SDS reforçará segurança no acesso às cidades do Polo de Confecções

Quem costuma viajar para o Agreste do estado sabe que as estradas pernambucanas estão perigosas. Motoristas e comerciantes que seguem em ônibus para fazer compras no Polo de Confecções são vítimas de assaltos constantes. Algumas investidas são praticadas com muita violência. Para tentar amenizar essa situação o acesso às cidades de Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru e Toritama, entre outras das proximidades, devem receber em breve um reforço na segurança.

Moda Center de Santa Cruz do Capibaribe é um dos centros mais frequentados. Foto: Paulo Paiva / DP

Moda Center de Santa Cruz do Capibaribe é um dos centros mais frequentados. Foto: Paulo Paiva / DP

O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa Social do estado, Angelo Fernandes Gioia, durante reunião realizada na manhã desta terça-feira, no Recife, com representantes de entidades da região, como o Moda Center Santa Cruz, maior centro atacadista de confecções do país. O objetivo do encontro foi cobrar mais rapidez e efetividade no reforço da segurança das cidades e nos acessos aos municípios que receberão milhares de pessoas a partir deste fim de semana, quando começa a alta temporada para as compras de fim de ano na região.

“A sensação de insegurança reflete diretamente na economia e na movimentação do polo. Esperamos que a promessa seja cumprida para que as pessoas que vão ao polo e ao Moda Center realizem negócios com tranquilidade, adquirindo nossos produtos para abastecer suas lojas, ocupando nossos hotéis, indo e voltando com segurança para as suas casas”, comentou Allan Carneiro, síndico do Moda Center.

A Secretaria de Defesa Social se comprometeu em aumentar o efetivo nas cidades e a disponibilizar mais veículos para reforçar as patrulhas e rondas no entorno das feiras do polo. Também estiveram presentes no encontro o comandante geral da Polícia Militar, o coronel Carlos Alberto D´Albuquerque e o chefe da Polícia Civil do estado, delegado Antônio Barros.

Além do síndico do Moda Center, participaram, ainda, da reunião na SDS o presidente da CDL Santa Cruz, Valdir Oliveira; o presidente da Associação Empresarial de Santa Cruz do Capibaribe (Ascap), José Gomes Filho; o dirigente do Sindilojas, Valmir Ribeiro; o presidente do Parque das Feiras de Toritama, Prudêncio Gomes; o presidente da Associação de Empresários de Caruaru, Pedro Miranda; e o presidente da Associação de Sulanqueiros de Caruaru, Pedro Moura, entre outras autoridades locais.

O Moda Center Santa Cruz foi recentemente vítima da onda de assaltos e explosões a caixas eletrônicas que vem ocorrendo no interior de Pernambuco. A sua administração já vem se reunindo, desde outubro, com representantes das polícias Rodoviária, Civil e Militar para chamar a atenção das autoridades para a necessidade de reforço da segurança nas estradas e nas cidades do polo de confecções.

Com informações da assessoria de comunicação

Cinco estupros são registrados por dia em Pernambuco

Cinco estupros são registrados pela polícia por dia em Pernambuco. De janeiro a agosto deste ano, 1.126 casos chegaram à Secretaria de Defesa Social (SDS). Embora as estatísticas sejam assustadoras em todo Brasil, o retrato fiel da violência sexual pode ser muito pior. O 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que apenas 35% das vítimas de crimes sexuais denunciam o caso às autoridades.

Essa é uma das vítimas desse tipo de violência. Foto: Peu Ricardo/Esp.DP

Essa é uma das vítimas desse tipo de violência. Foto: Peu Ricardo/Esp.DP

Muitas dessas vítimas são violentadas por familiares. Outras, como nos casos divulgados recentemente, são abordadas por desconhecidos. A Lei Federal 12.015/2009 alterou a conceituação de estupro, passando a incluir, além da conjunção carnal, os atos libidinosos e atentados violento ao pudor. Entre as vítimas, estão homens e mulheres, embora o sexo feminino seja o mais vitimado. Na superedição deste final de semama, o Diario de Pernambuco traz relatos de duas vítimas de estupro, uma delas que foi abusada pelo irmão por ser lésbica. O jornal já pode ser comprado a partir deste sábado.

Medo e revolta em dias de jogos de futebol no Recife

As cenas de barbárie vistas ontem por todos, amantes ou não do futebol, fizeram aumentar os sentimentos de medo e revolta na população. Até quando vamos ser obrigados a assistir a casos de violência como os registrados no bairro do Cordeiro antes do clássico entre Sport e Santa Cruz? Quantas pessoas precisarão morrer para que uma atitude enérgica seja tomada por parte do governo para impedir essas brigas? Essas perguntas, pelo menos por enquanto, seguem sem respostas.

Além das cenas fortes registradas no Cordeiro, um torcedor foi ferido na frente da Ilha do Retiro. Foto: Alexandre Barbosa/DP

Além das cenas fortes registradas no Cordeiro, um torcedor foi ferido na frente da Ilha do Retiro. Foto: Alexandre Barbosa/DP

Muita gente já deixou de ir a estádio de futebol. Algumas pessoas até já falaram em acabar com jogos entre torcidas rivais aqui no Recife. As torcidas organizadas estão sempre sendo monitoradas pela polícia, mas as confusões não param. As agressões estão cada dia mais violentas. As polícias civil e militar tentam acabar com essa farra nas ruas e até dentro de campo, mas as ações ainda não surtem o efeito imediato e necessário tão esperado por todos nós.

 

Há cerca de dois anos, o delegado Paulo Jeann chegou a eleborar uma proposta de realização de clássicos com acesso ao estádio apenas para a torcida mandante. Entre as sugestões apresentadas pelo policial estavam a suspensão de toda e qualquer gratuidade de ingressos e acessos aos estádios de futebol em dias de jogo, excetuando aquelas pessoas em serviço, permissão de acesso às áreas internas dos estádios apenas dos portadores de ingressos, venda de ingressos devidamente numerados, capacitação e treinamento dos policiais recrutados para exercício em jogos de futebol, além da aquisição de equipamentos de segurança e armamento não-letais para as polícias civil e militar.

Não sei dizer se essa seria a solução para o problema das brigas de torcidas organizadas, mas é um assunto que precisa ser tratado como prioridade pelas autoridades de segurança pública e organizadores dos jogos de futebol realizados em Pernambuco, sobretudo no Recife, onde as brigas são mais frequentes. Além das agressões praticadas contra as pessoas, não podemos deixar de falar também sobre os ataques ao patrimônio público e até ao privado. Ninguém aguenta mais.

Câmeras de segurança são novas armas dos moradores de Aldeia

Por Mariana Fabrício
Do Diario de Pernambuco

A insegurança dos moradores de Aldeia, em Camaragibe, vítimas de assaltos e até mortes, trouxe reflexos para Chã de Cruz, que fica a três quilômetros de Aldeia e de Paudalho. Para inibir os assaltos, os comerciantes se uniram para criar o próprio sistema de monitoramento com  câmeras espalhadas pelo centro. Ao todo são 11 equipamentos que filmam por 24  horas o movimento interno e externo dos estabelecimentos. Um investimento de R$ 15 mil dividido entre moradores para ajudar a inibir os crimes e  registrar possíveis roubos para ajudar nas investigações policiais.

Equipamentos foram instalados pela população. Fotos: Karina Morais/Esp.DP

Equipamentos foram instalados pela população. Fotos: Karina Morais/Esp.DP

O mercadinho de Joelma Sales, 32 anos, já sofreu dois assaltos em menos de  três meses e é um dos que estão sendo monitorados. “Por duas vezes, os carros de entrega foram roubados e eu fiquei sem a mercadoria para vender. É uma situação que não é vivida só por mim”, afirmou. Mesmo com o salão de beleza localizado ao lado de um posto policial, o  cabeleireiro Edson Souza, 43 anos, fez questão de investir mais em segurança e participar da cota. “Aqui estamos divididos entre os municípios de Camaragibe e Paudalho, o que nos atrapalha um pouco e atrasa reuniões com as autoridades competentes. Diante desses roubos que estão acontecendo por aqui a gente não pode ficar de braços cruzados e por isso tomei essa iniciativa e  mais gente está aderindo ao monitoramento”, contou.

Joelma já teve o mercadinho arrombado duas vezes

Mercadinho de Joelma Sales já foi assaltado duas vezes

O 20° Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área, informou que não faz monitoramento das imagens de câmeras instaladas pela população. Mas que em caso de ocorrência ou flagrantes, as imagens podem ser informadas pelo 190, para subsidiar o trabalho da polícia investigativa. O comando do BPM disse ainda, através de nota, que está em “constante diálogo com a comunidade” através do Fórum de Segurança de Aldeia que faz reuniões semanais, às terças-feiras à noite, e ainda dispõe de um grupo nas redes sociais que conta com o apoio da gestão municipal.

De acordo com a Secretaria de Defesa Social, de janeiro até 28 de agosto 2016, as polícias Civil e Militar apreenderam 104 armas de fogo e realizaram 300 prisões, em toda a Área Integrada de Segurança (AIS 9), composta pelos municípios de Camaragibe e São Lourenço. Segundo o órgão, ocorreram 1.174 Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP) com três mortes. Em comparação ao ano passado, foram registrados 912 CVPs no mesmo período.

Leia mais sobre o assunto em:

Onda de crimes em Aldeia deixa moradores assustados

A luta para bloquear telefone celular nos presídios

Por Vandeck Santiago, texto publicado no Em foco do Diario de Pernambuco

Se o que está acontecendo no Rio Grande do Norte estivesse acontecendo em São Paulo, Rio ou Brasília não tenho dúvidas que o problema estaria sendo tratado com mais prioridade e empenho. Não há nesta afirmação nenhum bairrismo às avessas ou coisa parecida, mas tão somente uma constatação da gravidade da situação que ora aflige o nosso vizinho. Faz três semanas que o crime organizado pratica uma série de ataques na capital e em municípios do interior de lá. Ontem, em seguida a uma madrugada de novos atos criminosos, o governador Robinson Faria (PSD) solicitou ao presidente interino Michel Temer que o efetivo das Forças Armadas enviado para reforçar o combate ao crime permaneça no estado por mais 30 dias, e que um contingente extra seja enviado para Mossoró, segunda maior cidade, depois da capital, Natal.

Prisões brasileiras abrigam mais de 600 mil pessoas, 61% acima de sua capacidade Wilson Dias/Agência Brasil

Prisões brasileiras abrigam mais de 600 mil pessoas. Wilson Dias/Agência Brasil

São 1.200 homens das Forças Armadas: mil do Exército e 200 da Marinha. A chegada deles, há uma semana, conseguiu conter a escalada ininterrupta de ataques. O temor do governador é que se a tropa deixar hoje o estado, que é o prazo previsto para a retirada, os atos criminosos recrudesçam. O último balanço informa que até sexta-feira já ocorreram 114 ataques em 40 cidades, o que equivale a cerca de 25% do total dos 167 municípios do estado. Numa comparação aproximada, é como se em São Paulo 170 municípios estivessem sendo alvos de ataques. São principalmente incêndios de ônibus e viaturas, tentativas de incêndio e disparos contra prédios públicos. Uma reação violenta e inaceitável do crime contra o poder do Estado.

Motivada pelo quê? Pela decisão do governo estadual em 28 de julho de bloquear sinal de celular no presídio de Parnamirim. Todo mundo neste país sabe que de dentro das unidades prisionais detentos que comandam o crime organizado dão orientações para seus seguidores que estão fora. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, até cunhou uma pertinente frase para definir a situação. Os presídios e penitenciárias são “escritórios executivos do crime organizado”, disse ele no Recife, ao participar de debate na Rádio Jornal. O ministro defende o bloqueio do sinal, mas lança a advertência de que os estados devem ter “a capacidade” de enfrentar “a queda de braço” que se seguirá à decisão – ou seja, a reação violenta do crime organizado.

Para o brasileiro que observa a situação de fora, como mero cidadão preocupado com a segurança na cidade em que vive, é assustador ver o poder de fogo desses grupos: uma medida destinada a cortar a comunicação entre comando e comandados do crime pode desencadear ondas de violência que os estados, por si sós, talvez não estejam prontos para enfrentar.

O caso também tem dificuldades na esfera judicial. No último dia 3 o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por 8 votos a 3 que leis estaduais não podem obrigar as operadoras de celular a bloquear o sinal de celulares em presídios e penitenciárias. As ações contestando a proibição foram da Associação Nacional das Operadoras Celulares (Acel). “Celulares entram nos presídios por omissão do Estado, e este quer repassar os custos para as empresas”, disse o ministro Luiz Fux, um dos que votaram pela inconstitucionalidade das leis estaduais de bloqueio. Os ministros do Supremo, em sua maioria, entenderam que apenas a União pode legislar sobre o tema.

Em quatro estados hoje existem leis estaduais que obrigam as operadoras a instalar os bloqueadores: Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Uma lei semelhante acabou de ser aprovada no Piauí, mas a determinação do Supremo veio antes que ela entrasse em vigor. No Rio Grande do Norte não houve lei estadual. O ministro Raul Jungmann aventa uma solução para o impasse: que a União edite uma lei liberando a instalação de bloqueadores de sinal em todos os estados. Existem hoje 1.424 unidades prisionais em todo o Brasil.

O tema do crime organizado tem margeado o debate político no país. O que está acontecendo no Rio Grande do Norte mostra que o problema é um dos principais desafios não só dos estados, mas também do Estado.

DHPP investiga morte de menino atingido por uma bala perdida

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) está investigando o assassinato do estudante Mateus Alexandre Teixeira da Silva, 14 anos. Ele morreu na manhã de ontem, após ter sido baleado durante uma perseguição policial na noite do último sábado. O adolescente foi atingido por um tiro na nuca quando estava na Rua Compositor José Dantas, no Vasco da Gama, Zona Norte do Recife.

A família de Mateus e moradores da localidade afirmam que o disparo partiu da arma de um policial militar. Policiais da Companhia Independente de Policiamento com Motos perseguiam três homens suspeitos de assaltos no momento em que o garoto foi baleado. O caso está sendo acompanhado pela Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social.

Garoto foi baleado quando voltava para casa. Fotos: TV Clube/Reprodução

Garoto foi baleado quando voltava para casa. Fotos: TV Clube/Reprodução

Revoltado com a morte do filho, o pedreiro Antônio Carlos Tavares, 37, espera que os responsáveis pelo crime sejam punidos. “Quando eu já estava na porta da Corregedoria, soube que meu filho tinha ido a óbito. Voltei para resolver as coisas, mas vou finalizar a denúncia. Eles têm que pagar. Quero que os policiais sejam presos. Eles não poderiam ter feito isso com o meu filho. Ele era um estudante cheio de sonhos e queria ser economista. Agora teve os sonhos interrompidos por esses policiais que não são bem treinados. Vamos processar o estado. Esses policiais são matadores”, desabafou o pai de Mateus. O corpo do adolescente permanece no Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro. O sepultamento está previsto para a tarde de hoje, no Cemitério de Casa Amarela.

Antônio Carlos quer que os culpados pela morte do filho sejam punidos

Antônio Carlos quer que os culpados pela morte do filho sejam punidos

A assessoria de comunicação da Polícia Militar de Pernambuco, por meio de nota, informou que os PMs da CIPMoto “participaram de diligências policiais que resultaram na troca de tiros entre eles e, pelo menos, três assaltantes, que desceram de um veículo atirando contra os policiais, que revidaram.” Ainda de acordo com a assessoria da PM, dois suspeitos foram presos, uma arma apreendida e um terceiro homem conseguiu fugir. “Os policiais chegaram a dizer que o menino estava no meio dos assaltantes, mas isso não é verdade. Mateus estava voltando da lan house quando foi atingido por um tiro na cabeça”, disse uma moradora da localidade que preferiu não se identificar.

Ainda segundo a PM, “no boletim de ocorrência, os policiais da CIPMoto relataram que os homens estavam em um veículo Siena e faziam direção perigosa, quando desembarcaram atirando, sendo um deles presos imediatamente. Em seguida, um segundo suspeito foi preso pelos PMs após travar lutar corporal com um dos policiais, que saiu com ferimentos durante a ação.” A PM esclareceu ainda que “ao tomarem conhecimento de que um adolescente de 14 anos teria sido ferido por disparos de arma de fogo, os PMs ficaram à disposição do Departamento de Homicídios e Proteçao à Pessoas (DHPP). O comando da CIPMoto abriu uma sindicância para apurar o caso.”

Na última sexta-feira, no bairro do Totó, um menino de 11 anos também foi baleado durante uma ação da Polícia Militar. De acordo com a corporação, os próprios PMs levaram o garoto para o Hospital Otávio de Freitas (HOF). Kauã Vinicius da Silva foi atingido enquanto empinava pipa com outras crianças. Ele continua internado na unidade de saúde. Segundo os moradores da comunidade, o incidente ocorreu quando uma viatura chegou ao local, onde geralmente costumam ocorrer ações truculentas. Cerca de três horas depois, a comunidade fez um protesto na localidade.

Caixas eletrônicos são os alvos da vez em Pernambuco

Não tem dia, nem hora, nem lugar. As investidas criminosas contra as agências bancárias e terminais de caixas eletrônicos estão assustando a população dos municípios do interior do estado e também da Região Metropolitana do Recife. A violência das ações, cada vez mais ousadas, também tem deixado as forças policiais de mãos atadas para resolver o problema. Quase todos os dias, o noticiário pernambucano relata casos de explosões a terminais bancários.

Na semana passada, um grupo formado por cinco homens invadiu, após disparar vários tiros e quebrar as portas de vidro, o prédio da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 5ª Região, na Avenida Agamenon Magalhães, no Espinheiro. Eles explodiram um caixa eletrônico do Banco do Brasil e levaram todo o dinheiro que havia no equipamento.

Caixa eletrônico ficou completamente destruído. Foto: Wagner Oliveira/DP

Caixa eletrônico do Banco do Brasil ficou completamente destruído. Foto: Wagner Oliveira/DP

Uma Força-tarefa para investigar esses crimes foi criada pelas polícias Federal e Civil. No entanto, as ações ainda não são suficientes para frear as ocorrências. De janeiro a junho deste ano, 55 pessoas foram presas pela Delegacia de Repressão ao Roubo e outras 33 capturadas pela Polícia Federal apenas por envolvimento em crimes relacionados a roubos de bancos ou explosões e arrombamentos a caixas eletrônicos em todo estado.

Dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), indicam que nos primeiros seis meses deste ano Pernambuco registrou 28 casos de roubo ou furto a caixa eletrônico. No mesmo período do ano passado, foram computadas 30 ocorrências no estado.
Na década de 2000, uma onda de assaltos e explosões a carros-forte assolou Pernambuco. Além das investidas praticadas no Grande Recife, quando os carros estavam estacionados perto de bancos ou grandes redes de supermercados, dezenas de abordagens foram registradas na BR-232, que liga a capital ao Agreste e Sertão do estado.

Em alguns casos, os assaltos eram praticados no horário da noite. Atualmente, esse tipo de ocorrência quase não faz parte das estatísticas da SDS. É como se os criminosos tivessem encontrado um jeito mais fácil e menos perigoso de botar a mão em grandes quantias de dinheiro. Nos carros-forte existem seguranças armados. Nos caixas eletrônicos, às vezes, há apenas um ou dois vigilantes.

Quem mora perto dos bancos ou caixas eletrônicos que são alvos dos criminosos vive momento de pânico dentro de casa enquanto as ações estão sendo praticadas. Além dos muitos tiros disparados pelos assaltantes, inclusive com armas de grosso calibre e muito mais potentes que as usadas pelos policiais, os suspeitos ainda deixam encurralados os policiais militares que estão de plantão nos destacamentos. Em muitos crimes, viaturas foram baleadas e tiveram vidros quebrados e pneus furados pelos integrantes dessas quadrilhas. Além disso, em algumas ações, os bandidos espalham grampos no asfalto ao longo do caminho para que os policiais não consigam iniciar uma perseguição.

As ações criminosas costumam dar certo para os assaltantes, no entanto, no dia 10 de julho, quatro deles acabaram mortos após uma tentativa de arrombamento à agência do Banco do Brasil, no município de Buenos Aires, Zona da Mata Norte. O banco chegou a ser invadido por 10 homens que, utilizando maçaricos, começaram a arrombar os caixas eletrônicos quando foram surpreendidos por policiais militares. Houve troca de tiros e três suspeitos morreram no local. O quarto envolvido morreu no Hospital da Restauração. Nenhuma quantia em dinheiro foi levada da agência. Um fato que tem chamado a atenção da polícia são as datas escolhidas pelos criminosos. Geralmente escolhem os primeiros dias do mês, pois sabem que os terminais estarão abastecidos para a realização de pagamentos de salários e aposentadorias.

Os investigadores acreditam que o grupo que vem aterrorizando o interior do estado também possa estar agindo nas cidades do Grande Recife. Há uma suspeita de que sejam de estados vizinhos a Pernambuco e de que utilizem as rodovias federais para fugirem com facilidade. Segundo o assessor de comunicação da Polícia Federal, Giovani Santoro, os assaltantes que cometeram o crime no prédio da Procuradoria Regional da Fazenda usaram os mesmos procedimentos que são feitos no interior do estado. “Eles estavam com armamentos pesados, usaram a mesma logística das investidas do interior, agiram durante a madrugada e estavam em grande número de pessoas. Além disso, usaram artefatos explosivos para destruir o terminal eletrônico”, ressaltou Santoro.

Os dados da SDS revelam ainda que de janeiro a junho deste ano ocorreram dez roubos a bancos contra 18 no mesmo período do ano passado. No entanto, o número de furtos teve um aumento. Em 2015, apenas quatro agências sofreram furtos nos seis primeiros meses do ano. Já no mesmo período deste ano foram computadas 14 ações. Enquanto as autoridades de segurança pública não conseguem encontrar um jeito de barras essas investidas criminosas, as agências bancárias e os caixas eletrônicos seguem como alvos fáceis das quadrilhas de assaltantes.

Mãe da criança levada pelo pai conta os minutos para ter a filha nos braços

A notícia recebida na noite desse sábado de que sua filha Júlia Alencar, de apenas um ano e dez meses, foi encontrada no estado do Amapá, a servidora pública Cláudia Cavalcanti, 42 anos, só quer uma coisa: pegar a filha em seus braços. Na manhã deste domingo, Cláudia recebeu a imprensa em seu apartamento, na cidade de Olinda, e falou sobre o alívio de saber que a filha está bem.

Cláudia espera a chegada da filha. Foto: Wagner Oliveira/DP

Cláudia espera a chegada da filha. Foto: Wagner Oliveira/DP

“Quando recebi a ligação da delegada Gleide Ângelo dizendo que minha filha havia sido encontrada, minha vontade foi de pegar o primeiro avião e ir embora me encontrar com ela. Chorei muito e também fiquei com o corpo todo trêmulo. A delegada disse que só voltaria com Júlia e graças a Deus isso vai acontecer. Não vejo a hora de ter minha filha nos meus braços”, declarou Cláudia.

Gleide Ângelo, Fabiana Leandro e Raldney Júnior chegarão ao Recife com Júlia nesta segunda-feira

Os policiais Gleide Ângelo, Fabiana Leandro e Raldney Júnior chegarão ao Recife com Júlia nesta segunda-feira

Janderson Alencar, pai da garota, estava sendo procurado pela polícia pernambucana desde o dia 10 deste mês. Ele tinha autorização da Justiça para ficar com a filha das 9h às 18h. Como não devolveu a menina no horário determinado, o caso foi denunciado à polícia e os dois passram a ser procurados. Antes de fugir com a filha, segundo a Polícia Civil de Pernamnbuco, Janderson realizou um saque bancário no valor de R$ 400 mil, o que o ajudou em seu deslocamento pelo Brasil.

Polícia Civil localiza criança que havia sido levada pelo pai

Foi localizada na noite deste sábado, pela Polícia Civil de Pernambuco, a menina Júlia Cavalcanti de Alencar, de 1 ano e 9 meses, que havia sido levada pelo pai. Ela está em segurança. A garota e o pai, Janderson Rodrigo Salgado Alencar, 29, estavam na cidade de Santana, no Amapá. Ele está preso.

A operação pela prisão contou com o apoio da Polícia Civil daquele estado que realizou a abordagem em uma residência localizada na área central da referida cidade. A operação que resultou na localização da criança e prisão do genitor da mesma foi fruto de trabalho em conjunto entre as Polícias Civis de Pernambuco e do Amapá, onde esta última também contou com informações da Inteligência da PCPE.

As delegadas da 9ª DPH da cidade de Olinda/PE, Gleide Angelo e Fabiana Leandro, que presidem as investigações, estão em vôo do Pará para o Amapá com o objetivo de proceder ao recambiamento do preso e trazer a criança para o Estado de Pernambuco.

Júlia e Janderson estavam sendo procurados desde o dia 10 de julho depois que ele não devolveu a menina para a mãe como estava previsto em decisão judicial. Ainda não há previsão para o horário de chegada de pai e filha a Pernambuco, pois as delegadas irão precisar de autorizacão judicial para viajar com a criança.

Morte no metrô aumenta medo entre passageiros e funcionários

Uma tentativa de assalto terminou em morte e prisão na manhã de ontem no metrô do Recife. Por volta das 6h, quatro suspeitos anunciaram assalto em um vagão da Linha Sul, entre as estações Joana Bezerra e Largo da Paz. De acordo com testemunhas, três deles se posicionaram na parte de trás do último vagão enquanto outro ameaçava os cerca de 20 passageiros com uma faca. Um policial que seguia para o trabalho no trem se identificou e deu voz de prisão, mas o assaltante teria partido para cima dele, que atirou. Robson Batista Saturnino, de 21 anos, estava foragido do complexo prisional do Curado e morreu na hora.

Crime aconteceu na estação Largo da Paz. Fotos: Malu Cavalcanti/Esp/DP

Crime aconteceu na estação Largo da Paz. Foto: Malu Cavalcanti/Esp/DP

Os demais envolvidos são Anderson Carlos Santana, de 26 anos, que já foi autuado por receptação de veículo roubado, William Lima, de 19 anos, e Leonardo Francisco Guilherme, de 21 anos. Eles se entregaram e foram encaminhados ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O policial que disparou os tiros preferiu não se identificar. Ele explicou que o suspeito insistiu em tentar golpeá-lo, mesmo com a ordem de prisão e depois de ter levado um tiro no ombro. “Eu falei que era policial, pedi pra ele soltar o facão e ele tentou me atingir. Eu dei dois passos para trás e atirei no ombro e ele continuou vindo para cima. Me afastei novamente e ele voltou a tentar uns golpes. Aí, eu dei mais dois tiros e ele caiu. Os outros que estavam mais ao fundo, quando viram a situação, entregaram outra faca que portavam, e eu pedi que deitassem no vagão. Eles obedeceram e encaminhamos para o DHPP”, explicou. Segundo a polícia, o PM estava a caminho do 6º Batalhão, na Estrada da Batalha, em Jaboatão dos Guararapes, onde atua.

Suspeito foi morto dentro do vagão. Foto: Reprodução/TV Clube

Suspeito foi morto dentro do vagão. Foto: Reprodução/TV Clube

Em depoimento, os suspeitos confessaram que passaram a noite bebendo e que tinha planejado o assalto. “Eles confirmaram que se encontraram para planejar e que o Robson é quem teve a ideia de praticar o assalto naquela ocasião. Mas pelo menos dois deles já eram vistos praticando assaltos no metrô”, destacou a Polícia Civil. Um dos passageiros que testemunharam o anúncio do assalto disse que o vagão tinha cerca de 20 pessoas, a maioria mulheres. “Como tinha bastante mulher no vagão, gerou um desespero com a situação de todo mundo correndo para o fim do trem para tentar se proteger. No meio do vagão, só ficaram os assaltantes e ele (o policial)”, destacou, sem se identificar. Ninguém se machucou e não houve produtos roubados.

O suspeito morto era um dos detentos que conseguiram escapar do presídio Frei Damião de Bozano, depois de uma fuga em massa, resultado de uma explosão de um dos muros da unidade em janeiro deste ano. Ele já havia sido preso duas vezes, acusado de violência doméstica e roubo. Familiares estiveram na estação, mas preferiram não falar com a imprensa. O corpo foi levado para o Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro. A Secretaria de Ressocialização do estado, responsável gestão do sistema prisional em Pernambuco, não atendeu às ligações da reportagem para comentar o caso.