Ministério da Justiça discutirá prevenção à violência contra a mulher

Do Ministério da Justiça

A Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ) irá desenvolver ações de proteção à mulher vítima de violência de gênero em todo o país. Um grupo de trabalho foi criado nessa quarta-feira (10), através de portaria, para preparar diretrizes e procedimentos operacionais padronizados, além de um projeto pedagógico nacional para capacitar profissionais de policiamento preventivo.

Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Governo quer criar policiamento preventivo. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

“Vamos trabalhar, junto aos profissionais dos estados, para a implementação de modalidades de policiamento preventivo voltados à realização de visitas comunitárias e ações de proteção à mulher, a exemplo do que já é feito em algumas cidades. Queremos ampliar e fortalecer essa política de enfrentamento à violência de gênero”, afirma a secretária nacional de Segurança Pública, Regina De Luca Miki.

Ainda de acordo com Regina De Luca, além de subsidiar a criação de documentos normativos e padronizar ações operacionais, a Senasp irá levantar, por meio do grupo, equipamentos necessários para a realização desse trabalho preventivo. “O grupo de trabalho é mais uma ação do Ministério da Justiça para discussão e formulação de políticas, programas e projetos voltados à redução de homicídios”, acrescenta a titular da Senasp.

Meta
Além de fortalecer o trabalho preventivo das polícias, a Senasp busca também qualificar a investigação de crimes de violência contra mulheres. O objetivo é a redução do feminicídio, definido como a meta para 2016 da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp).

Participam da iniciativa órgãos que trabalham com a política de prevenção à violência doméstica contra a mulher. “A iniciativa da Enasp reflete a necessidade de aperfeiçoarmos as nossas estatísticas e estamos fazendo esse trabalho através do Sinesp [Sistema Nacional de Informações sobre Segurança Pública], melhorando seus mecanismos de coleta e análise de dados sobre crimes para melhor monitorar o feminicídio. Isso ajudará a aperfeiçoar as políticas sobre o tema”, disse a secretária Regina De Luca Miki.

Jaboatão inaugura Sistema de Videomonitoramento

Para tentar inibir um pouco a violência no município, a Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes inaugura nesta quarta-feira, às 16h, na Praça Nossa Senhora do Rosário, o Sistema de Videomonitoramento de Jaboatão Centro, Regional 1. Serão instaladas dez câmeras, equipamentos que vão mapear as Avenidas General Manoel Rabelo, Barão de Lucena e Visconde do Rio Branco, as de maior movimento no Centro de Jaboatão. São nessas vias onde estão concentradas as agências bancárias e grande parte do comércio.

Foto: Marcelo Ferreira/PMJG

Central vai monitoras as 25 câmeras. Foto: Marcelo Ferreira/PMJG

Os equipamentos serão monitorados de forma conjunta com a Polícia Militar. O objetivo é agilizar as ações das equipes de patrulhamento e auxiliar no cumprimento da ordem pública de forma mais ampla, bem como no monitoramento do trânsito local. Os recursos usados para a aquisição e instalação das câmeras – um investimento de cerca de R$ 207 mil – são oriundos do tesouro municipal.

No total, 25 câmeras de monitoramento foram adquiridas para promover a segurança nos locais onde forem instaladas e preservar o patrimônio público contra ações de vandalismo. As outras 15 serão instaladas brevemente em Prazeres, Regional 5.

Para isto, o prefeito Elias Gomes assinou, em outubro de 2015, a autorização para contratação de uma empresa especializada em circuito fechado de TV, viando a implantação do sistema que permitirá o monitoramento. Um ônibus equipado com quatro monitores e seis câmeras (quatro externas e duas internas) foi adquirido em parceria com Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).

Com informações da assessoria de imprensa

Mulher é morta e esquartejada por usar redes sociais

Do Diario de Pernambuco

Flávia Maria do Nascimento, 33 anos, não tinha autorização do marido para usar as redes sociais. Para acessar o Facebook, Flávia foi obrigada a manter uma conta única para ser usada pelo casal. Um dia, a dona de casa criou um perfil individual. Flávio Machado de Lima, 41, não gostou, descobriu a senha e rastreou todas as atividades da mulher na rede social. Na madrugada de ontem, o corpo foi encontrado na casa que construíram juntos, na Rua Professor Andrade Bezerra, no bairro de Salgadinho, Olinda. Flávia foi esquartejada e partes de seu corpo foram espalhadas em três sacos plásticos pretos. O suspeito está foragido.

Motivado por ciúmes, suspeito cometeu o crime, segundo família da vítima. Foto: Reproducao TV Clube

Motivado por ciúmes, segundo parentes da vítima, suspeito cometeu o crime. Foto: Reproducao TV Clube

Apesar do crime com requintes de crueldade, a família da vítima nunca suspeitou de Flávio. “Era uma pessoa legal, todo mundo gostava dele”, disse Fernanda Maria do Nascimento, 29, irmã de Flávia. Ontem, no entanto, após a morte da dona de casa, surgiram suspeitas de agressões anteriores que ela estaria supostamente escondendo. “Um conhecido nos disse que presenciou uma vez ele apertando o pescoço de minha irmã porque ela estava conversando no telefone. Ele pensava que era homem, mas era nossa mãe. Flávia proibiu essa pessoa de contar sobre a agressão para a gente”, contou Fernanda.

Flávia tinha dois filhos, um menino com 12 anos, de outro casamento, e uma menina de 8, filha do casal, que já vivia junto há 13 anos. “O mais velho tem paralisia cerebral e ela não trabalhava fora, vivia para cuidar do filho. Era uma ótima mãe e sequer saia de casa para se divertir. Mesmo assim, ele tinha ciúmes dela”, disse a irmã.

A partir de hoje, a delegada Gleide Ângelo começa a intimar testemunhas. “Hoje (ontem) foi o enterro e as pessoas estão muito sensibilizadas, mas amanhã (hoje), vou mandar a equipe para a rua”, adiantou a delegada.

Depois do crime, o suspeito fugiu. Até a noite de ontem, ainda não havia sido localizado. Inicialmente Flávio escapou levando a filha do casal, mas depois a menina foi deixada na casa da família dele. O menino permanecerá com a família de Flávia, já que o pai morreu em um acidente de trânsito.

“Quando chegamos ao local e vimos um saco preto no chão, pelo tamanho nós deduzimos logo que era um corpo. Mas logo observamos outros sacos menores cobertos de sangue. Foi aí que desconfiamos que a mulher teria sido esquartejada”, contou o delegado Alfredo Jorge, que iniciou as investigações.

Dentro da casa também havia um carro de mão, que supostamente seria usado pelo suspeito para o transporte do corpo. Flávio teria usado uma faca tipo serra e uma foice. A vítima teria sido morta em virtude de um corte no abdômen ou por asfixia. Somente a perícia do IML poderá revelar a causa. Já o esquartejamento teria sido realizado após a morte da mulher.

Vida fiscalizada na internet

O ciúme provocado pelo uso das redes sociais não é um fato isolado e está à margem de problemas bem mais profundos do ser humano e da sociedade, como os transtornos mentais e o machismo. Estudos em todo o mundo já mostram que o uso de Facebook e Whatsapp está relacionado ao aumento no número de divórcios. No Estados Unidos, o primeiro é citado em metade dos processos de separação entre casais. Na Inglaterra, ele é a causa de um em cada três fins de relacionamento.

O acesso à tecnologia, explica o psicoterapeuta e doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento Igor Lins Lemos, facilita comportamentos inadequados. Passar mais tempo contectado pode significar estar mais suscetível à tentação de trair. Isso não justifica, porém, atos ciumentos com as redes dos parceiros. “Esse tipo de comportamento é um desmembramento do próprio ciúme alimentado de outras formas, como impedir de sair com amigos ou usar determinados tipos de roupa”, afirmou o especialista.

O ciúme, explica ele, funciona como um evento gatilho. “Geralmente, há uma crença de que você pode controlar a outra pessoa. De que o uso das redes sociais vai levar a algo ruim. A base disso pode estar vinculada à insegurança”, detalha Igor Lins Lemos. A fiscalização da vida da mulher nas redes é também uma atualização de atitudes machistas que perpassam os séculos no Brasil, na análise doutora em sociologia Ana Paula Portella. “É uma expressão de uma atitude antiga no momento atual, no qual as redes sociais ocupam espaço importante. Se fosse no século 19, seria porque a mulher abriu a janela. O olhar não deve ser para o Facebook, mas para a tentativa de controle.”

Atitudes extremas e cruéis podem ter de fundo ainda uma psicopatia ou transtorno de personalidade antissocial. Pessoas com essa característica precisam procurar especialistas. No consultório de Igor, cerca de 10% dos pacientes são pessoas que têm problemas com as redes sociais de parceiros e parceiras.

SAIBA MAIS

Violência contra a mulher

249 mulheres pernambucanas foram assassinadas em 2014
247 pernambucanas foram assassinadas em 2015
15,6% foi o descréscimo no número de crimes entre 2003 e 2013, de acordo com o Mapa da Violência
19,8% foi o aumento no número de mulheres negras neste mesmo período
187 negras foram assassinadas em 2003, contra 224 mulheres em 2013.
50,9% foi a queda nos homicídios de brancas neste mesmo período
22,6% foi a queda na taxa de homicídios de mulheres, por 100 mil habitantes, entre 2006, ano da promulgação da Lei Maria da Penha, e 2013
5 estados apresentaram queda neste quesito durante o período

Como se matam mulheres no Brasil
48,8% Arma de fogo
25,3% objetos cortantes ou penetrantes
6,1% estrangulamento
8% objeto contundente
11,8% outros

Onde se mata
27,1% em casa
31,2% via pública
41,7% outros locais

Quem mais agride mulheres na faixa etária dos 30 aos 59
34% cônjuge
11,2% ex-cônjuge
75,3% das agressões nessa faixa etária ocorem em casa

44,6% das mulheres assassinadas no Brasil têm entre 33 e 59 anos

4,8 homicídios por 100 mil mulheres é a taxa brasileira atual, que coloca o país na 5ª posição entre 83
pesquisados pela Organização Mundial da Saúde

Os países mais violentos para as mulheres (homicídios por 100 mil habitantes)
El Salvador 8,9
Colombia 6,3
Guatemala 6,2
Russia 2011 5,3
Brasil 4,8

As cidades menores têm maior propensão a taxas altas de homicídios. Das 100 maiores taxas do Mapa
da Violência, nenhuma é capital. Olinda, de 389 habitantes, também não consta na lista

Fontes: Secretaria Estadual da Mulher e Mapa da violência 2015

São Paulo registrou 17 chacinas com 69 mortes em 2015

Da Agência Brasil

O número de chacinas no estado de São Paulo aumentou de 2014 para 2015. O estado registrou 17 casos em 2015, que resultaram na morte de 69 pessoas, contra 15 no ano anerior, que vitimaram 64 pessoas. Os dados são da Ouvidoria da Polícia de São Paulo.

Para o ouvidor da Polícia de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves, um dos fatores que pode ter influenciado a elevação no número de chacinas são os casos em que pessoas tentam fazer justiça com as próprias mãos.

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Foto: Arquivo/Agência Brasil

A chacina de Osasco e Barueri, em agosto, deixou 19 mortos, segundo números oficiais. Na noite dos ataques, foram 18 mortos. Uma menina de 15 anos, que foi atingida em um desses ataques, morreu em 27 de agosto, após ficar internada em estado grave no Hospital Regional de Osasco, com um ferimento abdominal. Entre as hipóteses para os crimes, a polícia investigou a vingança pela morte do policial militar Ademilson Pereira de Oliveira, em 7 de agosto, em Osasco e o revide à morte de um guarda-civil, no dia 12 de agosto, em Barueri.

Quatro meses após os crimes, o processo ainda não chegou à Justiça. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de SP (SSP-SP), o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) relatou o inquérito ao Ministério Público estadual (MP-SP) e sete pessoas foram indiciadas. Seis são policiais militares e um é guarda civil metropolitano. Do Ministério Público, o inquérito segue para o Tribunal de Justiça (TJ-SP). A Secretariade Segurança disse ainda que outro homem foi preso, acusado de ameaçar testemunhas do caso.

A defensora pública de Osasco, Maíra Coraci Diniz, que acompanha o caso e atua na defesa de duas famílias, informou que o inquérito está com o Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do próprio Ministério Público. “Ainda não há um processo judicial formalizado. Há um inquérito por enquanto”, disse. O grupo é responsável por analisar o processo e oferecer a denúncia criminal à Justiça, se for o caso.

Também há uma investigação em curso na Corregedoria da PM, que está em fase de instrução. Após consulta para comprovar a acusação, o caso deve seguir para a Justiça Militar.

Quando o caso chegar à Justiça comum e à Justiça Militar, deve haver um entendimento sobre quem vai julgar o processo. “É uma discussão jurídica sobre competência, porque o tribunal militar julga crimes militares, aí eles vão ver se é um crime militar ou um crime comum, apesar de ter sido praticado por militares”, explicou a assessoria da Secretaria de Segurança.

Autoria desconhecida

Além das chacinas, ocorreram no estado mais 123 casos de homicídio com autoria desconhecida, que deixaram 144 pessoas mortas. Essa classificação inclui os assassinatos que vitimam uma ou duas pessoas. Em todo o ano de 2014, ocorreram 183 crimes de autoria desconhecida com 200 mortes.

O ouvidor Julio Cesar Fernandes Neves explicou que os assassinatos enquadrados em “autoria desconhecida” podem ser casos de chacinas de determinada região, como os assassinatos ocorridos em Osasco e Barueri, no dia 13 de agosto, por exemplo, em que houve ataques em diversos pontos próximos, mas registrados em boletins de ocorrência diferentes.

“Em Osasco falaram em 19 [assassinatos] na chacina. Mas tivemos mortes por autoria desconhecida de cinco pessoas, entre a morte de Ademilson Pereira de Oliveira [policial militar, morto em 7 de agosto] e a chacina propriamente dita [que pode ter ocorrido como vingança pela morte do policial], que eles não contabilizaram por ser autoria desconhecida, mas o modus operandi é o mesmo: tiro no rosto, no tórax, na cabeça”, disse o ouvidor.

Pavilhão 9

Em 18 de abril, outra chacina deixou oito mortos na sede da torcida organizada do Corinthians Pavilhão 9. Por volta das 23h, três pessoas armadas entraram na sede da torcida organizada do Corinthians. Doze torcedores ainda estavam no local quando os criminosos chegaram. Quatro conseguiram fugir, mas os demais foram obrigados a se ajoelhar e depois se deitar no chão. Todos foram executados. Sete morreram no local. A oitava vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital.

A defensora pública Daniela Skromov explicou que a investigação da chacina na Pavilhão 9 foi dividida em duas parte: “Uma virou processo judicial contra o Rodney [Dias dos Santos, um ex-policial militar] e contra o Walter [Pereira da Silva Junior, um policial militar], com denúncia. Quando o promotor [do MP-SP] apresenta a denúncia, as investigações param com relação a esses autores”. Ela acrescentou que a segunda parte da investigação segue para identificação do terceiro autor e eventuais outros autores.

Rodney e Wagner são acusados da chacina. O processo está em fase de audiência de instrução, já na Justiça, quando testemunhas de acusação e de defesa são ouvidas. Como são muitas testemunhas, as audiências foram desmembradas. Após essas audiências, ocorre o julgamento, ainda sem previsão de data. “O julgamento não tem previsão e pode ter três resultados: a pronúncia, que é a decisão que manda [o caso] a júri popular; a impronúncia, que não leva a juri e engaveta o caso por falta de provas; ou a absolvição sumária”, explicou a defensora.

A Secretaria de Segurança Pública disse, em nota, que o DHPP já relatou o inquérito dos crimes da Pavilhão 9 ao Ministério Público, indiciando duas pessoas. As duas já estiveram presas, mas uma delas, o policial militar Walter, obteve liberdade. “Há suspeita de participação de uma terceira pessoa, ainda não identificada, cuja atuação é investigada em outro inquérito policial”, confirmou a secretaria.

Federalização das investigações

Familiares de vítimas e movimentos sociais e de direitos humanos, preocupados com a demora na investigação e, muitas vezes, com a falta de punição aos responsáveis pelas chacinas, buscam uma solução para os processos, principalmente aqueles que envolvem policiais militares. Para eles, uma alternativa seria convocar a Polícia Federal para auxiliar nas investigações desse tipo de crime no estado de São Paulo.

O relator da Comissão de Violência e Letalidade do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos, afirmou que há uma lentidão na apuração de chacinas. Ele acredita que a federalização de alguns casos, passando as investigações do âmbito estadual para o federal, poderia acelerar os processos.

“O aparelho do estado não é competente para investigar uma questão de chacinas que envolvem policias militares do estado. Como você vai pedir para a Corregedoria da Polícia Militar investigar a corporação dela? [O estado] não tem vontade de punir e mostrar em público quem são os que comandam as chacinas”, diz Luiz Carlos. Além disso, ele aponta que, quando há envolvimento de policiais, o estado faz um julgamento precoce das vítimas. “Muitos porque tem passagem [pela polícia], muitos porque estavam em local que era periferia, mas isso não justifica uma questão de chacina”, exemplificou.

Questionada sobre a capacidade de investigar a polícia, a Secretaria de Segurança disse que tem competência e estrutura para investigar o que chamou de “desvios de conduta praticados por policiais”, seja por meio de inquéritos policiais ou pelas corregedorias.

Em encontro ocorrido há duas semanas, com a presença do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), entidades da sociedade civil, familiares de vítimas de violência e representantes dos poderes estadual e municipal, o Condepe informou que está finalizando um relatório sobre mais de 20 chacinas ocorridas no estado e que encaminhará ao CNDH.

“O conselho, dentre as comissões permanentes, tem uma que é Direitos Humanos e Segurança Pública em que nós analisamos essas ocorrências criminosas que são as chacinas e também grupos de extermínio e atuamos na cobrança de políticas públicas e de responsabilização nos estados”, explicou a vice-presidente do conselho, Ivana Farina.

“O conselho é um órgão que tem como investigar essas violações, que tem como tratar disso de forma preventiva e também tem a possibilidade de aplicar sanções aos agentes violadores”, disse ela.

Cidades sem roubos e assassinatos

Do Diario de Pernambuco, por Ed Wanderley

Há três anos, o município de Ingazeira no Sertão do Pajeú, a 390 km do Recife, não sabe o que é um homicídio. É a recordista de Pernambuco, sem registro de assassinato desde março de 2012. A 80 km dali, outra cidade salta aos olhos: Calumbi, desde janeiro de 2013 sem qualquer assalto. As cidades fogem à escalada da violência no estado, desde 2014.

Menor cidade pernambucana, Ingazeira tem pouco mais de 4,5 mil habitantes. Possui um distrito quase do tamanho do Centro, onde, pela manhã, é fácil encontrar moradores sob a sombra das árvores ou conversando nas calçadas. Já são 42 meses desde a última vez em que a população teve de lidar com um assassinato em seu perímetro. “Aqui é bom demais. Não era assim. Antigamente era violento, tinha briga, tanto que a cidade acabou não desenvolvendo”, conta o aposentado Cícero Ribeiro Sobrinho, 84.

Para a promoção de tanta tranquilidade, não faltam “pais”. O prefeito Luciano Torres Martins atribui a realidade ao trabalho preventivo com crianças entre 8 e 12 anos, por meio de aulas de policiais militares durante o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência. “Assim, eles acabam influenciando os pais, o que evita problemas. O que mais temos aqui é problema com perturbação do sossego e outras questões leves”, afirma, acrescentando, no entanto, que 12 guardas municipais foram contratados pelo poder municipal para proteger o patrimônio público (porque “a farda já intimida”) e anunciando a instalação de oito câmeras de monitoramento no centro comercial, ao custo de R$ 6 mil. Diz ainda que o município não dispõe de orçamento fixo para segurança pública por não haver demanda para isso.

Já o chefe de estatística do 23º Batalhão da Polícia Militar, capitão Marcos Antônio Barros das Neves, aponta o patrulhamento e a conscientização dos habitantes, por parte da polícia, sobre cidadania – bem como as investidas contra possíveis áreas de uso de drogas e recolhimento de armas – como o fator crucial para colocar sua área de segurança como uma das de melhor desempenho dentro do programa Pacto pela Vida, atingindo, inclusive, os padrões aceitáveis da Organização Mundial da Saúde no que diz respeito à taxa de homicídio inferior a 10 mortes por 100 mil habitantes. Para se ter uma ideia, em Jaboatão dos Guararapes, essa taxa foi de 48,5 em 2014.

Quem vive na cidade, pensa um pouco diferente. O fato de conhecer uns aos outros e de a cidade não ser visitada por muitos “forasteiros” são determinantes para a sensação de paz. “A polícia passa por passar. Mesmo com festa, não tem problema”, argumenta Maria Aparecida Alves. O fato de “existir por existir” não chega a ser incomum no município onde a delegacia praticamente não tem fachada identificada e fica junto a uma cadeia pública, que, segundo a PM, foi inaugurada há anos sem nunca ter recebido qualquer preso, além de bodes de criadores locais.

Diálogo e atenção inibem roubos

A 360km do Recife, Calumbi não é diferente de Ingazeira. Seus 5,8 mil habitantes aprenderam a não conviver com crimes – há 34 meses não há registros de assaltos no município. Como não há ocorrências de roubos a banco ou sequestros, por exemplo, seria o mais próximo de uma “capital da paz do ano”, não fosse a decapitação de um agricultor por seu filho, em setembro deste ano.

“É o tipo de coisa que a polícia não consegue evitar. Questão de droga somada à crime de proximidade, fora da área urbana”, defende o delegado Williams Cavalcanti Lacerda. Ele acredita que como toda transgressão registrada no município, nos dois anos de sua atuação, é remetida à Justiça e há ouvidas oficiais, há uma espécie de “presença” da polícia no imaginário da população local, o que inibiria crimes mais graves. “Aqui só tem Maria da Penha e agressão por conta de álcool”, minimiza.

O prefeito Erivaldo José atribui a tranquilidade aos investimentos feitos em educação e ao fato de 70% da população residir na zona rural, dificultando intrigas. “Problema maior é quando vem gente de fora, em especial de Serra Talhada. Um grande aliado é o 190 (emergência policial telefônica)”, garante, afirmando não haver recursos destinados à segurança pública no município além de palestras em escolas por parte da Polícia Militar.
Para o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, diferentemente do que ocorre na Região Metropolitana do Recife, é a cultura do sertanejo que contribui para a queda da violência no Pajeú. “Todo mundo se conhece, tem uma relação e eles têm uma cultura mais apurada sobre o valor do trabalho e dos princípios morais”, diz.

Desde 2014, assim como Ingazeira, não possuem registros de homicídio as cidades de Granito, Itacuruba e Vertente do Lério. A exemplo de Calumbi, estão sem assaltos Quixaba e Solidão.

Violência: 43 pessoas são mortas por dia nas capitais brasileiras

Da Agência Brasil

Quarenta e três pessoas morrem por dia vítimas de violência nas capitais brasileiras, segundo o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado nesta quarta-feira mostra que, em 2014, crimes como homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte vitimaram 15.932 pessoas nas 27 capitais. O número é ligeiramente maior (0,8%) do que os 15.804 registrados em 2013.

Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Fortaleza teve a maior quantidade de assassinatos em 2014, foram 1.989 casos – queda de 1% em relação a 2013, quando o número alcançou 1.993. A cidade também registra a maior taxa de mortes intencionais por 100 mil habitantes – 73,3. Salvador é a segunda capital em números absolutos, foram 1.397 mortes, o que significa uma taxa de 48,1 assassinatos por 100 mil habitantes. Em 2013, a cidade teve 1.485 crimes e taxa de 51,5 por 100 mil habitantes.

Apesar de São Paulo ter o terceiro maior valor absoluto de mortes – 1.360 – a capital paulista tem a menor taxa de crimes – 11,4 por 100 mil habitantes. O número representa uma queda de 4,3% na taxa de assassinatos em relação a 2013, quando foram registradas 1.412 mortes, 11,9 por 100 mil habitantes, o que representa 1.389 assassinatos em números absolutos. No Rio de Janeiro, a taxa ficou em 20,2 por 100 mil habitantes, com 1.305 assassinatos violentos intencionais em 2014.

A segunda maior taxa de assassinatos foi registrada em Maceió (69,5 por 100 mil). O número representa, no entanto, uma queda de 14,5% na taxa de 2013 (81,4 por 100 mil). Em números absolutos, foram registradas 699 assassinatos, em 2014, e 811 em 2013. São Luís apresentou uma taxa muito semelhante de crimes, 69,1 por 100 mil, em 2014, e 61,2 por 100 mil em 2013. Em números absolutos, foram registrados 645 assassinatos em 2014. No ano anterior, a capital maranhense teve 735 mortes intencionais.

O maior crescimento na taxa de assassinatos foi verificado em Campo Grande, ao passar de 13,8, em 2013, para 18,9 por 100 habitantes, em 2014. Em números absolutos, foram 159 casos em 2014 e 115 mortes no ano anterior. A maior redução foi em Boa Vista, onde a taxa caiu 23,3 para 17,5 por 100 mil. Em 2014, foram 55 mortes, enquanto em 2013 foram 72 casos.

Conselheiros tutelares em perigo

Uma criança de 8 anos é abandonada sob um viaduto do Recife como castigo por brigar na escola. Em uma creche municipal do interior, meninos e meninas tomam banho com detergente. Histórias como essas são denunciadas diariamente por conselheiros tutelares. Nos últimos três anos, nove profissionais foram ameaçados por suas atuações, segundo a Associação dos Conselheiros e Ex-conselheiros de Pernambuco.

Foto: Hesiodo Goes/Esp.DP/D.A Press

Marli procurou a polícia e a Justiça. Foto: Hesíodo Goes/Esp.DP/D.A Press

Apesar disso, apenas um deles estaria com escolta policial e outro teria sido removido de cidade. O risco é real. Há sete meses, as ameaças feitas a três conselheiros de Poção, no Agreste, transformaram-se em chacina. Na última terça-feira, o pesadelo voltou a rondar a categoria.

Dois conselheiros de Abreu e Lima foram procurados na sede do conselho por homens armados. As ameaças teriam relação com a exoneração de outros dois conselheiros em 2012. A promotora de Justiça Liliane da Fonte vai requisitar à Secretaria de Defesa Social escolta policial para as vítimas. A PM garantiu estar com reforço na área do conselho. A SDS alega sigilo para não confirmar o número de conselheiros protegidos.

Marli Nascimento, 41 anos, sente até hoje as repercussões de uma ameaça sofrida quando atuou no caso do abandono de uma criança sob um viaduto. “O padrasto do menino foi à minha casa e disse que se eu não colocasse uma pedra no assunto eu iria me arrepender”, lembra. Marli não se calou. Procurou a polícia e a Justiça. Hoje o autor das ameaças está proibido de se aproximar dela ou frequentar os mesmos lugares.
Geraílson Ribeiro, da associação, disse que a categoria propôs ao governo, em fevereiro,que a segurança dos conselhos seja feita por policiais militares da reserva, mas o pedido nunca foi atendido.

Governo tenta reduzir violência no Agreste de Pernambuco

Do Diario de Pernambuco, por Larissa Rodrigues

O número de homicídios em Caruaru, no Agreste, cresceu 400% em agosto deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Até o último dia 30, foram assassinadas 25 pessoas na cidade, segundo a Secretaria de Defesa Social. No mesmo período de 2014, seis homicídios foram registrados.

Foto: Douglas Fagner/Divulgação

Governador participou de reunião em Caruaru. Foto: Douglas Fagner/Divulgação

O crescimento da violência tem preocupado o estado, que vai enviar 100 novos policiais a Caruaru e inaugurou uma delegacia na cidade ontem. O governador Paulo Câmara (PSB) também realizou a reunião do Pacto pela Vida na cidade de 315 mil habitantes. O encontro acontece toda quinta-feira para avaliar a política de segurança. Por ser uma cidade polo no Agreste, concentrando a maioria dos investimentos e oportunidades da região, e ter demonstrado crescimento expressivo no número de assasinatos, Caruaru foi escolhida. Câmara anunciou, ao todo, a chegada de 260 novos policiais militares ao Agreste. Os PMs devem começar a trabalhar em outubro.

Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Vinte e cinco mortes aconteceram na cidade em agosto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Das 315 pessoas assassinadas em agosto deste ano no estado, 92 foram mortas no Agreste. A maioria das vítimas de homicídio é do sexo masculino, com idades entre 17 e 45 anos. Grande parte das mortes (75) foram por arma de fogo. Depois da reunião, Câmara inaugurou a delegacia do bairro do Salgado, que passou por reforma de R$ 386 mil. A unidade terá condições de dobrar a capacidade de atendimento de 600 pessoas para 1,2 mil por mês.

O governador comentou que o Pacto pela Vida conseguiu ter êxito por sete anos consecutivos, mas em 2014 e 2015 houve aumento da violência em 10%. “O Agreste tem nos preocupado mais porque os números são muito altos, perto de 40%, Caruaru principalmente. Fizemos um planejamento para ajustar uma série de questões. A violência está muito associada ao tráfico”, declarou.

Ciods ganha mais espaço para atender chamados de emergências

Do Diario de Pernambuco

O crescimento da violência na Região Metropolitana do Recife levou a Secretaria de Defesa Social (SDS), a mudar o endereço do Centro Integrado de Defesa Social (Ciods). A unidade funcionava há 13 anos na SDS, na Rua São Geraldo, no bairro de Santo Amaro, em um espaço projetado para demandas daquela época. Ontem a central de despacho de viaturas mudou-se para o bairro de São José. O serviço que conta com 25 atendentes em quatro turnos funcionará no prédio da Agência Estadual de Tecnologia da Informação (ATI).

Foto: SDS/Divulgação

Central agora está funcionando no bairro de São José. Foto: SDS/Divulgação

Inaugurado em 2002, a central do Ciods já ultrapassa 8 mil ligações por dia. Em 2014, foram cerca de 1, 7 milhão de denúncias, enquanto, este ano, de janeiro a julho, as ocorrências já somam mais de 1,4 milhão. “A central de despacho é responsável pelo deslocamento de viaturas na rua, e com uma estrutura melhor aos servidores, o atendimento à população será agilizado”, declarou Alessandro Carvalho, secretário de Defesa Social.

Até o fim do ano, também deve mudar de endereço o call center que funciona com 30 atendentes ainda na rua São Geraldo, na sede da SDS. “Um dos principais objetivos é reduzir o tempo de atendimento ao cidadão. O intervalo de 12 minutos, por exemplo, pode ser reduzido com a nova estrutura. Esse tempo pode ser sempre melhorado, principalmente, se conseguirmos diminuir o número de trotes que acontecem diariamente”, comentou o tenente-coronel Ricardo Fentes, gerente-geral da unidade.

O Ciods faz parte do Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), atuando na execução de grandes eventos, além de ter acesso ao monitoramento das prefeituras com 900 câmeras nos municípios do Recife, Olinda, Caruaru e Petrolina. Já a Central de Viedeomonitoramento dispõe de cerca de mil câmeras espalhadas nos mesmos municípios.

Serviço no Ciods

13
anos de funcionamento

25
atendentes nos
quatro turnos

8 mil
ligações por dia

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Moradores do Espinheiro fazem protesto neste sábado

Cansados da violência, moradores do bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, decidiram sair às ruas para chamar a atenção das autoridades de segurança pública do estado. Neste sábado, a partir das 8h, eles farão uma caminhada pelas principais vias do bairro para pedir por mais policiamento. A caminhada da paz terá concentração ao lado da Igreja Matriz do Espinheiro.

Carro da vítima foi abandonado no Espinheiro. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

População ficou assustada após crime praticado no bairro, na semana passada, por volta das 12h. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Os moradores pretendem percorrer as ruas Padre Silvino Guedes, Manoel de Carvalho, Carneiro Vilela, Avenida Santos Dumont, ruas Teles Júnior e Gomes de Matos Júnior. O ato será encerrado com um minuto de silêncio para lembrar a morte do condutor de transporte escolar Jorge Rodrigues de Lima Maciel, morto com um tiro na cabeça na quarta-feira da semana passada.

A caminhada foi anunciada no fim semana durante a missa da Igreja do Espiheiro. Panfletos convocando a população para a manifestação também estão sendo distribuídos no bairro em pontos comerciais e escolas. Nas ruas, moradores se queixam de assaltos frequentes a qualquer hora do dia. À noite, ninguém se sente seguro. As pessoas estão evitando sair. “Há 15 dias uma senhora foi assaltada por dois homens armados em uma motocicleta enquanto abria a porta da sacristia da igreja”, contou a secretária da paróquia, Zenaide Moraes de Oliveira.

Os autores do homicídio contra Jorge Rodrigues ainda não foram presos. O delegado Bruno Magalhães, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou que está avaliando as imagens captadas pelas câmeras de segurança dos condomínios próximos ao local, onde ocorreu o assassinato, e da Praça da rua 48, local onde os ladrões abandonaram o gol da vítima, logo após o crime. “São muitas imagens estamos fazendo o levantamento para tentar identificar os criminosos”, informou.

O policiamento na área é de responsabilidade do 13º batalhão. Segundo a assessoria de Comunicação Social, a PM faz rondas ostensivamente na região com emprego de viaturas e motos. Também há rondas de rotina com a Patrulha dos Bairros do Espinheiro e da Encruzilhada. Segundo o 13º BPM, não havia registro de homicídio na área nos últimos quatro meses.