Caros,
Motivado pelas recentes discussões acerca do Custo Brasil, seguem as primeiras páginas do capítulo 12 do nosso livro “Os 12 Mandamentos da Gestão de Custos”, editado pela FGV Editora em 2007.
Boa leitura,
Rodrigo Leone
A atividade empresarial e algumas situações a ela ligadas produzem gastos, despesas e, finalmente, custos, de maior ou menor dificuldade de identificação. Ao identificá-los, podemos classificá-los, registrá-los, medi-los, analisá-los, administrá-los e, possivelmente, reduzi-los. Porém, tal identificação não é simples, tanto para os custos visíveis, quanto para os custos invisíveis.
Os custos visíveis são identificados e registrados como reflexos diretos de alguma ação ou decisão gerencial, ou, até mesmo, de alguma disfunção empresarial. Mesmo assim, podem ser de difícil determinação, medição e/ou controle. Por exemplo, os desperdícios de recursos de qualquer natureza, os produtos e serviços defeituosos e a capacidade instalada ociosa. Entretanto, tais custos já ocupam espaço conhecido nos estudos acadêmicos e nos manuais técnicos profissionais.
Já os custos invisíveis, também chamados de custos ocultos ou custos escondidos, são de difícil caracterização e definição, pois possuem uma natureza especial: são, muitas vezes, resultado de ações tomadas por agentes estranhos à empresa. Assim sendo, como é possível percebê-los e medi-los? Tomemos, por exemplo, o tempo perdido na entrega de um produto ao cliente. Esse tempo gera custos de vários tipos, que não são, normalmente, definidos, medidos, nem, muito menos, administrados.
É preciso que o “dueto harmonioso”, formado pelo contador de custos e pelo gerente, se esforce nesse sentido. É uma questão de “gestão de custos” e não apenas de “contabilidade de custos”: administrar custos é uma tarefa conjunta entre a contabilidade de custos e as gerências de todas as atividades, sejam elas operacionais ou administrativas.
Os custos que discutiremos neste capítulo são reflexos da “sociedade perversa”, entenda-se Brasil, na qual a empresa está inserida. Os resultados provenientes dessa “perversidade” precisam ser controlados e atenuados.
Reiteramos que alguns dos custos que formam o coletivo “custo Brasil” raramente são identificados com alguma certeza, pois decorrem, muitas vezes, de agentes externos. O controle se torna difícil, mas não impossível. Precisamos defini-los, classificá-los e analisá-los corretamente, para empregá-los como alertas para ações gerenciais, melhorando, dessa forma, o planejamento, o controle e o desempenho das empresas.
O que dizem por aí…
Navegando pela internet, encontramos inúmeras referências à expressão “Custo Brasil”. De maneira geral, tal expressão é utilizada para generalizar alguns fatores desfavoráveis à competitividade das empresas sediadas no Brasil, independentes das mesmas.
Por exemplo, a estrutura tributária, que onera desnecessariamente algumas exportações, os encargos sociais, supostamente maiores que no exterior e os custos com transportes terrestres, portos, cujo estado de deterioração está hoje elevado em função da insuficiência de investimentos públicos em infra-estrutura desde o início dos anos 80 (NERY, 2006).
O site Wikipedia define “Custo Brasil” como:
“O termo genérico, usado para descrever o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no Brasil, dificultando o desenvolvimento nacional, largamente usado na imprensa, fazendo parte do jargão econômico e político local (…) apesar da prevalência do termo, não há um indicador específico associado ao conceito. O termo é usado geralmente de forma qualitativa, sendo impossível quantificar de forma exata quando representa o Custo Brasil.”
e apresenta os seguintes exemplos:
- Manutenção de taxas de juros reais elevadas;
- Spread” bancário exagerado;
- Baixa eficiência portuária, com taxas elevadas e tempos de carga/descarga excessivos;
- Burocracia excessiva para importação e exportação, dificultando o comércio exterior;
- Carga tributária excessiva;
- Custos trabalhistas excessivos, devido a uma legislação trabalhista obsoleta;
- Altos custos do sistema previdenciário;
- Legislação fiscal complexa, dando margem a subterfúgios que tornam as operações desnecessariamente complexas e arriscadas.