Arquivo de julho, 2011

Arriscar, preservar ou limitar?

sexta-feira, 29 de julho, 2011

No último post, tratamos, sob a ótica da gestão financeira pessoal, da necessidade ou não de ficar líquido (vender suas posições) nesse momento turbulento da Economia internacional. Nesse post, vamos complementar o raciocínio.

O que você prefere para os próximos dias:

A – 50% de chance de ganho de 6% e 50% de chance de perda de 10% sobre seu patrimônio investido em ações;

B – Nenhuma chance de ganho e nenhuma chance de perda em seu patrimônio investido em ações;

C – 50% de chance de ganho de 3% e 50% de chance de perda de 2% sobre seu patrimônio investido em ações?

Esses valores não são reais, mas servem de simulação para sua decisão sobre o que fazer nesse momento de indefinição no cenário econômico internacional.

A opção A sugere que você não vai alterar sua carteira de ações nos próximos dias.

A opção B sugere que você vai se desfazer de suas posições e ficar totalmente líquido.

A opção C sugere que você vai se desfazer de metade de suas posições e estabelecer um stop para a metade que continuará comprada.

Lembre-se de que sua decisão por uma das opções deve levar em conta suas expectativas em relação às definições no cenário econômico internacional e sua tolerância ao risco.

Lembre-se também de que, no final das contas, não vale se lamentar: as decisões são tomadas antes dos resultados. O máximo que podemos fazer é analisar cenários, estar preparados para qualquer um deles e respeitar nossa qualidade de vida.

Hora de ficar líquido?

quarta-feira, 27 de julho, 2011

No levantamento de informações para o diagnóstico financeiro, nossos clientes respondem a um questionário para mensuração da tolerância ao risco. Com esse resultado, temos condições de adequar o planejamento financeiro ao perfil do cliente, fazendo com que o caminho até o objetivo seja mais eficiente e menos sacrificante.

Com o planejamento traçado, estabelecemos os indicadores e parâmetros para acompanhar o desempenho. Isto é, definimos um sistema de medições para monitorar o avanço do cliente na busca dos seus objetivos. Por mais que o objetivo financeiro seja de longo prazo, as ações e intervenções podem e devem acontecer ao longo da jornada: longo prazo não é negligência!

Isso é a técnica. Uma consultoria comprometida, responsável e experiente não pode ignorar essas premissas e roteiro.

Estamos vivendo um momento apreensivo no mercado financeiro: rebaixamento da nota da Grécia, apesar do novo pacote de ajuda financeira, e indefinição nos EUA sobre o aumento do teto da dívida, apesar da iminência do fim do prazo e do apelo interno e externo para o bom senso.

Sei que quem mais ganha são aqueles que mais se arriscam. Porém, arriscar-se tem a ver com ter e criar condições para tanto: por mais que você controle o risco, se você não tem estômago, não vale a pena. Deixar de ganhar é muito menos mau do que perder. Vá por mim.

Existe uma forma fácil de mensurar a tolerância ao risco e avaliar se você está mais exposto do que poderia estar. Basta pensar nos seus investimentos antes de dormir. Se você conseguir dormir tranqüilo, tenha certeza de que não ultrapassou seus limites. Se você ficar virando de um lado para o outro, pensando no que pode acontecer, esteja certo de que seu planejamento não está adequado: os planos traçados não estão respeitando sua qualidade de vida.

Assim, se você está desconfortável com o momento atual, sugiro que venda suas posições – pelo menos 50% delas – ou então ative um stop ligeiramente abaixo do valor de mercado atual para as ações da sua carteira e daí espere que a situação se defina. Mais dia menos dia, poderemos fazer uma avaliação mais precisa da conjuntura internacional. Pode ser que você perca a oportunidade de ganhar, mas, no mínimo, você se resguardou contra a ameaça de perder além do permitido.

Poupança é investimento?

terça-feira, 26 de julho, 2011

No dia 25/07/2011, nosso parceiro Diogo Velho Barreto publicou um post no blog da Futura Invest tratando do seguinte questionamento: poupança é mesmo um bom investimento?

http://futurainvest.posterous.com/poupanca-e-investimento

O texto mostra as diferenças entre vários produtos financeiros de perfil conservador (apresentando a comparação entre as rentabilidades líquidas da Caderneta de Poupança e de um Fundo de Renda Fixa ao longo dos meses) e alerta para a importância de uma reflexão sobre a taxa básica de juros no momento da aquisição do produto.

Nosso texto busca contribuir com essa discussão, retornando à questão do título e trazendo-a para o contexto das Finanças Pessoais.

Para responder a essa questão, há dois enfoques: enfoque de objetivo financeiro, em que poupança é o ato de poupar, e enfoque de produto financeiro, em que poupança é a Caderneta de Poupança.

Você se lembra de que os objetivos financeiros podem ser classificados em primários e secundários. Os objetivos primários visam à manutenção do seu padrão de vida e de seus dependentes no presente e no futuro. Os objetivos secundários visam ao incremento de seu padrão de vida e de seus dependentes no futuro.

Assim, para manter o padrão de vida é preciso planejar o pagamento de dívidas, contratar seguros, planejar a aposentadoria, planejar a educação dos filhos, planejar a sucessão do patrimônio e acumular poupança para contingências.

O termo poupança sugere, como definem alguns dicionários, poupar, gastar moderadamente, economizar, não desperdiçar, conservar. A preocupação não é aumentar patrimônio e, sim, criar condições para preservá-lo, precavendo-se contra qualquer risco de deteriorá-lo. Ou seja, você deve escolher um produto financeiro conservador: caderneta de poupança, CDB, fundos DI, fundos de renda fixa, etc.

Isso, para mim, não é investimento no sentido restrito, em que corremos risco buscando uma rentabilidade maior. Claro que, no sentido mais amplo, pode ser entendido como um investimento conservador (é nesse contexto que o Diogo desenvolve seu raciocínio).

Já para alcançar o objetivo secundário de melhorar o padrão de vida, é preciso investir, é preciso correr riscos. Nesse contexto, poupar não é suficiente. E poupança entendida como o produto financeiro Caderneta de Poupança está totalmente fora de cogitação.

Respondendo objetivamente: poupar não é investir e, portanto, poupança, tanto como ato de poupar, quanto como produto financeiro, não é investimento.

Tributação no Mercado à Vista

domingo, 24 de julho, 2011

A decisão por esse ou por aquele produto financeiro depende de seu status quo, de seus objetivos, de como o produto se adequa a seu planejamento e do custo-benefício desse produto. Esse último fator significa que avaliar a atratividade de um investimento leva em conta a rentabilidade prevista e os custos associados, entre eles, a taxa de administração, a taxa de performance, a corretagem, os emolumentos e os impostos.

Para um planejamento e uma decisão financeiramente inteligentes, é preciso considerar a rentabilidade líquida (essa rentabilidade é igual à rentabilidade bruta subtraída de todos os custos) e a liquidez do produto (nem sempre você conseguirá vender o produto facilmente, mesmo que ofertando-o a preço de mercado).

Vamos tratar de todos esses custos aqui no blog. Dessa vez, entretanto, quero comentar sobre a tributação associada às operações de compra e venda de ações no mercado à vista. O site da BM&FBOVESPA apresenta detalhadamente, com exemplos inclusive, o procedimento para cálculo do imposto sobre os ganhos auferidos nessas aplicações.

http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/regulacao/custos-e-tributos/tributacao/imposto-de-renda-mercado-a-vista.aspx?idioma=pt-br

Cálculo do Imposto passo a passo:

  • O valor a ser pago é calculado mediante a aplicação da alíquota de 15%, sobre o ganho quando o volume negociado for superior a R$ 20.000,00 por mês.
  • Para se obter a base de cálculo, toma-se o valor da venda menos as despesas operacionais de venda (corretagem e emolumentos), menos o custo de aquisição das ações vendidas somando-se a esse custo as despesas operacionais referente ao momento da compra.
  • É importante considerar que os ganhos de operações em bolsas somente se realizam quando houver venda de ações.
  • Quando as compras forem feitas por preços diferentes, o custo de aquisição é calculado tomando-se a média ponderada dos preços das compras.
  • Para efeito do imposto de renda o fato gerador do tributo ocorre na data em que as ações forem alienadas (vendidas), independentemente da liquidação física e financeira ocorrerem posteriormente.
  • Recolhimento do imposto: apuração em bases mensais (resultado de todos os ganhos e perdas no mês) e recolhimento, pelo próprio investidor, até o último dia útil do mês subseqüente ao da venda das ações, identificando no Darf o código de arrecadação nº 6015.
  • Para casos operações day trade (compra e venda no mesmo pregão), a alíquota é de 20%.

Qual o melhor investimento? Ops!

sexta-feira, 22 de julho, 2011

Temos mensalmente um superávit em nossas contas. Estamos pensando em investir essa sobra e só pensamos em usar o montante acumulado dentro de 15 anos. Temos um filho de 4 anos. Qual o melhor investimento para a gente? Fábio e Camila (Fortaleza–CE)

Caros Fábio e Camila,

Para responder precisamente, precisaria saber:

  1. Do objetivo esperado para o montante acumulado nos 15 anos, para saber se podemos sugerir alternativas mais agressivas/arriscadas de investimentos. É importante ressaltar que não existe o melhor investimento. Existe o investimento mais adequado a seu objetivo, em consonância com seu status quo e com o cenário econômico do momento;
  2. Do seu status quo, para avaliar a grandeza dessa sobra de caixa e se há garantias de que ela perdurará nos próximos anos, se os objetivos primários já foram planejados e da sua tolerância ao risco;
  3. Do seu tempo disponível e da sua experiência (com mercado financeiro) para acompanhar os investimentos (isso também é levantamento do status quo).

Vamos supor então que vocês sejam de classe média, assalariados (os dois ganham R$4.000,00 por mês) e que há uma sobra (renda menos despesas) de caixa mensal de R$500,00 para poupar/investir.

Vamos supor também que os objetivos primários estão contemplados em seu planejamento: vocês não têm dívidas ruins, têm seguro-saúde, seguro de vida, poupança para contingências, etc.

Se o objetivo é acumular um montante para garantir o pagamento das mensalidades de um curso superior para o filho, sugiro que não optem por investimentos arriscados. No máximo, dirigir 15% da sobra de caixa para ações ou fundos de ações e o resto para aplicações conservadoras, do tipo CDB, fundos DI, fundos de renda fixa ou previdência privada.

Se o objetivo é acumular certa quantia não comprometida com a educação do filho (nesse caso, precisamos supor que vocês já têm a educação de seu filho planejada):

  1. Caso vocês tenham pouco tempo disponível para monitorar os investimentos, sugiro montar uma carteira com 15% a 30% em fundo de ações (ativos) e o resto em aplicações conservadoras;
  2. Caso vocês tenham condições de monitorar os investimentos, sugiro balancear os investimentos em 30% a 50% em ações e o resto em aplicações conservadoras.

Apesar do momento delicado do mercado de ações (julho de 2011), vimos em um post anterior que é possível lucrar nesse mercado desde que se tenha tempo, experiência, disciplina e controle de risco (isso é ter condições).

Alguns produtos do Mercado Financeiro

quarta-feira, 20 de julho, 2011

Como recebo vários e-mails pedindo esclarecimentos sobre os produtos do Mercado Financeiro, segue um breve detalhamento sobre alguns deles. Em posts posteriores, podemos aprofundar. É só pedir.

Caderneta de Poupança

O que é: é a aplicação financeira mais antiga do país, disponível para qualquer brasileiro.

Quanto rende: 6% ao ano + TR, o que dá algo em torno de 7,5% ao ano.

Quanto cobra: não há nenhuma cobrança. Por enquanto…

Vantagem: é um investimento seguro, garantido por lei (até determinado valor), sem prazo definido.

Desvantagem: normalmente, em tempos de taxa de juros alta, rende menos que a maioria dos outros investimentos conservadores.

Para quem é indicado: para quem quer acumular alguma quantia maior antes de buscar outro investimento mais rentável (poupança de curto prazo) ou para balancear a carteira de investimentos.

CDB

O que é: é um certificado de depósito bancário. O investidor que aplica em CDB está comprando um título de dívida do banco emissor.

Quanto rende: em torno de 8% ao ano, a depender do percentual de repasse da instuição financeira relativo ao CDI.

Quanto cobra: IR decrescente sobre os rendimentos. Isso significa que quanto mais tempo o dinheiro ficar investido, menor será a porcentagem de IR cobrada.

Vantagem: é um investimento seguro, não existe o “come-cotas” e há garantia sobre o montante de até R$70.000,00 pelo FGC.

Desvantagem: Cobrança de IR e rendimentos menores que os de outras aplicações conservadoras.

Para quem é indicado: o mesmo que para a Caderneta de Poupança, com a ressalva que o investimento precisa ser de longo prazo para diminuir a cobrança de IR.

Ação

O que é: é um título emitido por uma empresa de capital aberto.

Quanto rende: não há certeza sobre o rendimento. Depende de vários fatores, internos e externos às empresas emissoras.

Quanto cobra: não há nenhuma cobrança por parte da empresa. Porém, para investir, é preciso abrir uma conta em uma corretora, que cobra e repassa alguns custos, como, por exemplo, a taxa de corretagem (que pode ser fixa ou proporcional ao número de operações realizadas no mês) e os emolumentos. Há cobrança mensal de IR sobre os rendimentos (para movimentação maior que R$20.000.

Vantagem: não há prazo definido para resgate. A vantagem atual são os baixos preços cobrados por muitas ações, em decorrência do ambiente financeiro mundial, o que se traduz em um potencial interessante de alta rentabilidade. Não apenas aquelas conhecidas como blue chips. Com tempo para pesquisar, você encontrará ações de empresas menores com índice P/L (preço/lucro) mais atrativos e, por isso, melhor expectativa de crescimento.

Desvantagem: como é uma aplicação de renda variável, há possibilidade de retornos maiores, mas há também possibilidade de retornos menores e, inclusive, negativos. Por isso, o controle do risco e o acompanhamento são essenciais.

Para quem é indicado: para quem tem estômago para agüentar os altos e baixos. Como a intenção é investir em longo prazo, não é necessário acompanhar diariamente o preço das ações. Basta estar atento para vender e comprar sempre que surgir outra oportunidade.

Fundos de Ação

O que é: aplicação administrada por uma instituição financeira em que os recursos são investidos em ações.

Quanto rende: o rendimento é variável, como para as ações.

Quanto cobra: há cobrança de taxa de administração (de 0,5% a 3% anualmente) sobre o valor total aplicado, além do IR sobre os rendimentos.

Vantagem: além das vantagens das ações, não há necessidade de acompanhamento diário das movimentações, o que fica a cargo do gestor do fundo.

Desvantagem: além das desvantagens das ações, existe a cobrança da taxa de administração e a impossibilidade do investidor escolher os ativos nos quais investir.

Para quem é indicado: para quem tem estômago para agüentar os altos e baixos, mas não tem tempo disponível para operar diretamente. Vale ressaltar que, dada a natureza de longo prazo investimento, optar por um fundo de ações passivo, em detrimento de operar diretamente, é inaceitável, pois as operações serão casuais. Além disso, o investidor pagará ao gestor do fundo – em muitos casos – para não fazer quase nada. Se tiver que optar por um fundo de ações, escolha um fundo de gestão ativa.

Fundos de Renda Fixa

O que é: aplicação administrada por uma instituição financeira em que os recursos são investidos em CDBs, RDBs, debêntures e  títulos públicos federais.

Quanto rende: em torno de 1% ao mês.

Quanto cobra: há cobrança de taxa de administração (de 0,25% a 1% anualmente) sobre o valor total aplicado, além do IR decrescente sobre os rendimentos.

Vantagem: é uma aplicação conservadora com rentabilidade maior – mas não tanto – que a da Caderneta de Poupança e do CDB.

Desvantagem: existe a cobrança da taxa de administração e do IR decrescente sobre os rendimentos.

Para quem é indicado: para o investidor conservador.

Fundos de DI

O que é: aplicação administrada por uma instituição financeira em que os recursos são investidos em CDBs e no mercado futuro de juros.

Quanto rende: em torno de 1% ao mês.

Quanto cobra: há cobrança de taxa de administração (de 0,25% a 1% anualmente) sobre o valor total aplicado, além do IR decrescente sobre os rendimentos.

Vantagem: é uma aplicação conservadora com rentabilidade maior – mas não tanto – que a da Caderneta de Poupança e do CDB.

Desvantagem: existe a cobrança da taxa de administração e do IR decrescente sobre os rendimentos.

Para quem é indicado: para o investidor conservador.

 

 

Você sabia que pode alugar ações na Bolsa?

sábado, 16 de julho, 2011

Em tempos de Bolsa em baixa, os investidores começam a se perguntar se  é possível lucrar com seus papéis sem se desfazer deles. Felizmente, a resposta é sim. Uma opção que tem sido bastante procurada é o aluguel de ações, operação firmada entre um investidor de longo prazo e um investidor de curto prazo, intermediada na Bolsa de Valores.

O investidor de longo prazo, detentor ou doador das ações, aluga – por uma taxa de aluguel – suas ações para o investidor de curto prazo, o tomador, interessado em movimentar essas ações.

Os doadores são investidores de longo prazo que, como não pensam em vender suas ações no curto prazo, disponibilizam suas ações para o aluguel. Seu objetivo é aumentar a rentabilidade da carteira de ações com a taxa paga neste período.

Os tomadores são investidores de curto prazo que acreditam na queda da cotação da ação. Dessa forma, vendem a descoberto (isto é, vendem ser ter as ações em custódia) para comprá-las mais baratas em seguida e entregá-las a quem as comprou. Se essa operação de venda a descoberto e compra se inicia e termina no mesmo dia, não é preciso tomar ações alugadas. Se essa operação durar mais de um dia, é preciso alugar ações para “entregar”, ainda no mesmo dia da venda a descoberto, a quem as comprou, uma vez que as compensações são diárias.

Assim, as estratégias com aluguel de ações dependem de seu perfil e do prazo da operação.

Para disponibilizar suas ações para aluguel, o doador precisa definir que e quantas ações vai disponibilizar, que taxa de aluguel pretende cobrar (essa taxa deve ficar próxima das taxas propostas pela CBCL), qual o prazo do aluguel, se é permitido ao doador tomar suas ações antes do prazo e se a renovação do aluguel será automática.

Além disso, o doador precisará pagar algumas taxas à corretora e o imposto de renda retido na fonte (15%).

A desvantagem dessa operação é que o doador, por deixar de ser o titular das ações, não poderá vendê-la (a menos que isso seja permitido no contrato, mas é pouco comum) antes do prazo de aluguel. Dessa forma, o doador pode perder a oportunidade de realizar lucros em um momento de alta inesperada das ações ou minimizar prejuízos em um momento de baixa das ações que estão alugadas.

Entretanto, o doador permanece sempre como o dono das ações, de forma que os eventos societários (dividendos, juros sobre capital próprio, etc.) são direitos seus.

Para alugar ações, o tomador precisa deixar garantias que variam de corretora para corretora: por exemplo, pode deixar em conta uma margem de 120% do valor alugado em ações, em títulos do Tesouro Direto, em dinheiro e solicitar o aluguel a sua corretora, repassando as seguintes informações: definição de que ação e quanto deseja alugar, do prazo de aluguel, da permissão ou não do doador tomar os papéis antes do final do prazo e da renovação automática ou não.

Além disso, o tomador precisa pagar uma taxa de intermediação à corretora e a taxa de aluguel ao doador.

Para mais informações sobre aluguel de ações, sugerimos os sites/blogs  Quero Ficar Rico e Investidor Jovem.

Planejamento financeiro para um jovem profissional

sexta-feira, 15 de julho, 2011

“Maaaannhêêêê, o Tavinho acordou!”

Na verdade, você ainda nem tinha acordado direito, mas do jeito que você chegou ontem em casa depois do baile de formatura, qualquer movimento que sugerisse vida em seu corpo, por menor que fosse, deveria ser anunciado. Seus pais deram a ordem, e sua irmã, grudada ao lado de sua cama desde as 11h, não perderia a oportunidade de berrar ao lado de seu ouvido por nada.

“Parabéns de novo, meu filhinho. E de novo, e de novo e de novo! Que felicidade, meu filhinho formado.” Era sua mãe. Trazia um largo sorriso no rosto e uma bandeja cheia de frutas, iogurte e cereais (“Parece que nunca acordou de ressaca!” – você pensa. “Eu preciso é de um café preto bem forte!”). “Meu filhinho tem que recuperar as energias que amanhã começa outra etapa na sua vida.”

Pois é, uma nova etapa, sua mãe tem razão. E você também ao preferir um café preto bem forte, mesmo. A vida mansa de estudante universitário acabou. As responsabilidades limitadas e a carga-horária reduzida de trabalho de estagiário ficaram para trás. Agora você é um jovem profissional e precisa pensar no seu futuro. Principalmente em seu futuro financeiro.

Por sorte, você ainda mora com seus pais…

PAUSA PARA REFLEXÃO: Não é “por sorte”. Afinal de contas, você só tem 23 anos. É mais que normal ainda morar com os pais. Seria “por azar” ou “por circunstâncias da vida” não morar mais com eles.

Voltando ao nosso texto, morar com os pais tem suas vantagens: casa, comida e roupa lavada. Além de plano de saúde, seguro e IPVA do seu carro. Só cabe a você pagar a gasolina, as roupas (principalmente aquelas de uma moda que sua mãe não entende “Levanta essa calça, menino! Por que essa cueca tem que ficar sempre aparecendo!?”) e o lazer (boate, cinema, jantar com a namorada). Seus pais pensaram até nas piores contingências, por isso contrataram um seguro de vida e já trataram do processo de herança. Isso faz com que seu salário (que aumentará para R$1.200,00 líquidos com sua ascensão de estagiário para funcionário contratado) seja quase que exclusivamente para investimento, afinal a parte que lhe cabe das despesas domésticas soma cerca de R$400,00 (sobram R$800,00).

“É isso aí! Vamos investir tudo em Vale e Petrobras! Um amigo do meu amigo disse que é batata!”

Calma. Por um princípio de Planejamento Financeiro Pessoal, investir é uma ação secundária (além de exigir conhecimento e acompanhamento). As ações primárias são aquelas que visam a objetivos financeiros primários (ou básicos) relativos à manutenção do padrão de vida. Assim, as disponibilidades para investimento são o superávit de um orçamento que considerou a contratação de seguros (saúde, automóvel, vida), o acúmulo de poupança para períodos de desemprego (como você não é funcionário público, sua estabilidade depende da situação e da expectativa econômico-financeiras de seu empregador), a existência de um plano de aposentadoria (uma vez que o benefício máximo do Regime Geral da Previdência Social – ao qual você faz parte – está limitado a aproximadamente R$3.000,00) e a não existência de dívidas.

O que? Você tem dívidas? No cartão de crédito? Meu Deus! Tô vendo que vamos precisar desenvolver um planejamento financeiro para você.

O Planejamento Financeiro Pessoal tem basicamente 5 etapas (já vimos isso em outros posts): (1) conhecer sua situação e suas características financeiras atuais (o que você tem, quanto você ganha, quanto gasta, quanto sobra ou quanto falta, com o que você gasta, qual sua tolerância ao risco, quais suas atitudes e valores em relação ao dinheiro, etc.); (2) definir seus objetivos financeiros (atingíveis, bem delimitados, de curto, médio e longo prazos); (3) estabelecer os planos de ação para lhe levar do atual para os objetivos; (4) executar os planos e (5) revisá-los sempre que o ambiente mudar (cenário econômico, casamento, filhos, separação, desemprego, ascensão salarial, etc.).

Já conhecemos sua situação financeira atual. Mora com os pais, tem seguros, tem bom padrão de vida, sobra uma boa grana mensalmente. Resta conhecer mais profundamente suas características quanto ao risco e ao uso do dinheiro (existem questionários específicos para tanto. Não trabalharemos nesse texto por uma questão de espaço).

Seus objetivos primários são, no curto prazo, pagar suas dívidas (a gestão do crédito também faz parte do mundo das Finanças Pessoais. Não faz sentido financiar a fatura do cartão de crédito. É a maior taxa de juros do mercado. Quite urgentemente essa dívida com seu próximo salário ou contrate um empréstimo a juros mais baixos para esse fim) e, no longo prazo, manter seu padrão de vida (a aposentadoria da Previdência Social não será suficiente para mantê-lo, por isso você precisa separar uma parte de seu superávit mensal para contratar uma Previdência Complementar ou poupar – via outros produtos – com a mesma finalidade. Sugiro R$200,00. Com esse valor, supondo uma taxa real (já descontada a inflação) média de 0,1% ao mês, você acumulará o equivalente a R$100 mil em 35 anos. Lembre-se de que o ambiente vai se modificar várias vezes nas próximas décadas, por isso é necessário rever os planos de ação sempre que a mudança for relevante).

Seus objetivos secundários são, no curto prazo, trocar o carro (à vista, entrada mais financiamento? Prefira financiamentos sem juros. Se não for possível, avalie as taxas e perceba que, quanto mais tempo você esperar poupando, menos juros você pagará: reservando R$250 por mês, você consegue um ganho real de R$3.000 em um ano. Reservando todo o superávit – R$600 (R$800,00 menos os R$200,00 do plano de aposentadoria)– você obterá R$7.200. Talvez dê para trocar o carro dando o seu de entrada. Mas lembre-se de que a compra de um carro novo implica em outros custos, tipo IPVA e seguro mais caros, que, por premissa, seus pais continuam pagando).

No médio prazo (digamos 12 anos, quando tiver 35 anos), acumular o equivalente a R$300.000,00 hoje (isso só será possível daqui a um ano, quando você tiver trocado o carro. Se você tiver optado por guardar os R$600 todo mês e conseguido pagar o carro à vista, seu superávit salarial para esse novo objetivo financeiro será de R$600 mensais. Com esse investimento mensal, será necessária uma taxa real média de 1,7% ao mês (taxa já descontada a inflação). Não vejo como simples, mas também não vejo como impossível. Se você tem perfil agressivo, pode trabalhar com renda variável e um pouco de opções – lembrando que as maiores causas de perda são desconhecimento e negligência. Contudo prefiro sugerir que você diminua seus gastos mensais, busque aumentar sua renda – espero que seu salário ou sua renda aumente naturalmente ao longo dos anos (o que proporcionará um superávit maior que R$600,00) – e use camisinha (para não alterar demais seu status quo).

O que há de errado com o mercado de ações?

quarta-feira, 13 de julho, 2011

Qual a explicação para o principal índice de ações da Bovespa alcançar o menor patamar desde maio de 2010?

Podemos apontar algumas razões, nos quatro cantos do mundo, porém ao ver o noticiário e nos depararmos com tantas informações, em que acreditar? Inflação no Brasil, teto do endividamento Americano, aperto monetário na China.

Todos são problemas relevantes, mas o foco principal dos investidores do mercado de ações está no Velho Mundo. Os PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) vivem uma situação delicada com suas finanças. O endividamento desses países alcançou níveis não só alarmantes, mas em alguns casos, irreversíveis para a necessidade de ajuda.

A Grécia aprovou pacotes para melhorar suas contas e já recebeu ajuda de alguns bilhões de euros, mas o risco de se classificar um calote para seus credores privados gera um efeito dominó para todos os outros países. Não que Portugal, Espanha e Itália não tenham seus problemas e que estes não sejam sérios, mas o calote faria com que aumentasse a velocidade dos maus acontecimentos.

Como então comprar ações em um mercado tão nebuloso? Os verdadeiros ganhadores do cenário com alta volatilidade são os fundos de arbitragem multimercados que captam todas as divergências em suas rentabilidades. Mas tudo depende do perfil do investidor, na verdade.

Aquele que investe em longo prazo tem uma excelente janela para alocar recursos em empresas com preços atraentes. Companhias que têm suas receitas ligadas à dinâmica interna sem substituto internacional e empresas ligadas a reajustes inflacionários, como as de energia elétrica são algumas opções nesse cenário. Os dividendos pagos pelas empresas do setor de energia elétrica fazem com que, no longo prazo, você consiga acumular cada vez mais ações ao reinvestir os rendimentos recebidos.

Para maximizar ainda a valorização da carteira, há a possibilidade de disponibilizar as ações para aluguel. A carteira de ativos pode ser toda fornecida e gerar lucros extras para o investidor.

Para os investidores agressivos, há ainda a possibilidade de venda através da mecânica de aluguel de ações, ganhando assim na queda dos ativos. Isso exige experiência, acompanhamento e muita disciplina para controlar o risco, mas aí está a beleza do mercado de ações. Sempre há a possibilidade de ganho, ora com o mercado subindo, ora com o mercado caindo, ora com o mercado andando de lado. Com crise, ou sem crise.

Esse texto foi escrito pelo amigo Diogo Velho Barreto, sócio da Futura Invest, a quem agradecemos a colaboração.

Dívidas, o que fazer? Não é tão simples…

segunda-feira, 4 de julho, 2011

Outro dia, fui surpreendido por uma pergunta no meu e-mail: “Rodrigo, estou cheio de dívidas de cheque especial. O que fazer?”

Como quem perguntava era um amigo meu, respondi, curto e grosso: “Pague!”

No dia seguinte, recebo outro e-mail: “Mas eu não tenho como pagar. Quero saber o que fazer.”

Essa troca de e-mails serve para retratar o que venho apresentando aqui no blog: o planejamento financeiro só é possível após o diagnóstico financeiro.

Para responder corretamente à pergunta do meu amigo, eu precisava de uma série de informações, entre elas: quanto ele ganha, de onde vem a renda, quanto ele gasta, como gasta, o que tem de patrimônio, o que tem de passivo. Precisava saber como as dívidas estão inseridas na situação financeira atual dele: quanto elas representam de sua renda, se são dívidas boas, se são dívidas ruins, se existe um planejamento para seu pagamento.

No caso do meu amigo, as dívidas eram de cheque especial, portanto dívidas ruins. Era preciso realmente pagá-las, ou pelo menos traçar um plano para pagamento. Mas precisava saber se ele tinha condições para quitá-las, ou se tinha alternativas para o planejamento.

Ou seja, gestão financeira pessoal é coisa séria. É preciso técnica e conhecimento.

Nessa terça, 05/07, 19h30, vamos falar sobre planejamento para pagamento de dívidas. Vocês estão convidados. Inscrições pelo site da Futura Invest.