Medo e revolta em dias de jogos de futebol no Recife

As cenas de barbárie vistas ontem por todos, amantes ou não do futebol, fizeram aumentar os sentimentos de medo e revolta na população. Até quando vamos ser obrigados a assistir a casos de violência como os registrados no bairro do Cordeiro antes do clássico entre Sport e Santa Cruz? Quantas pessoas precisarão morrer para que uma atitude enérgica seja tomada por parte do governo para impedir essas brigas? Essas perguntas, pelo menos por enquanto, seguem sem respostas.

Além das cenas fortes registradas no Cordeiro, um torcedor foi ferido na frente da Ilha do Retiro. Foto: Alexandre Barbosa/DP

Além das cenas fortes registradas no Cordeiro, um torcedor foi ferido na frente da Ilha do Retiro. Foto: Alexandre Barbosa/DP

Muita gente já deixou de ir a estádio de futebol. Algumas pessoas até já falaram em acabar com jogos entre torcidas rivais aqui no Recife. As torcidas organizadas estão sempre sendo monitoradas pela polícia, mas as confusões não param. As agressões estão cada dia mais violentas. As polícias civil e militar tentam acabar com essa farra nas ruas e até dentro de campo, mas as ações ainda não surtem o efeito imediato e necessário tão esperado por todos nós.

 

Há cerca de dois anos, o delegado Paulo Jeann chegou a eleborar uma proposta de realização de clássicos com acesso ao estádio apenas para a torcida mandante. Entre as sugestões apresentadas pelo policial estavam a suspensão de toda e qualquer gratuidade de ingressos e acessos aos estádios de futebol em dias de jogo, excetuando aquelas pessoas em serviço, permissão de acesso às áreas internas dos estádios apenas dos portadores de ingressos, venda de ingressos devidamente numerados, capacitação e treinamento dos policiais recrutados para exercício em jogos de futebol, além da aquisição de equipamentos de segurança e armamento não-letais para as polícias civil e militar.

Não sei dizer se essa seria a solução para o problema das brigas de torcidas organizadas, mas é um assunto que precisa ser tratado como prioridade pelas autoridades de segurança pública e organizadores dos jogos de futebol realizados em Pernambuco, sobretudo no Recife, onde as brigas são mais frequentes. Além das agressões praticadas contra as pessoas, não podemos deixar de falar também sobre os ataques ao patrimônio público e até ao privado. Ninguém aguenta mais.

Justiça escolheu os jurados para júri do caso do promotor de Itaíba

A Justiça Federal de Pernambuco fez o sorteio nesta segunda-feira dos jurados que irão participar do júri popular dos quatro acusados de matar o promotor de Itaíba Thiago Faria Soares, 36 anos, e tentar matar a noiva dele, Mysheva Freire Ferrão Martins, e o tio dela, Adautivo Elias Martins. O julgamento será no dia 24 de outubro.

Polícia continua buscando suspeitos. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Polícia montou megaoperação no interior para encontrar suspeitos na época do crime. Foto: Paulo Paiva/DP

Foram sorteados 25 jurados e também os 25 suplentes. Somente no dia do júri popular serão escolhidos os sete jurados que irão acompanhar todo o julgamento e serão os responsáveis pelo destino dos réus José Maria Pedro Rosendo Barbosa, José Maria Domingos Cavalcante, Adeildo Ferreira dos Santos e José Marisvaldo Vitor da Silva. O crime aconteceu em outubro de 2013, no Km 19 da PE-300, em Águas Belas, no Agreste do estado.

Segundo a polícia, o promotor, a noiva e o tio dela foram perseguidos por um carro. O homem que estava no banco de trás desse veículo atirou com uma espingarda 12, acertando o promotor. Mysheva saiu do carro do noivo e se protegeu no barranco. O tio dela também saiu do veículo e andou pelo acostamento. Os atiradores voltaram e o homem que estava atrás atirou outras três vezes, antes de deixar o local do crime. Mysheva e o tio escaparam ilesos.