
O contato diário com potenciais clientes, as conversas informais depois de palestras e treinamentos, as entrevistas e as participações em veículos de comunicação nos permitem apontar dois grandes equívocos sobre finanças pessoais: o primeiro e mais comum deles é as pessoas acharem que tomam conta de suas finanças porque sabem dizer, com alguma precisão, quanto recebem e quanto gastam. O segundo diz respeito à compra e venda de ações na Bolsa de Valores sem qualquer estratégia definida. É exatamente sobre erros, acertos e conceitos como estes que vamos tratar a partir de hoje no Vou Investir, o blog de investimentos e finanças pessoais do Diario de Pernambuco.
O que o leitor precisa saber é que gerenciar as finanças pessoais vai muito além do controle mensal do fluxo de caixa. Para que controlar o fluxo de caixa se eu não planejo o que fazer com o que sobra? Para que saber que temos dívidas se não traçamos planos para cobrir o déficit mensal e quitar os débitos acumulados?
Muitas pessoas acreditam que tomar conta das finanças pessoais é o mesmo que planejamento de investimento. Isso faz parte da gestão financeira pessoal, sim. Mas não se pode restringir investimentos à compra e venda de ações, e pior, sem estratégias e objetivos pré-definidos. Para que investir em ações se eu não sei o que preciso alcançar? Para que investir em ações se eu não tenho tolerância ao risco ou se meus objetivos podem ser atingidos de forma mais segura?
Segundo o CFP (Certified Financial Planner Board of Standards, Inc.), os erros mais frequentes sobre finanças pessoais e sobre o processo de planejamento financeiro pessoal são: não estabelecer metas; confundir planejamento financeiro com investimento; esperar retornos superiores à realidade; pensar que contratar um planejador significa perder o controle de suas finanças; não monitorar o plano financeiro; esperar que aconteça uma crise para começar a se planejar.
O termo “finanças pessoais” vai muito além do que se conversa por aí. Na verdade, ele é apenas o nome mais conhecido para gestão financeira pessoal. E a gestão financeira pessoal, assim como a empresarial, requer técnica, conhecimento e procedimentos.
Por gestão, entende-se avaliação, planejamento, orçamento, execução, controle, comparação e revisão e, para tudo isso, são essenciais a medição e os parâmetros. Um antigo ditado já dizia que “você não consegue gerenciar aquilo que você não consegue medir”. E medir não tem sentido se não existirem os parâmetros, as referências, as bases de comparação.
Antes de se partir para um investimento, é preciso definir os objetivos financeiros que devem ser atingidos e fazer as coisas da forma mais eficiente possível. Isso tem a ver com os meios, com custo-benefício e minimização do sacrifício. Como dizia Peter Drucker, “eficácia é fazer as coisas certas, eficiência é fazer as coisas certo”.