Denúncias de violência contra a mulher no Ligue 180 aumentam 60%

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, disse hoje (18) que as denúncias de violência contra a mulher recebidas pelo Ligue 180 nas últimas três semanas aumentaram em 60%. As ligações passaram de uma média de 12 mil para 20 mil por dia.

A ministra Eleonora Menicucci fala no Programa Bom Dia, Ministro, sobre a campanha Violência contra as Mulheres (Elza Fiúza/Agência Brasil)

Eleonora Menicucci atribuiu esse aumento à campanha nacional “Violência contra as mulheres – Eu ligo”, que visa a estimular as denúncias por meio da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. A campanha foi lançada no dia 25 de maio e incluiu um novo aplicativo para celular chamado Clique 180, que pode ser baixado na internet.

O aplicativo permite o acesso direto ao Ligue 180 e contém informações sobre os tipos de violência contra a mulher, dados de localização dos serviços da rede de atendimento e proteção, além de sugestões de rota para chegar até eles.

“A violência contra a mulher é uma chaga que estamos combatendo cotidianamente. É possível combatê-la por meio de políticas públicas de prevenção, proteção e punição aos agressores e por campanhas que mudam a cultura da violência no nosso país, como a campanha ‘Eu ligo’”, disse Eleonora, que participou do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços.

Muitas vítimas demoram para denunciar as agressões. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A.Press

Muitas vítimas demoram para denunciar as agressões. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A.Press

A ministra ainda informou que foram relatados dois estupros de turistas estrangeiras desde o início da Copa do Mundo. Os crimes, segundo ela, foram cometidos por um brasileiro e um estrangeiro. “Mas já está resolvido, tudo foi apurado. Elas já foram embora”, relatou.

Eleonora repudiou as vaias e ofensas à presidenta Dilma Rousseff na abertura da Copa, na Arena Corinthias, o Itaquerão. “Foi lamentável, foi execrável.  As mulheres brasileiras se sentiram agredidas e humilhadas. O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher soltou uma nota lamentando e repudiando. Tem preconceito por ela ser uma mulher também”.

A ministra ainda informou que a primeira Casa da Mulher Brasileira deverá ser inaugurada em Brasília até o fim de setembro. A estimativa é inaugurar dez casas até o fim do ano. Esses centros integrarão serviços públicos de segurança, acesso à Justiça, saúde, assistência social e orientação para o trabalho, emprego e renda em 26 capitais.

Da Agência Brasil

Evento na Unicap pede fim da violência contra a mulher

Quase metade das mulheres assassinadas em Pernambuco no ano passado foi vítima de violência doméstica. Segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS), das 251 mortes, 108 casos (43%), tiveram como motivação os conflitos afetivos ou familiares. Neste ano, 44 mulheres foram mortas nos dois primeiros meses.

Apenas no mês de fevereiro, 23 mulheres perderam a vida, praticamente um crime por dia. É por esse e muitos outros motivos que o Grupo de Gênero e Diversidade Izaelma Tavares convida a todos para reivindicar pelas vidas de todas as vítimas de violência de gênero.

O evento vigília pelo fim da violência contra a mulher acontece nesta quinta-feira e marcará o dia de luto e de luta. O encontro será no hall do bloco G, às 18h. Com a hashtag #todxsvitimasdomachismo, vários temas serão abordados.

Governo deve transformar em ações sugestões da CPMI da Violência contra a Mulher

As sugestões contidas no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher devem ser incorporadas nas políticas públicas executadas pelo governo federal já em 2014. A presidente Dilma Rousseff garantiu, ao receber da comissão o relatório com quase mil páginas, que “a violência contra a mulher tem tolerância zero” em seu governo.

A presidente da comissão, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), destacou que uma das propostas do relatório, a Casa da Mulher Brasileira, já está sendo implantada pelo governo federal. A casa é um espaço para atendimento especializado, com assessoria jurídica, psicossocial e alojamento temporário para as mulheres vítimas de violência e seus filhos.

Mas a deputada lembra que o trabalho da comissão foi apenas o primeiro passo para o enfrentamento da violência contra as mulheres. “Eu diria que são três os desafios: é preciso mais informações para uma política adequada; é preciso mais recursos e mais estruturas para todos os equipamentos e é preciso uma articulação de todos os órgãos para que o enfrentamento seja uma grande ação coletiva do Estado brasileiro”.

Subcomissão especial
Para complementar os trabalhos da CPMI, foi criada uma subcomissão especial para debater a violência contra a mulher, dentro da Comissão de Seguridade Social. A relatora da subcomissão, deputada Rosane Ferreira (PV-PR), destacou que o mais importante em relação à violência contra a mulher é implantar políticas preventivas, “para evitar que ela aconteça”.

“Fizemos ainda muitas recomendações aos estados, recomendações ao Poder Executivo, ao Poder Judiciário, recomendações que já temos notícia que estão sendo acatadas”, disse a deputada.

Rosane Ferreira destacou que outro problema que deve continuar sendo enfrentado é a falta de notificação policiaial dos casos de violência contra as mulheres, constatada pelos integrantes da subcomissão nos vários estados que visitou: a situação era mais grave do que mostravam as estatísticas oficiais. Para ela, somente com conscientização e denúncia é possível tirar o Brasil do sétimo lugar entre os países com mais casos de assassinato de mulheres no mundo.

Da Agência Câmara