Policiais civis de Pernambuco farão paralisação de 48 horas

Policiais civis de Pernambuco farão uma paralisação de 48 horas a partir de zero hora de amanhã. Uma assembleia que contou com a participação de aproximadamente 500 dos 4,9 mil profissionais em todo o estado deliberou, ontem à noite, que antes do final da paralisação, às 18 horas da quinta-feira, outra assembleia decidirá os rumos do movimento. “A gente pode deliberar pela greve”, antecipou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros.

Categoria está cobrando melhorias. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Categoria está cobrando melhorias. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Ainda segundo o presidente do Sinpol, em mais de duas horas de reunião de negociação o governo do estado não ofereceu nada além de uma “progressão, dependendo de avaliação de desempenho”. A categoria reivindica a recomposição dos salários, incluindo a fixação do percentual de 225% de gratificação de função policial para todo o quadro da Polícia Civil, além da convocação de 100 escrivães e 700 agentes concursados para substituir outros que se aposentam até o final do ano. Cobram, ainda, equipagem adequada para trabalhar com segurança, inclusive coletes à prova de balas, melhores condições de trabalho nas delegacias.

A segunda paralisação de advertência ocorrerá de forma dobrada em relação à primeira, realizada no dia 19 de maio, quando a categoria parou por 24 horas. Mas o objetivo é o mesmo, limitar o trabalho exclusivamente aos flagrantes e locais de homicídio, ainda assim condicionados à garantia de segurança dos profissionais prevista em Lei, dentro do foco do que definem como Operação Polícia Cidadã. Áureo Cisneiros destacou que, como na deliberação da paralisação anterior, a assembleia contou com delegações de policiais civis do interior.

Um olhar sobre as meninas aprisionadas

Joana (nome fictício), 17 anos, reclama nos corredores. Naquele dia, perdeu a posse de quatro celulares. “Esse foi meu pior dia aqui”, brada a jovem, internada há um ano e cinco meses no Case Santa Luzia, no bairro do Engenho do Meio, no Recife. A unidade é a única do estado a receber meninas menores de idade envolvidas em atos infracionais graves.

Pesquisa fez retrato inédito de unidades fechadas para infratoras. Foto: Guilherme Verissímo/DP.D.A Press

Pesquisa fez retrato inédito de unidades fechadas para infratoras. Foto: Guilherme Verissímo/DP.D.A Press

Todas as internas foram destinadas pela Justiça a responder pelo seus atos em regime fechado. Apesar de proibidos, celulares são encontrados na unidade, habitada por 30 meninas. O cigarro é liberado pela direção três vezes por dia, desde que a menina tenha dinheiro para mandar comprar. A regra contraria determinação da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).

A realidade de internas em unidades fechadas de cinco estados brasileiros foi levantada em pesquisa inédita encomendada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) à Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Foram ouvidos jovens, agentes socioeducativos e funcionários da equipe técnica de instituições de Pernambuco, Distrito Federal, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará.

A pesquisa revelou que a estrutura das casas de internação segue a lógica prisional, com grades, reclusão em quartos, além de pouca ou nenhuma atividade pedagógica. Apesar da Lei 12.594/2012, que também assegura ao adolescente casado ou que viva em união estável o direito à visita íntima, as meninas não desfrutam do benefício. Também não recebem apoio nem visita frequente da família e, além da liberdade, são privadas de educação e afeto.

Outra conclusão foi que o sistema tem, em geral, adolescentes pobres, majoritariamente negras e moradoras da periferia. A grande maioria não tinha passagem anterior em unidade de internação. No caso específico de Pernambuco, o que mais surpreendeu os pesquisadores foi o uso liberado do cigarro (leia entrevista).
Renata (nome fictício), 17, está grávida de nove meses do primeiro filho. Natural de Juazeiro, na Bahia, está no Case há seis meses.

Provavelmente permanecerá na unidade com o bebê nos primeiros meses de nascimento. Pior: no mesmo ambiente dedicado às outras jovens. “Aqui é ruim. Os agentes batem na gente. Há dois meses não vejo minha mãe. O governo não liberou o dinheiro da passagem para ela me visitar”, lamenta. Quanto ao companheiro, conta que prefere não vê-lo.

Há cinco anos, Sandra (nome fictício), 17, frequenta diversas unidades da Funase. “Me sinto recuperada, quero voltar para casa, provar que mudei. Aqui faço de tudo, coloco água, cuido do jardim. Se eu não fizer ninguém faz”, conta a menina, que diz manter um relacionamento homossexual na unidade. “É um desmanche do Estatuto da Criança e do Adolescente”, diz Marília Montenegro, coordenadora da pesquisa.

Número de homicídios caem em Pernambuco após 14 meses

Depois de 14 meses registrando aumento no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), Pernambuco conseguiu conter a alta em maio de 2015. Mesmo sem atingir a meta estipulada do Pacto pela Vida, de 12%, o estado apresentou redução de 4,5% na taxa de homicídios por 100 mil habitantes, e de 3,4% nos númros absolutos, em relação ao mesmo período do ano passado.
Crime aconteceu no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife. Fotos: TV Clube/Reprodução

Pernambuco vinha registrando uma média de 320 mortes por mês. Fotos: TV Clube/Reprodução

Nos últimos seis meses, Pernambuco vinha registrando uma média acima de 320 homicídios. No primeiro mês deste ano, por exemplo, houve aumento de 26,29% nos CVLIs, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Nos meses subsequentes, o ritmo diminuiu. Em abril, o aumento foi de 9,1%.

Cresceram as Áreas Integradas de Segurança (AISs) que conseguiram atingir redução de 12% na taxa de CLVIs por 100 mil habitantes. Em janeiro, eram seis, enquanto em maio a quantidade saltou para 11. Dentre as quais, 10 evoluíram com taxas de CVLIs menores que a taxa nacional (29,17 por 100 mil habitantes).

Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

No acumulado dos primeiros meses do ano, o estado registrou um aumento de 11,7% nos homicídios em relação ao mesmo período do ano passado. O dado, porém, é comemorado pelo secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, pois é menor se comparado aos outros meses. “Ainda não está naquilo que a SDS pretende, mas é a reversão de uma tendência. Estamos começando a colher os frutos das correções que anunciamos no começo deste ano.”

Entre as medidas, estão o aumento no valor da gratificação por apreensão de armas de fogo e a apreensão de bombeiros e policiais militares. “A diminuição é atribuída a dois indicadores importantes: a apreensão de armas aumentou em mais de 20% depois da alteração das regras de bonificação e a prisão de autores de delito já passa de oito mil. A gestão também está mais focada”, pontuou Carvalho.

Em agosto, 1,1 mil novos policiais militares começarão a trabalhar. Também haverá a criação do 25º BPM, do Batalhão de Polícia Especializada do Interior e da Companhia Independente de Goiana.

Saiba Mais
Comparação entre os maios de 2014 e 2015
Redução de 3,4 % nos números absolutos
Redução de 4,5% na taxa de CVLIs por 100 mil habitantesCVLIs

Variação do acumulado de janeiro a maio de 2014 e 2015

Janeiro

Aumento de 26,5%

Fevereiro

Aumento de 25,1%

Março

Aumento de 18,5%

Abril

Aumento de 16%

Maio

Aumento de 11,7%

Operações entre 2014* e 2015**

Armas apreendidas

Aumento de 22,1%

Recolhimento

Aumento de 0,8%

Pontos debelados

Aumento de 24,2%

*até o dia 25/05/2014
** até o dia 24/05/2015

Operações qualificadas realizadas

2014*

6

*até o dia 09/04

2015**

10

**até o dia 16/04

Por Área Integrada de Segurança (AIS)

11 AISs conseguiram redução de 12% na taxa de CVLIs em maio

10 AISs apresentaram em maio de 2015 taxas de CVLIs menores que a taxa Brasil (29,17 por 100 mil habitantes)

Afogados da Ingazeira
Salgueiro
Limoeiro
Arcoverde
Espinheiro
Boa Viagem
Cabrobó
Serra Talhada
São Lourenço
Petrolina

2 AISs apresentaram em maio de 2015 o melhor resultado da série histórica

Arcoverde
Olinda

83 municípios apresentaram taxa de CVLIs abaixo da taxa Brasil em maio de 2015

32 municípios não registraram CVLIs até maio de 2015

Fonte: Secretaria de Defesa Social (SDS-PE)

Caso Betinho: suspeito de 19 anos é filho do diretor do Colégio Agnes

Após deixar o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na manhã desta quinta-feira o advogado Marcos Antônio da Silva confirmou que o jovem de 19 anos suspeito de participação na morte do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, é filho do diretor do Colégio Agnes.

A informação de que o rapaz era filho de um integrante da administração do colégio havia sido publicada com exclusividade pelo Diario de Pernambuco e pelo blog na última terça-feira. O outro suspeito, um adolescente de 17 anos, também é estudante do colégio particular da Zona Norte do Recife. Ambos cursam o terceiro ano e negaram participação no crime no primeiro depoimento à polícia. Os jovens deverão prestar depoimento novamente na próxima semana.

Delegado esteve no DHPP nesta quinta-feira. Foto: Reprodução/TV Clube

Delegado esteve no DHPP nesta quinta-feira. Foto: Reprodução/TV Clube

Segundo o advogado Marcos Antônio, o seu cliente está mantendo sua rotina normal de atividades, estaria inclusive frequentando a escola, e a família está acompanhando as investigações da polícia e esperando o resultado do inquérito. “Estamos analisando todas as provas que estão nos autos e nesse momento não podemos fazer juízo de valor sobre o que está no inquérito”, ressaltou Marcos Antônio.

As digitais do adolescente estavam no ferro de passar roupas usado para matar a vítima, no ventilador cujo fio serviu para amarrar as pernas do pedagogo e ainda na geladeira da residência. Já as do estudante de 19 anos foram colhidas na cômoda do apartamento de Betinho. A identificação deles foi possível graças ao trabalho dos peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril que trabalham no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Leia mais sobre o assunto em:

Estudante de 17 anos foi o executor do professor Betinho do Agnes

Sinpol acusa governo de perseguição a policiais e sindicalistas

O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) divilgou uma nota alegando que policiais civis e sindicalistas estariam sendo perseguidos pelo governo do estado.

Categoria está cobrando melhorias. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Categoria está cobrando melhorias. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Confira a nota na íntegra

A Diretoria do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, Sinpol, desde que foi empossada vem expondo para a sociedade os problemas e as dificuldades que os Policiais Civis encontram para prestar um serviço de segurança pública de qualidade ao cidadão, inclusive lançando a Operação Polícia Cidadã, para mostrar os direitos e deveres dos policiais e do povo.

Por isso, repudiamos a forma como o Governo do Estado tratou os Policiais Civis que estão lutando por sua valorização e condições de trabalho dignas para melhorar a Segurança Pública, dentre estes, os que participaram da Operação Paz no Sertão, ocorrida no dia 07 de maio deste ano.

No dia 21 de maio fomos surpreendidos por notificações de aberturas de Processos Administrativos Disciplinares (PAD) com intenção de demitir integrantes da diretoria deste sindicato e de punir policiais que seguiram suas orientações, além de inquérito no intuito de criminalizar as atitudes legítimas e legais da diretoria em defesa de direitos trabalhistas e da própria segurança dos policiais convocados para a referida operação.

Tais procedimentos foram instaurados porque a diretoria do Sinpol, na noite anterior a deflagração da Operação, foi informada que vários Policiais Civis seriam mandados para o Sertão sem o pagamento de qualquer verba a título de horas extras, diárias, adicional noturno e sem as mínimas condições físicas e de segurança, pois, seriam, como foram, obrigados a viajar durante a madrugada percorrendo mais de 500km para que ao chegarem ao local dessem cumprimento aos mandados de prisão contra integrantes de grupos de extermínio, bem como aos mandados de busca e apreensão, confeccionarem os autos policiais decorrentes das prisões e apreensões, realizarem a coleta dos depoimentos, confeccionarem possíveis flagrantes e retornarem para Recife ao término da exaustiva e extenuante jornada.

É importante frisar que o Sinpol não atuou contra a realização do serviço policial, antes, porém, defendeu os direitos dos trabalhadores da segurança pública, pois, a nós foi dada a prerrogativa de representar e defender os legítimos direitos dos Policiais Civis. Nunca deixaremos que um serviço policial seja realizado subjugando-se os direitos básicos e fundamentais dos trabalhadores, principalmente pelas instituições que têm por dever o cumprimento das leis.

Reafirmamos que o Sinpol, prezando pelos princípios democráticos, está aberto ao diálogo e ao entendimento, por isso não entende o porquê de tais perseguições e da criminalização de suas ações. Não permitiremos que o Governo regrida em suas atitudes aos tempos sombrios que vivenciamos durante a Ditadura Militar, demonstradas através dessas tentativas de retaliações.

O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco irá continuar defendendo os direitos dos Policiais e mantendo o compromisso de melhorar a segurança pública para a sociedade pernambucana. Não irão nos calar. Ninguém estará só!

A DIRETORIA DO SINPOL-PE

Estudante de 17 anos foi o executor do professor Betinho do Agnes

Um adolescente de 17 anos está sendo apontado pela polícia como executor da morte do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49. Ele e outro aluno do Colégio Agnes (de 19 anos) são os suspeitos do crime, segundo o delegado Alfredo Jorge. Como antecipado pelo Diario com exclusividade, impressões digitais foram encontradas por peritos do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB) na casa do professor.

Delegado Alfredo Jorge espera que suspeitos confessem o crime. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Delegado Alfredo Jorge espera que suspeitos confessem o crime. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

As digitais do adolescente estavam no ferro de passar roupas usado para matar a vítima, no ventilador cujo fio serviu para amarrar as pernas do pedagogo e ainda na geladeira da residência. Já as do estudante de 19 anos foram colhidas na cômoda do apartamento de Betinho. Um dos estudantes é filho de um integrante da administração do colégio.

O professor foi encontrado morto em seu apartamento, no Edifício Módulo, na Conde da Boa Vista, em 16 de maio. De acordo com a polícia, os suspeitos devem ser ouvidos novamente na próxima semana. “Os dois prestaram depoimento em 21 de maio e negaram participação. Também negaram que estiveram na casa da vítima e alegaram que nem sabiam onde Betinho morava. Mas as digitais provam que eles estiveram na cena do crime”, apontou o delegado.

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Alfredo Jorge afirmou que a motivação do assassinato segue indefinida e por isso a investigação vai continuar. “Precisamos saber se houve relação sexual antes do crime. Estamos esperando os laudos.”

Até o momento, a polícia não decidiu quando irá pedir a prisão temporária ou preventiva do suspeito de 19 anos e a internação do adolescente. Ambos cursam o terceiro ano do ensino médio.

“Ainda não temos a motivação, mas o inquérito pode ser fechado sem essa conclusão e encaminhado à Justiça com as provas e indícios. Ambos apresentaram álibis para a noite do crime. O mais velho disse que estava em casa e o adolescente contou que estava com a namorada, mas a versão do mais novo já foi derrubada. Acho possível que o motivo do crime só seja descoberto com a confissão dos dois suspeitos.”

Os advogados do estudante de 19 anos afirmaram que a família ainda não vai se pronunciar. Os defensores vão aguardar as intimações para os novos depoimentos. Procurado mais uma vez, o Colégio Agnes também preferiu não se pronunciar.

Pontos cegos
A polícia revelou que existem pontos cegos na câmera de monitoramento do Módulo e que há a possibilidade de alguém ter entrado e saído do edifício sem ser filmado. A análise das gravações estão em andamento.

Polícia vai punir quem difamou Vaniela nas redes sociais

Após esclarecer onde a estudante de direito Vaniela Oliveira Varela, 25 anos, estava durante os quatro dias em que ficou sumida, a delegada Gleide Ângelo, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), anunciou que internautas que estiverem cometendo calúnia ou difamação contra Vaniela poderão ser punidos.

Gleide Ângelo falou sobre o desfecho da história. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Gleide Ângelo falou sobre o desfecho da história. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Segundo Gleide, Vaniela viajou para João Pessoa na quarta-feira passada após sair do Fórum de Jaboatão, onde foi vista pela última vez, e decidiu retornar no sábado ao sentir saudades da avó. Durante a estadia na Paraíba, Vaniela se hospedou numa pousada na praia de Tambaú. Um funcionário da pousada confirmou à TV Clube/Record que a universitária ficou no estabelecimento durante o período em que esteve sumida, sozinha e estudando.

Durante uma semana, o público acompanhou o drama da família. A repercussão também incluiu comentários e mensagens ofensivas na web. A delegada disse que comentários estão sendo analisados. Familiares e amigos estão tirando prints e a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos foi acionada. “É bom todo mundo ter cuidado com o que diz. Se postarem qualquer mensagem caluniando ou difamando, vão responder criminalmente”, disse Gleide.

O crime de calúnia, punível com pena de seis meses a dois anos, se configura quando alguém imputa a outro um crime, falsamente. A difamação, ato de imputar algo ofensivo à reputação, pode render três meses a um ano.

Vaniela Oliveira contou à polícia onde esteve por quatro dias. Foto: Brenda Alcantara/Esp DP/D.A Pres

Vaniela Oliveira contou à polícia onde esteve por quatro dias. Foto: Brenda Alcantara/Esp DP/D.A Pres

A delegada revelou que Vaniela será indiciada por falsificação de documento. Ela colocou a foto em uma carteira de identidade que achou no ano passado e usou o documento para comprar a passagem para João Pessoa. Seu objetivo era não ser localizada.

“Há um mês Vaniela pensava em fugir. Ela nos contou que estava passando por problemas e resolveu que não voltaria”, explicou Gleide. Vaniela voltou exatamente para o lugar de onde partiu, nas imediações do fórum, onde foi encontrada chorando e acabou acolhida por populares. Para não ser identificada, só fez pagamentos em dinheiro.

 

Sobre a falsificação, Gleide disse que não houve flagrante e Vaniela não preenche requisito para ser presa. Ela responderá em liberdade. O crime tem pena de dois a seis anos em caso de condenação.

Avó surpresa
A avó de Vaniela, Maria José Silva, 61 anos, que a criou desde pequena, ficou supresa. “Depois que ela voltou da delegacia, não me contou nada do que havia acontecido. Fiquei sabendo pela televisão. Hoje pela manhã ela foi passar uns dias na casa da minha irmã no interior”, disse.

Digitais de alunos do Agnes estavam em ferro, ventilador, geladeira e móvel de Betinho

As impressões digitais dos dois estudantes do Colégio Agnes suspeitos de assassinar o pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, foram encontradas no ferro usado para dar pancadas na cabeça do professor e também no ventilador, cujos fios estavam enrolados nas pernas de Betinho, como era conhecido, quando o corpo foi encontrado, segundo a polícia. O professor foi achado morto em seu apartamento, na Avenida Conde da Boa Vista, no dia 16 de maio.

Delegado Alfredo Jorge confirmou informações do Diario nesta quarta-feira. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Delegado Alfredo Jorge, do DHPP, confirmou informações do Diario nesta quarta-feira. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Em depoimento no dia 21 do mês passado, uma semana após a data provável da morte do professor, os dois estudantes negaram participação no crime. A coleta das impressões pelo Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB) foi fundamental para contradizer a versão deles e estabelecer um elo com o assassinato.

Os alunos deverão prestar depoimento de novo, em data a ser marcada. Em reserva, uma fonte do IITB revelou que uma impressão digital deixada em uma superfície lisa pode ser identificada com sucesso por vários dias depois do crime. “A durabilidade depende de alguns fatores. Se a pele é seca ou oleosa demais, pode atrapalhar a coleta”, contou.

Fontes da polícia revelaram que um dos suspeitos da morte do pedagogo é filho de um integrante da administração do Colégio Agnes. Procurados pela reportagem, os responsáveis pelo colégio informaram através de funcionários que não iriam se pronunciar sobre o assunto. Em entrevista à TV Clube/Record, uma vizinha de Betinho, no Edifício Módulo, disse que o professor costumava levar jovens ao seu apartamento. “Ele dizia que eram alunos.”

A Polícia Civil deve se pronunciar hoje sobre as investigações. Ontem pela manhã, o advogado Marcos Antônio da Silva esteve na sede do DHPP para falar com o delegado Alfredo Jorge, responsável pelas investigações, mas não o encontrou.

“Estou assumindo a defesa de um dos jovens apontado como suspeito a partir de hoje e vim me habilitar para ter acesso ao inquérito policial. Deixei o requerimento e se a cópia estiver pronta irei pegar nesta quarta-feira para começar a trabalhar no caso”, revelou o advogado.

O delegado Alfredo Jorge não foi localizado ontem para falar sobre o caso. Até o momento, cerca de 25 pessoas foram ouvidas pela polícia no inquérito. A vítima também trabalhava na Escola Municipal Moacir de Albuquerque, no bairro de Nova Descoberta, de onde havia pedido transferência uma semana antes de ser assassinada. A motivação ainda é um mistério. As possibilidades de latrocínio ou ligação com tráfico ou dívida de drogas foram descartadas pelos investigadores.

Alunos do Agnes são suspeitos da morte do professor Betinho

Dois alunos do Colégio Agnes são os suspeitos de assassinar o pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49 anos. A investigação conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e a análise das impressões digitais feitas por peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB) levaram a polícia aos nomes dos suspeitos.

Crime está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge do DHPP. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Professor morava no Edifício Módulo. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

O corpo do professor foi encontrado em seu apartamento, no Edifício Módulo, na Conde da Boa Vista, em 16 de maio. Ele estava despido da cintura para baixo, com as pernas amarradas por um fio de ventilador e com um fio de ferro elétrico enrolado no pescoço. A polícia disse ainda que o ferro foi usado para dar pancadas na cabeça da vítima que morava sozinha no imóvel.

As digitais dos estudantes foram encontradas nos instrumentos utilizados para matar o professor, provavelmente, no dia 14 de maio. Os jovens já prestaram depoimento e negaram envolvimento com o crime. Segundo fontes da cúpula da Polícia Civil, os estudantes serão intimados novamente a prestar depoimentos ao delegado Alfredo Jorge, responsável pelas investigações.

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Betinho trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Aproximadamente 25 pessoas já foram ouvidas pela polícia no inquérito que apura a morte de Betinho do Agnes, como a vítima era conhecida. Além do colégio particular, o pedagogo também trabalhava na Escola Municipal Moacir de Albuquerque, no bairro de Nova Descoberta, de onde havia pedido transferência uma semana antes de ser assassinado por ter sido flagrado em um banheiro dos professores, em situação constrangedora.

Apesar da polícia já saber quem matou Betinho e ter provas de autoria contra os suspeitos, o caso ainda não foi concluído porque os investigadores não conseguiram descobrir o que motivou o crime. Na semana passada, o delegado Alfredo Jorge descartou a possibilidade de latrocínio ou ligação com tráfico ou dívida de drogas.

Entre os depoimentos colhidos pela polícia até o momento estão ainda os de moradores e funcionários do Edifício Módulo, alunos e funcionários do Colégio Agnes e da Escola Moacir de Albuquerque, dois rapazes que frequentavam o apartamento do professor e ainda vários familiares da vítima.

Nas ouvidas, a polícia descobriu que Betinho costumava receber visitas em casa e que ele consumia drogas em sua residência. Cachimbos e latas usados para fumar crack foram encontrados no apartamento de Betinho. Os familiares da vítima afirmaram desconhecer o envolvimento do professor com drogas e também não sabiam se ele recebia pessoas em casa. A polícia também não revelou se conseguiu obter novas informações a partir da análise das imagens da câmera de monitoramento do edifício.