Caso Betinho: suspeito de 19 anos é filho do diretor do Colégio Agnes

Após deixar o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na manhã desta quinta-feira o advogado Marcos Antônio da Silva confirmou que o jovem de 19 anos suspeito de participação na morte do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, é filho do diretor do Colégio Agnes.

A informação de que o rapaz era filho de um integrante da administração do colégio havia sido publicada com exclusividade pelo Diario de Pernambuco e pelo blog na última terça-feira. O outro suspeito, um adolescente de 17 anos, também é estudante do colégio particular da Zona Norte do Recife. Ambos cursam o terceiro ano e negaram participação no crime no primeiro depoimento à polícia. Os jovens deverão prestar depoimento novamente na próxima semana.

Delegado esteve no DHPP nesta quinta-feira. Foto: Reprodução/TV Clube

Delegado esteve no DHPP nesta quinta-feira. Foto: Reprodução/TV Clube

Segundo o advogado Marcos Antônio, o seu cliente está mantendo sua rotina normal de atividades, estaria inclusive frequentando a escola, e a família está acompanhando as investigações da polícia e esperando o resultado do inquérito. “Estamos analisando todas as provas que estão nos autos e nesse momento não podemos fazer juízo de valor sobre o que está no inquérito”, ressaltou Marcos Antônio.

As digitais do adolescente estavam no ferro de passar roupas usado para matar a vítima, no ventilador cujo fio serviu para amarrar as pernas do pedagogo e ainda na geladeira da residência. Já as do estudante de 19 anos foram colhidas na cômoda do apartamento de Betinho. A identificação deles foi possível graças ao trabalho dos peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril que trabalham no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Leia mais sobre o assunto em:

Estudante de 17 anos foi o executor do professor Betinho do Agnes

Sinpol acusa governo de perseguição a policiais e sindicalistas

O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) divilgou uma nota alegando que policiais civis e sindicalistas estariam sendo perseguidos pelo governo do estado.

Categoria está cobrando melhorias. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Categoria está cobrando melhorias. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Confira a nota na íntegra

A Diretoria do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, Sinpol, desde que foi empossada vem expondo para a sociedade os problemas e as dificuldades que os Policiais Civis encontram para prestar um serviço de segurança pública de qualidade ao cidadão, inclusive lançando a Operação Polícia Cidadã, para mostrar os direitos e deveres dos policiais e do povo.

Por isso, repudiamos a forma como o Governo do Estado tratou os Policiais Civis que estão lutando por sua valorização e condições de trabalho dignas para melhorar a Segurança Pública, dentre estes, os que participaram da Operação Paz no Sertão, ocorrida no dia 07 de maio deste ano.

No dia 21 de maio fomos surpreendidos por notificações de aberturas de Processos Administrativos Disciplinares (PAD) com intenção de demitir integrantes da diretoria deste sindicato e de punir policiais que seguiram suas orientações, além de inquérito no intuito de criminalizar as atitudes legítimas e legais da diretoria em defesa de direitos trabalhistas e da própria segurança dos policiais convocados para a referida operação.

Tais procedimentos foram instaurados porque a diretoria do Sinpol, na noite anterior a deflagração da Operação, foi informada que vários Policiais Civis seriam mandados para o Sertão sem o pagamento de qualquer verba a título de horas extras, diárias, adicional noturno e sem as mínimas condições físicas e de segurança, pois, seriam, como foram, obrigados a viajar durante a madrugada percorrendo mais de 500km para que ao chegarem ao local dessem cumprimento aos mandados de prisão contra integrantes de grupos de extermínio, bem como aos mandados de busca e apreensão, confeccionarem os autos policiais decorrentes das prisões e apreensões, realizarem a coleta dos depoimentos, confeccionarem possíveis flagrantes e retornarem para Recife ao término da exaustiva e extenuante jornada.

É importante frisar que o Sinpol não atuou contra a realização do serviço policial, antes, porém, defendeu os direitos dos trabalhadores da segurança pública, pois, a nós foi dada a prerrogativa de representar e defender os legítimos direitos dos Policiais Civis. Nunca deixaremos que um serviço policial seja realizado subjugando-se os direitos básicos e fundamentais dos trabalhadores, principalmente pelas instituições que têm por dever o cumprimento das leis.

Reafirmamos que o Sinpol, prezando pelos princípios democráticos, está aberto ao diálogo e ao entendimento, por isso não entende o porquê de tais perseguições e da criminalização de suas ações. Não permitiremos que o Governo regrida em suas atitudes aos tempos sombrios que vivenciamos durante a Ditadura Militar, demonstradas através dessas tentativas de retaliações.

O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco irá continuar defendendo os direitos dos Policiais e mantendo o compromisso de melhorar a segurança pública para a sociedade pernambucana. Não irão nos calar. Ninguém estará só!

A DIRETORIA DO SINPOL-PE

Estudante de 17 anos foi o executor do professor Betinho do Agnes

Um adolescente de 17 anos está sendo apontado pela polícia como executor da morte do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49. Ele e outro aluno do Colégio Agnes (de 19 anos) são os suspeitos do crime, segundo o delegado Alfredo Jorge. Como antecipado pelo Diario com exclusividade, impressões digitais foram encontradas por peritos do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB) na casa do professor.

Delegado Alfredo Jorge espera que suspeitos confessem o crime. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Delegado Alfredo Jorge espera que suspeitos confessem o crime. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

As digitais do adolescente estavam no ferro de passar roupas usado para matar a vítima, no ventilador cujo fio serviu para amarrar as pernas do pedagogo e ainda na geladeira da residência. Já as do estudante de 19 anos foram colhidas na cômoda do apartamento de Betinho. Um dos estudantes é filho de um integrante da administração do colégio.

O professor foi encontrado morto em seu apartamento, no Edifício Módulo, na Conde da Boa Vista, em 16 de maio. De acordo com a polícia, os suspeitos devem ser ouvidos novamente na próxima semana. “Os dois prestaram depoimento em 21 de maio e negaram participação. Também negaram que estiveram na casa da vítima e alegaram que nem sabiam onde Betinho morava. Mas as digitais provam que eles estiveram na cena do crime”, apontou o delegado.

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Alfredo Jorge afirmou que a motivação do assassinato segue indefinida e por isso a investigação vai continuar. “Precisamos saber se houve relação sexual antes do crime. Estamos esperando os laudos.”

Até o momento, a polícia não decidiu quando irá pedir a prisão temporária ou preventiva do suspeito de 19 anos e a internação do adolescente. Ambos cursam o terceiro ano do ensino médio.

“Ainda não temos a motivação, mas o inquérito pode ser fechado sem essa conclusão e encaminhado à Justiça com as provas e indícios. Ambos apresentaram álibis para a noite do crime. O mais velho disse que estava em casa e o adolescente contou que estava com a namorada, mas a versão do mais novo já foi derrubada. Acho possível que o motivo do crime só seja descoberto com a confissão dos dois suspeitos.”

Os advogados do estudante de 19 anos afirmaram que a família ainda não vai se pronunciar. Os defensores vão aguardar as intimações para os novos depoimentos. Procurado mais uma vez, o Colégio Agnes também preferiu não se pronunciar.

Pontos cegos
A polícia revelou que existem pontos cegos na câmera de monitoramento do Módulo e que há a possibilidade de alguém ter entrado e saído do edifício sem ser filmado. A análise das gravações estão em andamento.

Polícia vai punir quem difamou Vaniela nas redes sociais

Após esclarecer onde a estudante de direito Vaniela Oliveira Varela, 25 anos, estava durante os quatro dias em que ficou sumida, a delegada Gleide Ângelo, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), anunciou que internautas que estiverem cometendo calúnia ou difamação contra Vaniela poderão ser punidos.

Gleide Ângelo falou sobre o desfecho da história. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Gleide Ângelo falou sobre o desfecho da história. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Segundo Gleide, Vaniela viajou para João Pessoa na quarta-feira passada após sair do Fórum de Jaboatão, onde foi vista pela última vez, e decidiu retornar no sábado ao sentir saudades da avó. Durante a estadia na Paraíba, Vaniela se hospedou numa pousada na praia de Tambaú. Um funcionário da pousada confirmou à TV Clube/Record que a universitária ficou no estabelecimento durante o período em que esteve sumida, sozinha e estudando.

Durante uma semana, o público acompanhou o drama da família. A repercussão também incluiu comentários e mensagens ofensivas na web. A delegada disse que comentários estão sendo analisados. Familiares e amigos estão tirando prints e a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos foi acionada. “É bom todo mundo ter cuidado com o que diz. Se postarem qualquer mensagem caluniando ou difamando, vão responder criminalmente”, disse Gleide.

O crime de calúnia, punível com pena de seis meses a dois anos, se configura quando alguém imputa a outro um crime, falsamente. A difamação, ato de imputar algo ofensivo à reputação, pode render três meses a um ano.

Vaniela Oliveira contou à polícia onde esteve por quatro dias. Foto: Brenda Alcantara/Esp DP/D.A Pres

Vaniela Oliveira contou à polícia onde esteve por quatro dias. Foto: Brenda Alcantara/Esp DP/D.A Pres

A delegada revelou que Vaniela será indiciada por falsificação de documento. Ela colocou a foto em uma carteira de identidade que achou no ano passado e usou o documento para comprar a passagem para João Pessoa. Seu objetivo era não ser localizada.

“Há um mês Vaniela pensava em fugir. Ela nos contou que estava passando por problemas e resolveu que não voltaria”, explicou Gleide. Vaniela voltou exatamente para o lugar de onde partiu, nas imediações do fórum, onde foi encontrada chorando e acabou acolhida por populares. Para não ser identificada, só fez pagamentos em dinheiro.

 

Sobre a falsificação, Gleide disse que não houve flagrante e Vaniela não preenche requisito para ser presa. Ela responderá em liberdade. O crime tem pena de dois a seis anos em caso de condenação.

Avó surpresa
A avó de Vaniela, Maria José Silva, 61 anos, que a criou desde pequena, ficou supresa. “Depois que ela voltou da delegacia, não me contou nada do que havia acontecido. Fiquei sabendo pela televisão. Hoje pela manhã ela foi passar uns dias na casa da minha irmã no interior”, disse.