Homicídios por armas de fogo dobram no Nordeste em dez anos

Da Agência Brasil

Dados do Mapa da Violência mostram que, enquanto a taxa de homicídios por armas de fogo na Região Sudeste caiu 41,4% entre 2004 e 2014, na Região Nordeste o índice dobrou. Segundo o estudo, o crescimento do índice na maior parte dos estados do Nordeste, em um curto período, aconteceu porque os governos tiveram que enfrentar uma pandemia de violência para a qual estavam “pouco e mal preparados”.

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Mortes por armas de fogo diminuíram no Sudeste. Foto: Arquivo/Agência Brasil

O Mapa da Violência compõe uma série de estudos realizados pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, desde 1998, tendo como temática a violência no Brasil. Waiselfisz é vinculado à Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), organismo internacional e intergovernamental autônomo, fundado em 1957 pelos estados latino-americanos, a partir de uma proposta da Unesco, órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Conforme o estudo, a taxa média de homicídios por armas de fogo no nordeste, em 2014 foi 32,8 por 100 mil habitantes, bem acima da taxa da região que vem imediatamente a seguir, Centro-Oeste, com 26 por 100 mil habitantes e um aumento de 39,5% entre 2004 e 2014.

No mesmo ano de 2014, os índices do norte e do sul foram, respectivamente, 23,1 e 16.3 por 100 mil habitantes, com aumentos de 82,1% e 15%, respectivamente. O índice considerado tolerável pela ONU é de 10 homicídios por arma de fogo a cada 100 mil habitantes. Os municípios de Mata de São João, na Bahia, e Murici e Satuba, ambos em Alagoas, com índices de 102, 100 e 95 homicídios por cem mil habitantes, têm os maiores índices de mortes por armas de fogo do país.

Em situação oposta ao Nordeste, na Região Sudeste a violência armada mostrou queda acentuada: em 2004 o índice foi 23,9 e em 2014 caiu para 14,0 por 100 mil habitantes. O levantamento mostra que São Paulo e Rio de Janeiro foram os principais responsáveis pela redução, com crescimento negativo de 57,7% e 47,8%, respectivamente.

O pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará, Ricardo Moura, ressalta que entre os fatores que contribuem para este contraste estão o tráfico de drogas, que começou a se fortalecer no Nordeste depois de estar consolidado no Sudeste, e em geral, falhas no efetivo policial e na infraestrutura da segurança pública, que no Sudeste já estavam em processo de melhoria.

O Mapa da Violência também aponta um paradoxo nas taxas de homicídio por armas entre negros e brancos, de 2003 e 2014. Enquanto o número de vítimas negras desse tipo de violência subiu 9,9% no período, o de vítimas brancas caiu 27,1%. Os dados mostram que os negros morrem 2,6 vezes mais que os brancos por armas de fogo e que 94% das vítimas são homens.

Segundo o levantamento, de 1980 até 2014, morreram no Brasil 967.851 vítimas de disparo de arma de fogo. Desse total, 830.420 (85,8%) foram homicídios, enquanto as outras mortes foram por suicídio ou acidente.

Os dados mostram que a evolução da letalidade das armas de fogo não foi homogênea ao longo do tempo. Entre 1980 e 2003, o crescimento dos homicídios por armas de fogo foi sistemático e constante, com um ritmo de 8,1% ao ano. A partir do pico de 36,1 mil mortes em 2003, os números caíram para aproximadamente 34 mil e, depois de 2008, ficam oscilando em torno das 36 mil mortes anuais. Em 2012, aceleraram novamente, subindo para 42,3 mil.

“O Estatuto e a Campanha do Desarmamento, iniciados em 2004, constituem-se em um dos fatores determinantes na explicação dessa quebra de ritmo”, aponta a pesquisa.  O Brasil ocupa a 10ª posição entre os 100 países analisados quanto a esse tipo de crime.

Controle

Para Ricardo Moura, um dos fatores que favorecem o alto índice de crimes com armas de fogo é a falta controle da circulação dela: “A grande maioria das armas que circulam no Brasil são produzidas no próprio pais. São armas que estão dentro do Brasil e a gente não sabe como circulam de são produzidas para os outros estados. O Brasil não tem controle sobre vendas, não registra os compradores. Existe um mercado aberto, paralelo e ilegal, porque as indústrias estão registradas, estão vendendo, mas a gente não sabe quem compra e quem distribui isso”, disse o especialista em entrevista à Agência Brasil.

Moura também destaca que o caminho da arma apreendida tem sido um problema para a fiscalização: “Após a apreensão das armas, é importante que haja um controle muito mais rigoroso de como elas tramitam. Elas são submetidas a perícia, ficam apreendidas em fóruns, tribunais, causando perigo a estes locais, que por vezes são invadidos por grupos de criminosos em busca dos artefatos, e, em alguns casos, os próprios agentes estatais comercializam, emprestam ou alugam essas armas que estão sob a guarda deles”.

Na opinião de Ricardo Moura, o Brasil avançou muito com o Estatuto do Desarmamento, mas do ponto de vista operacional o controle da circulação ainda é muito falho e é preciso ter segurança de que a arma apreendida não vai retornar para a sociedade.

Treze pessoas mortas por dia no mês de março em Pernambuco

Depois de registrar um total de 3.891 assassinatos no ano de 2015, o estado de Pernambuco teve o pior número de mortes desde o ano de 2011. O total de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) só havia sido tão alto em 2010, quando foram assassinadas 4.081 pessoas no estado. Apesar de ter sido o único estado no Nordeste a reduzir o número de mortes entre os anos de 2004 e 2014, segundo o Atlas da Violência 2016, Pernambuco ainda tem altos índices de assassinatos.

Plano vai priorizar regiões metropolitanas. Foto: Julio Jacobina/DP.D.A Press

Plano vai priorizar regiões metropolitanas. Foto: Julio Jacobina/DP/Arquivo

A Secretaria de Defesa Social (SDS) divulgou os números dos homicídios registrados nos três primeiros meses deste ano. De 1º de janeiro até 31 de março, um total de 1.056 pessoas foram assassinadas no estado. Apenas no mês de março 395 CVLIs foram notificados, o que representa uma média de 13 pessoas mortas por dia em Pernambuco. No mês de fevereiro, 307 crimes foram registrados. Já em janeiro foram assassinadas 354 pessoas.

De acordo com o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, 42,9% dos CVLIs registrados em Pernambuco acontecem na Região Metropolitana do Recife (RMR). Já no Agreste e na Zona da Mata estão concentradas 40,8% das mortes. O Sertão é a região com o menor índice, onde acontecem 14,4% dos homicídios do estado.

Crimes praticados por armas brancas geram alerta no estado

Das 1.033 pessoas assassinadas em Pernambuco do início deste ano até o dia 29 de março, 153 foram mortas por arma branca. Isso representa cerca de 15% dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) registrados pela Secretaria de Defesa Social (SDS) no período. O uso de facas e facões em ações criminosas têm deixado a população assustada e a polícia surpresa. E esse tipo de instrumento não tem sido utilizado apenas para o cometimento de crimes nas ruas.

Um total de 4.198 armas brancas foram apreendidas durante o ano de 2015 nas unidades prisionais do estado. O arsenal foi destruído em janeiro passado, no Quartel da Polícia Militar, no Derby. Especialistas acreditam que a fiscalização e as apreensões de armas de fogo podem estar impulsionando o uso das armas brancas.

Foto: Joao Velozo/ Esp. DP

Um total de 4.198 armas brancas foram apreendidas somente nos presídios do estado no ano passado. Foto: Joao Velozo/ Esp. DP

No último domingo, o cabeleireiro Severino Bezerra de Santana, 58 anos, foi assassinado dentro de casa com oito facadas. Segundo a polícia, o autor do crime foi um homem de 24 anos com o qual a vítima mantinha um relacionamento amoroso há cerca de quatro meses. “O suspeito foi trazido à delegacia depois que vizinhos da vítima indicaram o local onde ele estava escondido. Aqui ele confessou o crime, contou que usou uma faca para matar a vítima e disse que depois que saísse da delegacia iria fugir. Como já havia passado o período do flagrante, pedimos a prisão preventiva dele e o encaminhamos para o Cotel”, afirmou a delegada Beatriz Leite, da 13ª Delegacia de Homicídios de Prazeres, acrescentando que tem registrado muitos de crimes cometidos com armas brancas em sua delegacia.

O desempregado Natanael Francisco dos Santos Filho, 24, disse à polícia que matou Severino após uma discussão iniciada depois dele voltar de festa. “Ele conta que a vítima também estava com uma faca e que houve agressão mútua, mas o autuado não tinha ferimentos aparentes”, completou a delegada.

Na opinião do professor adjunto de sociologia da Universidade Federal de Pernambuco e pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Violência, Criminalidade e Políticas Públicas de Segurança (PPGS/UFPE), Gilson Antunes, a redução da quantidade de armas de fogo em circulação pode justificar o aumento das ocorrências criminosas com as armas brancas. “Pernambuco é um dos estados que mais está recolhendo armas de fogo, além disso são feitas apreensões. Talvez  isso esteja fazendo as pessoas recorrerem às armas brancas”, opinou Antunes. Segundo a SDS, 5.917 armas de fogo ilegais foram retiradas das ruas em todo o estado.

Os números da SDS mostram que no mês de janeiro deste ano, das 356 pessoas assassinadas em Pernambuco 52 foram vítimas de arma branca. Em fevereiro, 48 mortes por faca foram registradas de um total de 307 homicídios. Já no mês de março, até o dia 29, dos 370 assassinatos, 53 morreram vítimas de facadas. Crimes de latrocínio e assaltos têm sido praticados com facas a qualquer hora do dia. No sábado passado, a violonista servo-americana Vera Stefanovic, 31, que integra a equipe de músicos do cruzeiro MSC Poesia, assaltada por dois homens depois de sair do Porto do Recife. Ela reagiu ao ataque e levou algumas facadas na cabeça. A turista levou 12 pontos na cabeça.

No final do mês de fevereiro, o músico e técnico de som Jéfferson Borges Martins, 51, mais conhecido como Nego Bando, foi morto a facadas durante um assalto no Bairro Novo, em Olinda. Eles foi abordados por dois suspeitos, um deles aparentando ser adolescente. Em dezembro do ano passado, a estudante Beatriz Angélica Mota, 7, foi assassinada a facadas dentro do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, no Centro da cidade. Até o momento, ninguém foi preso pelo crime que teve grande repercussão no estado. O retrato falado de um homem suspeito do crime foi confecionado pela Polícia Civil e está espalhado em vários pontos de Pernambuco e até mesmo na Bahia.

Taxa de homicídios diminui nas grandes cidades e aumenta no interior

Da Agência Brasil

A taxa de homicídios no Brasil tem diminuído nas grandes cidades e aumentado no interior, sobretudo no Nordeste. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2016, divulgado hoje (22) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O estudo analisou a evolução dos homicídios por macrorregiões, unidades da federação e microrregiões, provocadas por armas de fogo, violência policial, assim como homicídios de afrodescendentes, de mulheres e jovens. Os números estão no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e se referem a 2014.

Cidade do Agreste está perdendo a tranquilidade. Foto: Jaqueline Maia/DP/D.A.Press

Cidades do Agreste estão perdendo a tranquilidade. Foto: Jaqueline Maia/DP/D.A.Press

Das 20 microrregiões mais violentas, 16 estão no Nordeste, que também possui sete entre as 20 mais pacíficas. Dentre as 20 microrregiões que apresentaram maior crescimento nas taxas de homicídios, 14 estão no Nordeste.

Entre 2004 e 2014, a redução mais significativa da taxa foi observada em São Paulo (-65%), que tem quase 15 milhões de habitantes. Já o crescimento mais acelerado de homicídios foi observado em localidades interioranas, até pouco tempo atrás, bastante pacíficas. É o caso de Senhor do Bonfim (81 mil habitantes), na Bahia, que teve piora de 1.136,9% nos dados de violência, entre 2004 e 2014. Ainda assim, Senhor do Bonfim aparece com taxa de cerca de 18 homicídio por 100 mil habitantes, bem menor que a aglomeração urbana de São Luís (MA), com taxa de 84,9, primeira da lista das microrregiões mais violentas.

Estados
Os seis estados com crescimento superior a 100% nas taxas de homicídios pertencem ao Nordeste. Pernambuco destoou dos demais estados da região, ao registrar queda de 27,3% no número de homicídios. O Rio Grande do Norte teve aumento de 360,8% na taxa de homicídios em dez anos. Logo atrás vem Maranhão (209,4%) e Ceará (166,5%).

Cerca de 10% de todos os homicídios no mundo, em 2014, ocorreram no Brasil. Em números absolutos, foram 59,6 mil assassinatos, o que coloca o Brasil como campeão de mortes por homicídio. Por outro lado, entre 2010 e 2014, aumentou o número de estados com queda nas taxas de homicídios, passando de oito para 12 unidades federativas, com destaque para quedas no Paraná (-20,9%) e no Espírito Santo (-14,8%), estado que saiu pela primeira vez, desde 1980, da lista dos cinco estados mais violentos do país a partir de 2013. A taxa de homicídios caiu 1,3% e o posicionou junto a outros estados que diminuíram essas taxas, como São Paulo (-52,4%), Rio de Janeiro (-33,3%), Pernambuco (-27,3%), Rondônia (-14,1%), Mato Grosso do Sul (-7,7%) e Paraná (-4,3%).

O resultado pode indicar, segundo a análise, “uma mudança no sinal da evolução dos homicídios no Brasil”, segundo a nota. Nos estados em que se verificou queda dos homicídios, o estudo identificou que políticas públicas qualitativamente consistentes foram adotadas, como no caso de São Paulo, Pernambuco, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Ações como a integração da Polícia Militar no Paraná e investimento nas polícias e prevenção social, no Espírito Santo, são algumas inovações e ações citadas como possíveis contribuições para a queda.

Morte de negros
Entre 2004 e 2014, o estudo mostra que houve alta na taxa de homicídio de afrodescendentes (+18,2%) e diminuição no número de homicídios de outros indivíduos que não de cor preta ou parda (-14,6%). Em 2014, para cada não negro assassinado, morreram 2,4 indivíduos negros.

O estudo sugere que uma possível explicação para esse resultado é o fato de a taxa de homicídio ter diminuído mais nas unidades federativas onde há proporcionalmente menos negros, como no Sudeste e Paraná, e ter crescido nos estados com maior população afrodescendente, como em vários estados do Nordeste. Proporcionalmente, a violência contra a população negra é maior em quase todas as unidades da federação, à exceção de Roraima e Paraná.

No Rio Grande do Norte, a taxa de vitimização de negros aumentou 388,8% entre 2004 e 2014. Por outro lado, houve redução de 61,6% na vitimização de negros em São Paulo, no mesmo período.

Violência de gênero
Treze mulheres foram assassinadas, por dia, em 2014. A taxa de homicídios entre mulheres apresentou crescimento de 11,6% entre 2004 e 2014. A distribuição dessas mortes aparece de maneira bastante desigual no país. Enquanto o estado de São Paulo reduziu em 36,1% esse crime – embora em ritmo menor que o registrado entre os assassinatos de homens, que teve redução de 53% – outras localidades apresentaram crescimento de 333%, como o Rio Grande do Norte.

No período de 2004 a 2014, 18 estados apresentaram taxa de mortalidade por homicídio de mulheres acima da média nacional (4,6), com destaque para Roraima (9,5), Goiás (8,8), Alagoas (7,3), Mato Grosso (7,0) e Espírito Santo (7,1).

O estudo reforça a importância de políticas públicas voltadas para o combate da violência contra a mulher, com ações específicas que considerem os vínculos estabelecidos entre a vítima e seu agressor, as relações de dependência financeira ou emocional, bem como as redes de atendimento e os serviços disponíveis para proteter e garantir a segurança dessas mulheres.

Atlas da Violência aponta redução de homicídios em 10 anos no estado

Do Diario de Pernambuco, por Larissa Rodrigues

Pernambuco foi o único estado do Nordeste e um dos cinco do país a diminuir o número de homicídios entre 2004 e 2014. A redução foi de 20,6% no estado. Em 2004, 4.173 pessoas foram assassinadas, contra 3.315 em 2014. No mesmo período, todos os outros estados da região apresentaram crescimento de mais de 100%. Os números são do Atlas da violência 2016, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Vizinhos e policiais envolvidos na ocorrência ficaram chocados com a violência

Para continuar a reduzir o número de mortes, estado precisa de mais policiamento. Foto: Arquivo/DP

O documento foi divulgado ontem.  Entre 2004 e 2014, o número de homicídios no Brasil cresceu 21,9%. Em 2004, foram 48.909 mortes. Já em 2014, foram 59.627. Um em cada dez do homicídios no mundo em 2014 ocorreram no país, o que tornou o Brasil campeão naquele ano.

No período de dez anos, o número de assassinatos em Pernambuco atingiu o ponto máximo em 2007, com 4.561 assassinatos. Naquele ano, foi lançado o Pacto pela Vida. A partir de 2008, a curva de homicídios começou a cair, culminando em 2013, ano com menos homicídios em Pernambuco, 3.121.

Especialistas avaliam que a redução se deveu às ações do Pacto pela Vida (PPV), mas ressaltam o desafio do estado de voltar a fazer a política de segurança funcionar, já que o volume de assassinatos passou a subir novamente em 2015 (3.891 assassinatos, segundo a SDS). O pernambucano José Maria Nóbrega Júnior é professor de Ciência Política da Universidade Federal de Campina Grande (PB) e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da UFCG. Na opinião dele, o Pacto pela Vida foi bem-sucedido, mas carece de continuidade das políticas. Ele destacou também que o governo permanece transparente na divulgação de dados.

Já o pesquisador Julio Jacobo, coordenador de estudos da Violência da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais, acredita que o estado deve investir mais em educação. “As principais vítimas são jovens entre 15 a 30 anos, negros e moradores das periferias urbanas, sem ocupação. Foram abandonados pelo sistema. Reagem como podem. A qualidade do ensino que já era ruim há 14 anos estagnou, ou seja, o maior instrumento de incorporação social, a educação, não está funcionando”, enfatizou.

Por meio da assessoria, o governo enfatizou que o Pacto ainda é um dos melhores modelos existentes no país de combate à violência. De acordo com a gestão, as medidas devem se concentrar no uso da inteligência policial, contratação de mais policiais e reforço das políticas de prevenção, com investimentos em educação, desenvolvimento social e combate às drogas.

O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, informou que só irá se pronunciar depois de ter acesso ao Atlas. Segundo a pasta, os dados ainda estão sendo analisados pela Gerência de Estatística da secretaria.

A taxa de homicídios tem diminuído nas grandes cidades e aumentado no interior, sobretudo no Nordeste. Das 20 microrregiões mais violentas, 16 estão na região, que também possui sete entre as 20 mais pacíficas. Dentre as 20 microrregiões que apresentaram maior crescimento nas taxas de homicídios, 14 estão no Nordeste. (Com Agência Brasil)

Saiba Mais

59.627homicídios foram registrados no Brasil em 2014

29,1 foi a taxa de homicídios por 100 mil habitantes em 2014

21,9% foi o aumento nos homicídios, em números absolutos, no país, em comparação a 2004

10% foi o aumento aumento na taxa de homicídios por 100 mil habitantes

18,2% foi o aumento da taxa de assassinatos de indivíduos afrodescendentes

10% dos homicídios do mundo foram praticados no Brasil em 2014, o que coloca o país entre os 12 países com maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes

76% dos homicídios ocorridos no país em 2014 foram em decorrência do uso das armas de fogo, totalizando 44.861 mortes

11,6% foi o crescimento da taxa de homicídios de mulheres

Cinco únicos estados com redução nos homicídios de 2004 a 2014 (números absolutos)

São Paulo: -46,0%
Rio de Janeiro: -28,7%
Pernambuco: -20,6%
Espírito Santo: -1,3%
Rondônia: -0,7%

Cinco estados com maior aumento nos homicídios

Rio Grande do Norte: 360,8%
Maranhão: 244,3%
Ceará: 193,1%
Bahia: 154,1%
Sergipe: 136,2%

Desempenho de Pernambuco (2004-2014)

3º estado com melhor desempenho no país, com 20,6% de queda nos homicídios em números absolutos e 27,3% na taxa de homicídios por 100 mil habitantes

1º do Nordeste em ambos os indicadores. Único do Nordeste a obter redução de índices neste período

Variação da taxa de homicídio de 2004 a 2014

50% a 0%
Pernambuco, Rondônia, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Distrito Federal, Rio e Espírito Santo

0% a 50%
Amapá, Mato Grosso, Minas, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

50% a 100%
Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Goiás, Tocantins, Piauí e Alagoas

100% a 300%
Maranhão, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Sergipe e Bahia

Gleide Ângelo, a delegada “dos casos impossíveis”

O assassinato de uma turista alemã em pleno carnaval de 2010 chamou a atenção do estado e intrigou a Polícia Civil de Pernambuco. No dia 16 de fevereiro, Jennifer Marion Nadja Kloker, com 22 anos na época, foi encontrada morta às margens da BR-408, em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife. Antes de ser assassinada, Jennifer estava com a família num passeio de carro.

Ouvidos pela polícia, os parentes relataram que foram assaltados e que os suspeitos levaram a alemã. A versão contada pelo marido e pela sogra da vítima não durou muito para ser desconstruída. Os investigadores sabiam que existia algo de errado na história narrada nos primeiros depoimentos. Foi aí que uma delegada até então desconhecida da mídia assumiu o caso e conseguiu prender os envolvidos.

Gleide Ângelo no dia da prisão de Delma Freire. Foto: Alcione ferreira/DP

Gleide Ângelo no dia da prisão de Delma Freire. Foto: Alcione ferreira/DP

O Caso Jennifer, como ficou conhecida a investigação, ganhou diversas manchetes no Diario de Pernambuco ao longo dos três meses de cobertura. Assim como a sogra de Jennifer, a enfermeira Delma Freire, ganhava cada vez mais destaque no noticiário, a delegada Gleide Ângelo também deixava sua marca ao desvendar a trama que renderia um filme. Auxiliada pelo delegado Alfredo Jorge, Gleide concluiu o inquérito sobre a morte da alemã e descobriu que a sogra da vítima, seu filho e um italiano que vivia com Delma na Itália, onde todos moravam, mataram a jovem para ficar com um seguro de vida milionário que havia em nome da vítima.

Nesse mesmo ano de 2010, outro crime de grande repercussão ocorrido em Pernambuco ganhou destaque na imprensa. A administradora Narda Alencar Biondi, 33 anos na época, foi dada como desaparecida no dia 29 de março. Familiares e amigos conviveram com a angústia da incerteza do seu paradeiro até o dia 4 de agosto de 2010, quando, após uma investigação trabalhosa, a delegada Gleide Ângelo descobriu que Narda havia sido morta por uma amiga e seu corpo estava enterrado no quintal de uma casa no bairro de Pau Amarelo, em Paulista, onde vítima e assassina estavam morando.

Gleide Ângelol em coletiva no DHPP. Foto: Paulo Paiva/DP

Gleide Ângelol em coletiva no DHPP. Foto: Paulo Paiva/DP

Quatro anos depois desse crime, a acusada foi condenada a 19 anos e seis meses de prisão. No julgamento realizado no Fórum de Paulista, a delegada Gleide Ângelo prestou depoimento como testemunha. Eu fazia a cobertura jornalística do júri popular e um fato observado nos intervalos do julgamento me chamou atenção. Todas as vezes que a delegada deixava a sala do tribunal do júri era apontada pelas pessoas que estavam na área do pátio do fórum. E não era só isso. Muitas delas aproximavam-se da delegada e a parabenizavam pelo seu trabalho. Outros tantos pediam para tirar fotografias com ela. “É muito gratificante o reconhecimento do povo pelo meu trabalho na polícia”, declara.

Delegada em ação no dia em que o corpo de Narda Biondi foi encontrado. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Delegada em ação no dia em que o corpo de Narda Biondi foi encontrado. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Mas recentemente, em junho do ano passado, a delegada foi designada para solucionar mais um caso que gerou revolta e comoção em todo o estado. A estudante Maria Alice de Arruda Seabra, 19 anos, foi raptada, estuprada e morta pelo padrasto que queria manter um relacionamento amoroso com a jovem. Durante a investigação, Gleide Ângelo conseguiu fazer com que o suspeito se entregasse à polícia e mostrasse o local onde havia enterrado o corpo da enteada, num canavial no município de Itapissuma, no Grande Recife. Dos 13 anos de carreira na Polícia Civil do estado, a delegada que também ficou conhecida pelos seus cabelos vermelhos, pelas roupas coloridas e pelas suas bijuterias, acumula em seu currículo soluções de diversos casos considerados difíceis.

Delegada foi ao local onde o corpo de Alice estava enterrado. Foto: Julio Jacobina/DP

Delegada foi ao local onde o corpo de Alice estava enterrado. Foto: Julio Jacobina/DP

Quando era lotada no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), chegou a receber uma placa que foi colocada em sua sala com a frase: “a delegada dos casos impossíveis.” A entrada na polícia, conta Gleide, foi em busca da segurança de um emprego público. “Entrei na Polícia Civil em 2003 como agente, mas gostei tanto que resolvi fazer o curso de direito para ser delegada. Foi quando passei no concurso e assumi o cargo de delegada em 2008.”

Atualmente, Gleide está lotada na Delegacia de Homicídios de Olinda e sua popularidade aumenta a cada dia. Na semana passada, durante a homenagem prestada às mulheres pelo Shopping Tacaruna, a delegada foi uma das agraciadas. Quando o nome dela foi anunciado, muitos aplausos foram ouvidos pelos corredores do centro de compras. E o sucesso da policial não é só nas ruas. Em sua página no Facebook, Gleide tem mais de 65 mil seguidores. Suas postagens alcançam milhares de curtidas.

Aprovada criação do Plano Nacional de Redução de Homicídios

Da Agência Câmara

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2026/15, que institui o Plano Nacional de Redução de Homicídios (PNRH). O projeto, do deputado Rodrigo de Castro (PSDB-MG), estabelece prioridade para os entes federados que apresentem taxas de homicídio superiores ao dobro da taxa nacional e também para as regiões metropolitanas.

Plano vai priorizar regiões metropolitanas. Foto: Julio Jacobina/DP.D.A Press

Plano vai priorizar regiões metropolitanas. Foto: Julio Jacobina/DP.D.A Press

Conforme o projeto, a execução do PNRH e o cumprimento das metas a serem estabelecidas serão objeto de monitoramento contínuo e de avaliações periódicas, realizados pelo Ministério da Justiça; pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados; pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado; e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A proposta prevê a identificação dos locais com maior concentração de homicídios e a elaboração de diagnósticos que identifiquem as causas dessas taxas. A partir desses diagnósticos, o poder público vai sugerir estratégias de intervenção que envolvam diferentes fatores, entre eles a alteração dos padrões de policiamento e o aperfeiçoamento da estratégia de controle de armas.

Entre as políticas públicas sugeridas estão:

1. ampliação do contingente para prestação do serviço militar inicial, incluindo o fomento à criação e instalação de órgãos de formação de reserva;

2. reajuste dos auxílios financeiros previstos no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci);

3. ampliação do serviço civil alternativo;

4. concessão de bolsas de estudo para a educação de jovens e adultos;

5. estímulo ao voluntariado em todos os níveis e segmentos;

6. aumento das penas dos crimes com resultado morte;

7. aumento das penalidades por crimes e infrações de trânsito que resultem em morte e naqueles decorrentes de imprudência do condutor;

8. valorização dos profissionais da segurança, com melhor capacitação e treinamento contínuos e aumento de remuneração.

O relator do projeto, deputado Claudio Cajado (DEM-BA), apresentou parecer favorável. Ele afirmou que o monitoramento das ações do plano e do cumprimento das metas por órgãos dos três Poderes é interessante do ponto de vista de congregar todos os agentes políticos no esforço pretendido.

Pernambuco diminui número de assassinato de mulheres

A culpa era sempre de Maria Rita Cruz, 48 anos. Toda frustração do marido resultava em violência física. Nas palavras do ex, a artesã, por ser negra, “não era gente”. Foram 14 anos de sofrimento, incluindo três tentativas de homicídio. “No início, ele era educado. Depois, começaram as humilhações.” Maria tentou denunciar várias vezes até alguém ouvir o socorro. Hoje, ajuda outras mulheres a sair desse ciclo de dor.

Maria Rita sofreu violência por 14 anos. Foto: Joao Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

Maria Rita sofreu violência do marido por 14 anos. Foto: João Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

Pernambuco reduziu em 15,6% os assassinatos de mulheres em uma década, passando de 5º para o 15º lugar na lista dos estados com mais assassinatos de mulheres no país. Em contrapartida, registrou aumento de 29,8% nos homicídios de negras no mesmo período, de 2003 a 2013. Os dados fazem parte do Mapa da Violência 2015 – Homicídio de mulheres no Brasil, divulgado ontem, em Brasília.

Em nível nacional, houve crescimento de 21% nos homicídios de mulheres. O país tem uma taxa de 4,8 homicídios por 100 mil mulheres, a quinta maior do mundo. Enquanto os assassinatos de negrass cresceram 54%, os de brancas caíram 9,8%. O país registra uma média de 13 assassinatos de mulheres por dia. Um terço é cometido por companheiros.

A dor de Maria Rita só começou a ser amenizada quando ela chegou à delegacia toda marcada. “Foi quando tive apoio, me fortaleci e saí do ciclo. Recuperei a autoestima, botei a cara na rua, fui à luta e vi que sou uma negra linda, inteligente e nasci para vencer”, lembra ela, que ainda sofre com o medo do marido, condenado e foragido.

O primeiro lugar em assassinatos de mulheres no país atualmente é de Roraima, com 15,3 homicídios por cada 100 mil. Alagoas está em primeiro lugar no Nordeste e em quarto lugar no ranking nacional, com 8,3 homicídios a cada 100 mil mulheres.

Luzinete Ribeiro diz que hoje vive no paraíso. Foto: Hesiodo Goes/Esp. DP/D.A Pres

Luzinete Ribeiro diz que hoje vive no paraíso. Foto: Hesiodo Goes/Esp. DP/D.A Pres

No Nordeste, a situação é grave. Entre as capitais com taxas mais elevadas de assassinatos de mulheres em 2013 – 10 homicídios por 100 mil mulheres – três são da região: Maceió, João Pessoa e Fortaleza. A pesquisa também apresenta um recorte de idade das vítimas e local dos assassinatos. No Brasil, até os 10 anos, a incidência de assassinatos é baixa ou nula. Até o 19 anos, no entanto, há um crescimento e, a partir dessa idade, há tendência de lento declínio até a velhice. Também chama atenção o fato de 27,1% das vítimas serem mortas dentro de casa no país e 22,5% serem assassinadas pelos companheiros, o que aponta crime de feminicídio.

“Sofri violência desde que me casei. Meu marido me humilhava com frequência, me obrigava a fazer sexo e me chamava de vagabunda”, lembra a costureira Luzinete Ribeiro, 68 anos. Ela cansou de contar as vezes que foi arrastada pelo marido. O ciclo de violência durou 45 anos. “Procurei ajuda, recebi informação e hoje minha vida está no céu”, relata ela, cuja história faz parte do livro Reconstruindo vidas: mulheres que romperam a violência doméstica, organizado pela Prefeitura do Recife.

Para especialistas, situação ainda é grave

A redução na quantidade de homicídios contra mulheres em Pernambuco, para os especialistas, tem a ver com o fortalecimento da rede de atenção de apoio às vítimas no estado e à promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006. “Não existe outra explicação. A redução acontece por causa da aplicação de políticas de estado. Esse é o remédio”, pontua Julio Jacobo Waiselfisz, pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), responsável pelo trabalho.

Na avaliação da secretária estadual da Mulher, Sílvia Cordeiro, o número de homicídios de mulheres no estado vem caindo desde 2007 em virtude da estruturação do plano de segurança em Pernambuco, o Pacto pela Vida, aliado à rede de políticas públicas específicas. “Temos 43 centros de referência, que são responsabilidade dos municípios, além de abrigamento para mulheres em risco de morte, que atendem 70 mulheres por mês.”

Integrantes de movimentos sociais ressaltam, porém, que ainda falta muito para comemorar. “Somos de um estado pioneiro na luta do feminismo, então deveríamos estar em um patamar melhor. Os esforços têm dado resultado, mas não há motivo para bater palmas”, pondera a conselheira estadual da mulher e membro da coordenação colegiada do Centro das Mulheres do Cabo, Izabel Santos.

Segundo ela, as pautas destinadas à mulher vêm perdendo investimento. Um exemplo são as delegacias da mulher do Cabo e de Vitória de Santo Antão, que perderam as titulares para outros setores. “Hoje há um aparato, a Lei Maria da Penha é do conhecimento da sociedade, mas falta investimento nas camadas populares, onde estão as mulheres negras e pobres. É onde não chega formação e informação.”

Taxa de homicídios de mulheres negras é mais que o dobro da de mulheres brancas

Da Agência Brasil

A taxa de mulheres negras vítimas de homicídios no país é mais que o dobro da de mulheres brancas. Para cada 100 mil habitantes, o número é de 7,2 e 3,2 respectivamente. Os dados estão no Diagnóstico dos Homicídios no Brasil: Subsídios para o Pacto Nacional pela Redução de Homicídios, divulgado nessa sexta-feira pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça.

Perfil etário das vítimas - mulheres negras

O documento foi elaborado para subsidiar políticas públicas de combate à violência em conjunto com os estados e municípios como parte de um pacto para reduzir as mortes violentas em 81 localidades que concentram cerca de 50% do total de homicídios dolosos registrados no Brasil.

É na faixa etária dos 15 aos 29 anos que está a maior parte das vítimas mulheres. Para as jovens negras, a taxa de mortes violentas é de 11,5 por 100 mil habitantes, enquanto para as jovens brancas é de 4,6. Os dados são do último levantamento do Datasus, de 2013.

De acordo com a publicação, os homicídios de mulheres estão relacionados a causas e fatores de risco diferentes dos homens. No caso deles, os homicídios parecem estar mais relacionados à participação em gangues, envolvimento com drogas e conflitos interpessoais. As mulheres são vítimas de questões relacionadas a conflitos familiares e têm como algozes, na maioria das vezes, os seus parceiros.

Perfil etário das vítimas - mulheres brancas

A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, disse que os dados levantados pelo diagnóstico servirão para definir metas e ações voltadas para a redução da criminalidade e do número de homicídios no país. “A partir dessa pesquisa, vamos buscar, focalizar, ações não só de polícia para dentro das áreas críticas. Nossa meta a ser atingida é reduzir cerca de 5% ao ano [o número de homicídios]”, disse Regina Miki

Negros e jovens

Ao tratar dos perfis de vulnerabilidade e vitimização no país, o relatório mostra que os negros – somatória de pretos e pardos, segundo o Censo 2010 – representam 50,7% da população do país e corresponderam a 72% das mortes por agressão. A de brancos e amarelos, o número é de 26%.

Os jovens com idade entre 15 e 29 anos estão no topo da pirâmide das mortes causadas por homicídio no país. O percentual de assassinatos dessa parcela da população chega a 52,9% do geral, de acordo com o Datasus, do Ministério da Saúde. Quando os dados sobre os jovens são desagregados por cor/raça, é possível ver a concentração de mortes para os jovens negros, cuja taxa por 100 mil habitantes é de 79,4. Para os jovens brancos, ela é de 26,6.

Estado teve 297 mortes em julho, 40 a mais que o mesmo mês em 2014

Depois de obter um resultado positivo no mês de junho em relação ao número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), o governo do estado perdeu o controle da violência em julho. As estatísticas da Secretaria de Defesa Social (SDS) mostram que um total de 297 homicídios foram notificados no estado no último mês, 40 a mais que o mesmo mês do ano passado quando foram contabilizadas 257 mortes em Pernambuco. Os números não foram divulgados pelo governo do estado na tarde desta quarta-feira, mas o blog teve acesso com exclusividade ao resultado na noite dessa terça-feira.

Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Crimes aumentaram em relação a 2014. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Ainda de acordo com os dados da SDS, as Áreas Integradas de Segurança (AISs) – que incluem várias localidades – mais violentas em relação ao número de assassinatos foram as de Paulista (27), Caruaru (27), Garanhuns (26), Jaboatão dos Guararapes (24), Nazaré da Mata (21) e Cabo de Santo Agostinho (20). Os números vermelhos costumam deixar a cúpula de segurança em sinal de alerta, o que faz aumentar a cobrança em cima dos policiais militares e civis para obter melhores resultados. No entanto, as duas categorias andam par lá de insatisfeitas com o governo do estado. “Temos um dos piores salários do Brasil”, disse um policial civil que pediu reserva no nome.

Como não adianta chorar pelo leite derramado, o desafio agora será atingir a meta do Pacto pela Vida, que prega uma redução de 12% em relação ao número de mortes com o mesmo período do ano anterior, para o mês de agosto. Em 2014, 250 assassinatos foram registrados em Pernambuco em agosto. Isso significa dizer que para este mês, para atingir a meta, o estado não pode ter mais de 220 homicídios.

Desde o início de 2015, apenas em junho o governo do estado obteve êxito no cumprimento da meta do PPV. Em janeiro ocorreram 322 CVLIs, em fevereiro foram 324, no mês de março aconteceram 336 mortes, em abril foram computados 324 homicídios, já no mês de junho foram 264 CVLIs, 45 a menos que junho de 2014.