais de 1.700 na página do facebook. Com cartazes e um megafone, os jovens circularam pelo shopping pedindo o fim do racismo e também a igualdade de tratamento entre brancos e negros no mercado de trabalho.

Jovens usaram megafone para protestar. Fotos: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Jovens usaram megafone para protestar. Fotos: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Dez minutos após o fim dessa manifestação, um grupo com cerca de 60 pessoas que deixou o Parque 13 de Maio, na Boa Vista, e protestava contra a realização da Copa do Mundo também seguiu para o RioMar. Houve um pequeno tumulto, mas nenhum incidente foi registrado. Depois de dez minutos, os jovens deixaram o local. Eles foram acompanhados de perto pelos seguranças, que não precisaram intervir em nenhum momento. Outro rolezinho está previsto para as 17h deste domingo, no Shopping Center Recife, em Boa Viagem.

Algumas lojas baixaram as portas, mas logo depois levantaram

Algumas lojas baixaram as portas, mas logo depois levantaram

Quem estava no RioMar tinha opniões dividas sobre as manifestações. De férias na cidade, o desing Alan Araújo, 26 anos, chegou ao centro de compras no momento em que o primeiro grupo entrava no shopping. “Sei que o racismo existe em alguns grandes centros de compras. Nós que somos negros quando não chegamos bem arrumados nesses lugares somos olhados de maneira diferente pelos seguranças”, contou o jovem que visitava o shopping com um amigo.

Caminhada chamou a atenção de quem estava no shopping

Caminhada chamou a atenção de quem estava no shopping

Passava das 16h30 desse sábado quando o primeiro grupo de protestantes chegou ao RioMar. Alguns clientes até pararam para fotografar e filmar o ato. “Não estamos promovendo arrastões e, sim, lutando pelos nossos direitos”, ressaltou Janaína Oliveira, do Movimento Quilombola Raça e Classe, pouco antes dos jovens deixarem o local.
Quando tudo parecia ter voltado à normalidade, por volta das 18h30, o grupo de mascarados que deixou o centro do Recife entrou no shopping protestando contra a realização da Copa do Mundo.

Por meio de nota, o RioMar informou que não houve registro de nenhum incidente nas manifestações contra o racismo e contra a Copa. O shopping ressaltou “que todas as pessoas, sem qualquer discriminação racial ou social,  são bem-vindas ao shopping, desde que sejam pacíficas e coerentes com as boas regras do respeito humano.”

CPI vai propor à CBF pacto contra abuso sexual infantil durante a Copa

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes irá se reunir na segunda semana de fevereiro com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, para firmar um pacto contra o abuso sexual de jovens durante a Copa do Mundo e também pelo combate à pedofilia nos clubes esportivos.

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O possível aumento dos casos de exploração sexual durante a Copa preocupa a comissão. A relatora da CPI, deputada Liliam Sá (Pros-RJ), informa que, na África do Sul, após a Copa de 2010, houve um aumento de 20% nos índices de abuso sexual de crianças e jovens. No Brasil, na avaliação da deputada, as políticas públicas de combate ao problema são insuficientes.

Liliam Sá destaca que o programa Proteja, com ações de proteção às crianças e adolescentes durante a Copa do Mundo, ainda não é uma realidade em todas as 12 cidades-sedes do evento. O programa é coordenado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

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“Falta investimento. Há uma certa negligência. Qual estado quer confirmar para uma autoridade que existe turismo sexual? É uma coisa feia. Ninguém quer falar sobre isso”, critica a deputada.

Iniciativas em andamento
Como exemplo de iniciativas bem-sucedidas, Liliam Sá cita o caso da Bahia, que, em grandes eventos, como o Carnaval, já realiza um trabalho de acolhimento de crianças cujos pais trabalham durante a festa, como ambulantes ou catadores.

A deputada elogia também o planejamento do governo federal para manter antes, durante e após os jogos da Copa pontos móveis dos conselhos tutelares locais para receber denúncias.

Em um esforço para combater o problema, o Ministério do Turismo está distribuindo cartazes, folhetos e adesivos em bares, hotéis, centros de atendimento ao turista, rodoviárias e aeroportos de todo o Brasil.

Membros da CPI estiveram em ponto de exploração no Recife. Foto: Arthur de Souza/DP/D.A/Press

Membros da CPI já estiveram em alguns pontos de exploração sexual no Recife, no ano passado. Foto: Arthur de Souza/DP/D.A/Press

O coordenador-geral de Proteção à Infância do Ministério do Turismo, Adelino Neto, avalia que, pelas campanhas, é possível aumentar a conscientização do setor e ampliar as denúncias.

“Turismo responsável só vai poder ser pautado se o desenvolvimento econômico que os países estão experimentando com a atividade turística também for acompanhado de uma questão social bem apurada e que possa garantir desenvolvimento de uma geração futura”, diz Adelino Neto.

Disque denúncia
Além do Disque 100, outra ferramenta para denunciar casos de violência sexual de crianças e adolescentes é o aplicativo gratuito para tablets e smartphones “Proteja Brasil”. Uma parceria da Secretaria Nacional de Direitos Humanos com o Unicef e outras entidades, o aplicativo facilita a localização de números e locais mais próximos para uma denúncia.

Na Câmara dos Deputados, a CPI que investiga a exploração de crianças e adolescentes também recebe denúncias, que podem ser encaminhadas pelo 0800 619 619. Segundo o Ministério da Justiça, o maior número de denúncias ocorre no Rio de Janeiro, na Bahia e em São Paulo.

Da Agência Câmara