Resposta objetiva: no curto prazo, em quase nada. No longo prazo, é bom, mas ninguém pode dizer se essa tendência prosseguirá…
Respondendo com um pouco mais de conteúdo:
O objetivo da política econômica do Governo é promover o desenvolvimento econômico, garantir o pleno emprego e sua estabilidade, equilibrar o volume financeiro das transações econômicas com o exterior, garantir a estabilidade de preço e o controle da inflação e promover a distribuição da riqueza e das rendas.
Para tanto, o Governo intervém na economia por meio de suas ferramentas de política monetária (regime de meta de inflação – a cargo do Conselho Monetário Nacional (CMN) e executado pelo Banco Central), política fiscal (receitas e despesas do governo), política cambial e política de rendas (controle exercido sobre os salários, os lucros, os dividendos, etc.).
Mas, como quase tudo na vida, essas políticas, apesar de precisarem ser independentes e autônomas, estão interligadas, de modo que qualquer alteração nas regras ou na condução de uma delas afetará o desempenho das demais.
É o que acontece quando o Banco Central reduz ou eleva a taxa básica de juros. Ao decidir por uma alteração na taxa de juros, o CMN visa à estabilidade de preços e controle da inflação (em obediência ao regime de meta de inflação), mas sabe que tal decisão terá impacto nas demais políticas (apesar de não caber a ele esse problema – o Governo tem vários outros mecanismos para combater os problemas decorrentes, entre eles a melhora na qualidade de seus gastos).
A redução da taxa básica de juros da economia permite que:
- As taxas de juros aos consumidores para empréstimos e compras parcelas sejam reduzidas (claro que não na mesma proporção – há que diga, por exemplo, que essa redução de 0,75% na taxa anual não permitirá mais do que 0,10% de redução na taxa de juros mensal do cheque especial), o que proporciona mais consumo e estimula a produção;
- As taxas de financiamento para empresas sejam reduzidas, o que proporciona mais investimentos no setor produtivo, mais emprego, mais renda e mais consumo.
Além disso, a redução na taxa básica de juros torna os títulos de dívida do Governo menos atraentes, o que estimula a volta do capital à renda variável, impulsionando o mercado de ações e os ganhos dos investidores nesse mercado.
O que acontece com o aumento de produção, emprego, renda, ganhos e consumo, você já sabe. Cabe ao CMN controlá-la.
O que está motivando a redução da taxa básica de juros, a gente desconfia. Se os argumentos são válidos, deixo para os economistas. Se as expectativas são corretas e a decisão acertada, só o tempo dirá.