Precauções ao abrir o primeiro negócio
segunda-feira, 17 de junho, 2013 por Rodrigo Leone às 6:25 pmNossa sociedade vê com bons olhos e atribui status àqueles que são bem-sucedidos como empresários. Esses indivíduos são percebidos como competentes, e a opção de empreender é vista como uma trajetória adequada para enriquecer. Segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o Brasil possui hoje 27 milhões de pessoas envolvidas em processo de criação de um novo negócio, ficando atrás apenas de China e Estados Unidos no ranking de países com maior número de empreendedores. Outra pesquisa realizada pelo Sebrae revelou que o número de empreendedores individuais cresceu 84% no país, tendo hoje mais de 2,5 milhões de pessoas que saíram da informalidade e a expectativa é que esse número chegue a quatro milhões até 2014.
Contrapondo esses dados, o Sebrae aponta que de cada dez empresas que abrem, seis fecham nos primeiros cinco anos. Esse é um índice considerado alto para os padrões atuais, onde o avanço tecnológico, o conhecimento e as consultorias empresariais são uma realidade cada vez mais presentes na vida do empresário contemporâneo.
Podemos inferir, portanto, que as empresas abrem na mesma velocidade com que fecham, mas por que isso acontece? Isso se dá ao modo como esses novos negócios são estruturados. As pequenas e médias empresas têm inúmeras dificuldades para se estabelecer nos seus primeiros anos de vida por não conhecerem direito seu setor, clientes e concorrentes e por não dominar aspectos financeiros básicos para gerir seu negócio. Não existe fórmula para o sucesso, mas alguns cuidados na hora do planejamento minimizam o risco de investir somas vultuosas de capital em negócios propensos ao fracasso. A maioria dos empreendedores negligencia pontos básicos como:
NÃO PESQUISAR: aqueles que acreditam que a sua ideia é uma grande oportunidade de negócio e esquecem de pesquisar, acabam deixando o seu negócio a cargo da própria sorte. Para a maior ou menor empresa a pesquisa é sempre uma aliada, é ela quem norteia todo o processo de estruturação do negócio, respondendo a perguntas importantes sobre clientes, mercado e fornecedores. Deste modo, a pesquisa não é opcional, mas obrigatória e quanto mais detalhada e abrangente mais útil e confiável.
NÃO CALCULAR: muitas pessoas iniciam seus negócios sem ter a exata noção do quanto gastaram, em quanto tempo recuperarão seu capital, qual é o seu mark up, seu ponto de equilíbrio ou sua taxa interna de retorno. Essas também são questões imprescindíveis para atestar a viabilidade econômica do negócio. Quando não calculamos, nem planejamos, ganhamos tempo, mas podemos perder muito dinheiro e passar anos amargando a ideia de que poderíamos ter feito diferente.
NÃO ACOMPANHAR: feita a pesquisa de mercado e atestada a viabilidade do negócio é chegada a hora de colocar as mãos na massa. O empreendedor astuto é aquele que acompanha todo o processo de implementação do negócio, conhecendo os detalhes de cada setor, tomando todas as decisões estratégicas, mas delegando o que for necessário.
Com tanta tecnologia ao alcance das mãos é possível gerir o financeiro, compras ou estoque por meio de um computador mesmo estando do outro lado do mundo, mas é preciso criar métodos de delegação e isso só é possível com uma boa gestão de recursos humanos. Portanto, é importante ter muito critério ao selecionar, treinar e motivar a sua equipe.
Feito isso, ainda assim não há nenhum garantia de sucesso, mas as chances de fracasso foram drasticamente minimizadas. Para o sucesso é preciso ainda a escolha certa do negócio, crescimento do setor a que seu negócio esteja associado, ponto comercial bem localizado e condizente com seu ramo de atuação e claro uma pitada de sorte.
Shirley Souza
Consultora empresarial e financeira – Consultora associada da GestorFP.
Esse artigo foi primeiramente publicado na revista Ideias e Negócios (clique aqui para acessar a revista).


