Semana de 1922 mudou arte brasileira

Semana de Arte Moderna

As artistas Pagu, Elsie Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Eugênia Álvaro Moreyra foram mulheres à frente de seu tempo. Foto: Domínio Público/Divulgação

Anita Malfati, Di Cavalcanti, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Plínio Salgado e Heitor Villa-Lobos. Se você conhece todos esses artistas e vai fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, tem grandes chances de se dar bem na prova de linguagens do teste. Para os que ainda não sabem, o Diario traz dicas sobre esses importantes nomes da arte brasileira. A 11ª reportagem da série Revisando para o Enem, destaca a relevância da Semana de Arte Moderna de 1922, que está completando 90 anos.

A professora de história do Colégio Motivo, Luzinete Kurtinaitis, explica que a partir do movimento iniciado na Semana de Arte Moderna – realizada no Teatro Municipal de São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922 – começou-se a desenvolver uma arte genuinamente brasileira. “A ideia dos artistas modernos era renovar o contexto artístico e cultural urbano na literatura, nas artes plásticas, na arquitetura e na música”, esclareceu.

No entanto, o evento não foi bem visto pelos paulistas mais conservadores. A semana foi duramente criticada por vozes como a do escritor Monteiro Lobato. “O autor escreveu o artigo Paranóia ou mistificação?. No texto, ele criticava a exposição de Anita Malfatti, um dos grandes nomes que despontaram na Semana de Arte Moderna”, lembrou a professor da literatura Graça Migliorini, do Colégio Motivo.

As questões do Enem sobre o assunto podem trazer os mais diversos tipos de textos para serem analisados pelos feras. “A semana foi interdisciplinar e trouxe várias modalidades da arte, como escultura, dança, literatura, arquitetura, música e outras expressões. Os enunciados do exame devem seguir essa linha e podem trazer letras de música, poesias ou quadros para serem interpretados pelos candidatos”, enumerou a professora de literatura.

Para Luzinete Kurtinaitis, a linha adotada pelo Enem em quesitos sobre o movimento modernista não deve exaltar a data comemorativa, mas a importância da semana para a história do país. “A prova deve contextualizar o acontecimento e trazer os aspectos da arte, da cultura e da geografia que envolvem o tema”, completa.

A estudante Marcela Chalaça, 17 anos, vai disputar uma vaga em arquitetura e considera o assunto um dos mais interessantes de ser estudar. “Nem todo mundo tem ‘olho’ para as expressões artísticas, então acho importante que o Enem cobre essa visão mais ampla”, afirmou. Já a fera em medicina Maria Luiza Oliveira,17, acha o tema fácil. “Aprendemos o assunto com documentários, quadros, livros e em vários contextos”, disse.

Novidade

O Enem não requer apenas que o aluno domine as disciplinas tradicionais do ensino médio. É comum que o exame exija também conhecimentos de arte. Informações sobre manifestações plásticas, cênicas, visuais e musicais devem ser cobradas aos 5,7 milhões de inscritos no teste do Ministério da Educação (MEC). “Essa novidade foi implementada pelo novo formato do Enem. Os alunos precisam ter uma visão ampla sobre as questões culturais”, frisou o professor de língua portuguesa do Colégio Motivo, Mário Sérgio.

O movimento

A Semana de Arte Moderna completa 90 anos em 2012.

O movimento aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922

O objetivo da semana era renovar o contexto artístico e cultural urbano, tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, arquitetura e música

A intenção dos modernistas era mudar a produção artística do país, criando uma arte essencialmente brasileira, em sintonia com as novas tendências europeias

O movimento fez despontar nomes como os de Mário e Oswald de Andrade na literatura, Víctor Brecheret na escultura e Anita Malfatti na pintura

O evento não foi bem acolhido pelos tradicionais paulistas, e a semana foi duramente criticada

Entre os críticos estava o escritor Monteiro Lobato, que escreveu o artigo Paranóia ou Mistificação? sobre uma exposição de Anita Malfatti

A semana se dividiu em três tendências: o Movimento Pau-Brasil, o Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta e o Movimento Antropofágico

As revistas Klaxon e Antropofagia eram os principais meios de divulgação dos novos ideais principais nomes da semana

Pintura e desenho

Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Yan de Almeida Prado, (Tarsila do Amaral estava no exterior)

Escultura

Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haarberg

Arquitetura

Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel

Literatura

Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado

Música

Villa-Lobos, Guiomar Novais, Ernani Braga e Frutuoso Viana

 

Por Anamaria Nascimento

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