Os investidores estão sempre à procura do setor promissor para poder se estabelecer com determinada antecipação e conseguir ganhar mais dinheiro com essas previsões. Em 1995, iniciou-se um processo de crença nas empresas de internet que durou até o ano 2000. Os investidores acreditavam que as empresas online eram o futuro e estimaram lucros impressionantes e crescimento maior que o compreendido na época.
Depois do crash da Nasdaq, poucas empresas de tecnologia tiveram destaque ao abrir capital novamente. Google, que se provou uma excelente opção, e Groupon, mais recentemente, sem ainda ter conseguido gerar nenhum lucro.
Surge agora a nova queridinha do mercado: o Facebook.
A capitalização inicial da nova pontocom pode chegar a impressionantes US$100 bilhões. Algo como o valor de mercado do ITAU UNIBANCO. Com uma pequena diferença: o lucro gerado pelas empresas é completamente diferente: a empresa digital gerou US$1 bilhão para seus cofres, contra US$7 bilhões de um dos maiores bancos do hemisfério sul. Em outras palavras, comprar uma empresa com os números do Facebook seria comprar um retorno de 1% ao ano do seu capital. Aontece que precisamos avaliar a perspectiva que a empresa tem de gerar mais dinheiro e não sua capacidade atual, apenas.
A abertura de capital da maior rede social do planeta permitiu que pudéssemos visualizar seus números. A receita alcançou US$3,7 bilhões. Tem algo como 845 milhões de usuários em um universo de 2 bilhões de pessoas acessando a internet (42%). Metade dos usuários acessa a rede todos os dias. Os jogos da empresa Zynga são responsáveis por 12% da receita.
Como uma empresa com tais números iniciais consegue abrir capital valendo US$100 bilhões, mais do que a PepsiCo ou 2/3 da Coca-Cola?
O mercado sempre precifica o futuro. Há muito otimismo na capacidade de geração de valor da maior rede social do planeta. Um outro fator para termos números de capitalização tão elevado no início é uma estratégia também utilizada pelo Groupon: lançar apenas poucas ações no mercado para fazer com que a procura exploda e faça com que o preço atinja patamares mais elevados que o topo do Empire States. Apenas 5% das ações serão ofertadas, muito pouco para padrões americanos e para um IPO tão esperado.
Não consigo imaginar razão para investir em uma empresa que necessita de tantas apostas para justificar tantos números. Risco demais com tantas outras opções existentes.
Relembrando o que aconteceu recentemente: o Groupon teve um enorme sucesso no lançamento de suas ações, mesmo sem gerar lucro. As ações foram lançadas a US$20, chegaram a subir 50% no primeiro dia e hoje estão abaixo do patamar da abertura de capital.
Quem sabe o que vai acontecer com o Facebook?