Polígono da maconha em Pernambuco tem novos lados

Um novo retrato do polígono da maconha, no Sertão pernambucano, foi traçado depois de quase 20 anos de fiscalização e repressão policial ao plantio e tráfico da droga na região. Entre as principais modificações apontadas pela Polícia Federal estão a inserção de novas cidades na produção do entorpecente e a perda da liderança de outros municípios. Além disso, os braços do negócio ultrapassaram as fronteiras de Pernambuco e chegaram a outros quatro estados.

Plantações foram destruídas nas ilhas do Rio São Francisco. Fotos: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Várias plantações de maconha foram destruídas nas ilhas do Rio São Francisco. Fotos: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Alagoas, Maranhão, Piauí e Pará já registram plantações feitas por produtores de maconha que deixaram Pernambuco após o aumento da fiscalização, segundo a polícia. Outro fator identificado pelos investigadores é a substituição de grandes roças por pequenas produções em pontos diversos, o que dificulta um pouco a fiscalização.

Agentes federais apreenderam mais de 2,8 mil quilos de maconha

Agentes federais apreenderam mais de 2,8 mil quilos de maconha

O blog e o Diario de Pernambuco acompanharam com exclusividade a última operação realizada pela PF para combater a produção e o tráfico do entorpecente na região do Sertão, o que tem sido feito desde o final de década de 1990. O resultado será mostrado em uma série de reportagens que segue até esta quinta-feira.

Do helicóptero, policiais identificaram plantações

Do helicóptero, policiais federais identificaram as plantações

Em dez dias de trabalho, 70 policiais federais e dois helicópteros foram mobilizados na Operação Angico I em Orocó, Cabrobó, Santa Maria da Boa Vista, Parnamirim e Belém de São Francisco. Segundo o delegado da PF Carlo Marcus, 2.812 kg foram apreendidos e cerca de 780 mil pés em 181 plantações na região foram incinerados.

Delegado Carlo Marcus comandou a operação no Sertão.

Delegado Carlo Marcus comandou a operação no Sertão

Leia matéria completa sobre o assunto na edição impressa do Diario desta terça-feira

Estudante “desaparecido” foi encontrado pela Polícia Federal

Localizado o adolescente de 17 anos, desaparecido desde o sábado passado depois de deixar o Recife para o Rio de Janeiro. A Polícia Federal (PF), que investigava o caso como possível tráfico de seres humanos, descobriu que o jovem está, na verdade, na companhia dos pais biológicos, na cidade de Cascavel, Paraná.

Garoto viajou para encontrar os pais biológicos. Foto: Reprodução/Facebook

Garoto viajou para encontrar os pais biológicos. Foto: Reprodução/Facebook

De acordo com a polícia, o adolescente deve ter recebido dinheiro dos genitores para viajar a fim de conhecê-los. Para Arcoverde, onde morava desde o segundo dia de vida com a família que o adotou legalmente e com a aprovação dos pais, o adolescente teria forjado ter sido contratado para jogar no Qatar, no Emirados Árabes, alegando que ganharia um salário de R$ 15 mil.

O jovem foi localizado após uma ligação feita pela Polícia Federal para a residência de seus pais biológicos, que confirmaram a presença do filho. Ainda não há previsão do retorno do adolescete a Pernambuco. As investigações continuam para ouvir o adolescente e os pais biológicos.

A PF entrou no caso pós matéria veiculada no Diario de Pernambuco e na TV Clube. Nesta segunda-feira, o adolescente teria informado à mãe adotiva que havia sido enganado e forçado a embarcar em um avião fretado com destino a Stambul na Turquia e não para o Qatar, como havia sido combinado.

Do Diario de Pernambuco

Estudante pode ter sido vítima do tráfico internacional de pessoas

A Polícia Civil está investigando se o estudante Adriano Lopes, 17 anos, morador da cidade de Arcoverde, no Sertão pernambucano, foi vítima de tráfico internacional de pessoas. No final do ano passado, o garoto recebeu uma proposta para se tornar jogador de futebol num grande clube da capital e aceitou. Com isso, no mês passado, acabou vindo morar no Recife, na casa de amigos da sua família.

Adriano postou, em seu perfil, uma foto em pista de pouso (FACEBOOK/DIVULGACAO)

O que parecia ser a realização de um sonho, virou um tormento. Depois de passar dois dias sem aparecer na casa onde estava hospedado, nesse sábado, Adriano telefonou dizendo que havia viajado para o Rio de Janeiro e que seguiria para o Catar, no Oriente Médio, para jogar futebol. Em nova ligação, dessa vez chorando, disse que havia sido levado para uma mata e que iria para o exterior em um avião clandestino.

A dona de casa Maria de Fátima Lopes, 61, mãe de Adriano, prestou queixa no Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) e a investigação foi iniciada. O caso pode ser repassado para a Polícia Federal nesta terça-feira, que já foi acionada para tentar impedir a saída do adolescente do país pelos aeroportos.

Casos com esse são cada vez mais frequentes e complicados de serem revolvidos. Encantados com a promessa de ser tornar um jogador profissional e ganhar muito dinheiro, garotos, sobretudo os de famílias pobres, acabam enganados por falsos empresários. Falta aí mais orientação para que esses meninos não sofram nas mãos de criminosos.

Leia matéria completa na edição do Diario de Pernambuco desta terça-feira.

População de Serra Talhada assustada com onda de violência

A Delegacia de Serra Talhada estava lotada ontem. Pelo menos oito pessoas prestaram depoimento ao delegado Isaías Novaes, designado especialmente para apurar os crimes. Enquanto as mortes não são esclarecidas, a população segue com medo.

José Adelmo da Silva, 50, tem um pequeno comércio no bairro de Bom Jesus e contou que a violência aumentou muito nos últimos meses. “Cheguei aqui no mês de outubro e estava tudo calmo. Do começo do ano para cá, estão acontecendo muitas mortes e assaltos. Ainda bem que a polícia agora está pelas ruas”.

Duplo assassinato aconteceu nesta rua no Centro da Cidade. Fotos: Annaclarice Almeida/DP/D.A.Press

Na semana passada, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, o comandante da PM, coronel Carlos Pereira, e o chefe da Polícia Civil, Osvaldo Morais, estiveram na cidade e disseram que todos os esforços serão feitos para trazer a tranquilidade de volta. Um reforço no policiamento, feito pelos policiais do 14º Batalhão da Polícia Militar, com o apoio da Companhia Independente de Operações em Área de Caatinga e do Gati está em curso.

Cidade de 100 mil habitantes fica no Sertão do Pajeú

Cidade de 100 mil habitantes fica no Sertão do Pajeú

O delegado Osvaldo Morais alertou que a preocupação com a cidade já estava na agenda da Polícia Civil antes das mortes acontecerem. “O delegado Isaías Novaes, que vem do DHPP do Recife, vai somar esforços com todos que estão na cidade para solucionar esses crimes e evitar que ocorram outros”, destacou Osvaldo.

Por determinação da SDS, as investigações são sigilosas. Segundo o prefeito Luciano Duque (PT), o Conselho de Segurança decidiu não adotar toque de recolher visto que as viaturas policiais estão circulando por todas as áreas.

Briga de família por trás da onda de homicídios em Serra Talhada

Uma briga de famílias é a principal hipótese investigada pelos cinco delegados que apuram os 18 homicídios ocorridos nos três primeiros meses deste ano em Serra Talhada, a 415 km do Recife, no Sertão. O número de assassinatos, que já é igual ao do ano de 2013 todo, acendeu a luz de alerta da cúpula da segurança pública estadual.

Um ex-policial militar, de identidade preservada, está sendo investigado como suspeito por duas mortes no último dia 22 de março, quando foram baleados, perto de um bar no Centro, João Carlos Epaminondas, 44, e o primo dele, o policial militar Geovane Alves Pereira, 37, que era lotado no Rio Grande do Norte. Naquele mesmo fim de semana, outras três pessoas foram mortas em locais públicos e houve duas tentativas de assassinato.

Viatura da Polícia Militar faz rondas pela cidade. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A.Press
Viatura da Polícia Militar faz rondas pela cidade. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A.Press

Dos cinco mortos, três são da família Pereira, incluindo Olímpio Pereira Júnior, 39, que chegou a ser socorrido e levado para um hospital, mas não resistiu. A polícia investiga se há uma guerra com outra família ou se trata-se de um conflito interno, envolvendo diferentes clãs. As outras duas pessoas que morreram no violento fim de semana, um casal identificado como Antônio Ferreira da Silva, 33, e Eliene Pereira Lima, 27, não seriam a princípio, ligadas à família, mas tudo ainda está sendo investigado. Após a onda de homicídios, uma força-tarefa foi montada na cidade para tentar esclarecer os casos e prender os suspeitos. A população está assustada com o aumento da violência e o clima é tenso.

Conhecido da polícia e dos moradores da cidade pelo histórico do envolvimento em crimes de execução, João Carlos Epaminondas chegou a passar vários anos preso. Recentemente estava cumprindo prisão domiciliar, mas acabou ganhando a liberdade no fim do mês de janeiro. Isso porque no dia do seu julgamento as testemunhas não comparecerem ao Fórum, pois não haviam sido notificadas. A Justiça, então, acabou concedendo a liberdade ao acusado.

Fontes da polícia acreditam que a morte de João Carlos, conhecido como Galeguinho de João de Tonhé, foi uma forma de vingança relacionada às muitas mortes que ele teria praticado nos anos de 1990 em Serra Talhada. O cidadão, que já chegou a trocar tiros com PMs e confessou a morte de um homem que teria matado seu pai num assalto, estava com novo julgamento marcado para junho deste ano. “Acreditamos que só estavam esperando ele aparecer na rua para matá-lo. Esse homem já assassinou muita gente e as famílias estão se vingando”, contou um policial em reserva.

Memória

Brigas de família no interior do estado

Exu
A terra de Luiz Gonzaga, no Sertão, foi palco por mais de 30 anos de uma guerra política entre famílias. Os moradores viveram décadas de medo devido às lutas entre as famílias Alencar e Sampaio. Mais de 40 mortes foram registradas durante o conflito, que só acabou depois de muitos acordos de paz frustrados. O alvo da briga entre os clãs era o poder político da cidade.

Cabrobó
Numa guerra que durou 14 anos no Sertão, um total de 150 pessoas foram assassinadas entre as cidades de Cabrobó e Belém de São Francisco. Cinco famílias disputavam o poder na região e os membros acabaram pedindo ajuda da Justiça para encerrar com a matança.

Floresta
Outro caso no Sertão do estado é a guerra entre as famílias Ferraz e Novaes, em Floresta. A rixa teve início em 1913 pela disputa do poder. Depois de alguns anos de paz, os assassinatos voltaram nos anos 1990. Em 1992, o prefeito Francisco Ferraz Novaes foi morto.

Itaíba
O município do Agreste, onde em outubro de 2013 foi morto o promotor de Justiça Thiago Faria Soares, ganhou fama nos anos 2000 por ter um Triângulo da Pistolagem, motivado por disputas de terra. O fazendeiro José Maria Pedro Rosendo Barbosa, apontado como o mandante da morte do promotor, também foi acusado de mandar matar, em 1990, o prefeito de Águas Belas, Hildebrando Lima.

Do Diario de Permambuco

Compesa acaba com 29 pontos de furto de água no interior do estado

A Compesa fez uma operação para combater ligações clandestinas de água na Adutora do Sertão. A Operação Água Legal, realizada em parceria com a Secretaria de Defesa Social (SDS), erradicou 29 pontos de furtos em cinco dias de ação nos municípios de Cabrobó, Belém de São Francisco e Salgueiro.

Foto: Compesa/Divulgação

Foto: Compesa/Divulgação

O volume de água que estava sendo desviado seria suficiente para abastecer 30 mil pessoas, o equivalente a mais da metade de Salgueiro ou duas vezes a cidade de Parnamirim. Graças à operação, o esquema de abastecimento está sendo normalizado em cinco municípios castigados pela seca, beneficiando cerca de 120 mil pessoas do Sertão de Pernambuco.

A Operação Água Legal teve início no último dia 4. Em parceria com os efetivos da Polícia Militar, incluindo a Companhia Independente de Operações e Sobrevivência na Área de Caatinga (Ciosac), técnicos da Compesa realizaram sobrevoos em Cabrobó, Belém de São Francisco e no distrito de Conceição das Crioulas, em Salgueiro, a fim de identificar manchas verdes onde havia fortes indícios de uso irregular de água.

Foto: Compesa/Divulgação

Foto: Compesa/Divulgação

Ao todo, 23 roçados estavam sendo mantidos com água furtada de tubulações da Compesa. Desse total, nove eram plantações de maconha. “Num momento em que o interior está enfrentando a maior estiagem dos últimos 60 anos, é inadmissível que a água destinada para o consumo humano esteja sendo utilizada clandestinamente para a agricultura ou para cultivos ilícitos. Foi por isso que a Compesa resolveu agir de forma incisiva em defesa de uma necessidade vital da população”, enfatizou o diretor regional do Sertão, Fernando Lôbo.

Com informações da assessoria de imprensa da Compesa

Associação denuncia abandono da Polícia Militar no interior de Pernambuco

Uma comitiva da Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados da Polícia Militar (ACS–PE) viajou, na semana passada, para o interior do estado, com o objetivo de verificar as condições de trabalho dos policiais militares no Agreste e Sertão de Pernambuco. As visitas foram feitas nas cidades de Águas Belas, Itaíba, Manaíra, Inajá, Tacaratu, Carnaubeira, Nova Petrolândia, Floresta, Trevo do Ibó, Cabrobó, Orocó, Santa Maria da Boa Vista, Salgueiro, Bom Nome e Algodões.

Unidade policial da cidade de Águas Belas foi visitada. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Unidade policial da cidade de Águas Belas foi visitada. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

O coordenador Renílson Bezerra, os diretores Romero Galindo e Luiz de Melo e o advogado Maurício Gomes puderam constatar que a tropa está abandonada. Segundo a ACS, em algumas localidades, apenas dois homens trabalham para garantir a segurança de uma população de 22 mil pessoas. Foram encontrados postos de policiamento sem água ou banheiro, trailers à beira da estrada sem nenhuma proteção para praças, poucas viaturas e escalas abusivas.

A ACS-PE pede que “as autoridades competentes mudem o tratamento dado a esses profissionais, voltando à atenção para a garantia da proteção primeiro do policial para que ele possa realizar seu serviço em defesa da sociedade. Afinal, o Pacto pela Vida também deve ser para os PMs. Deve ser pela vida e dignidade do policial militar e bombeiro.”

O povo não quer só segurança. O povo precisa e quer uma saúde melhor

A postagem deste domingo não tem como foco a questão da segurança pública. O assunto é saúde. Entre os dias 29 de julho e 2 de agosto, junto com a fotógrafa Blenda Souto Maior e o motorista Francisco, viajei por vários municípios do Sertão, Agreste, Mata Norte, Mata Sul e Grande Recife para mostrar a situação da saúde pública em Pernambuco. O resultado está sendo publicado deste domingo até a próxima quarta-feira na versão impressa do Diario de Pernambuco, na série Feridas abertas. O material revela o drama dos pacientes que sofrem sem atendimento e traz também as reclamações do médicos sobre as suas condições de trabalho. Além disso, está sendo abordada também a polêmica importação de médicos.

Confira o vídeo:

Caravana do desarmamento no interior de Pernambuco

A partir da próxima sexta-feira, mais pernambucanos poderão contribuir com a Campanha do Desarmamento promovida pela Secretaria de Defesa Social (SDS) e pela Polícia Federal. Uma van fará a coleta itinerante de armas e munição em 60 municípios do Sertão, do Agreste e da Zona da Mata, que ainda não contam com o serviço. A primeira visita do projeto será a Barra de Guabiraba, Agreste.

Van visitará 60 cidades do interior. Foto: DP/D.A Press

Van visitará 60 cidades do interior. Foto: Marcela Pereira/DP/D.A Press

O posto itinerante seguirá com as viagens até dezembro e a ação deve se repetir no próximo ano, após um novo estudo para a definição de mais municípios. “A escolha das cidades foi feita a partir do número de ocorrências com armas de fogo. Além de priorizar os locais com mais incidentes, organizamos o cronograma de visitas para fazê-las em datas com maior circulação de pessoas, como dias de feira livre, por exemplo”, explicou o secretário-executivo da Defesa Social, Alessandro Carvalho.

Quem entrega a arma não precisa se identificar e recebe indenização de R$ 150 a R$ 450, dependendendo do item. Para levar a peça ao ponto de entrega, é necessária uma guia de trânsito, que pode ser retirada no próprio posto itinerante ou no site da campanha (www.entreguesuaarma.gov.br). “De posse da guia, que tem validade de 24 horas e indica o início e o fim do trajeto a ser percorrido com a arma, a pessoa poderá seguir o caminho sem temer fiscalizações eventuais”, esclareceu o secretário-executivo. “O cidadão deve transportar a arma sem munição para descaracterizar seu pronto uso”, acrescentou.

Leia matéria completa escrita pela repórter Marcela Pereira na edição do Diario desta terça-feira