Detentos de Pernambuco agora cuidam de parques, praças e cemitérios do Recife

Robson do Nascimento, 32, e Jorge Botelho, 60, não se conhecem, mas têm em comum o desejo pela liberdade. Presos por tráfico, os dois cumprem pena na Penitenciária Agroindustrial São João, na Ilha de Itamaracá, e há duas semanas foram inseridos no projeto Nova Chance, que emprega a mão de obra de presos do regime semiaberto na conservação de parques, praças, sementeiras e cemitérios.

Robson Nascimento trabalha no Parque da Jaqueira com capinação e jardinagem. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

Robson trabalha no Parque da Jaqueira. Fotos: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

A cada três dias de trabalho, um a menos é computado na pena. A experiência, que agora chega ao Recife, foi testada em Petrolina, em 2009, e também já é adotada em Paulista, Pesqueira e Canhotinho. Na capital, 79 internos já foram empregados, número que passará para 200 presos até o fim do ano, estima a Prefeitura do Recife.

Robson foi preso no réveillon de 2011. Usava crack dentro de um carro quando foi surpreendido pela polícia. Por conta da prisão, teve que abandonar a faculdade de administração, iniciada três meses antes do episódio. Desde então, cumpre pena em Itamaracá e começou a trabalhar no Parque da Jaqueira, na Zona Norte, com capinação e jardinagem. “Errar é humano. Aqui (Jaqueira), ocupamos a mente, espairecemos, quebramos a rotina”, afirmou. Antes de começar a faculdade, o preso já havia trabalhado em duas multinacionais com merchandising e cobrança. Quando sair, pretende migrar para o ramo de logística.

Jorge cuida da sementeira

Jorge cuida da sementeira

A história de Jorge é semelhante à de Robson. Desempregado, começou a traficar, até ser descoberto e preso pela polícia em casa, na Paraíba, após dois meses de investigações. Também cumpre pena em Itamaracá, com previsão de sair até o fim do ano. Das 8h às 16h, ele trabalha na Sementeira do Recife, em Casa Amarela, chamada por ele de “o paraíso”. “Aqui é uma maravilha. Fico livre da rotina da cadeia, ganho um salário mínimo e mantenho contato com a natureza”, contou. Jorge cumpre pena há quase sete anos. Com 2,5 hectares de área verde e 17 mil plantas, a sementeira produz as mudas usadas nos projetos da Prefeitura do Recife.

Robson e Jorge recebem um salário mínimo mensal (R$ 678), vale-alimentação, vale-transporte, uniforme e equipamentos de proteção individual e foram selecionados pelo bom comportamento e por estudarem. “É importante abrir essa janela para que eles tenham acesso ao mercado de trabalho e se capacitem”, explicou o secretário de Segurança Urbana do Recife, Murilo Cavalcanti.

Únicas que abrigam presos em semiliberdade no Grande Recife, a Penitenciária Agroindustrial São João e a Colônia Penal Feminina do Engenho do Meio foram as duas escolhidas para receber a versão recifense do projeto Nova Chance. “A grande vantagem é a reinserção social”, contou o secretário de Ressocialização do estado, Romero Ribeiro.

Por Glynner Brandão, do Diario de Pernambuco

Recife terá mais 60 câmeras de monitoramento até o final deste ano

Mais 60 câmeras de monitoramento serão instaladas no Recife até o fim do ano. Essa é a previsão da Secretaria de Segurança Urbana da cidade, que inaugurou ontem o Centro de Operações da Prefeitura do Recife. A central, que está funcionando no 1º andar da PCR, monitora as 40 câmeras instaladas em 13 bairros da capital e em dois grandes parques – o Parque 13 de Maio recebeu seis (o maior número de equipamentos) e o da Jaqueira, cinco. O investimento para a compra dos equipamentos e a montagem da central foi de R$ 1,8 milhão.

Centro de Operações foi inaugurado nessa quinta-feira. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Centro de Operações foi inaugurado nessa quinta-feira. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

De acordo com o prefeito do Recife, Geraldo Julio, a meta da prefeitura é ter 400 câmeras instaladas na cidade até o fim da gestão. “Essa é uma ação concreta da Pacto pela Vida do Recife, que mostra a força da integração da segurança entre a cidade e o estado, pois nessa central estamos visualizando as outras câmeras da Secretaria de Defesa Social (SDS)”, destacou o prefeito.

Além dos dois principais parques, as câmeras estão espalhadas pelos bairros do Cabanga, Ilha Joana Bezerra, Coelhos, Ilha do Leite, Boa Vista, Soledade, Graças, Jaqueira, Santo Amaro, Santo Antônio, Bairro do Recife, Espinheiro e Torrões. “Com a inauguração dessa central, estamos passando a monitorar não só a questão da segurança, mas também de defesa civil, controle urbano e mobilidade. A nossa previsão é chegar até o fim do ano com 100 equipamentos em operação. Para isso, devemos instalar mais 60 câmeras nos próximos três meses”, declarou o secretário de Segurança Urbana do Recife, Murilo Cavalcanti.