Quando aplicamos em ações, ouvimos frequentemente os especialistas falando dos riscos envolvidos: a necessidades de analisar como está a economia real, taxa de juros, o setor e vários outros fatores para fazermos um investimento consciente.
O preço dos imóveis teve grande alta nos últimos anos. Os juros estão praticamente no menor patamar de sua história e deverão alcançar valores ainda mais baixos. O governo federal está utilizando dos seus dois principais bancos comerciais (Caixa Econômica e Banco do Brasil) para forçar a redução dos juros para o consumidor final, impulsionando a economia e afetando o custo de empréstimo imobiliário.
Somado a conjuntura atual, a abertura de capital (lançamento de ações na Bovespa) feita pelas empresas de construção civil para captação de recursos junto a novos acionistas trouxe, desde 2005, muito poder de compra e investimento. O montante arrecadado serviu para expansão e compra de novos terrenos.
Devemos pensar então que todas tem excelente desempenho, correto? Não. Mas se temos tantos fatores que impulsionam o setor de construção civil, qual a dificuldade encontrada por essas empresas?
Primeiramente, a inflação no preço de terrenos. Depois o problema de mão-de-obra qualificada.
Ainda há o problema particular de cada empresa. O aumento de custo e consequentemente redução das margens e uma coisa muito comum no mercado de ações: não entregar o resultado prometido afetou demais o desempenho das ações do setor.
Cyrela teve um aumento dos custos quando se expandiu geograficamente utilizando o sistema de parceiros. Viu a margem de lucro cair drasticamente. Suas ações caíram 30,65% em 2011. Para completar, perdeu o posto de maior construtora do Brasil quando a PDG Realty fez a aquisição da Agre.
Gafisa encontrou muitas dificuldades ao adquirir a Tenda. Acostumada a construir para classes mais favorecidas, a realidade dos projetos da Tenda (que construía para baixa renda) era completamente diferente do que a empresa estava acostumada a tratar. Os projetos se mostraram sem nenhuma rentabilidade e o caos se instaurou. Além de vários outros fatores, a dona dos empreendimentos Alphaville reportou prejuízo bilionário em 2011 e viu o reflexo em suas ações: queda de 64,94% no mesmo ano do prejuízo.
PDG Realty, hoje a maior do setor, enfrentou problemas também de mão-de-obra e suas fusões e aquisições estão demandando mais tempo que o esperado para ter conhecimento de caso sobre cada uma das empresas envolvidas. Achatamento de margens por aumento de custos e falha na entrega de resultados que prometeu ao mercado penalizou as ações: o resultado foi uma queda de 40,90%.
Obviamente nem tudo é só desastre no mercado imobiliário. A EZTEC não se aventurou em expansão geográfica, nem passou a construir para um público que não conhecia. Manteve o foco no que sabia fazer de melhor, não se endividou e entregou sempre o que prometeu. Resultado: alta de 15,39% em 2011 e mais de 40% no ano de 2012.
Essa diferença entre economia real e bolsa de valores é encontrada por um motivo simples: no mercado de ações, a precificação dos ativos é feita com expectativa no futuro. Se você entregar além do que promete, a performance da empresa na bolsa tende a ser positiva. Não conseguir realizar os feitos prometidos, o preço das ações pode ser penalizado.