Após ter redução de homicídios, Cavaleiro recebe nova equipe de CVLI

Depois de reduzir em 40% o número de homicídios e elucidar cerca de 60% dessas mortes em 41 meses, no então violento bairro de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes, a equipe de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) da delegacia do bairro deixará de trabalhar na circunscrição. O delegado Ramon Teixeira fez um breve balanço do resultado do trabalho de toda a equipe.

Cavaleiro sempre foi conhecido pela violência. Foto: Inês Campelo/DP.D.A Press

Cavaleiro sempre foi conhecido pela violência. Foto: Inês Campelo/DP.D.A Press

Segundo Teixeira, cerca de 200 crimes violentos letais intencionais foram esclarecidos na localidade que sempre foi conhecida pela atuação indiscriminada de grupos de extermínio. Comunidades como o Alto da Besta, Alto da Colina e Alto do Cristo sempre figuraram como pontos de constantes assassinatos. Ainda de acordo com o delegado, foi alcançada uma redução acumulada de 40% no número de homicídios no período. Em 2013, nenhum crime de assassinato foi registrado no bairro.

Ramon Teixeira e sua equipe de CVLI passarão agora a trabalhar no bairro de Piedade, também em Jaboatão dos Guararapes. Para a equipe de CVLI de Cavaleiro, seguirá a delegada Andréa Bush, que passará a trabalhar com Beatriz Leite, que é a delegada titular da circunscrição.

Armas de fogo, crianças e mais uma morte

Uma criança morta e duas famílias despedaçadas. Um garoto de 12 anos perdeu a vida após ter sido baleado acidentalmente por um colega de 14 anos enquanto brincavam na rua onde moravam, no bairro de Cavaleiro. Segundo os parentes da vítima, os meninos estavam brincando. Mas para dois adolescentes brincarem é preciso uma arma de fogo? E ainda com munição? A polícia está investigando o caso e deve indiciar a pessoa que deixou a arma ao alcançe do adolescente. O episódio traz, mais uma vez, a discussão sobre a guarda de armas de fogo em casa. Quantas crianças mais irão morrer para que os adultos entendam que não se pode deixar armas em lugares acessíveis? Aliás, para que ter armas em casa? A não ser que esse adulto seja um profissional da segurança pública e trabalhe armado, ninguém precisa ter revólveres, pistolas ou espingardas em casa.

 

Veja parte da reportagem publicada no Diario de Pernambuco desta segunda-feira.

A guarda irresponsável de armas de fogo fez mais uma vítima na Região Metropolitana do Recife (RMR). O corpo de Jonas Silva de Souza, 12 anos, foi sepultado, nesse domingo, no Cemitério do Pacheco, em Jaboatão dos Guararapes. O menino morreu depois de ser atingido com um tiro à queima-roupa no abdômen, supostamente disparado por um vizinho, de apenas 14 anos. Antes de morrer, a criança contou, em segredo, à mãe, que foi ferido pelo colega. O menino, disse a vítima, teria atirado “sem querer”. Jonas morreu no Hospital da Restauração, na madrugada do último sábado.

No velório, o pai de Jonas, João de Souza, 52 anos, disse que o filho tinha acabado de chegar da escola, onde cursava o 5º ano, quando aconteceu o acidente. “Ele somente tinha tirado a blusa da farda. De calça comprida, correu para a rua onde costumava brincar. Ninguém viu nada, apenas ele gritando por socorro e depois sendo carregado no colo por um rapaz. Sangrava e dizia que doía muito o ferimento”, lembrou o ajudante geral.

Corpo do garoto Jona s Silva Souza foi velado e enterrado no cemitério de Cavaleiro, em Jaboatão (ANNACLARICE ALMEIDA/DP/D.A PRESS)

Enterro aconteceu no Cemitério do Pacheco. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A/Press

Após a morte do filho, o pai de Jonas decidiu procurar o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para tentar esclarecer o fato. Inicialmente a família recebeu a informação do próprio adolescente de 14 anos de que Jonas tinha atirado nele próprio. Em seguida, surgiram notícias de que ele havia sido vítima de bala perdida. Por fim, veio a hipótese do tiro acidental. “No hospital, a médica disse que meu filho havia sido ferido à queima-roupa, o que descartou a hipótese de bala perdida”, raciocinou o pai. A arma, segundo o ajudante geral, teria sido localizada, a partir de informações do adolescente de 14 anos.

João de Souza disse que o suposto autor do disparo prestou depoimento no DHPP. O jovem também cursa o 5º ano e costumava brincar com o vizinho de 12 anos. Há informações de que ele teria sido levado para um abrigo da Funase, mas até o fechamento desta edição a informação não foi confirmada. “Não digo que o menino tem culpa, já que ele não fez porque quis. Ele foi vítima de uma cilada, de algum adulto que deixou uma bomba perto dele. Essa pessoa tem que ser responsabilizada, pagar pelo que fez”, comentou João de Souza. O episódio aconteceu na Rua Alfredo de Freitas, no Alto do Cristo, em Cavaleiro, em Jaboatão.

 

Delegacia comemora elucidação de assassinatos

 

O resultado de dois anos e meio de investigação da equipe de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) da 23ª Circunscrição de Cavaleiro, em Jaboatão, foi motivo de orgulho e comemoração para quem fez parte desse trabalho. Os policiais conseguiram encaminhar à Justiça um total de 100 inquéritos de homicídios concluídos com autorias definidas.

Bolo teve direito a velas marcando os 100 crimes solucionados. Foto: Divulgação

 

Para celebrar o feito, a equipe comandada pelo delegado Ramon Teixeira, comemorou o fechamento do mês de maio com uma pequena festa com direito a bolo e velas representando as mortes esclarecidas. De acordo com o delegado, somadas às tentativas de homicídio, foram 170 crimes desvendados. O que representa uma média de 5,86 procedimentos encaminhados à Justiça por mês.

 

 

Analisando os números dos últimos quatro anos da delegacia, entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009 um total de 157 mortes foram registradas. Nesse período, os policiais encaminharam 28 inquéritos com definição, o que representa o desvendamento de 1,1 CVLI ao mês ou 17,83% de elucidação. Já o quantitativo de janeiro de 2010 até maio de 2012 foi de 158 CVLIs e 100 elucidações, o que significa dizer que foram quase dois crimes esclarecidos a cada três consumados, ou 63,29% de crimes esclarecidos.

Delegado Ramon Teixeira comanda área que abrange 13 bairros de Jaboatão

 

O delegado afirma ao blog que toda sua equipe, formada por sete policiais incluindo ele, trabalha focada em esclarecer todos os crimes de CVLI que são praticados em sua circunscrição. “Temos uma área que abrange 13 bairros e tem uma população de mais de 170 mil habitantes. Nosso trabalho é focado na elucidação dos crimes. Não mandamos nenhum inquérito para a Justiça que não esteja completamente amarrado”, destacou Teixeira.