Arquivo de agosto, 2011

Uma breve fábula dos dividendos

quarta-feira, 31 de agosto, 2011

Essa é a história de um visionário e seu vizinho invejoso.

Certo dia, o visionário comprou uma casa na mesma rua em que morava. Quando soube do ocorrido, seu vizinho invejoso passou a dizer: “Hoje, a casa que você comprou está valendo X reais”. E no dia seguinte: “Hoje, a casa que você comprou está valendo Y reais”. Isso se repetia todos os dias: seu vizinho dava conta do valor de mercado da casa que o visionário tinha comprado.

Como não interessava ao visionário vender a casa, ele não ligava para o que o vizinho dizia. O plano do visionário era alugar a casa, o que foi conseguido rapidamente.

Com o dinheiro do aluguel, o visionário financiou a compra de outra casa, dessa vez em construção, também na mesma rua. Quando a casa ficou pronta, o visionário conseguiu alugá-la facilmente, outra vez.

E da mesma forma, o vizinho invejoso continuou alertando: “Essa sua casa em construção está valendo hoje X reais”, “Essa sua casa, agora que está pronta, está valendo Y reais”. “Aquela primeira casa que você comprou está valendo hoje Z reais”.

Nos anos que se seguiram, o visionário continuou comprando outras casas na mesma rua, sempre com o objetivo de alugá-las. O dinheiro do aluguel era usado para financiar a compra de novas casas.

E o vizinho invejoso continuou dando conta diariamente do valor de mercado de todas as casas compradas.

Até que chegou o dia em que o visionário comprou a casa do vizinho invejoso. Como sabia diariamente do valor de mercado das casas, não foi difícil fazer uma proposta irrecusável.

Para investir no Mercado Financeiro, há várias estratégias. Uma delas é o acúmulo de ações, associado ao bom pagamento de dividendos. A ideia número 1 é a quantidade de ações e não o valor delas (isso não interessa em curto e médio prazos. Não se preocupe tanto com as oscilações na cotação; muitas vezes, o mercado de capitais e a bolsa de valores são vizinhos invejosos). Para tanto, pense inclusive em usar os dividendos para comprar mais ações. A ideia número 2 é escolher empresas que distribuem bons dividendos. É como conseguir um bom contrato com um bom inquilino.

A seguir, link de artigo com as empresa que mais distribuíram dividendos nos últimos anos: http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/as-12-empresas-que-mais-distribuiram-dividendos-nos-ultimos-anos

Renda fixa: opções de investimento

terça-feira, 30 de agosto, 2011

Quando vamos investir o dinheiro fruto de nosso trabalho, normalmente, recorremos aos bancos. Chegando lá, há tantas possibilidades, que acabamos por escolher os investimentos indicados por nosso gerente, acreditando que ele tem o conhecimento adequado para nos fornecer aquelas sugestões.

Pergunto-me: por que para investir não pesquisamos da mesma forma que pesquisamos para adquirir qualquer outro produto ou bem?

Quando queremos comprar um tênis, vamos a várias lojas, conversamos com várias pessoas e pesquisamos bastante na internet. Quando queremos comprar um carro, observamos cada uma das marcas, compramos revistas especializadas e ainda fazemos test drive. Mas, em relação aos investimentos, a maioria das pessoas não gasta nem 30 minutos avaliando e acaba por não saber onde está colocando seu dinheiro.

Essa foi uma das principais razões para o nascimento deste blog. Fornecer cada vez mais conhecimento para que as pessoas possam discernir entre o que podem/querem e o que não podem/querem, pelo menos ao investir. Utilizar um profissional gabaritado continuará sendo uma tática importante, mas precisamos entender onde estamos colocando o seu rico suor.

Faremos uma série de posts aqui no blog sobre Renda Fixa. Vários produtos serão abordados. Trataremos de riscos, rentabilidade e público alvo. Tentaremos desmistificar a modalidade mais famosa de investimento dos brasileiros.

Os produtos abordados serão: poupança, tesouro direto, CDB, fundos de renda fixa, CRI, LCI, LH, previdência, fundos imobiliários e debêntures. Caso alguém queira informações sobre algum produto específico, é só nos solicitar.

Hoje, 30/08, às 19h30, na palestra online, vamos conversar sobre cada um desses produtos. Os detalhes serão postados, pouco a pouco, aqui no blog. Para os interessados na palestra, as inscrições são gratuitas pelo link: http://bit.ly/o74rJg.

Guardar, poupar, investir e especular

terça-feira, 30 de agosto, 2011

Você acha que esses verbos são sinônimos? Se não acha, qual a diferença entre eles? O que cada um significa?

Quando você ouve a palavra “investimento”, em que você pensa? A que você associa? A seguir, lista de associações colhidas ao longo de algumas palestras e enquetes:

Estratégia, disciplina, tempo, conhecimento, muito dinheiro, difícil, técnica, plano, razão, especulação, poupar, economizar, aposentadoria, informação, home broker, emoção, estresse, longo prazo, oscilações, volatilidade, acompanhamento, aconselhamento, orientação, guardar, especular, assessoria, economia, indicadores macroeconômicos, análise técnica, análise fundamentalista, riqueza, ficar rico, risco, poupança, bolsa de valores, ações, opções, carteira de ações, qualidade de vida, diversificação, balanceamento, sacrifício, segurança.

Se você pensou em uma palavra que não foi listada, mande-me pelo twitter (@vouinvestir) ou pelo Facebook (http://facebook.com/vouinvestir).

Talvez você não concorde com todas as palavras listadas acima. Para mim, as que mais me “incomodam” são: guardar, poupar e especular. Em minha opinião, essas palavras guardam algumas diferenças – mesmo que imperceptíveis para a maioria das pessoas – em relação a investir.

Atenção! O que vou escrever aqui não é definição de nenhum livro, nem tampouco opinião comum entre os investidores do mercado financeiro. O que vou escrever é opinião minha, só minha, e, portanto, ninguém está obrigado a concordar ou a aceitar. É apenas minha forma de diferenciá-las.

Guardar é o mesmo que economizar. Ao deixar de comprar, você está guardando dinheiro. É o contrário de consumir, de gastar.

Poupar é ligeiramente diferente. Para poupar, é preciso guardar. Mas poupar sugere que o que foi economizado está em uma aplicação que rende o suficiente para recuperar ou manter o poder de compra: para poupar é preciso um rendimento igual ou ligeiramente superior à correção monetária. Também é condição sine qua non que essa aplicação seja “quase” que livre de risco.

Investir é mais que poupar, principalmente no que diz respeito à exposição ao risco. Ao investir, estamos assumindo mais risco para obter rendimentos superiores aos obtidos ao poupar. Esse risco pode ser baixo ou alto, dependendo do produto escolhido (da renda fixa às ações e opções), mas é sempre mensurável, mesmo que por estimativas.

Especular é investir em condições de incerteza: além de não se saber o que vai acontecer (isso é válido para quase todos os investimentos), não se sabe da probabilidade associada ao que pode acontecer. Especular é assumir o risco por alguém. Por isso, especular é bem mais arriscado. Por isso, especular é normalmente associado a ganhos e perdas de grandes quantias.

Todos esses verbos são possíveis ações de um planejamento financeiro: a escolha por um deles vai depender sempre de sua situação e de suas características atuais e de seus objetivos.

Planejamento para aposentadoria: armadilhas, vilões e aliados

segunda-feira, 29 de agosto, 2011

Para traçar o planejamento financeiro para aposentadoria, precisamos definir e delimitar os objetivos. Uma vez estabelecidos, é preciso ter ciência de que os objetivos não vão acontecer por conta própria: devemos fazer algo a respeito. Planejar e executar.

No planejamento, há três vilões: (1) não sabemos o montante mensal dos nossos gastos e receitas na aposentadoria; (2) não sabemos a taxa de inflação até a data da aposentadoria nem durante a aposentadoria; e (3) não sabemos da nossa longevidade e, por isso, não podemos apontar quanto tempo vai durar a aposentadoria (isso é a expectativa de sobrevida).

Para todos esses vilões, a solução passa por estimativas, previsões, hipóteses e minimização da exposição às incertezas.

Felizmente, também existem os aliados: os juros compostos e o planejamento tributário.

Quanto maior for a taxa de juros e quanto maior for o prazo de acúmulo de capital até a aposentadoria, mais fácil é o caminho a trilhar. Quanto melhor for seu planejamento tributário, menos você pagará de impostos e maior será sua contribuição para o acúmulo de capital. Maior contribuição, maior taxa e maior prazo são tudo de que precisamos para um planejamento eficiente e eficaz.

Infelizmente, há armadilhas: começar muito tarde, contribuir (depositar) muito pouco e investir de forma muito conservadora.

Estando atento a esses aspectos, mantendo a disciplina e contando com o conhecimento e o acompanhamento de uma assessoria financeira idônea e experiente, temos tudo para alcançar o sucesso.

Vamos bater um papo sobre planejamento para aposentadoria nessa quarta-feira, 31/08, à noite, 19h30. Inscreva-se pelo site da Futura Invest.

A triste sina do especulador

quinta-feira, 25 de agosto, 2011

Na revista VEJA dessa semana, o ex-Ministro da Fazenda, Sr. Maílson da Nóbrega, em sua coluna semanal, discorre sobre a importância do especulador e do intermediário na Economia. Além das explicações, ele apresenta a diferença entre os conceitos de “especulador” nos dicionários brasileiros e americanos. No final, ainda provoca (e, a meu ver, tem razão): “somos todos especuladores!”

Aproveitando o embalo, resolvemos falar um pouco mais sobre o especulador:

  1. “Um especulador vive procurando grandes peixes. Um investidor se preocupa em conseguir peixe sempre” (Jurandir S. Macedo Jr.)
  2. “Especulação é uma operação de curto prazo que envolve a compra e a venda de títulos para os quais o valor futuro e o retorno esperado são altamente incertos” (Lawrence Gitman)
  3. “Enquanto os hedgers não desejam ficar expostos a movimentos adversos no preço de um ativo, os especuladores querem abrir posições, apostando na alta ou na queda dos preços” (John Hull)

Tudo verdade, mas isso não é obrigatoriamente nocivo! É uma questão de necessidade, de complementaridade. Negócios acontecem entre duas partes: um quer vender e outro quer comprar.

Vejamos algumas operações financeiras do cotidiano:

  1. Momento de queda nas bolsas. Todos querendo vender suas ações. Manter posição parece muito arriscado. Só que, para a venda se concretizar, é preciso haver interessados em comprar. Se ninguém quiser correr o risco de assumir uma posição contrária à tendência, nenhuma ordem de venda será executada.
  2. Um empreendedor precisa de capital para iniciar suas atividades (reformas, maquinário, equipamentos, capital de giro, etc.) de um projeto de negócio. Financiar essa operação é arriscado. Você emprestaria o seu “rico” dinheirinho? Você já ouviu falar em venture capital? Se ninguém quiser investir nesse empreendimento, assumir o risco associado, financiando o empreendedor, o projeto não sairá do lugar, por melhor que ele seja.
  3. Um empresário quer garantir o preço futuro de seu produto. Para tanto, precisa fazer uma operação de hedge no Mercado Futuro ou de Opções. Ora, se ninguém quiser assumir o risco no lugar desse empresário, sendo a outra parte do contrato, não haverá como esse empresário se proteger das possíveis oscilações no preço de seu produto.
  4. Um investidor de longo prazo avalia que certa ação, em tendência de baixa, precisa se desvalorizar mais 10% para que ele entre comprando essas ações. Somente nesse patamar, o preço estará “barato” o suficiente para o risco fazer sentido para ele. O mercado possivelmente levará o preço da ação até o patamar desejado; só que isso pode levar muito tempo. Com a venda a descoberto, outros “investidores” do mercado, assumindo uma posição de exposição ao risco, aceleram essa queda e permitem a movimentação e operação do investidor de longo prazo.

Para todas essas operações, a outra parte é o especulador. Ele assume risco. Ele compra risco. Ele gera liquidez. Ganhar no curto prazo ou ganhar muito é consequência. Perder também é. Mas a grande verdade é que, sem ele, nada acontece.

 

Recompra de Ações: o que é e como ganhar com isso?

quarta-feira, 24 de agosto, 2011

Eventualmente, vemos no mercado empresas anunciando a recompra das próprias ações. Imediata e naturalmente pensamos: se os caras que estão lá dentro, no dia a dia do negócio, estão recomprando as ações da empresa, por que eu não irei comprar?

A questão não é assim tão simples. É necessária uma análise mais profunda da razão de compra.

As recentes quedas fizeram com que inúmeras empresas abrissem programas de recompra de ações. Só em agosto, segundo informações da CVM, pelo menos 8 empresas iniciaram o programa de recompra de ações. No ano, quase 30. Algumas fazendo isso mais de uma vez.

O motivo? Esse sim é o ponto que deve ser observado.

Há muitas formas de remunerar o capital do acionista. As mais conhecidas são dividendos e juros sobre capital próprio. Uma das menos conhecida é justamente a recompra para cancelamento futuro dessas ações.

Aí você se pergunta: e como eu ganho com isso?

Resposta: aumentando sua participação na empresa, ora. Se a empresa detinha 1.000.000 de ações e recomprou 100.000 e cancelando-as, agora suas ações estão sobre uma base de 900.000 e não mais 1.000.000. Significa que, se você detivesse 100 ações, teria um aumento de participação de 0,01% para 0,011% na empresa sem desembolsar nenhum tostão.

Os motivos para recompra são variados e é importante estar atento a esta particularidade. A ALLL3, empresa de logística, está com um plano de recompra com a justificativa de “lastrear o plano de incentivos aos administradores e empregados elegíveis ao programa ‘opção de compra de ações’”. Em outras palavras, um estímulo aos funcionários. Recompra não tem nada a ver com a justificativa da Hypermarcas (HYPE3): “preço de mercado das ações da companhia não reflete adequadamente suas perspectivas de rentabilidade”.

Programas de recompra são atrativos, independente do motivo, mas, principalmente quando queremos comprar a empresa (estratégia de acumular quantidade de ações e não valor de ações). Naturalmente, teremos uma força compradora que, mesmo sem impulsionar o valor do preço dos ativos, segura, pelo menos, uma eventual queda mais forte.

Lembrando ainda que é importante analisar a empresa antes de tomar qualquer decisão de compra ou venda de seus ativos. O programa de recompra é apenas um fator a mais para ajudar a corroborar com sua análise.

Esse texto é apenas um esclarecimento sobre o evento programa de recompra de ações. Em nenhum momento, ele indica ou sugere compra ou venda de determinado ativo, sendo de responsabilidade do investidor lucros ou prejuízos obtidos através de informações aqui repassadas.

O presente texto foi escrito pelo amigo Diogo Velho Barreto, CPA-20, Agente Autônomo e Sócio FuturaInvest Recife, a quem agradecemos.

A seguir, outros textos sobre recompra de ações:

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/recompra-de-acoes-e-bom-sinal-para-investidor

http://www.investidorjovem.com.br/entenda-recompra-de-acoes

http://opequenoinvestidor.com.br/2010/05/programa-de-recompra-de-acoes-otimo-sinal-para-investidor/


A próxima bolha especulativa

domingo, 21 de agosto, 2011

As bolhas especulativas têm seu primeiro registro na história em 1637 na Holanda. A tulipa começou a ser desejada por todos os habitantes e rapidamente seu preço atingiu valores estratosféricos: o preço médio de uma flor conseguiria comprar carruagens e casa mobiliada.

A lógica da especulação era e continua sendo a mesma: comprar hoje e vender mais caro amanhã. Isso é verdadeiro enquanto houver outro comprador querendo pagar mais caro. Porém, essa bola de neve sempre termina. No caso das tulipas, diz a história que, depois de um bêbado comer a tulipa mais cara com uma mordida só, todos notaram que aquilo não tinha nenhum valor intrínseco, e seu preço desabou.

Depois disso, veio a bolha dos títulos mobiliários da South Sea Corporation, empresa inglesa que não tinha ativos, mas afirmava ter licença para explorar as riquezas dos mares do sul. Mais uma vez o colapso total foi iminente.

Os Estados Unidos escreveram várias histórias de bolhas especulativas nos últimos 80 anos. Em 1929, culminando no crash do mercado acionário, em 2001 com as ações das empresas de tecnologia, na Nasdaq e, mais recentemente, em 2008, com a bolha imobiliária.

O modelo norte-americano de riqueza se confunde muitas vezes com dinheiro rápido e fácil. Com isso, verificamos frequentemente uma nova bolha.

Qual seria então essa nova bolha?

Se eu tivesse que apostar, apostaria no OURO. É muita responsabilidade afirmar isso, mas, parafraseando Warren Buffet, “quem acredita na subida do metal está simplesmente apostando que mais tarde outra pessoa estará disposta a pagar mais pelo ativo. A lógica contraria o investimento em empresas, que têm linha de produção e geram riqueza ao longo do tempo”.

Ainda sobre o valor do ouro, o CEO da Berkshire afirma: “Você pode polir esse cubo, afagá-lo e ficar admirando-o, mas apenas isso, já que o ouro não tem valor intrínseco”.

Enquanto o ouro atinge máximas históricas, eu me pergunto qual seu valor de verdade. Vejam só: a terra produz alimento; a casa é um abrigo e segurança. E o ouro? É uma commodity. Poderá continuar subindo, mas só se sempre existir alguém disposto a pagar mais por ele, e não porque ele de fato trará mais riquezas.

Meu recado é esse. Cuidado ao investir em algo que só sobe sem nenhum respaldo econômico. A história da bolha pode se repetir lá na frente com o metal amarelo.

Esse texto foi escrito pelo amigo Diogo Velho Barreto, CPA-20, Agente Autônomo e Sócio FuturaInvest Recife, a quem agradecemos e parabenizamos pelas excelentes contribuições.

 

Investimentos sem mistério

quarta-feira, 17 de agosto, 2011

Investir não é ato isolado. Investir é uma ação decorrente de planejamento, que, por sua vez, é decorrente do diagnóstico financeiro e da definição dos objetivos financeiros. Investir requer estratégia, disciplina, conhecimento e acompanhamento.

Investir é uma ação dentre várias ações do planejamento financeiro: pagar dívidas, acumular poupança, contratar seguros, entre outros. Por isso deve ser inserido dentro do contexto mais amplo de finanças pessoais.

E mais: as finanças pessoais são o alicerce para a implantação de seu plano de vida. Seus planos financeiros devem respeitar seus limites, suas necessidades e suas responsabilidades, devem ladear seus avanços e as mudanças no cenário econômico, sempre em consonância com a preservação do patrimônio e da qualidade de vida, e devem, efetivamente, possibilitar a realização de seus sonhos (sem exagero, claro).

Na próxima quinta-feira, 18/08, 19h, apresentaremos, junto com o amigo Eduardo Malheiros, sócio da Futura Invest em João Pessoa, a palestra “Investimentos sem Mistério” na Faculdade Potiguar da Paraíba (Av. Walfredo Leal, antes do Pio X, em frente à sede do PSDB).  Você é nosso convidado.

O que há de errado com a Bolsa de Valores?

segunda-feira, 15 de agosto, 2011

O título deste post é a pergunta que não quer calar. Por que o baixo desempenho nos últimos meses quando as notícias são de um Brasil forte, com muitas reservas internacionais (US$ 350 bilhões) e bola da vez, destino da maioria dos investimentos estrangeiros?

Primeiramente, precisamos observar o índice Ibovespa (IBOV) em dólar. É desta forma que os estrangeiros olham o Brasil e é assim que devemos compará-lo com os demais índices das bolsas do resto do mundo. A queda anual até o dia 15/08/2011 é de -14,02% com o IBOV Dolarizado. Rentabilidade negativa, mas bem mais amena que os -21% que temos em Real.

Há questões internas que explicam parte desta queda do índice: inflação superior a meta de 6,5% e o conseqüente aumento dos juros fizeram com que houvesse um deslocamento natural da renda variável para a renda fixa. Além disso, juros mais altos inibem o consumo e, teoricamente, prejudicam o lucro das empresas.

Ainda há os problemas externos: aumento da aversão ao risco causada pelo problema fiscal europeu, arrocho monetário chinês e redução do crescimento dos Estados Unidos que, em conjunto com a insuficiente criação de empregos, não movimentam sua economia e impossibilitam a recuperação de sua capacidade pré 2008.

Focado mais na parte interna, nossa opinião é que naturalmente o IBOV irá passar por uma reestruturação. Da mesma forma que empresas de telefonia tinham um peso enorme no índice no início dos anos 2000, hoje, o índice conta com empresas de commodities no topo da participação da carteira teórica. Esse novo arranjo espelha o Brasil que deu certo. Acreditamos agora no consumo interno, serviços, educação, área de saúde e que isso se refletirá na composição do índice num futuro próximo.

Se tiverem oportunidade, analisem e comparem os gráficos dos  índice de Consumo, índice de empresas de baixo valor de mercado (small caps) e IBOV. Vocês vão perceber a diferença de rentabilidade entre eles desde 2009.

Na palestra que apresentaremos nessa quinta-feira, 18/08, às 19h30, na Livraria Saraiva do Shopping Recife, vamos aprofundar a discussão sobre os problemas internacionais e nacionais que fizeram com que a Bolsa de Valores tivesse uma performance medíocre nos últimos tempos.

No mesmo dia, em João Pessoa, os amigos Eduardo Malheiros e Rodrigo Leone vão apresentar, na Faculdade Potiguar da Paraíba (Av. Walfredo Leal, antes do Pio X), a palestra “Investimentos sem Mistério”, que também abordará, não há como fugir, esses temas.

Esse texto foi escrito por Diogo Velho Barreto, CPA-20, Agente Autônomo e Sócio FuturaInvest Recife.

Venda Descoberta

sábado, 13 de agosto, 2011

A volatilidade dos mercados nos últimos dias teve um fator psicológico forte. O pânico com o rebaixamento da capacidade de pagamento dos compromissos americanos foi apenas um tempero a mais para o problema fiscal europeu. Somado a isso, a possibilidade dos agentes especulativos de realizarem short selling – venda descoberta – contribui com o aumento da volatilidade.

Venda descoberta nada mais é do que a possibilidade de vender ativos emprestados com a expectativa de comprá-los por um preço menor e ganhar nesta diferença. Então para os especuladores, pânico é uma das palavras que abre uma grande janela de oportunidade.

O problema é a espiral que ocorre. Vende porque está caindo e está caindo porque está sendo vendido. E quem não tem, não quer ficar de fora. E empurra mais venda para continuar gerando mais necessidade de venda. E o ganho com a volatilidade é imensa. Como as operações são de curto prazo, os preços ficam extremamente distorcidos.

Para evitar pânicos generalizados e reduzir a volatilidade, alguns governos europeus proibiram a prática de venda descoberta hoje (12/08/2011). Bélgica, França, Itália e Espanha adotaram medidas alegando que os especuladores causam volatilidade nos mercados e essa é uma atitude que precisa ser combatida.

Muita boataria de dificuldades de bancos franceses fez com que a taxa de juros interbancária européia alcançasse valores extremamente elevados – demonstrando desconfiança entre a capacidade dos bancos – levando os governos a tomarem medidas que impeçam a derrocada no preço dos ativos caso a crise se agrave. No auge da crise de 2008, tanto o governo americano quanto o europeu proibiram a prática.

No Brasil esta prática é permitida e nunca foi proibida. Ainda temos esta ferramenta para poder lucrar nos momentos de crise.

Esse texto é de autoria do amigo Diogo Velho Barreto, CPA-20, Agente Autônomo e Sócio FuturaInvest Recife, a quem agradecemos a contribuição.