Arquivo de abril, 2012

Aposentadoria: bom senso e consciência são fundamentais!

segunda-feira, 30 de abril, 2012

Estamos fazendo uma reforma nos quartos dos nossos filhos. Nesse sábado, 28/04, fomos até a casa do marceneiro, seu Joãozinho, para avaliarmos o avanço do mobiliário. Lá chegando, o Joãozinho nos mostrou seu “escritório” e atentou para o que já está planejado em sua cabeça: em três ou quatro anos, vai transformar a casa em pontos comerciais (já comprou inclusive as portas para as três salas que construirá) e se aposentar. Vai morar em seu “sitiozinho”, criar bodes (já comprou alguns) para a engorda e a venda, alugar esses pontos e viver de renda.

No mesmo dia, durante o almoço na casa da minha mãe, minha irmã perguntou se ele tinha assistido à palestra que ministrei na quinta, 26/06, sobre planejamento para a aposentadoria. Respondi que ele não precisava assistir à palestra, mas sim ministrá-la.

É incrível como há pessoas conscientes, mesmo sem tanta instrução, e pessoas inconseqüentes, com alto grau de instrução.

Acredito que com orientação profissional, o planejamento para a aposentadoria do seu Joãozinho seria mais eficiente, porém o conhecimento, as habilidades e o bom senso de seu Joãozinho já são suficientes para a eficácia do planejamento.

E olha que ele não usou nenhum produto financeiro de bancos e corretoras.

No próximo post, vamos tratar da relação entre previdência privada e planejamento para aposentadoria.

Não vou investir

quinta-feira, 19 de abril, 2012

Nessa semana, uma das notícias que mais movimentou o cenário político-econômico mundial foi a expropriação da YPF, filial argentina do grupo espanhol Repsol. Vejam algumas manchetes veiculas aqui no Brasil:

“Potências ocidentais condenam expropriação de YPF pela Argentina”, em18/04/2012 no site do Jornal Nacional no Portal G1

“Expropriação da YPF na Argentina prejudica imagem da América Latina”, em18/04/2012 na seção de Economia do Portal UOL

Na verdade, o que aconteceu de fato foi a aprovação no Senado argentino de um projeto de lei que prevê a nacionalização de 51% da YPF e de outra empresa do grupo que explora gás natural. Mas a já certa aprovação pelos deputados faz o mercado internacional tratar esse projeto de lei como sancionado e suas conseqüências como fato consumado. Tanto que a cotação das ações da Repsol despencou nas bolsas de valores.

Expropriar significa desapossar, legalmente e mediante indenização, alguém de sua propriedade.

Será que houve mesmo expropriação? Será que, para o sistema jurídico argentino, isso é legal? Será que para eles isso não pode ser caracterizado como abuso ou arbitrariedade?

Além disso, o governo argentino alega que não pagará a indenização calculada pela empresa, algo em torno de em 10 bilhões de dólares, pois a empresa não cumpriu os termos – principalmente sobre investimentos – acordados na privatização, argumento rebatido pela Repsol.

Independente desse debate, o que esse ato sugere é a insegurança jurídica. Dentre as incertezas e os riscos que envolvem as decisões sobre investimentos, o que mais afugenta os empresários e investidores é o desrespeito às regras do jogo. Algumas variáveis não estão nem nunca estarão sob nosso controle. Isso faz parte desse cenário de incerteza, mas não se pode admitir que variáveis controladas – mesmo que pelo Governo – fujam do padrão estabelecido, conhecido e, portanto, considerado.

Mais dia, menos dia, será possível a qualquer pequeno investidor brasileiro comprar e vender ações negociadas na maioria das bolsas mundiais. Essa é a tendência. Mas chegado esse momento, e a persistir esse comportamento dos “hermanos”, se me perguntarem se eu vou investir na Argentina, minha resposta será: “Não, não vou investir!”, mesmo se nosso blog é o Vou Investir. Rsrsrs!

 

Quero pagar mais imposto de renda!

quinta-feira, 12 de abril, 2012

Muitas vezes, durante nossas aulas de Finanças, de Mercado Financeiro ou de Planejamento Financeiro Pessoal, levantamos a seguinte questão: “Quem aqui gosta de pagar imposto de renda?” Quase sem exceção, de norte a sul do país, os alunos respondem que não. Mas será que não querer pagar imposto de renda é o comportamento correto? O que você acha?

Vamos às evidências:

O imposto de renda pago é o produto da alíquota pela renda. Alíquota maior, imposto de renda maior. O mesmo vale para a renda.

Uma vez que as alíquotas são fixas, pagar mais imposto de renda significa que você teve mais renda. Isso pode ser resultado de um salário maior, da valorização de suas ações em bolsa de valores ou dos fundos em que investe, de operações de compra e venda bem sucedidas, entre outros.

Os pontos críticos são:

  1. Quando o aumento da renda vier associado ao aumento das despesas. Aí é bronca!
  2. Quando o aumento da renda lhe fizer mudar de alíquota, por muito pouco. Aí o aumento do IR pago se deverá em parcela bem mais significativa ao aumento da alíquota.

Claro que a sensação é de que nos tiraram algo que é nosso. Mas atentem para o fato de que o Estado precisa cobrar impostos (tributos, de uma forma geral) e que, quanto mais pagamos, mais tínhamos recebido.

Assim sendo, em nossa opinião, a resposta NÃO dada pelos alunos não é direcionada ao pagamento do imposto de renda e sim à alíquota do imposto de renda. Na verdade, às alíquotas de todos os tributos e ao sistema de tributação.

Para finalizar, uma informação já um pouco antiga: em agosto 2010, o empresário Eike Batista revelou, no programa Roda Viva da Rede Cultura, que passou um cheque de 670 milhões de reais para pagamento de seu imposto de renda. Isso é ruim ou bom? Você também queria estar em condições de pagar o mesmo?

Resultado da Promoção Workshop Bootstrappers!

segunda-feira, 9 de abril, 2012

O Blog Vou Investir realizou o sorteio de um Workshop de Empreendedorismo Digital e já tem o resultado da promoção: a vencedora foi a Ingrid, que possui uma ideia empreendedora digital para o seu portal Bibliogastronomia. Parabéns!

Ingrid, favor nos enviar seu endereço (e-mail rodrigo@quick.net.br) para que lhe encaminhemos as informações sobre o seu Curso.

Aos demais, continuem nos visitando aqui no blog, no FaceBook e no Twitter.

Essa promoção foi realizada com Guilherme da Luz, que é editor dos sites que tratam de assuntos como Empréstimo Consignado, Seguro de Carros, Faculdade, entre outros, a quem agradecemos enormemente.

Custo Brasil:você sabe o que é isso?

quarta-feira, 4 de abril, 2012

Caros,

Motivado pelas recentes discussões acerca do Custo Brasil, seguem as primeiras páginas do capítulo 12 do nosso livro “Os 12 Mandamentos da Gestão de Custos”, editado pela FGV Editora em 2007.

Boa leitura,

Rodrigo Leone

 

A atividade empresarial e algumas situações a ela ligadas produzem gastos, despesas e, finalmente, custos, de maior ou menor dificuldade de identificação. Ao identificá-los, podemos classificá-los, registrá-los, medi-los, analisá-los, administrá-los e, possivelmente, reduzi-los. Porém, tal identificação não é simples, tanto para os custos visíveis, quanto para os custos invisíveis.

Os custos visíveis são identificados e registrados como reflexos diretos de alguma ação ou decisão gerencial, ou, até mesmo, de alguma disfunção empresarial. Mesmo assim, podem ser de difícil determinação, medição e/ou controle. Por exemplo, os desperdícios de recursos de qualquer natureza, os produtos e serviços defeituosos e a capacidade instalada ociosa. Entretanto, tais custos já ocupam espaço conhecido nos estudos acadêmicos e nos manuais técnicos profissionais.

Já os custos invisíveis, também chamados de custos ocultos ou custos escondidos, são de difícil caracterização e definição, pois possuem uma natureza especial: são, muitas vezes, resultado de ações tomadas por agentes estranhos à empresa. Assim sendo, como é possível percebê-los e medi-los? Tomemos, por exemplo, o tempo perdido na entrega de um produto ao cliente. Esse tempo gera custos de vários tipos, que não são, normalmente, definidos, medidos, nem, muito menos, administrados.

É preciso que o “dueto harmonioso”, formado pelo contador de custos e pelo gerente, se esforce nesse sentido. É uma questão de “gestão de custos” e não apenas de “contabilidade de custos”: administrar custos é uma tarefa conjunta entre a contabilidade de custos e as gerências de todas as atividades, sejam elas operacionais ou administrativas.

Os custos que discutiremos neste capítulo são reflexos da “sociedade perversa”, entenda-se Brasil, na qual a empresa está inserida. Os resultados provenientes dessa “perversidade” precisam ser controlados e atenuados.

Reiteramos que alguns dos custos que formam o coletivo “custo Brasil” raramente são identificados com alguma certeza, pois decorrem, muitas vezes, de agentes externos. O controle se torna difícil, mas não impossível. Precisamos defini-los, classificá-los e analisá-los corretamente, para empregá-los como alertas para ações gerenciais, melhorando, dessa forma, o planejamento, o controle e o desempenho das empresas.

O que dizem por aí…

Navegando pela internet, encontramos inúmeras referências à expressão “Custo Brasil”. De maneira geral, tal expressão é utilizada para generalizar alguns fatores desfavoráveis à competitividade das empresas sediadas no Brasil, independentes das mesmas.

Por exemplo, a estrutura tributária, que onera desnecessariamente algumas exportações, os encargos sociais, supostamente maiores que no exterior e os custos com transportes terrestres, portos, cujo estado de deterioração está hoje elevado em função da insuficiência de investimentos públicos em infra-estrutura desde o início dos anos 80 (NERY, 2006).

O site Wikipedia define “Custo Brasil” como:

“O termo genérico, usado para descrever o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no Brasil, dificultando o desenvolvimento nacional, largamente usado na imprensa, fazendo parte do jargão econômico e político local (…) apesar da prevalência do termo, não há um indicador específico associado ao conceito. O termo é usado geralmente de forma qualitativa, sendo impossível quantificar de forma exata quando representa o Custo Brasil.”

e apresenta os seguintes exemplos:

  • Manutenção de taxas de juros reais elevadas;
  • Spread” bancário exagerado;
  • Baixa eficiência portuária, com taxas elevadas e tempos de carga/descarga excessivos;
  • Burocracia excessiva para importação e exportação, dificultando o comércio exterior;
  • Carga tributária excessiva;
  • Custos trabalhistas excessivos, devido a uma legislação trabalhista obsoleta;
  • Altos custos do sistema previdenciário;
  • Legislação fiscal complexa, dando margem a subterfúgios que tornam as operações desnecessariamente complexas e arriscadas.