Brasil, o ex-país do futuro
segunda-feira, 16 de julho, 2012Somos o ex-país do futuro. São notórias as críticas a nossa estagnada economia e à percepção de que tudo não passou de um sonho. O grande crescimento do PIB em 2009 de 7,5%, pós 2008, credenciava o Brasil como um país blindado à crises e com uma economia tão forte que nos elegia, junto à China, ao estrelato econômico mundial.
O que era observado em nossa economia que gerou tantas expectativas positivas?
- O crescimento da classe C e conseqüentemente da renda do trabalhador, impulsionando o consumo;
- Ampliação do crédito para habitação, gerando forte demanda em todo o país por moradia;
- Grande oferta de commodities e seus elevados preços por uma elevada demanda chinesa;
- Estabilidade econômica.
Esses eram uns dos principais fatores que faziam com que todas as empresas quisessem se instalar no Brasil. Mas e agora, o que mudou?
A economia brasileira começa a sofrer pelos gargalos já existentes de infraestrutura e reformas não realizadas, principalmente na questão tributária. Os altos encargos e a burocracia para realização de grandes projetos afastam investidores quando a perspectiva e otimismo estão inexistentes.
A crise gerou um choque de realidade. Cada país agora tenta preservar sua economia. Os Estados Unidos inundam o mundo com dólares provocando uma desvalorização artificial de sua moeda. A Europa completamente afundada em dívidas tenta se proteger de uma bancarrota geral e conseqüentemente um possível fim do Euro. E agora a China tem dificuldades para fazer sua economia crescer como antes.
Em tempos de bonança, tudo é muito fácil e simples. O mundo crescia e as reformas não foram necessárias, pois se ganhava muito dinheiro. Nossa balança comercial tinha um grande superávit e nosso real se mostrava cada vez mais fortalecido.
Contudo, da mesma forma como houve um excesso de otimismo no passado, é natural que haja um excesso de pessimismo neste momento difícil. Esta situação pode gerar bons frutos. Reformas necessárias podem andar, economia no governo deve acontecer e a mudança estrutural dos juros já está em andamento. Aproveitar o tempo ruim para fazer o dever de casa e no próximo ciclo de crescimento colher os frutos. Ainda há muito espaço para a economia capitalista crescer e equalizar as riquezas do mundo.


